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quinta-feira, maio 8

Patricia Careta


Ela não bebe
não fuma 
não cheira
mas é cheio de graça
quando pinta na praça
como um estrela  de outra galáxia

Fiz essa versos  pra impressioná-la e tentar deixar la em casa já que era de outro bairro e tirar um sorriso do seu  rosto que descreveria meigo, legal e cor de jambo maduro. Patricia como me foi apresentada por sua amiga que parecia um Hipopótamo de óculos de grau. Nunca vi aquela mina fazendo um flash back na minha memória sequelada apesar de ela ter me visto na praça onde estávamos em outros dias. Eu tinha acabado de chegar de um pedágio pelas ruas do bairro de um lance para arrecadar fundos para compra de um equipamento de som e ainda tava no pique da alegria. E Patricia sua amiga ia descer para um sarau de poesia em outra praça. Convidei elas pra fumar um beck com meus amigos, mas ela disse que não fumava e dai fiz os versos na hora. Sua amiga disse que fumava e Patricia disse que nos acompanhava até o terraço da fumaça: um espaço onde a galera se reúne para confraternizar uma diamba, na praça mesmo, só que em cima de um auditório com uma vista panorâmica da praça. Vamos eu, ela, sua amiga, mais Dio e Ratinho que bolou o beck e tava do lado dela um tempão.

Eu e Dio tentávamos colar uma melodia nos versos como um samba com back vocal e tudo, ela ria e disse que esqueceríamos aquilo no outro dia. Enquanto isso o beck ia na paulista, pois era miado, um salve apenas.

E nesse tempo sacava ela melhor. Usava um vestido florido com uma pegada alternativa e brinco de artesanato, puxei assunto. Perguntei de que Bairro vinha. Bequimão, respondeu . E percebi o olhar que Rato atirou em mim. Acho que não tava gostando muito daquilo, ou melhor, acho que ele tava afim dela. Putz... não ia forçar nada. O Rato era hardcore podia muito bem acabar com minha vida... hehehehe e tb era meu amigo. Então deixei pra lá e tentei me concentrar nos versos e no samba junto com Dio.

Ela não bebe
não fuma 
não cheira
mas é cheio de graça
quando pinta na praça
como um estrela  de outra galaxia

domingo, abril 27

Mari

Ela era minha amiga das antigas. Amizade mesmo. Falava tudo pra ela. Minhas paixões, o platonismo, o que lia, dividiamos livros, maconha,  filme, assistiamos filme, só não fudiamos até então. Sim, foi num certo dia deu na veneta dela que queria fuder comigo. Soube que tava bem triste. Algum amigo em cumum me contou. Fui lá ver se fazia tirar um sorrisso do rosto dela. Coisa que fazia com minhas piadas malucas que se amarrava em altas gargalhadas. Mas sua cara tava um desastre de solidão. Fazia tempo que tava no total tédio e sem fuder e eu tava solteiro e um tempinho também sem fuder. Nunca senti tesão por ela. Mas sacava que ela sentia tesão por mim porque uma vez me deu um poema que falava do meu peito com creme escorrendo e ela lambia. Os pais dela tinham saido de casa. Eu e ela no sofá da sala e rolando algum programa ralado na tv.  Ela falou que queria fuder comigo, não sei se foi ao certo com essas palavras, enfim. Disse que queria tomar alguma coisa antes. Me trouxe cachaça da terra da adega do lado da tv e virei num gole só. O suficiente pra esquentar por dentro. Beijá-la e transarmos ali no sofá. Uma foda de fundo amistosa  e antidepressiva. Sair de lá me sentindo um bom rémedio. Ainda fudemos outras vezes depois disso. Soube que ela se casou outro dia. Conheci o cara e ele não foi com minha cara. Sei lá se ela falou algo de mim. Vou até ligar pra ela hoje saber como ela tá.

quarta-feira, dezembro 4

Do tempo


O tempo me esquece e sinto minhas unhas irremediavelmente transformarem-se em garras. Estas adentram minha carne e me despedaçam em três.

