quarta-feira, abril 30

Mephisto e o Cinema Pungente de István Szabó


Por Paulo Dias
            O cineasta húngaro István Szabó recebeu grande reconhecimento internacional com a realização de "Mephisto" em 1981. Com a projeção internacional, Szabó filmou em seguida dois filmes sólidos que consolidaram seu cinema, a saber: "Coronel Redl" e "Hanussen". Seu primeiro longa-metragem foi "Idade das Ilusões" de 1964 e o segundo foi "Pai" de 1967, que o colocaram no front do cinema húngaro. Ganhou reconhecimento no resto da Europa com o filme "Confiança", no qual foi premiado com o Leão de Ouro de Melhor Direção no Festival de Veneza e com o Prêmio Especial do Júri de Melhor Filme no Festival de Berlim.
           Em primeiro momento, o cinema de Szabó era permeado de elevado teor dramático e autobiográfico. Entretanto, a partir de "Contos de Budapeste" de 1979, Szabó mira sua câmera para questões políticas, mudando seu foco cinematográfico em crescente ascensão. A partir disso, seu cinema atinge o ápice de criatividade e beleza que tanto tencionava. Em busca incessante da resposta de uma pergunta, pela qual pensou várias vezes, - o que é tão único no cinema? - chegando à conclusão que "as palavras ficam melhor na literatura. Formas, luz, sombras e cores ficam melhor na pintura; atuar é melhor em uma boa peça escrita por Shakespeare. As emoções ficam melhor na música. Mas, um filme tem algo especial que nenhuma outra arte pode mostrar".
          Na filmografia excelente de Szabó, há além dos filmes supramencionados: "Um Filme de Amor" (1970), "Encontro com Vênus" (1991), "Sunshine - o Despertar de em Século" (1999) e "Adorável Júlia" (2000). Seus filmes têm tanto o poder de encantar quanto de nos fazer questionar intimamente sobre nosso papel no mundo. Cinema para pensar e não apenas entreter! Cinema para nos perturbar e para nos retirar de nossa zona de conforto!
          A obra-prima inigualável "Mephisto" de 1981 é um dos grandes filmes a abordar a relação entre arte e política. O longa-metragem é baseado no livro homônimo de Karl Mann (filho do escritor Thomas Mann, autor de "Doutor Fausto" e "A Montanha Mágica"), que por sua vez é baseado na vida do ator de teatro Gustaf Grungrens, consagrado por servir como marionete nas mãos do Terceiro Reich, assim como o cantor Roberto Carlos que se tornou um aliado fiel da Ditadura Militar Brasileira entre os anos de 1964 e 1985, sendo alçado pela famigerada Rede Globo ao posto de "Rei". Em paralelo com "Fausto", o ator Hendrik Höfgen vende-se ao partido nazista, objetivando atingir sucesso imensurável dentro dos palcos e acreditando por ser "apenas um ator" estará isento das questões políticas. Apesar de seu passado em favor do Bolchevismo em Hamburgo, o partido nazista lhe perdoa devido aos seus serviços prestados à grandeza do povo ariano. O ambicioso Höfgen segue para Berlim com o intuito nefasto de chegar ao estrelato, que anseia com todas as suas forças. No papel de Höfgen está o ator germânico Klaus Maria Brandauer numa atuação visceral - diria até uma das maiores da história do Cinema. Uma cena marcante é a "transa teatral" entre Höfgen e uma belíssima negra alemã chamada Juliette (sua professora de dança e amante), que por motivos raciais Höfgen a renuncia para ascender socialmente. O grande papel na carreira de Höfgen é Mefistófeles da peça "Fausto" de Goethe, que trata de um homem que vende a alma ao demônio em troca de conhecimento. A primeira cartada de Höfgen é o casamento com a burguesa Bárbara. A segunda cartada é ter se tornando amigo do primeiro-ministro para obter certas vantagens. Ao galgar ao posto de diretor do Teatro Nacional de Berlim, Höfgen vê um a um de seus amigos desaparecendo "misteriosamente" por divergirem do regime nazista, enquanto vive passivamente numa inação total. Com efeito, "Mephisto" é uma reflexão sociopolítica sobre artistas inseridos em regimes autoritários, cuja missão verdadeira é combater a arte manipulada pelas mãos sujas e inescrupulosas de ditadores, uma vez que artistas de verdade não compactuam com o terrorismo de Estado. O filme foi premiado como melhor roteiro no Festival de Cannes, ao passo que no Oscar ganhou a estatueta de Melhor Filme Estrangeiro.
Cena de Mephisto:

