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segunda-feira, setembro 14

tomo um café preto


fumo um trevo
dois trevo 
outro café preto 
um maratá porque acabou o trevo
o pulmão reclama e minha mãe fala de tuberculose
to fudido, eu sei
e alheio

quarta-feira, agosto 27

DISCRETO OLHAR



Por Michael Delacroix

Se ao meu lado
                         Sexo e sons
Um bater de coxas na contraluz e esse ardor nos meus sentidos
Pra que teu partir
    Permita-me mais emoções
Deixa que meus olhos
                                         Em tuas curvas
                              Tomem tantos rumos
E se decerto meu barco
                                      Em teu porto não atracares
Devolverei assim
                                      Um suspiro de outrora
Que será de lábios e luas
E um mero apelo sempre haverá
                  De garotos que em esquinas que se prezem

Uivam por prazer.

quarta-feira, outubro 9

Medusa



Por Michael Delacroix

Quantos anjos terão que me transformar?
Quantas asas terão que quebrar?
Quantos sois, quantas luas?
E somente assim deixar que caísse sobre mim
                                          Todo o rútilo pó das tuas quimeras
Se das tuas entranhas
Não me cabe tão pouco veneno
Teus mistérios desvendar trocando passos no escuro
Pois são juvenis meus anseios perante teu andar de labaredas que viram serpentes

Como é sutil existir para si
E como é complexo esse mergulho rumo aos teus infernos
Antevejo corvos, sobrevoo túmulos e dos teus lábios,
                                                                            Pingando estão tão profanos desejos
Como continuar?
Se te como de olhos fechados e abertos ao teu bel-prazer
O que resta a mim criança insolente nessa estrada da perdição?
Tens pernas e anéis
Tens indignos pensamentos bailando por detrás do teu olhar
É somente a noite que parece revelar

                                                      Essa parca imagem que desde sempre quis encerrar. 

domingo, maio 12

Homenagem ( Je taime, mon amour)


Je taime
Oh Mon amour

pardon modemoisseile meu frances ruim do caralho
Mas você vai sentir o sangue latino
quebrando suas vitrines de quatro
E vai descobrir que não hablo espanhol
Pois tenho língua portuguesa na sua buceta com perfume 

Je taime
Oh Mon amour

Esse vai ser o refrão, brega & clichê
Que vou dizer nos ouvidos
Enquanto goza e fuma um cigarette 
& toma um vinho tinto seco merlot

Je taime
Oh Mon amour

Eu sou brasileiro
Índio, negro, bandido, luso

Je taime
Oh Mon amour

Obrigado pelos cachê em euros
Vou trocar num guichê do banco do Brasil por dinheiro daqui  



terça-feira, janeiro 15

Da janela do quarto


Da janela do quarto
Ela diz cheirar o futuro
Enquanto o vento que sopra
Brinca entre seu cabelo escuro

E poeta que sou
Rimo versos por beleza

Da cozinha a sala de jantar
Ela põe os pratos, talheres, feijão, arroz
A carne frita na manteiga
E a salada de alface com tomates sobre a mesa

Esqueço os versos e como.
O pudim de limão, também, da geladeira.

Assim
Ela faz o poeta,
Homem.

Que na cama
Se desmantela no seu corpo nu
E depois vai lavar as louças sujas.

sexta-feira, novembro 23

A metáfora do malabarista



 




Num mundo de objetos e imagens velozes; de certezas com estruturas instáveis; de corpos sem pausas ou intervalos; de excessos de passos frenéticos sobre superfícies móveis; de manipulações diversas,
a ação do malabarista é a metáfora máxima da condição do homem presente nesta intitulada pós-modernidade.
Num gesto semelhante ao do malabarista, todos parecem estar equilibrando no ar as suas verdades éticas, morais, espirituais e afetivas.
Da mesma maneira que a clave não para na mão do malabarista por mais de um segundo, uma verdade definitiva também não se detêm na consciência do homem deste momento histórico. Tudo parece estar só de passagem.
Não há perspectivas para o olhar. Os olhos só focam a limitada área na qual a ação imediata se realiza. O olhar vigia o movimento do objeto.
O objeto nunca é conhecido no toque das mãos, no nível da apreensão sensível, mas sim na observação e controle do seu movimento.
A rapidez com que as claves passam pela mão do malabarista parece ser a mesma rapidez com que as coisas passam pela existência do homem atual.
O importante não é o contato, mas sim o controle de tudo que passa.
O controle do corpo, o controle dos objetos, o controle da ação, o controle da natureza, o controle das relações, o controle do tempo...
O controle, até, da inexorável força gravitacional que conduz os corpos ao seu definitivo final: a queda.
Em cada apresentação de um malabarista, estará exposta a metáfora da nossa condição atual: o equivocado desejo de controlar o movimento da vida por intermédio de habilidades inúteis.
Pois, hora ou outra, a força da gravidade vence, e clave vai ao chão.