A tríade Aristotélica, fruto da passagem do tempo pelas minhas mãos, envelhecendo-as, engradecendo o tato, criando habilidades cirúrgicas para o conserto de minhas juntas, e para o zelo com meus calos.

E o tempo cruel arrasta-se em triângulos desenhando minhas expressões faciais e pintando as cores do meu esmalte, e bordando as rugas dos meus risos.

Aplica-se em minha alma a teoria da relatividade, mitigando meus dogmas e meus preconceitos, acalmando minhas preces e extirpando minhas dúvidas. A fé devora meus encantos e meus defeitos, e a mesma fé rasga a sola dos meus pés, colocando-me em eterna provação.

O tempo é colaborador da sapiência, e cicatrizante das feridas. Aerossol de tempus verbum.

E ressuscito a deusa que me habita o corpo, reanimando a própria com sua forca, fé e esperança. E minha deusa esquece o tempo e faz deste teu servo e teu escudeiro. E minha deusa escreve com meu sangue e deságua minha mente no papel.

Minha mente iludida e derretida entrega a cera quente - que são minhas opiniões - aos leitores, arrancando seus cabelos sem sombra de compaixão. E minha mente, palhaça com palavras, prega pecas na deusa que habita meu corpo, e com a alma, refaz minha fé.

E o tripé que me sustenta segue manco, compassado pelo tempo que tatua a minha pele de forma invisível, e concretiza as pegadas  na calçada não famosa da minha vida.

terça-feira, julho 2

Reflexos


A minha vida é como uma sala de espelhos, dessas que têm em parques de diversões, com muitos espelhos que te engrandecem, encolhem, emagrecem, engordam. Espelhos líquidos, em que se deve ter a cautela de não encostar, caso em que poderá (sem querer) cair do outro lado. Não se saberá o que é real, e o que é fruto da imaginação.

E a cada espelho me enxergo diferente, ora mais econômica, ora maior. Assim como minha imaginação, ora águia, ora pardal. Mas sempre criando por aí, sonhando, desenhando belos olhos num pedaço de papel. E por esses olhos que desenho que enxergo o mundo, do outro lado do espelho, e vejo o mundo em cores inexistentes no mundo real, cuja frequência é imperceptível ao cérebro humano. Mas apenas visualmente imperceptíveis, dado que no lado real do espelho se percebe o tato e o olfato, apenas com outros sentidos.

Desta forma somos reflexos de nossas percepções, dos nossos sentidos e dos nossos sentimentos. E somos espelhados, frutos de tais reflexos, nas ações e nas palavras que cotidianamente exprimimos um pouco mais a cada dia. E somos reféns, das consequências das ações e das promessas ditas em razão dos tais reflexos. Escolhas feitas de forma intensa e sob circunstâncias únicas, visando tornarmos reféns de uma situação pretendida há muito.

Por assim, torna-se refém da própria liberdade, antes uma imposição, mas agora uma escolha. A liberdade consiste nas escolhas. E hoje em dia podemos escolher tudo, o que dizer, o que comprar, para onde ir, e para qual espelho olhar. A língua italiana tem um verbo fabuloso, specchiare, que significa exatamente se olhar no espelho.  E eu me specchio todos os dias, apreciando as mudanças que causei, e me deleitando com a coautoria do meu próprio reflexo.

E o que é real? E o que é imaginário? Já não posso mais dizer, ambos planos se fundiram, formando um mundo só, o meu. Procuro com delicadeza aprender a distinguir o que existe daquilo que criei, e sigo como Ismália.

sexta-feira, junho 28

As Borboletas Amarelas

Meu estômago está borboleteando hoje, Leitor. Azuis, rosas e principalmente amarelas. Não me pergunte o porquê pela preferência por borboletas amarelas, Leitor, apenas as prefiro. São mais alegres, mais voadoras, mais aéreas. Amarelas como as túnicas egípcias dos faraós, antes dos tempos decadentes.