domingo, abril 27

Mari

Ela era minha amiga das antigas. Amizade mesmo. Falava tudo pra ela. Minhas paixões, o platonismo, o que lia, dividiamos livros, maconha,  filme, assistiamos filme, só não fudiamos até então. Sim, foi num certo dia deu na veneta dela que queria fuder comigo. Soube que tava bem triste. Algum amigo em cumum me contou. Fui lá ver se fazia tirar um sorrisso do rosto dela. Coisa que fazia com minhas piadas malucas que se amarrava em altas gargalhadas. Mas sua cara tava um desastre de solidão. Fazia tempo que tava no total tédio e sem fuder e eu tava solteiro e um tempinho também sem fuder. Nunca senti tesão por ela. Mas sacava que ela sentia tesão por mim porque uma vez me deu um poema que falava do meu peito com creme escorrendo e ela lambia. Os pais dela tinham saido de casa. Eu e ela no sofá da sala e rolando algum programa ralado na tv.  Ela falou que queria fuder comigo, não sei se foi ao certo com essas palavras, enfim. Disse que queria tomar alguma coisa antes. Me trouxe cachaça da terra da adega do lado da tv e virei num gole só. O suficiente pra esquentar por dentro. Beijá-la e transarmos ali no sofá. Uma foda de fundo amistosa  e antidepressiva. Sair de lá me sentindo um bom rémedio. Ainda fudemos outras vezes depois disso. Soube que ela se casou outro dia. Conheci o cara e ele não foi com minha cara. Sei lá se ela falou algo de mim. Vou até ligar pra ela hoje saber como ela tá.

quinta-feira, abril 24

Nas Entranhas do Medo: Apologia a H. P. Lovecraft

Por Paulo Dias

        O escritor Howard Phillips Lovecraft inicia "O Horror Sobrenatural na Literatura" com: "a emoção mais forte e mais antiga do homem é o medo, e a espécie mais forte e mais antiga de medo é o medo do desconhecido". Esta frase exemplifica, em parte, uma característica inerente dos contos fantásticos de Lovecraft, carregados com a presença desse medo do desconhecido e com grande carga de imaginação. Apesar de não ter publicado nenhum livro em vida, Lovecraft publicou inúmeros contos de terror e de natureza sobrenatural em revistas literárias. Extremamente influenciado por Edgar Allan Poe, Lovecraft é um dos precursores da ficção científica (vide "Entre as Paredes de Eryx").

       H. P. Lovecraft nasceu no ano de 1890 em Providence, Rhode Island nos Estados Unidos. Sua infância foi atribulada desde a morte precoce do pai. Uma influência especial e derradeira em sua vida literária foi seu avô materno, que o apresentou clássicos da literatura como a "Odisséia" e a "Ilíada". Como uma criança reclusa e precoce, já cultivava a escrita na idade tenra, escrevendo poemas e recitando-os para os familiares. No entanto, frequentava a escola esporadicamente devido aos problemas de saúde, que se intensificaram com a morte do avô. A partir desse evento, passou a viver em extrema reclusão. Anos mais tarde, foi recusado pela Brown University, que ajudou muito agravar seu estado de saúde. Devido aos seus contatos literários que mantinha mediante cartas, o jovem escritor interessou-se em publicar suas histórias fantásticas.
        Indiscutivelmente, Lovecraft foi um dos maiores escritores de literatura fantástica. Interessado em Ciências - principalmente Astronomia - e em Ocultismo, o escritor de "O Caso de Charles Dexter Ward" permeou seus contos com seres fantásticos (originados dos tempos mais remotos da humanidade) e com personagens à beira do delírio e da loucura. Como epígrafe do conto "O Horror em Red Hook", a frase do escritor Arthur Machen - "Existem tantos sacramentos do Mal como do Bem ao nosso redor, e vivemos e nos movemos, a meu ver, num mundo desconhecido, um lugar onde existem cavernas e sombras e habitantes na penumbra. É possível que o homem às vezes possa voltar atrás no caminho da evolução, e acredito que um conhecimento terrível ainda não está morto" - atesta a própria identidade dos principais contos de Lovecraft.
      Embora não tenha sido muito cultuado em vida, foi reconhecido após sua morte em 1937 como um grande escritor do gênero conto, sendo considerado por Stephen King como uma influência dilacerante em seu trabalho, e também sendo bastante propalado entre os roqueiros da década de 1970. Especificamente, a letra da canção "Behind the walls of sleep" do Black Sabath é inspirada em um conto lovecraftiano. Com efeito, um dos contos mais cultuados de Lovecraft é "O Chamado de Cthulhu" - belo exemplo de como explorar o medo do desconhecido - inspirando um famoso RPG na década de 1980. O grande escritor argentino Jorge Luis Borges dedicou, à memória de Lovecraft, o conto "There are more things" pertencente ao "O Livro de Areia".

        Há que se salientar a influência latente do autor de "O Mistério de Marie Rogêt" nos escritos seminais de Lovecraft. Inclusive, há um capítulo devotado exclusivamente para o autor de "O Relato de Arthur Gordon Pym" em "O Horror Sobrenatural na Literatura". Em certo sentido, os contos de Poe motivaram o jovem Lovecraft nos primeiros esboços literários, tal que Poe foi um agente catalisador no ser solitário e recluso que vivia com a mãe, as tias e avô materno em Providence. Desnecessário dizer que Lovecraft preferia a companhia de livros do que de amigos na infância. Mas, foi graças aos amigos literatos e fãs de sua obra, que após sua morte fundaram a editora Arkham House e divulgaram seu grandioso trabalho, que Lovecraft se transformou em um dos autores mais lidos e cultuados da atualidade.

terça-feira, abril 22

A língua do P.

Meu peito apertado espreme minhas artérias.
E minhas artérias exprimem a dor que corre em meu sangue.
Pura expressão da confusão de pensamentos que me subtraem.
E diminuída de sanidade, reduzida ao fardo, sofro.
Sofrimento espremido, exprimido, extirpado e subtraído.