terça-feira, novembro 20

Palavra Saliva





Nem toda dor no coração
se trata com cardiologista.
Dor de amor que não salta,
se trata com trapezista.

quarta-feira, novembro 7

Todos dançando no salão



Desculpa, não todos
Há uma exceção
Tem um cara encostado na parede
olhando os outros dançando no salão
ninguém sabe dele, mas ele também não sabe de todos
tem um cara escrevendo isso  agora
e ele estava dançando no salão
e reparou o cara encostado na parede
e achou que  seria muito importante falar daquela exceção

terça-feira, outubro 23

Quadrilha



Magrão era irmão caçula de Pacheco amigo de Seda
Que traficava drogas com Baba Baby
Que fez um plano pra assaltar um Banco
Pacheco comia Tatá que era policial e que forneceu as armas
Magrão ficou do lado de fora no Carro de Fuga
Pacheco na cobertura
Seda anunciou o assalto
E Baba Baby pegou o dinheiro
Tatá foi pra Jericoacoara com Pacheco
Magrão comprou um Playstation e uma chuteira da Adidas
Seda se internou numa clinica de recuperação
E Baba Baby sumiu da História depois que sua Foto saiu na Página Policial.

sexta-feira, agosto 24

Um discurso sobre putas.

Uma puta sozinha
Pode deflagrar um verão
Antes de qualquer coisa
Uma puta é uma mulher

Ou melhor, três mulheres.
Uma que sonha
Outra que chora
E por fim uma que trepa
Porque sem grana
Puta nenhuma se apetece.






segunda-feira, maio 28

Chuva Ácida

Os gritos ecoam fúnebres
Em meio à chuva que desaba neutra
Trovões estrondam no céu cinzento
Antecipando o pranto de nuvens
Carregadas de sofrimento e dor

Cada um de nós é um céu
Que brilha nos dias de glória
Que morre ao entardecer
Na beleza do pôr-do-sol
Céu de noites estreladas e da lua dos amantes

A chuva se fora do suor de faces cansadas
E das lágrimas derramadas em vão
Fazendo o céu tristonho
Chorar melancolicamente

Cada um de nós é um céu
E há dias em que o sol não sai
A tempestade se forma imperceptível
Precisa cair pra lavar alma
Levando consigo a acidez da terra                                                
Trazendo com a chuva os insumos da paz

sexta-feira, maio 18

DAMA do INFERNO


Antes rainha da noite,
Agora pedinte de meio expediente.
Vivendo das migalhas daquele passado
Em função de qualquer trocado presente
Nem parece que foste tão bela!
Suja e maltratada
Não é mais do que a rua esburacada
Não é menos do que uma cadela!
Cá, eu, enquanto poeta,
Vítima também do descaso
Sabido que a desgraça é certa
E felicidade é mero acaso
Entendo do cheiro da merda
E encontro sentido no estrago
Ah! Como a vida é mais fluída depois primeiro do trago!
O espírito encontra mais sentido na insensatez
Agora livre da pungente rigidez
É um corpo vazio que clama por gozo
Carne que inflama em alvoroço
Pensamentos que disparam em revoada
Euforia que corre nas veias a troco de nada
Olhos vermelhos de fumaça
Que ignoram a febre o tóxico
Que choram para dentro
E riem o mais puro ópio...
Portanto, se se vai morrer de qualquer jeito
Arranjem-me um leito qualquer
Para que possa mamar em teus peitos
Sugando a mesma claustrofobia do teu cachimbo
Permanecendo nesse mesmo limbo
Casarão abandonado em clausura
Abrigo da leptospirose e da loucura
Santuário da felicidade carcomida, corrompida,
Sugada, assim, de cada rachadura
Pois não sou eu, infelizmente,
Não sou eu,
Aquele que vai execrar os excessos da fissura
Não!
Não vou ser o falso Cristo das bocadas,
Condenando os que nas esquinas se consomem
Não sou aquele que vai dizer, dama do inferno,
Que nem só de crack vive o homem!

domingo, abril 8

Silêncio.