São as mais belas borboletas das quais tenho lembrança, tanto pela simplicidade, quanto pela quantidade. Por que somente as mais raras borboletas são consideradas bonitas? Não concordo,Leitor, para mim o belo está nos detalhes da simplicidade magnífica com que essas borboletas desenham a grama do meu jardim e de repente revoam por  aí, borboleteando por onde passam.

E seguem com o vento, para onde a corrente de ar quente leva, ora mais veloz, ora mais paciente, para que possamos aproveitar a paisagem. Assim como me levaram de volta ao paraíso das minhas memórias, e me acordaram características já adormecidas pela opressão.


Não consegue ouvir, Leitor? Atente ao ruflar delicado de asas que saem pela minha boca em tua direção, tome cuidado ao desviar. Não há remédio, nem tratamento, se for atingido em cheio, terá um enxame delas em seu estômago também. E depois, todos seus dias serão primaveris. 

terça-feira, junho 18

Do Coração e da Mente


 Por Maria Ligia Ueno

O meu coração é como um desses relógios velhos, cheio de engrenagens interligadas que só funcionam em conjunto. Por isso digo que não adianta roubar umas poucas delas, só poucas não fazem meu coração bater. Mas o fazem parar. E quando ele para minha vida perde a cor, sem sangue bombeado para alimentar os olhos, nem as pernas para andar e olhar em outras direções.

Mas como um velho relojoeiro, conserto o coração, invento novas engrenagens, gambiarro as interligações, e ponho tudo a perder de novo. Coração batendo, vida seguindo, lágrimas rolando. E assim meus passos seguem, robotizados, afinados e sintetizados por um coração cheio de engrenagens.

O coração cantarola sua música enferrujada, rangendo sua amargura e entoando seu triste canto por todos os cômodos que entra. A presença de tal ruído assusta num primeiro momento, depois desanima todos os seus expectadores e os transporta a um estado de plena compaixão e melancolia.

Pobre coração, esse meu. Todo reinventado para continuar batendo, todo cheio de peças não-originais, fora de seu modelo e que não encaixam tão bem. Todo remendado, costurado, superbondado para ficar inteiro, parece uma dessas obras de arte feitas com cascas de ovo, que se encaixam, mas não estão mais contínuas. Ah sim, porque hoje eu estou cheio analogias, e de neologismos, mas tudo tem sua razão. Por hoje minha voz foi cortada sorrateiramente, e tudo que é importante para mim se tornou seu gole amargo de café frio.

E nisso minha mente constrói grandes pontes e arranha-céus, tentando olhar de longe e de cima, de uma nova perspectiva para entender o que se passa com esse coração. E minha mente é um helicóptero, um mosquito grande e audaz, que é capaz de parar no ar, voar para onde quiser e pousar em quase qualquer lugar.


Minha mente é um helicóptero de guerra, armada, com metas e objetivos, bombas e soldados. Minha mente é feita para a guerra.

Mas não qualquer guerra, mas a guerra de pensamentos, de argumentos, de encanamentos e de chamamentos. E eu perco, perco mais e mais. Batalhas e mais batalhas perdidas, mesmo as ganhas. Porque não sinto que as ganhei. Talvez nem queira sentir o sabor da vitória da guerra , ou talvez já senti e não gostei. Não sei.

É essa a guerra entre a mente e o coração, os dois sentem que perdem, e os dois caem ao final. belo espetáculo. 

sábado, maio 18

Homofóbico



Bicha sem vergonha. Chupa pau do caralho. O Freddie Mercury ressuscitou em ti. Caetano Veloso. Viado, frutinha, mulherzinha. Tu não é Coca – Cola tu é garrafa pet Jesus de 2 litros. Gay. Baitola. Teu cú ta mais arrombado que o rombo na Previdência Social já perdeu todas as pregas. Madame Satã. Queima – Rosca. Tu curte uma cuceta. Safadinho da meia noite. Pavão misterioso. Menino do rio. Anjo decaído. Olhos azuis verdes cristais de diamante  do Congo. Peitoral definido. Barriga de tanquinho.  Bofe maravilhoso. Fica comigo, por favor, mais essa noite?