Se da transfusão do sangue que doei nada restou,
Se da minha pressão arterial multiplicam-se as tensões
Se da minha testa pesam todos
Se do caixote em que caibo sufocada não me abrem.

Por hoje sem alívio,

Apenas o sono dos injustos. 

sábado, abril 19

Bem feito ao Felipe Massa


O piloto Felipe Massa passou 12 anos na Ferrari, sendo 6 como piloto de testes e outros 6 como piloto titular, após a saída do Rubens Barrichello que conseguiu ser apenas a sombra do alemão Michael Schumacher e ser bem pago pra isso (de não competir e permitir que o alemão sempre ficasse na sua frente ou o ultrapassasse), quem não lembra do GP (Grande Prêmio) da Áustria em 2002 (espero não estar enganado) o piloto brasileiro estava na liderança ao longo da corrida na frente  do alemão e na última volta a poucos metros de chegar na largada final e garantir a vitória, ele recebe ordens da escuderia italiana (Ferrari) para permitir a ultrapassagem do Schumacher? Um dos maiores vexames ocorridos na competição que causou a revolta dos outros pilotos e as escuderias a Michael Schumacher e a Ferrari, e solidários ao Rubens Barrichello.

O Felipe Massa com todo esse ocorrido, no inicio foi tratado realmente como piloto com direito de competir de forma igual ao parceiro de equipe, o finlandês Kimi Raikkonen (piloto que substituiu o Michael Schumacher após a aposentadoria).

Os dois pilotos nunca foram campeões mundiais, isso contribuiu o direito de competir na busca pelo titulo, o ano de 2007 o Kimi Raikkonen foi campeão na Fórmula 1, e na última corrida (que ocorreu no Brasil em Interlagos, São Paulo – SP ) como o Felipe não tinha chances nenhuma de ganhar, ele abriu mão de ganhar a corrida dentro de casa pra favorecer o seu parceiro da escuderia.

Até aí nada demais, o jogo de equipes é válido porque não existe prejuízo a ambos pilotos dependendo da situação, e no ano seguinte (2008) foi a vez do Kimi Raikkonen em ajudar o Felipe Massa porque o primeiro não tinha mais chances de lutar pelo título na temporada, enquanto a segundo estava lutando e disputado com o outro piloto, o inglês Lewis Hamilton (primeiro negro e mais jovem piloto a se tornar campeão da competição aos 22 anos).

A disputa pelo titulo ocorreu até a ultima corrida, no Grande Prêmio do Brasil em Interlagos, São Paulo – SP, com ajuda do Raikkonen o Massa venceu o GP que até aí garantiria o campeonato, entretanto, o inglês precisava chegar no mínimo na quinta colocação da corrida para garantir o título, e até a ultima curva antes de chegar o fim da carrega, e de forma milagrosa (ou misteriosa) ele conseguiu a ultrapassagem sobre o piloto alemão Timo Glock, chegando em quinta lugar e com o somatório dos pontos ao longo da temporada, garantiu o título ao inglês mesmo com a vitória do brasileiro.

No ano seguinte (2009) as coisas começaram a mudar, principalmente com a chegada do piloto espanhol Fernando Alonso, bicampeão da competição com a escuderia Renault nos anos de 2005 e 2006, chegou para substituir o finlandês Kimi Raikkonen que havia saído da competição, e a Ferrari já não conquistava o campeonato da Fórmula 1 desde o último título do alemão Michael Schumacher (2004), o Alonso veio como promessa de dar títulos como piloto e também dos construtores, para retomar a hegemonia que pendurou nos anos do Schumacher quando pilotava.

É daí que veio o problema, o Felipe Massa perto do Fernando Alonso é uma espécie de segundo piloto pelo fato de não ter conquistado o campeonato da competição, e o segundo foi contratado a peso de ouro com a promessa de títulos para a escuderia.

Rubens Barrichello quando saiu da Ferrari e o Felipe Massa assumiu o seu lugar, o Rubinho deu uma declaração meio que polemica ao afirmar que o Massa não teria muito espaço na escuderia italiana se houver pilotos melhores que ele com o currículo de ter sido campeão, a imprensa não deu muita atenção para a declaração, e interpretou como inveja do brasileiro que passou anos na escuderia e não ter conseguido o campeonato.

E para complicar ainda mais a vida do Felipe Massa, no mesmo ano de 2009 no GP da Hungria (espero não estar enganado) o piloto é atingido por uma mola que se soltou no motor do carro que estava a sua frente, que por coincidência é do outro brasileiro, o Rubens Barrichello, que estava na outra escuderia, com os carros em movimento e de altíssima velocidade acima de 250 km/h a 300 km/h, a mola quando se soltou atingiu o capacete do Massa na região que fica os olhos do piloto numa velocidade acima de uma bala quando é disparado, causando o acidente em que o piloto poderia morrer se não fosse à resistência do capacete a impactos, mas ficou meses fora da competição para se recuperar.
Nesse intervalo, o Fernando acumulou vitorias e estava competindo pelo titulo da temporada, fazendo a Ferrari trabalhar exclusivamente para si por essa meta, quando Massa voltou a pilotar pra escuderia, começou uma série de lambanças que prejudicaram o piloto nas pistas, mostrando uma clara diferenciação dele com o piloto espanhol.