Silêncio lá fora
Casa vazia
Vazio em mim
Terra nua

Falta o sorriso
Falta a palavra
Falta os sonhos, ainda que já abortados
Realidade crua

Falta a ansiedade do telefone que não tocou
Ansiedade daquilo que não espero mais
Coração apertado
Faltou pulso?

Falta pensar na distância
Pensar em viagem
Sentir dúvida e  medo
Faltou desejo?

Falta você
Fazer-me mais falta
Assim não esqueço
O quanto é bom te ter!

Falta eu
Sonhar mais alto
Colocar os pés no chão
Sua nuvem carregada
Molhar  

quarta-feira, abril 4

E a pena?

A duras penas vou vivendo
Solitário
Sozinho
Discriminado e maltrapilho

Vivo cada dia e cada noite
Com intensidade!
Não a intensidade de um bom vivant
Sinto o frio da noite
E o sol dos dias
Como ninguém...

O frio, o vento, os sons
Acompanham-me
Não me vem
Transmudei!
Misturei-me com o cimento das calçadas
Empalideci
Transfigurei-me!

Não me vem!
Não me tocam
Tropeçam em mim
Sou indigno

Roubei!
Roubaram-me.
Puniram-me!
Como Cristo?
Não me enalteceram!
Não me pregaram nos templos
Contemplo.
De fora,
Não me permitem entrar...

terça-feira, abril 3

Inacabado

Meu álcool é o sabor do teu beijo
Tentei fumar, achei bonito, mas é chato
Descubro-me  todos os dias um novo ser, um antigo homem
Um aspirante velho atordoado por amores nunca resolvidos

Hoje já tentei me matar
Ontem antecipei minha ressurreição
Não sei aonde tudo isso um dia vai dar.

É foda! Às vezes é difícil, não consigo entender
Os livros comprados e não lidos, paginas lidas e não entendidas
Roupas parcelas e não vestidas.

Dói uma dor que não entendo
Hoje já tentei me matar
Mas é Foda!
Ninguém quer me comprar...

domingo, março 25

O que se Perde

O mundo em preto e branco
As cores já não suavizam as retas duras do concreto
Agora só resiste o que é realmente belo
O que não se perde na luz difusa

O mundo em escala de cinza
A rosa não é menos bela por não ser mais rubra
A disposição das sépalas ostenta sua coroa
O que não se perde a majestade

O mundo em flash-back
A vida passa lenta quando se corre sem propósito
Na tela da mente a projeção do futuro
O que não se perde com o tempo.

O mundo sem tempero
Fast food e jantar sozinho
Num restaurante popular a companhia de estranhos
O que não se perde com a solitude.

O mundo enfurecido
Palavras atiradas como facas, pensamentos disparados
Nos versos do poeta cada fonema é um afago, cada verso uma oração
O que não se perde na catarse

O mundo vide bula
Antidepressivos e calmantes
Em cada comprimido uma dose de equilíbrio
O que não se perde na crise.
                                                         
O mundo em litígio
Casamentos por conveniência, contrato pré-nupcial
No amor sincero a esperança, comunhão dos bens da alma
O que não se perde para a ambição.

O que não se perde, o que se perde?
Nada, nada se perde...
A perda é uma opção passiva!

Não se perde a fé,
Todo o dia o sol nasce e banha de luz a escuridão do pensamento
Não se perde a esperança
Quem sabe um dia ele volta a nos procurar
Não se perde a ternura
O sorriso da criança acalma os ânimos coléricos.