- Só se tu deixa eu bater na tua bunda hoje?

- Oquei.

sexta-feira, maio 3

Bad


Vontade de cortar os pulsos pra ver o sangue jorrar e pintar as paredes do meu quarto com um novo visual vermelho. Cansado do branco.

segunda-feira, abril 29

Tic Tac

E ele é convidado a entrar na casa dos estranhos, lhe oferecem água, recusada, um lanche que foi aceito, com receio, não porque os estranhos lhe queiram fazer mal, mas por paranóia, puro, mas desnecessário, medo.

Tic tac, passa segundo pós segundo aumentando sua angustia de reprovação, o receio da negação o domina.

Bate o dedo na mesa em movimentos constantes, ele morreu, outro ser surgiu, dominou sua mente, perde o controle da situação, se debate por dentro, imóvel por fora.
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                    #6

quinta-feira, abril 25

Ela


Ela me ama. Ela me escuta. Ela canta comigo. Ela fode comigo. Ela esta dentro de mim. Ela é louca. Ela é melhor que pular da ponte sobre o mar e afundar nas profundezas e depois emergir e nadar até as bordas. 1.0000000000000 ( imagino quantos zeros puder porque o um ta na frente) imagens me passam na cabeça quando penso em toda nossa relação que começou ano passado quando vendia dinheiro falsificado pra pessoas que queriam ser ricas. “A ventura da aventura é que você esquece o passado e o futuro”. Ela me disse isso ainda agora.

- Isso é alguma letra de música?
- Não. Pensei dagora.
- Você ta chilada?
- Não. 
- Virou poeta?
- Vai te lascar.

quarta-feira, abril 24

Cool


O gay do Marcelo não parava de falar nos meus ouvidos e eu afim da Carolina Bi que escutava alguma banda de indie rock nos fones de ouvido e não parava de mexer nos cabelos como um TOC. Ela mesmo disse que tinha isso. Era uma galera descolada e moderna demais e tatuagens com coisas de video game e frases de filme. Achei Cool. Colei neles como chiclete no chinelo. Vamos pro shopping Center ver um filme de comédia e comer pipoca nas ultima poltronas. O lanterninha obeso com cara de espanto expulsou quando pegou o três se beijando. Havia crianças e pais de família assistindo o filme também e a gente. Fuck you Marcelo berrou e Carolina me beijou de língua. The end.

AME OS CHOCOLATES & MORRA DE DIABETES FELIZ


Se eu não morrer amanhã você jura por deus, apesar que não se faz isso segundo os  mais velhos. Que vamos roubar chocolates num supermercado e aumentar a glicose e a serotonina  no sangue e sorrir bastante e pegar um por do sol e depois pinchar o muro com alguma frase com aquela lata de spray vermelha que comprei outro dia num muro branco daquele prédio de pessoas bem vestidas perto da entrada do bairro onde todos possam ver. Tipo: AME OS CHOCOLATES E MORRA DE DIABETES FELIZ. É tosco eu sei, por isso, vamos rir como duas crianças peraltas. Depois contar pros amigos, e rir também junto com eles. E se rolar um beijo antes ou depois da meia noite seria massa, mas se não. A gente se divertiu.

domingo, abril 21

Bom Dia


O sol nasceu amarelinho e de olhos meios fechados tímido e coadjuvante diante de tantas nuvens paquerando com o céu azul e um bando de passarinhos fazendo a trilha sonora e um poste que dizem ser o mais atrevido da rua deu um bom dia sedutor pra senhora de saia verde que ia passando com pães quentinhos da padaria do galego da quadra numero vinte e um e os pés dela iam cada vez mais longe do asfalto molhado da chuva forte de ontem e um tanto resfriado e irritado com tanta garrafa pet e bitucas de cigarro na sua cabeça e cocô de cachorro. 