A demonstração estava as claras para todos que acompanha as corridas ao longo do ano, mas o Massa preferiu o silêncio, a omissão e aceitar tudo passivamente, e vale ressaltar que os dois pilotos não se entendem, quando o Alonso estava na Mclaren e o Massa na Ferrari, os dois protagonizaram umas das discussões mais acirrada fora das pistas, um acusando o outro por deslealdade, isso ocorreu justamente no ano de 2008 quando Massa estava brigando pelo título contra o companheiro do espanhol, o inglês Lewis Hamilton.

A Ferrari obviamente sem nenhuma sombra de dúvida, não se importou da desavença existente entre os dois pilotos, ficando claro para a escuderia que um seria privilegiado e o outro o mero coadjuvante, foram quatros anos perdidos para o Felipe Massa, promessa de ser o grande piloto assim como Rubens Barrichello, ofuscado por interesses mesquinhos da escuderia.
Quem é amante do automobilismo e viu grandes disputas entre Airton Senna e o francês Alain Prost que pertenceram a mesma escuderia no final da década de 1980 e início dos anos 1990, a Mclaren, e inimigos dentro e fora das pistas em que os dois chegaram a protagonizar brigas e discussões tanto dentro quanto fora, se revolta com o tratamento dado pela Ferrari aos pilotos brasileiros.
E mais revoltante ainda é que tanto o Rubens quanto o Felipe, preferiram o silencio a bater de frente com os dirigentes da escuderia contra o desrespeito, mas não duvido que os dois foram muito bem pagos para ficarem calados e serem tratados como segundo piloto, nessas horas eu me lembro de um piloto que teve uma passagem muito breve na fórmula 1, que é pouquíssimo lembrado até mesmo por admiradores do automobilismo. 

O colombiano Juan Pablo Montoya, que correu pela Willians nos anos 2000 no período de hegemonia da Ferrari e do alemão Michael Schumacher, ele não foi de fato um grande piloto até porque a Willians estava já em decadência e havia perdido a hegemonia desde a última conquista em 1997 com o canadense Jacques Villeneuve, mas chamava atenção dos demais pilotos e as escuderias pela ousadia, não tinha medo de correr e fazer ultrapassagens em curvas fechadas ou até mesmo consideradas impossíveis.

E chamou atenção de nada mais e nada menos que a Ferrari, manifestou publicamente o interesse de fazer um contrato futuramente até a próxima temporada no lugar do Rubinho Barrichello, aí o colombiano se manifestou ao interesse da escuderia italiana com a seguinte declaração:

“Irei para a Ferrari com uma condição: desde que eu vá competir de igual com o Michael Schumacher”
Após essa declaração, a Ferrari não deu mais nenhuma manifestação de fazer o contrato futuramente com o piloto e se recusou de comentar a declaração dada pelo piloto impondo as condições, dentro das pistas o Juan Pablo Montoya não foi o grande piloto, mas foi grande fora dele ao não se submeter aos caprichos mesquinhos e nojentos da escuderia.
Atitude esta deve servir de exemplo para muitos pilotos, coisa que o Felipe Massa preferiu não seguir, perdeu quatro anos de sua vida como profissional e se tornar realmente não como promessa, mas sucessor do Airton Senna, Nelson Piquet e outros grandes pilotos daquela geração.
Este ano o Massa foi para a Willians, considerado o recomeço na vida do piloto quando a Ferrari decidiu não mais renovar o contrato, e contratar o outro campeão, o finlandês Kimi Raikkonen, muito bem feito para o piloto que ficou esses anos calado sem fazer uma declaração sequer contra os caprichos dado somente a um único piloto, no caso, o Fernando Alonso.

A contratação do Kimi Raikkonen foi uma demonstração de que a Ferrari quer ser campeã nesta temporada 2014 independente quem seja o piloto, que tanto ele e o Alonso irão medir forças nas pistas pelo título, que até o momento a Ferrari não se manifestou de querer beneficiar um deles.

Até porque ao contrário do Massa e do Barrichello, o Raikkonen é explosivo e não aceita caprichos desse tipo, e muito menos aceitará ser submetido ao papel de segundo piloto, e rola nos bastidores que os dois pilotos não tem uma relação nem mesmo tão cordial, e não será nenhum espanto ao longo da temporada haver uma briga dentro e fora dele envolvendo o Kimi Raikkonen e o Fernando Alonso.

O Felipe Massa deixou a Ferrari praticamente pelas portas dos fundos, assim também com o Barrichello, bem feito é pouco, seria bom que o Massa fosse banido na fórmula 1 e voltasse a correr o kart no fundo do quintal de sua casa, mas quem é amante do automobilismo, assim como eu, espero que seja não só o recomeço, como também que ele possa estar na disputa nesta temporada e quem sabe brigar pelo título.
Pois seria até bom para o Willians, porque há quase 20 anos a escuderia não ganha o campeonato de pilotos e nem de construtores, e que este ano seja um retorno triunfal para voltar ao cenário automobilístico e se tornar uma referencia de fato para os demais pilotos que sonham em ingressar na fórmula 1.

Menina fumando diamba na Janela


terça-feira, abril 15

A Monster House voltou.

