Mostrando postagens com marcador diego pires. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador diego pires. Mostrar todas as postagens

terça-feira, novembro 17

Será que é tarde demais?


Se arrependimento matasse eu morreria um milhão de vezes.

Sou um besta, vaidoso, egoísta e sem noção. Perdi a mulher da minha vida por essas qualidades destrutivas que escrevi.

Trair. Traição. Quebra de fidelidade prometida e empenhada. Infidelidade no amor.

Amor não tem nada a ver com sexo dicionário.

...

Ela dizia que da janela do quarto cheirava o futuro e eu sou um puto ordinário, cachorro vira-la sem futuro, então


vou me embora pra Cedral

lá serei amigo de Zenhinha
E vou tirar a coira em Caratatiua 
vê a lua cor de sangue 
na volta pelo caminho de areia 
já pela noitinha

vou me embora pra Cedral

namorar a piquena mais sonhadora da cidade
e jogar dama com seu avô 
ouvindo atento suas histórias no mar
de quando era um grande pescador

Vou me embora pra Cedral

Comer juçara, pescado,
manga rosa, carne de sol, camarão seco, 
e muito xiri, mas 
só o da minha namorada
não vou de jeito nenhum lhe trair 

Vou me embora pra Cedral

me casar e ter vários filhos
um vai ser pescador como seu avô
o outro vai querer ir pra capital ser doutor
e o outro vai tocar violão e gostar de ouvir dorival caymmi
e ficar de preguiça na rede 
fumando erva da boa

...

e depois da morte
vou ressurgir encantado
lá pras bandas de Outeiro

...

Falo sozinho com ela e rio bobo. Vasculho suas fotos no facebook meio psicopata e vejo seu sorriso e isso me deixa feliz e ameniza a falta de sentido das coisas a tristeza e a canalhice. Ela tá com alguém. Ela tem amigos legais. Ela tem um trabalho gratificante. Ela me esqueceu?

Alguém me belisca pra ver se eu ainda não morri, por favor ! 

Sonhei outro dia que era o Homem Aranha derrotava inimigos por prédios destruídos e ia atrás dela jogando a teia e chegando na porta da sua casa ela disse um NÃO sorrindo ao meu pedido de retorno. Seria bem cômico senão fosse trágico toda a situação !   

Vou um fumar um trevo, dois trevo, ter uma tuberculose, minha cabeça dói, meu coração implode, será que é tarde demais?

segunda-feira, setembro 14

tomo um café preto


fumo um trevo
dois trevo 
outro café preto 
um maratá porque acabou o trevo
o pulmão reclama e minha mãe fala de tuberculose
to fudido, eu sei
e alheio

quinta-feira, agosto 13

Pirulito

I


(Lan House Star)

- E ai grande empresário?
- Beleza, Pirulito.
- Tem algum livre?
- Daqui a 5 minutos libera a dois.
- De boa.
- Como tá o trampo?
- Só tem dois meses e a parada não ta de pé ta voando meu irmão.
- A galera gosta de novidade, né cumpade?
- É visão... Visão de futuro.
- Só vive lotado. E tu que conserta e talz quando dá pau num computador?
- Hunrun.
- Sem Grilo, tu é inteligente.
- Eu me viro. Liberou lá ó. Quanto time?
- Uma hora. Bota na conta aí.
- De boa. E tu já sabe usar a net, Pirulito?
- Tu acha que sou burro. Estudei até a oitava série. Aprendo rápido as coisas. E já tem mais de um mês que vem aqui, pô.
- Cuidado com esses sites de mulher nua. Tem uns vírus doido aí que detona o computador.
- Vírus?! Então põe camisinha neles, pô! Leva eles pra vacinar. Hahahaha.
- Não é esse tipo de vírus, mané. Viu?! Cuidado com esses sites. Detona a máquina.
- Não te estressa... Hoje não to a fim de vê só buceta virtual. Quero uma de verdade. Gostei daquele negócio de bate papo.
- Não te ilude com essas minas.
- Tu vai ver como eu vou agarrar uma.
- Larga de ser menino, Pirulito, além de preto tu mora é em bairro de pobre não é no Calhau e tem mal uma bicicleta. Ninguém vai te querer. Vão logo achar que tu é traficante ou ladrão. Só se tu inventar alguma desgrenha.
- Se liga... Eu tenho minhas imaginações.
- Agora tu digita que nem uma galinha comendo milho.
- Vai tomar no cú. Veado!