sábado, abril 20

Fora


Por que você me deixa no vácuo? Como um buraco negro dessas das galáxias. Eu falo e você não me responde. Minhas palavras não tem mágicas nos seus ouvidos ou nem passam pelo tímpano ou nem sei mesmo o que acontece. Droga! São totalmente inócuas. Não sabia que o oposto do amor é a indiferença? Dói. Sangra como uma hemorragia e não tem doadores, compressa, cirurgia, remédios, placebo, porra nenhuma! É fatal. Um fora vai escrever o médico legista numa letra difícil de entender no obituário na causa mortis. Tenho certeza que você não vai aparecer no meu enterro e jogar umas flores quando o cachão estiver sendo coberto por areia por um coveiro magro e cansado e as pessoas estarão ao redor, a maioria de óculos escuros, escondendo suas lágrimas sob um céu nublado e um leve chuvisco. 

quinta-feira, abril 18

Ismos


Ela gostava das palavras “sexismo”, “machismo” e “feminismo” e outros “ismos”. Falava com uma propriedade no assunto e gesticulava as mãos e tinha certeza que ela ia mudar o mundo um dia. Sempre parecia que ela falava para uma multidão em cima de um palanque como um político. Tipo um Hugo Chávez, um Sarney nos anos 60 ou um Lula nos anos 80. Eu escutava ali na minha e mostrava meu pau do nada e ela chupava e depois fazia todo tipo de movimentos possíveis que a natureza nos permitia com ela na sala de estar ou no quarto ou em qualquer lugar que ninguém perturbasse. Assim era a única forma de calá-la e escutar somente seus gemidos e nada de ismos. 

domingo, abril 14

Rolê



Respire fundo que vai começar o rolê meu irmão sem noção de nada. A fissura bate uma dose acima do ritmo do coração. Eu preciso de um trago e não tenho nada nos bolsos, em casa, na gaveta, na cabeça. Os reacionários me perdoam, minha mãe, os cristãos, os que tem amor-próprio, os que adoram tragédias. Eu sou autodestrutivo, amor. Vocês conhecem a História do sapo e do escorpião? Não vou contar agora pra vocês eu vou é contar quanta grana tem na carteira e calçar meu tênis surrado. PARE POR AQUI SE TENHA MEDO. Foi o que li agora num muro riscado num giz no beco da esquina da Boca de Fumo do traficante que estudou comigo e largou a escola depois de enfiar um soco num professor de química e hoje ele passa me passa o bagulho em minhas mãos e eu lhe passo o dinheiro. O mundo não é lógico, mas cheio de frases de efeito e símbolos como o dinheiro. Dobrei a direita. À esquerda. Segui reto. Pulei um esgoto. Tropecei numa pedra. Sabe? Você sentir seu próprio fedor e o sangue batendo em todos seus pulsos possíveis é legal e não sei se é perigoso.  É só um trago. Tchau.

domingo, março 24

Um filho


Saiba que iria pra puta que pariu com você. Íamos fazer um filho, na rede, no coqueiro, cozinha, sala ou no banho. Nunca saberíamos, ao certo, o dia do encontro do esperma com o óvulo fértil. Dava o nome se fosse menino. Menina, você escolhia ou pode ser o inverso, com certeza, rolaria uma discussão sobre isso. Mas mais certeza ainda ia torcer pelo Sampaio Correa. O time do meu coração e do Maranhão. O do Rio ou de São Paulo ele escolhia. Plantaríamos batatas, joão gomes, manjericão e marijuana no quintal e trabalhar o mínimo possível e ter tempo pra irrigar as plantas e cuidar do bebe até ele criar asas.  Ou mesmo se ele não criasse asas no sentido de um dia sair de casa. Ia ficar com a gente até o fim diferente das plantas que tem outro tempo de vida. Se nos separamos, sem querer ser negativo, ainda vou te ligar e falar qualquer bobagem ou se ainda gosta de ouvir aquela banda de rock. Porque no fundo as bobagens não são só um alívio e algumas bandas de rocks são legais. 

segunda-feira, janeiro 28

Playmobil – o Garoto Assassino.