E essa camisa aí?!
Muito grande?
Não, é feia mesmo. – viu um buraco que não percebi – Inda tá rasgada: além de feia, não presta. – amigo é pra essas coisas.
E eu tinha ido na casa daquele filho da puta pra ver como ele tava. O pai dele tentou matá-lo. Em uma das brigas, empurrou-o para fora do carro em movimento. Mas antes, devo contextualizá-los:
Havia um lugar chamado Moster House. Casa que Ronaldo, o sacana que zoou minha camisa, recebeu por herança da mãe, que falecera quando ele tinha uns doze anos. Os pais eram divorciados, a casa ficou pro filho. O lugar era o nosso paraíso. Lá não havia derrotados, não havia “mundo lá fora”, não havia expectativas, deuses, demônios, prédios, carros... até a falta de mulheres era superada – em certa medida. O paraíso da nossa turma (jovens, bêbados, suficientemente inteligentes, talentosos e desperdiçadores de vidas que ninguém sentiria falta). Capaz de em nossos velórios irmos apenas nós, os pais iriam só por serem pais. Já deveríamos ter saído das casas deles, mas a vida não quis. Espero que “AINDA não quis”, ninguém quer ficar lá pra sempre. Eles pensam que gostamos mesmo daquilo. Porém tiramos nossas mentes de lá bem antes dos jovens que saem bem sucedidos, embora nossos corpos continuem ali.
Eu, particularmente, tenho certa raiva dos meus pais. Me colocaram no mundo sem nem um tipo de planejamento. Não tinham condições financeiras nem mentais para terem filhos – dessas duas, a única possível de alcançar é a financeira. E depois, simplesmente, exigem que a gente vença o mundo lá fora, que sejamos verdadeiros protagonistas de romances burgueses. NÃO, pais! Nós odiamos isto tudo, e não temos a menor vontade de levantar nenhum prédio, de construir nenhuma ponte, de defender nenhum político ou pai de família, de lecionar pra nenhuma criança, de criar nenhum software... o que queremos é dormir, dormir e acordar com um beijo de uma bela jovem, e viver ali, dentro daquela bolha, até sentirmos vontade de sair para respirar algum ar, poluído ou não, e depois pensaremos o que faremos. Poderíamos até dar aulas para crianças.
Então tinha a Monster. Lá bebíamos, compúnhamos músicas, escrevíamos poemas, raramente levávamos mulheres – mais levávamos! –, conversávamos e fazíamos projetos que pensávamos de verdade realizar. Era mais virtuoso que estar na câmara dos deputados. Mas ninguém vê por esse lado.
Então Ronaldo perdeu o emprego. Sempre perdia os empregos, mas logo arranjava outro, e ficava o tempo que dava; muitos eram contratos provisórios. Mas desta vez não foi fácil encontrar outro. Tentou. Em três meses, a situação ficou insustentável. Faltou grana até pra comida. Teve que ir pra casa do pai. O pai é um grandessíssimo filho da puta. Uma vez tentou matar um de nós atropelado. Sorte dele que não conseguiu. Nos viu andando na rua e jogou o carro pra cima de nós.
Galera -- disse Ronaldo --, sei que vocês têm direito de prestar queixa... mas peço que não façam. Ele não tá bem da cabeça, não.
Relaxa, brother, a gente nem gosta de polícia.
É um ser truculento, bruto, bestial, daria um bom PM. Acho que nem terminou o fundamental, e, se terminou, garanto que não consegue redigir um texto. Uma vez chamou o próprio pai de analfabeto. Como se ele fosse o próprio Pessoa! Ao menos o velhinho não teve oportunidade de estudar. E ele, que teve e é um analfabeto funcional?!
As brigas eram todo dia. Sempre por culpa do pai. Sem defender nosso amigo... mas o cara não é de confusão. É capaz de ficar num quarto por horas e você nem saber que estava na casa. Quieto. Ia atrás de emprego. Queria, mais que o pai, sair dali.
Mas o bestial pai é, claro, um frustrado. Não sabe que é um frustrado, pois não reflete pra chegar a essa conclusão. Mas vê, pelo menos, que é um derrotado dentro da sociedade de consumo, e não suporta a idéia. Desconta em cima do filho, que fica quieto até certo ponto, depois devolve alguns palavrões. Quem condenaria alguém por devolver um palavrão?
A Monster House ficou fechada por dois meses, e sempre que passávamos em frente, dava um aperto no coração. Sentíamos que a casa tinha vida própria, que sentia nossa falta; ela também era uma derrotada perto das vizinhas. Mas suas portas estavam fechadas. Pulei uma vez o muro pra dormir lá, depois de ficar numa festa e perder o horário do último ônibus. Fiquei bêbado demais pra tentar outra coisa. Pareci criança que sofre uma queda e corre imediatamente pros braços da mãe. Pulei o muro.
Tu não ficou com medo do vigilante te dar um tiro? – perguntou Eduardo, um dos nossos.
Ele não recebe dinheiro pra vigiar aquela casa – disse Ronaldo.
E se o cara entrasse pra pular o muro da casa vizinha?
A única maneira de alguém levar alguma coisa pulando a Monster. – baguncei.
Imagino a reação dos vizinhos vendo um ladrão pular a Monster: “Liga pra polícia, que tão vindo pra cá!”
Seus filhos da puta. Agora, sem molecagem: tu deu sorte.
Estamos sempre dando.
Tu dá sozinho – mas a piada foi de baixo nível e quase ninguém riu.