(Bate Papo da Bol)

Moreno bonito diz:
Oi
Loira girl diz:
Oi
Moreno bonito diz:
Qual seu nome?
Loira girl diz:
Rosângela Maria, e o seu?
Moreno bonito diz:
Carlos Eduardo.
Loira girl diz:
 Idade?
Moreno Bonito diz:
 29
Loira Girl diz:
E você?
Moreno Bonito diz:
28
Loira Girl diz:
O que faz da vida?
Moreno Bonito diz:
 Sou enpresario.
Loira Girl diz:
 De que?
 Moreno Bonito diz:
Patrão d uma loja de carros e voce?
 Loira Girl diz:
Sou médica.
 Medica. De que?
 Dos pulmões.

- Sem Grilo, como que se chama a médica especialista em pulmões?
- Sei lá. Deve ser Pulmonologista.

Moreno Bonito diz:
Voce é pulmonologista.
Loira Girl diz:
É pneumologista

- Porra, sem grilo. Tu fala as coisas erradas. Assim eu me queimo. É pneumologista.
- Diz que tu tava no celular e escreveu sem querer errado. 

Moreno lindo diz:
Isso que quis dizer! É que tava no cel falando com um cliente e acbei escrevendo errado.
Loira Girl:
Nos devemos nos conhecer.

- Sem Grilo, saca só ela disse que quer me conhecer.
- Ou é ela é muito feia ou é louca ou os dois.

Moreno lindo diz:
Com certeza.
Loira Girl:
Como você é?
Moreno lindo diz:
 
Sou alto, fort, moreno e tenho olhos claros.
Loira Girl:
Hummm...Vc deve ser um gato!
Moreno lindo diz :
Obrigado e você?
Loira Girl:
Eu o quê?
Moreno lindo diz :
Como você é?
Loira Girl:
Ah.... Eu sou branca, não muito alta e tenho um a par de coxas...
Moreno lindo diz :
deve ser gata.
Loira Girl:
você mora onde?
Moreno lindo diz:
no bairro Paraíso e você?
Loira Girl:
eu moro no condominio Alan delon.
Moreno lindo diz :
pode ser amanhã
Loira Girl:
o que?
Moreno lindo diz :
nos ver
Loira Girl:
Hummmm...... Pode ser.

- Vou fechar a Lan, Pirulito. Da logo um thau aí. Amanhã tu bate papo. Ta tarde e galera ta assaltando mesmo. Não respeito nem mais a gente do bairro. Ta cheio de viciados filha da puta nas ruas roubando. Os caras nem respeita a gente, pô.
- Só mais uns minutos.
- E... Parece que o cara conseguiu uma mina.
- É um encontro. É alguma coisa, ela é loira.
- Só se for loira oxigenada. E me diz uma coisa... Tu ainda saca de fios, eletricidade essas coisas maluco? To precisando fazer um miau.
- Coisa ruim a gente nunca esquece.
- Essa conta de energia ta vindo muito alto. Essa CEMAR é foda! Querem me quebrar.
- Amanhã eu faço. Tu vai pagar só dez paus de conta por mês. E a casa vai cair nunquinha.
- Beleza. Faz o serviço e aí gente e acerta a tua conta aqui e te dou mais um mês de graça.
- Pô! Um mês, com esse serviço eu quero exclusividade. Melhor, vou ser teu sócio.
- Tá certo, Moreno Bonitinho. Hahahaha.
- Tomar no cú.
- Ei zezão vou fechar e... A nega do armarinho passou ai atrás de ti. Gostosa ela, hein? Ta namorando, né?
- Maluco não namora, maluco fode.
- Hahahaha. Tu tinha que ser era comediante.