Brutalidade na TV
Caos na cidade
Sangue escorrendo pelo asfalto
Sou apenas um menor de idade
Com um skate na mão
Andando na contramão da vida
Quando a rua é minha
Fazendo meu jogo
Em pleno fogo

Playmobil rabiscava uma letra no caderno da escola dentro do seu quarto pra depois botar a melodia. Tava injuriado porque sua mãe não deixava mais ele sair pra andar de skate depois de ouvir da vizinha que ouviu do genro que mataram um jovem na porta da loja LOUCO REED DISCOS por causa de um IPHONE com 13 facadas. Segundo ela – o bandido perfurou os dois pulmões, o coração espocou pela boca da vítima e as tripas se desenrolaram no chão e depois um carro passou por cima espocando a cabeça voando pedaços do cérebro, cerebelo e bulbo e parte da medula espinhal. Não era um filme de Tarantino, era bem perto de casa o assassinato que a vizinha relatou com detalhes e a sua mãe repetiu - varias vezes - dentro de casa.

A notícia virilizou e a vizinhança se isolou dentro de suas paredes e ninguém mais sai na porta, ao anoitecer, com medo. Contrataram seu Madruga - o vigia pra fazer a ronda na rua e construíram também uma guarita pra ele. Rodava com uma moto e um facão com o cabo enfiado na cueca fazendo um relevo debaixo da camisa e do jeans.  Todos os santos dias das 10hrs da noite até 5 h da manhã - apitava e buzinava. Sabe-se que não houve mais notícias de assaltos. Dormiam bem ouvindo o barulho da moto lá fora.  

Passaram 3 mêses e seu Madruga começou a sofrer de um problema - Sono. Não conseguia mais ficar com os olhos abertos no horário da noite, apesar de tomar Arrebite. O negócio tava impossível e sua olheiras aumentavam a cada ronda. Estava numa Boca de Sinuca. Tinha que sair dela, precisava daquela grana pra pagar sua TV a cabo e não perder seus seriados favoritos: The Big Bang Theory e Friends. Mais a prestação de 100 pilas mensais do apartamento pra TODA A VIDA – um programa da CAIXA ECONÔMICA FEDERAL para pessoas assalariadas. Comprou um CD que vinha gravação do barulho de uma moto e o som agudo do apito. Comprou um mini DVD e um Amplificador de som. Na guarita montou os equipamentos e apertou Play e pôs no MODO repetir a mesma música. Agora, podia dormir e receber a grana todos os meses.

Playmobil cada vez mais revoltado com sua mãe e com a violência dizia que era culpa do SISTEMA e a mãe não entendia o que dizia e ainda mais que sumiu seu skate, desconfiou que fosse ela. Saiu de casa depois de enviar sua cabeça dentro do forno e ligar o gás e esperar 50s e desligar. Foi pra rua e ouviu o barulho da moto e do apito e não viu ninguém. E o som continuava. E não via ninguém. E o som continuava. Não acreditava em fantasma, somente no super-herói Motoqueiro Fantasma. Foi na guarita e subiu a escadinha, abriu a portinhola e pela luz amarela de uma lanterna viu Seu Madruga dormindo estirado num colchão roncando agarrado a um ursinho do KUNG FU PANDA e viu de onde vinha o som da sua “ronda” que estrondava lá dentro como numa boate. Pegou o seu facão e enfiou direto no seu olho que saiu de órbita e caminhou pelo assoalho de madeira da guarita como uma peteca fazendo uma linha de sangue até despencar pela portinhola na calçada. Fez outro furo no meio da testa fazendo chover sangue na sua camisa do RENATO RUSSO e enviou mais uma na boca aberta que vez sua língua parar no braço esquerdo do KUNG FU PANDA. Decepou à sua mão esquerda e se lembrou da Família Adams. Cortou a cabeça estraçalhada de furos e pegou nas mãos e chutou como uma bola de futebol. E gritou:

- Gollllllllllllllllll.


sexta-feira, janeiro 25

Bandida! Vadia! Vou enfiar meu pau no teu olho!