SÁI DO MEU CARRO, FILHO DA PUTA! – abriu a porta e empurrou o moleque.
Eu não volto mais praquela porra!
Não é pra voltar mesmo, não.
Eu tenho casa.
Tu vai comer as paredes?! – o moleque saiu andando.

Eduardo me ligou.
Ei, cara, a Monster House voltou.
O que aconteceu?
Vem pra cá que a gente te conta.

Aí ele falou: “Tu vai comer as parede?!” – bebemos.
No dia seguinte levei dez reais e Eduardo levou vinte. E Ronaldo comeu salsicha, calabresa, bacon, ovos e uma farofa que já vem pronta.


sexta-feira, abril 11

O Fim do Homem cordial?

Nos últimos meses o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Joaquim Barbosa tem protagonizado os maiores atos de combate a impunidade na história recente do Brasil ao decretar a prisão dos envolvidos no escândalo mensalão, envolvendo lideres do PT (Partido dos Trabalhadores) como o José Dirceu e José Genoíno, Marcos Valério e os outros demais envolvidos.

Joaquim Barbosa ingressou no STF em 2004 pelo presidente Luís Inácio Lula da Silva, ou seja, com a indicação e aval do presidente e do próprio PT, incluindo o José Dirceu que na época Ministro Chefe da Casa Civil teve a parcela de contribuição e influencia para a indicação do cargo de ministro.

Sendo o primeiro negro de origem pobre na história do país a ingressar no cargo de ministro ao supremo, o Joaquim ficou conhecido em todo o Brasil não apenas ao fato de ser negro, e sim por realizado um tremendo bate boca em plenário com o ministro e presidente do órgão na época em 2008, o Gilmar Mendes, desafiando que o mesmo fosse as ruas ouvir a opinião pública a respeito do próprio órgão judiciário.

E falou de forma ríspida que o presidente deveria respeita-lo porque não estava falando com os seus capangas do estado de Mato Grosso, pelo fato da família do Gilmar Mendes ser fazendeiros e também estarem na politica do estado mato-grossense em cargos eletivos.

Após esse episodio, o Joaquim Barbosa ganhou mais notoriedade no cenário nacional e ser admirado por muitos brasileiros, inclusive aqueles que não confiavam mais na justiça, e por outro odiado por setores mais conservadores e reacionários da sociedade, principalmente aqueles que mandam e desmandam no país economicamente e também pela imprensa.

Daí começou a critica e perseguição sistemática ao ministro, principalmente por causa do bate boca com o ministro-presidente Gilmar Mendes, a imprensa conservadora, reacionária e racista começou vasculhar a vida pessoal do mesmo como forma de atingir moralmente perante a opinião pública.
A prova disso foi quando foi noticiado o problema de saúde do Joaquim Barbosa no qual sofre o problema de coluna nas costas, a chamada hérnia de disco, que assisti a TV Justiça sabe que durante as sessões do STF o mesmo costuma participar sentado numa cadeira de forma inclinada ou em pé.

Devido a esse problema, foi pedido o afastamento temporário para se cuidar do problema citado, o período de sua ausência foi notório durante as sessões do supremo com os demais ministros, devido a isso o setor conservador e reacionário da imprensa brasileira começou espiar a vida privada do ministro Joaquim Barbosa.

Uma delas foi flagrar o ministro em um bar com um amigo tomando umas cervejas, e daí foi de forma sistemática a perseguição a ponto de apontar como culpado por inúmeros processos parado em seu gabinete no período que esteve afastado, como se isso fosse incomum na esfera judiciaria no país.
Quando retornou da licença médica, o Joaquim mais uma vez se torna protagonista ao ser o relator do julgamento do mensalão envolvendo os principais líderes do PT no caso José Dirceu e José Genoíno, Marcos Valério o operador do esquema e os demais envolvidos.
Muitos ficaram na expectativa desse julgamento e a esperança que os envolvidos sejam condenados, quando o Joaquim Barbosa determinou a condenação de todas as pessoas envolvidas no esquema, o ministro passou a ser visto como o herói nacional e ícone no combate a corrupção e da moralização do poder judiciário.

O ápice foi assumir a presidência do Supremo Tribunal Federal, sendo o primeiro negro na história do país a se tornar presidente da suprema corte jurídica, tornando uma referencia e inspiração para muitos negros pobres que desejam uma ascensão social, cultural e financeiro, ocupando cargos importantes e de destaque.
Até a imprensa conservadora, reacionária e racista passou a elogiar o Joaquim Barbosa, que antes fazia a perseguição sistemática inclusive na vida privada do magistrado, passou ser admirado a ponto de se pensar que está havendo uma lua de mel entre o ministro da suprema corte e a imprensa.

Mas o ápice de fato estaria por vir, e foi no dia 15 de novembro, feriado nacional que lembra a proclamação da república pelos militares na pessoa do Marechal Deodoro da Fonseca, proclamação feita através do golpe de estado orquestrado pelos próprios militares que destituiu do poder a dinastia Orleans de Bragança comandado pelo D. Pedro II, regime monárquico-escravista que durou por quase 70 anos.
E nesse mesmo dia, o Joaquim Barbosa decreta a prisão dos lideres, principalmente do José Dirceu e José Genoíno, obviamente a direita comandada pela revista Veja/editora Abril, jornais o Folha, O Estado de São Paulo, partidos políticos de oposição como o PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) e o DEM (Democratas) e as emissoras de TV como a Globo fizeram o maior estardalhaço, dando total cobertura sobre a prisão dos lideres petistas.