II

(Casa onde mora Pirulito)

- Me dá esse revolver aqui guri. Deixa de brincar de policia e ladrão e vai estudar pra ser doutor. (chora de birra e corre reclamando pra sua avó que lava as roupas no quintal).
- Carlos Eduardo, devolve pra ele. Larga de ser menino.
- Vou precisar.
- O que cê ta aprontando, hein?
- Não te estressa senhora... – (levanta os braços pra cima como um jogador de futebol levanta num gol e beija a santa de gesso em cima da TV) - É hoje que Nossa Senhora da Aparecida olhou pra mim.
- Cê sabe que tu já pegou xadrez por treta de carros. Sorte que tu era ainda de menor. Olha que tu tem dezoito anos, cuidado. Aparecida é santa, mas não é policia.
- Larga de besteira. Passado é passado. E tu sabe que meu trampo é limpo. Limpo carro de rico de gravata. Hahahaha.
- E tu já comeu alguma coisa?
- Um cafezinho com pão.
- Desse jeito tu não engorda nunca mesmo, seco velho.
- Falo sério, senhora. Falou.
- Vai com deus e a pomba do divino espírito santo. Traz uma coisa boa pra mim.
- Nazora.

(pega a rua estreita, põe o quepe, o sol nascendo, o som de reggae, e chega à boca de fumo)

- E ai fritão[1]!
-? – (olha agitado pros lados como se a qualquer instante um policial fosse aparecer bem ao seu lado)
- Tem preta[2]?
- Pirulito!
- Não, é não tua mãe Desmaio. Ei tem preta aí?
- Só tem branca[3]. Cada cabeção meu irmão. Da boa.
- Nunca curto mais química. Essa merla é barca furada. Nunca mais me meto nessa merda. A gente fuma e caga fuma e caga e fica paranóico e paranóico.  (Acende um cigarro e ajusta bem o quepe)
- Pirulito! Deixa dois contos ai. De noite vai chegar uns camarão bonito.
- Ahhhh, pega ai cinco conto, depois eu passo aí. To com crédito na praça viu? E o Rato tem visto ele?
- Outro dia passou ai num carrão com uma loira gostosa. Ele perguntou por ti.
- Foi... Hummm...
- E tu não caiu mais no chão babando? Como é que chama a parada?
- Epilepsia... To aí tomando os remédios, pô!
- E fumando pedra... tu é um louco.
- é isso aí... Pirulito! Um dia vou sair dessa vida e limpar carro também e descer com uma boa nega pro reggae. Tu vai ver porra...
- Que nada! Fica nessa mesma requeiro guerreiro limpar carro não é essas coisas todas. Mas se eu fosse tu ia vender era pó com cal em porta de boate pra playboy otário. Pensa alto doido.

III

(Praça Dom Pedro II)

(Fuma duas carteiras de cigarro ansioso entre o escovar de pneus, lavagem de capu, porta, pára-brisa, mala e correrias e gritos disputando carros e vagas com os outros flanelinhas. O sol está muito quente e não venta. Escuta numa rádio de um carro a previsão do tempo uma mudança de tempo brusco está preste a acontecer. O encontro está marcado para nove horas num dos restaurantes mais chiques da cidade. Não consegue pronunciar o nome do restaurante, mas sabe bem onde fica - já tinha vigiado carros por lá antes de arrombarem três carros e a policia começar a chatear)
- Ei... senhor... que horas são?
- 6 horas.
- Valeu. Aquele filha da puta deve já deve ta pra sair desse prédio. (acende um cigarro e paga a flanela e dá mais limpada no pára-brisa)
(o senhor de terno e gravata sai do Palácio da Justiça no singular andar empinado falando no celular e com um cigarro entre os dedos)
- Não tenho trocado hoje nequinho. (Diz sem olhar pra ele)
- Não faz isso patrão.  (Inspira fundo e tira a arma presa entre a cueca e o calção)
-?!
- Não quero suas moedas... Quero a chave, seu celular, carteira e o terno. (solta o ar no fim da exigência).
- Tem um terno novinho num cabide dentro do carro.
-... Eeee tem calças e um sapato?
- Não.
- Oh patrão! Então me dê suas calças... E esse sapato bonito com a meia. E me arranje seus cigarros. (Ele faz o que exige)
- Não tenho mais cigarros. Era o último.
- Sem problemas...  Sua esposa é o quê, patrão?
- Como?!
- O que ela faz da vida, caralho?
- Ela é advogada.
- E tu é o que mesmo?
- Advogado do Estado.
- Nazora. Pode ficar com minhas havaianas patrão e minha bermuda. Quem sabe o senhor não ganha uma grana vigiando carro. Hahahaha.
- Preto filho da puta!
- Sou preto sim, mas não filho da puta.
Tac ( Aperta o gatilho)
- Eeeee o patrão ta se mijando na cueca. Pensou que ia morrer, né? Seu cagão. Tem sorte que essa arma é de brinquedo. Falou.
- Pega ladrão (grita o advogado).