O que se perde, o que se perde?
Tudo, tudo se perde...
Quando se esquece como amar!


quinta-feira, março 15

Sono dos Santos Imortais

Carregue-me ao mais alto pico
Leve-me....
Naquele lugar secreto que só a ti pertence
Vem exalar teu aroma em mim
Vem levando-me e cavalgando em nosso destino secreto
Onde o desejo não se esconde
Vem deslizando em meu corpo
Dedilhando sua melodia em minh'alma
Deixando-me em estado de êxtase
Inebriando meu ser
Sem sufocar com tua presença
Assim bem devagarinho
Em ponta de dedos
Vem subindo em minhas pernas
Tocando suavemente meu sexo
Com sua língua quente tocando em meus seios
Enchendo de prazer... E esse teu cheio que exala em todo o quarto
Enlouquece meu ser...
Vem... Não demore mais
Quero o sono dos santos Imortais...





domingo, dezembro 18

CARTA A ARTHUR RIMBAUD.

Foi por um lapso
Eu devia ter tirado sua foto Rimbaud
Foi ontem, sim foi ontem
Quando te vi subindo a escada volante daquele shopping
Com aquele olhar de cristal iluminando os espaços ao redor
Já fazia um certo tempo desde a última vez
Lembro muito bem da primeira
Foi nos mágicos anos noventa
Eu subia a rua de ladeira do lado esquerdo do teatro Arthur Azevedo
E você descia a Rua da Paz em direção a Praça João Lisboa
Você me parou por conta da minha camisa do Kurt Cobain
Sim Rimbaud você queria entender aquele olhar
Esse mesmo olhar que você forjou na fria Ardenas no interior da França
Olha Rimbaud naqueles dias eu andava maravilhado
Maravilhado com as coisas que você me ensinava
A Liturgia das ruas, a velha postura rebelde
Todas as histórias sobre os Símbolos
Você que conheceu Marllamé, Baudelarie, os Parnasianos
Como chegou aqui na nossa Ilha rebelde
Eu prometi ajudar e entender seus filhos
Sim seus descendentes os Hippies
Me explicou que eles não tinham culpa
Você havia desgrenhado as estradas da frança do século XIX
E eles seguiam agora quase sem destino uma certa estrada
Rimbaud naquela época eu era apenas um adolescente, um aprendiz
Você já perambulava pela 28 com um príncipe Dionisíaco
As pessoas me olhavam com um certo respeito
Era uma honra aprender com você o acesso as vias
Os sabores, aromas, os versos e as experiências
O Reviver sempre foi para você um Vortex
Depois para mim representava esse portal e muito mais coisas
Você dizia que os vultos dos nossos grandes viviam por lá
Diversas vezes Rimbaud eu vi você chorando ao lado dos mendigos
Abraçados com miseráveis eu chegava a ver suas asas de anjo
Essas mesmas asas que acalentavam aquelas dores
Hoje Rimbaud sou apenas um mero escritor
Envolto no dia a dia da administração de valores, sistemas e vidas
Se você me visse ia sorrir da minha gravata
Da minha indumentária de homem de negócios
Mas é na solidão do meu quarto
Quando leio as tuas Iluminuras que me ponho a chorar
E a ter certeza que aqueles versos desvendaram a mim o mundo
E que esses mesmos versos estarão comigo para sempre.
Me lembrando que a poesia, a música, a arte eu nunca poderei abandonar.

sexta-feira, novembro 25

Teus olhos de mar

Eu na terra e minha linha n’água”


(Fala de um pescador desconhecido na Beira-Mar)



Dá uma vontade quase mortal

De ser o mar...

E de me encontrar em ti.

Navegar de manso igual a calmaria

que mareja teu olhar, teu ser.

O sabor marítimo que lança teus dedos

Joga-me contra as pedras da beira-mar.

Olha-me como ondas mais violentas de um mar revolto.







segunda-feira, novembro 21

canção de adeus


Quando te busquei não estava ali
Quando esperei...foi ai que eu vi
Que nessas horas ao te implorar
Era como se a brisa empurra- se o mar
E nessa busca por um adeus
E nesse beijo que se rompeu
Fui e voltei na imensidão
Era só mais uma poeta em solidão
E quando o sol se escureceu
E quando a noite então viveu
Pude te ver e te enxergar
Pois vi o céu na encosta do mar
São serenas em uma noite quente
São mil beijos como uma enchente
Que me afogam em um desatino
Que me afagam como um carinho
E quando te vi não estava mais lá
E quando te busquei nunca pude pensar
Que era só um beijo que tu vinhas pegar
E meu amor tu deixarias lá...