O Joaquim Barbosa passou a ser visto como herói pela direita, símbolo no combate a impunidade pela opinião pública em geral e odiado por setores do governo e da esquerda que apoiam e simpatizam com o governo e o próprio PT.

Logo veio denominações direcionadas ao presidente do Supremo Tribunal Federal, como de “capitão-do-mato a serviço das elites”, e até mesmo afirmar que o mesmo não representa o povo negro e pobre e ser acusado de traição por aqueles que o colocaram no supremo.
E o mais interessante disso tudo, é quem está fazendo acusações e usando esses termos ao Joaquim Barbosa são integrantes de partidos que fazem parte do governo, principalmente o PT (Partido dos Trabalhadores) e o PC do B (Partido Comunista do Brasil).

Nas redes sociais na internet, como no facebook, tá havendo uma campanha sistemática para que o Joaquim Barbosa julgue o caso do mensalão mineiro e outros escândalos de corrupção envolvendo integrantes do PSDB e do DEM, da mesma forma como julgou os integrantes do PT e partidos aliados do governo.

O importante que deve ser ressaltado, se o Joaquim Barbosa é hoje ministro e atualmente presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), deve-se ao PT (Partido dos Trabalhadores) e em especial ao Luís Inácio Lula da Silva (presidente da república na época) que em 2004 o indicaram para o cargo de ministro do STF, o José Dirceu, Ministro-Chefe da Casa Civil e o José Genoíno, presidente nacional do PT, ocupavam os respectivos cargos na época, tem uma influencia indireta pela indicação.

Ele não tinha méritos pra ocupar o cargo? Sim e muito, fala inglês, alemão, francês e espanhol fluentemente, é professor universitário de carreira na UNB (Universidade de Brasília), tem todo requisito pra estar na suprema corte, o que quero colocar é que o Joaquim Barbosa tinha tudo para não ser o relator do julgamento do mensalão que chamou atenção da opinião pública, por motivos de saúde e principalmente por questões politicas.

Joaquim Barbosa tem dívida de gratidão ao PT? No mundo politico, de certa forma tem, porque o PT quando indicou foi por uma questão politica e chamar atenção da sociedade e a opinião publica, pelo fato de o primeiro negro ocupar o importante cargo da magistratura.

Implantando a politica de inclusão e igualdade racial, e obviamente nos bastidores do mundo politico, o Joaquim Barbosa teria que defender o governo a eventuais escândalos de corrupção, não apenas ele, mas todos os ministros do STF, caracterizando a troca de favores e clientelismo.

Podemos considerar que o Joaquim Barbosa se rebelou a teoria criada por Sérgio Buarque de Holanda em sua obra “Raízes do Brasil”, que ressalta o homem cordial, o sujeito onde ocupa um cargo indicado por uma pessoa com interesses nada voltada ao bem comum, ou seja, interesses privados nos cargos públicos.
Sérgio Buarque ressalta o papel da família no poder estatal, sendo que a família é uma esfera privada em que os cargos públicos do governo acabam se tornando uma extensão, herança esta dada pelos portugueses desde os tempos da colonização que o autor enfatiza.

Seguindo a ideia do Sergio Buarque de Holanda, o Joaquim Barbosa é o “homem cordial” que ocupa um cargo público dado pelo governo (PT) com interesses meramente politico, e seguindo o pensamento da classe politica, ele teria que retribuir a aqueles que o colocaram no cargo de ministro, se julgando impedido de ser o relator do julgamento ou fazer parte da cúpula de ministros que tentaram inocentar os envolvidos do esquema do mensalão.
O Joaquim Barbosa fez o contrario se empenhou o máximo para punir os responsáveis do esquema, rompendo as tradições politicas que se perdura até os dias de hoje e é presente inclusive nos estados federativos, principalmente comandado por grupo políticos e oligárquicos, como na região nordeste por exemplo, nos estados de Alagoas, Ceará, Bahia, Piauí, Maranhão, Pernambuco...
O Partido dos Trabalhadores (PT) pode se orgulhar em ser o “primeiro partido” do governo na história do Brasil (parafraseando o Lula) a não usar a maquina do estado para privilegiar os seus aliados, porque quem julgou os seus aliados foram em parte os indicados pelo próprio PT aos cargos de ministros do STF além do Joaquim Barbosa.

Porque o PT é governo, e por ser governo tem prerrogativas e poderes de até mesmo manipular e induzir que os ministros inocentem os envolvidos, coisa que não ocorreu até o momento, a direita tem envolvimento ou alguma influencia entre os ministros do STF?