(Entra com rapidez no e dirige pelas ruas da cidade que se ilumina pela luzes dos portes. Agora tinha um carro importado, ar condicionado pra dissipar o calor de fora e cartões de crédito de todas as cores, mas não sabe usar cartões. Liga o som Pioneer e procura uma estação de Reggae. Mas todos falam em assunto político. Desliga. Pensa em assaltar alguma coisa. - Por que não assaltar uma farmácia? Todo mundo compra remédio e uma dor de cabeça lhe perturba sempre no final do dia. Deve ter muito dinheiro no caixa. Deduz.)

IV

(Av. Daniel de La Touche)

(Para na primeira farmácia que vê – Extra Farma. E lembra-se de pôr o terno, a calça e os sapatos. Demora um tempo fazendo malabarismos pra colocar o terno a calça e os sapatos. Ao sair faz questão de se ver no reflexo do carro e percebe que ainda está de quepe. Tira e joga fora. Cospe na mão e penteia os cabelos duros e ressecados de sol. Sorri.)
- Estou bonito. Mamãe também acharia.
(Olha para o céu por causa de um relâmpago e senti um vento forte atingir seu rosto.)
- Vai chover. Esses pingos de água não vão estragar o meu encontro.
(Entra na farmácia e caminha tentando imitar o andar do patrão com as roupas exagerados para seu corpo magro e estranho para um negro queimado de sol. Pára e fica abstraído entre o vidro do balcão que separa as prateleiras repleta de caixas remédio)
- O que deseja senhor? (Uma bela voz uniformizada sai de trás de um PC lhe trazendo pra realidade)
- Quero o melhor remédio pra dor de cabeça que tem aí.
- Temos o DOFLEX [4], senhor.
- Pode ser.
- Só vendemos em cartela ou em caixa, senhor.
- Então me dê uma caixa.
(A atendente põe a caixa de DOFLEX em uma pequena bacia amarela fenestrada.)
- Você quer mais alguma coisa. Esta em promoção a VITAMINA C efervescente. Muito bom para fortalecer o sistema imunológico evitando assim gripes e resfriados. (explica numa voz mecânica e decorada)
- Ah pode ser. Me diz uma coisa... Vocês têm cigarros?
- Não senhor, aqui é uma farmácia.
- Ah... Foi mal.
- Você paga ali em um daqueles balcões.
(Pega a bacia e se dirigi com um sentimento de orgulho ao um balcão de pagamento. Nunca foi tratado com tanto respeito e educação. Tira o revólver do sobrinho sob o terno)
- Passa a grana!
-!
(a tranca do caixa registradora emperra)
- O que aconteceu?
- Senhor um pouco de calma! Eu vou conseguir abrir.
- Cuida, senão eu te mato.
- Senhor, por favor, não faça isso. Eu tenho um encontro marcado com um homem daqui a pouco.
- E eu to lá me importando com isso. É quero é a grana que ta aí dentro.
- É que ele deve ser o homem da minha vida.
- Quem é ele?
- Vocês se conheceram onde?
- Na Internet senhor. (os olhos brilham de lágrimas).
- E qual o nome dele?!
- Carlos Eduardo.
- Ele faz o que da vida?
- Consegui abrir o caixa, senhor.
- Ele faz o que da vida?
- Pegue o dinheiro, senhor.
- Ele faz o que da vida?
- Peque o dinheiro, senhor. (joga com as mãos trêmulas as cédulas presas por uma liga em cima do balcão)
- Droga! Larga de me chamar de senhor. Ele faz o que da vida? (olha pro seu crachá e ler seu nome) Responde... Rosângela!
(Ela enxuga o bigode de suor e ajeita os óculos e repara pela primeira vez aquele homem.)
- Me desculpe... Ele é dono de uma loja de...
- De que porra?! (grita impaciente)
- De carros.
- Meu deus. Que merda! Fudeu tudo. (bota a mão na cabeça)
- O que senhor?
- Sua gorda feia, vou te dar um tiro na boca pra largar de mentir... Dizendo que era gostosa, médica, loira num sei o quê, meu pau.
- O quê? Como? Não faço isso senhor! (chora aos prantos)
- Tem sorte que essa arma é de brinquedo (pensa).  Todo mundo calado ninguém se mexe. Eu vou matar essa mulher. A casa caiu, a casa caiu! Caralho! (Pega a grana o remédio e sai da farmácia)
- Merda, merda, merda.
(entra no carro e arranca)
- E esse carro? Vou levar logo no desmanche do Rato e sair dá um tempo dessa cidade.
(Põe dois analgésicos na boca e sintoniza a rádio que toca three litlle birds)