O que tu viu naquele dia não era pra de jeito nenhum você contar pra ninguém. Um segredo, você sabe que não se conta pra ninguém, e não me vem com esse papo clichê que você não é baú. Sua bandida. Eu te odeio. Por mais que nosso lance não seja sério e blá blá blá. Espalhou pra todo o mundo, faltou publicar no jornal, mandava um e-mail com uma foto minha pro The New York Times.  A porra! Fazia um Meme e postava no Facebook pra galera apertar o botão curtir, compartilhar e comentar. Vadia!

Sua nigrinha do inferno vou te encher de tapa na cara, ta ouvindo? E não desliga esse celular e não vem dizer que a conexão ta ruim. Por que tem uma torre da TIM bem em frente da tua casa. Safada! Vou enfiar meu pau dentro do teu olho.

Sua leprética! Fiquei terrivelmente feio na fita com outras minas. Eu to fudido! Pior, não vou fuder mais ninguém. Tu me castrou, miserável. Na verdade não sei por que fui te fuder, e saiba que tava bêbado, drogado, fumei diamba, tinha cherado pó,  por que tu é feia pra desgraça. Parece o cão chupando manga.

E tu vai contar pra tuas amigas e teu amigos viados que eu... que eu... Viu?! A ga- gueira voltou, de- de-de pois de anos de fonou..di-di-di-lo- ga e yo-yo-ga-ga-ga-ga.

31 SEGUNDOS DE SILÊNCIO 

De onde tu tirou da cabeça que meu pau é pequeno. Tu fica comparando meu pau com o pau desses negão que te come, né? Como vou concorrer com os africanos? Porra não dá!

Pô, os créditos estão acabando aqui. Amanhã a gente se vê? Xêro. Eu te amo também.

domingo, janeiro 20

Escrever




a madrugada se fez solitária. os pensamentos que há dias têm girado feito sirenes estonteantes dentro de mim acalmaram-se. um funk de 1982 toca suave no rádio. As janelas — estão fechadas.
a madrugada se fez solitária. posso despir-me de ideologias — não há ninguém vigiando: posso deixar de escrever sobre a falta ou o excesso de alegria, posso não me preocupar em ser o herói ou o anti herói, qualquer outra coisa que agrade qualquer um. 
o cão que ladra… sento-me na cama e olho fixamente para lugar nenhum. estou com a mesma sensação de quando cruzava por baixo das luzes dos postes em uma cidade longe de casa, em uma rua deserta qualquer. o cão silencia. passo a mão vagarosamente pela barba — e me lembro que já deveria tê-la feito há dois dias — é a insônia. por que eu estava chorando no chuveiro? caralho, será que tô enlouquecendo? ando agindo estranhamente, de modo insano, como quem está para partir. e quem disse que não estou? afinal, quem não está? oh, isso me atormenta. escrevo contra mim — não gosto de poetas: são uns filhos da puta egocêntricos. veja bem, todos os que conheço que se dizem poetas estão reunidos agora em algum grupo, se encontram apenas com outros poetas e então postam no facebook suas poesias, depois — céus! essa é a pior parte — eles ficam elogiando uns aos outros.
não. se precisar disso pra ser lido, então não quero ser. deixe-me aqui, no meu quarto, escrevendo raramente. em madrugadas vazias de calor humano. deixe-me escrever sobre a saudade de um abraço, de um olhar de admiração — colocarei a culpa de tudo no sono.
bem, se é a tristeza de um verão chuvoso que insiste em tomar conta da minha alma agora, o que posso fazer? ao menos não estou mais em uma ruazinha deserta longe de casa e — há uma cama desta vez, e o que me resta é deitar-me sobre ela. tristeza? acredito que não seja a palavra certa, mas acontece que estou desacostumado com essa tranquilidade toda, a paz que se deita nua sobre minha cabeça e beija o céu dos meus sonhos — quem disse que isso é bom? mas eu me acostumo, ah sim…