Muitos dos ministros do supremo têm relações de amizade com políticos do PSDB (Partido Social da Democracia Brasileira), DEM (Democratas) e outros partidos que fazem oposição ao governo, eles estão aproveitando dessas relações e tirar proveito pra elogiar os ministros que votaram pela punição dos aliados do governo.
O Joaquim Barbosa está entre eles, em razão disso há especulações que ele deixará o supremo pra disputar as eleições inclusive para presidente da república, a imprensa conservadora, reacionária e inclusive racista tá alimentando essa especulação, se é mentira ou verdade, só no mês de abril saberemos.
Em contrapartida, setores progressista da imprensa principalmente a que apoia o governo petista, sonda a possibilidade do Joaquim ir para o PSDB ser candidato a vice na chapa do Aécio Neves ou a governador do estado de Minas Gerais pelo partido.

Ele tem todo o direito de deixar a magistratura e ingressar na politica, mas não seria uma boa ideia fazer isso, porque poderá enterrar a sua brilhante carreira de magistrado no STF ao entrar num mundo dominado por pessoas que ele mesmo julga.

Seria uma tremenda contradição da sua conduta de combate a corrupção e punição aos corruptos e corruptores da classe politica e ingressar ao mandato eletivo onde está 99% dessas pessoas corruptas e desonestas, a opinião pública em geral o tem como referencia no combate a impunidade e moralização da nossa política.
A politica tem o poder de derrubar e inclusive de destruir as pessoas, será que meio um suicídio o Joaquim deixar o STF para entrar na politica via eleições que acontecerá neste ano, porque a probabilidade de ingressar no PT e nos partidos que apoiam o governo é bem complicada visto que os próprios integrantes, aliados e militantes desses partidos o hostilizam dia e noite nas redes sociais, blogs e noticias online na internet.
Os partidos de direita e oposição ao governo está o seduzindo para ir as quadro desses partidos com promessas pra lá de tentadoras, disputar cargo pra senador, governador, vice-presidente (não deixa de ser o sonho do PSDB neste ano) e até mesmo pra presidente se for necessário, a direita conservadora e reacionária adora cariciar e seduzir líderes quem tem o poder de induzir as massas ou tem a preferencia do povo.

O Joaquim Barbosa é o homem do momento, principalmente ao fato de ser negro num país como o Brasil em que a escravidão durou quatro séculos, mas ainda hoje existe e persiste em que os negros são vitimas de todo o tipo de preconceito, discriminação, exclusão, segregação e injustiças.

E nessa camada que é a maioria da nossa sociedade o Joaquim Barbosa é visto como herói inclusive, acostumados ver os heróis brancos, um negro dentre tanto heróis brancos, essa mesma camada social deposita nele todas as esperanças que um dia as coisas podem mudar e melhorar principalmente pro lado deles.

Com isso, a direita não tem escrúpulos de tirar proveito e seduzir homens e mulheres que tentam fazer a diferença na nossa sociedade, o mais correto que o Joaquim deve fazer é continuar na carreira jurídica que está exercendo brilhantemente e com todos os méritos que tem chegou ao Supremo Tribunal Federal.
Pois rompeu até o momento na atual conjuntura a imagem do “homem cordial”, e o proveito pode se vangloriar disso por ter indicado justamente os ministros que mais tarde iriam votar pela punição dos seus aliados do governo e lideranças partidárias.

Se em abril o Joaquim ingressar na política, poderá enterrar tudo que construiu até o momento, pois a politica tem o poder de derrubar e destruir os homens e mulheres, porque a politica é de momento que o homem vive, nem tudo que se faz nela é lembrado, e ainda por cima corre o grande risco de ser enganado por “aliados” que o convidaram.

O grande exemplo que eu posso citar é o ex-ministro e ex-presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Edson Vidigal, em 2003 com Lula na presidência da republica e a influencia direta do José Sarney que na época era presidente do Senado Federal o indicou ao cargo de ministro do STJ.
E o detalhe importante é que ele é maranhense da cidade de Caxias – MA, estava no auge da sua carreira jurídica quando resolveu deixar o STJ e ingressar na política em 2006 para disputar as eleições ao governo do estado do Maranhão, mas no lado das forças oposicionistas que lutavam pra derrubar o grupo Sarney no poder.

Não foi eleito governador apesar de ter contribuído na eleição do Jackson Lago que fazia parte das forças oposicionistas, mas não fez parte do governo, mesmo que a sua esposa Eurídice Vidigal sendo secretária de segurança pública, mas ele mesmo próprio não ocupou cargo e nem mesmo foi eleito pra senador nas eleições em 2010.

Sendo que um ano antes o Jackson Lago teve o seu mandato de governador cassado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o grupo Sarney através da Roseana Sarney retoma o poder do estado, as oposições se enfraquecem, surge novos personagens como o Flávio Dino que é a promessa e aposta para derrubar o grupo comandado pela governadora e seu pai o José Sarney.

E o Edson Vidigal sumiu no cenário politico, nem mesmo nas eleições de 2014 ele é cogitado a se candidatar pra deputado ou sindico de condomínio, se ele estivesse na magistratura e no STJ, estaria até hoje no cargo de ministro ou poderia ascender para o STF, consolidando a sua carreira jurídica até a sua aposentadoria automática e compulsória quando completa 70 anos.

Mas a politica acabou o impedindo de prosseguir, e o pior, o colocou no ostracismo tanto na politica como na magistratura, apesar de que ele é advogado e não está obviamente passando fome ou necessidade, mas um homem de ambições e sempre quer estar nos holofotes é ruim, e o Joaquim Barbosa poderá seguir pelo mesmo caminho, do ostracismo e esquecimento.