[1] Diz-se do usuário de merla: substancia fabricada com a pasta de cocaína. 
[2] Giria que quer dizer o mesmo que Maconha.
[3] Gíria que quer dizer o mesmo que Merla.
[4] Marca de analgésico composto por dipirona sódica, paracetamol e cafeína.

quinta-feira, abril 30

Rebelião no Pátio


  “... Eu era criança e via o espírito da mamãe sair do seu corpo e tinha muito medo e me enrolava no lençol!”

confidenciei baixinho pra Scarface pra ninguém mais do pátio mais ouvir e fiquei na minha esperando a resposta dele. Você é um médium Cartola hehehe não é um louco berrava e ria enquanto cagava e mijava na minha frente e fazia cara azeda de quem chupava limão.  Fui correndo depressa atrás de um jornal porque sabia que ela ia limpar com as mãos. 

Entrei na sala de Terapia Ocupacional que sempre tinha jornais velhos com noticias de vermelhas pra gente ficar fazendo canudinho com cola e tesoura e passar o tempo. Peguei uma de professores que apanharem de policias lá no sul do pais. Voltei pra entregar pra Scarface e ele já tinha limpado com as mãos. Droga! Missão perdida! Ele tava fedendo demais e o pior é que faltou água por aqui.  Mostrei o jornal pra ele e reparou a notícia e começou a cantar e pular “Polícia para quem precisa/ Polícia para quem precisa de policia”. Scarface sempre tem as melhores tiradas na cabeça. Ele é um Gênio. Era pra ele ter seguido a carreira de comediante. Pensei que a gente podia fugir e eu seria o empresário dele. Mas acho que o mundo lá ta pior que aqui dentro. Deixa quieto. Eu comecei a dançar também e o Teteu, Barba, Pig e o Sorriso que também estavam no pátio entraram na dança com a gente. Pensei que podíamos nesse momento fazer uma rebelião por causa da falta de água. Comecei a gritar ‘´Queremos água!/Queremos água!”e todo mundo estava gritando junto “Queremos água”, “Queremos água”. Ouvi as sirenes do pátio irritarem meus tímpanos com aquele som agudo e me lembrei do tempo escola entre uma aula e outra e os homens de branco com cara de mal se aproximando. Fomos duramente reprimidos por aquelas filhas de uma égua sem vergonha cabeças de vento. Sorriso foi o primeiro a ser pego, Pig levou uma rasteira e Barba acertou um Jeb de direita na cara de um guarda e  Scarface ainda pulava e gritava “queremos água!” ainda liberto e liderando a rebelião com eu e Barba que gritou “cuidado Cartola!” quando senti um mata-leão traiçoeiro pelas costas e me aplicou aquele liquido que deixa a gente super mega dopado - o Hadol. E depois não me lembro mais de nadica de nada.

Estou agora amarrado na cama e contando a história pra Zica que me olha com sua cara de tristeza que eu gosto tanto e perguntei onde ela tava na hora da rebelião e como precisávamos de reforço naquele momento tão histórico. “Tava dando um role em plutão”. Quando ela vai pra esse planeta é porque ta a fim de se afastar de todo mundo e costuma ficar muito fria e distante. Zica tirou um litrinho d’água do bolso e botou na minha boca. Disse que trouxe lá de plutão e que ia me fazer muito bem . Zica sempre com os melhores presentes em situações complicadas. Ela bem que podia ser uma mágica fazendo uma dupla com o Scarface. Bem que podíamos sair daqui e ia ser o empresário deles. Eu acho que já pensei algo assim antes.

- O que aconteceu com Scarface?

Ela apontou pra cama ao lado. Ele dormia pelado, roncava e cheio de bosta. Eu ri foi muito.


quinta-feira, janeiro 8

Ursinho dodói


Me avisou que aquele lance não seria tão legal se eu não fosse um ursinho dodói e eu espalhava orgulhoso pra todos que eu era o ursinho dodói dela sequelado e que lhe conheci numa praça vendendo livros . Acredita?! E achávamos aquilo tudo muito romântico.  E repetia aquela história que quando criança  gostava de brincar com um urso que não tinha um olho, um ursinho dodói . Cuidava dele como uma enfermeira e hoje ela era enfermeira nem coincidência foi, talvez, eu estou tentando relembrar coisas dela porque to sentindo muito dores de saudades brutais e muito a fim de tomar dez comprimidos de rivotril e viajar pra outro espaço.  O mundo é pequeno demais e o coração dela está em outro estado territorial e fico falando sozinho como se eu estivesse falando com elas coisas que a gente falava regredindo a voz como se fossemos crianças. Sabe?! Ela é uma caverna que você pode ficar hibernando durante tempo suficiente para nunca mais esquecer aquela caverna. 


quarta-feira, julho 23

correndo na bike xxXx


voando na rua
♫hj eu só queria um dia claro q passou♫
brega, canalha, acelerado,
e rindo de alguma maluquice
dobro a direita,
subo uma avenida
pego a esquerda
atras de uma mina que me abrigue
como tantas x já rolou
paro e grito seu apelido
bem na porta suadão
já são quase 12 hrs da noite
vem logo me atender, vai

terça-feira, maio 13

quinta-feira, maio 8

Patricia Careta


Ela não bebe
não fuma 
não cheira
mas é cheio de graça
quando pinta na praça
como um estrela  de outra galáxia

Fiz essa versos  pra impressioná-la e tentar deixar la em casa já que era de outro bairro e tirar um sorriso do seu  rosto que descreveria meigo, legal e cor de jambo maduro. Patricia como me foi apresentada por sua amiga que parecia um Hipopótamo de óculos de grau. Nunca vi aquela mina fazendo um flash back na minha memória sequelada apesar de ela ter me visto na praça onde estávamos em outros dias. Eu tinha acabado de chegar de um pedágio pelas ruas do bairro de um lance para arrecadar fundos para compra de um equipamento de som e ainda tava no pique da alegria. E Patricia sua amiga ia descer para um sarau de poesia em outra praça. Convidei elas pra fumar um beck com meus amigos, mas ela disse que não fumava e dai fiz os versos na hora. Sua amiga disse que fumava e Patricia disse que nos acompanhava até o terraço da fumaça: um espaço onde a galera se reúne para confraternizar uma diamba, na praça mesmo, só que em cima de um auditório com uma vista panorâmica da praça. Vamos eu, ela, sua amiga, mais Dio e Ratinho que bolou o beck e tava do lado dela um tempão.

Eu e Dio tentávamos colar uma melodia nos versos como um samba com back vocal e tudo, ela ria e disse que esqueceríamos aquilo no outro dia. Enquanto isso o beck ia na paulista, pois era miado, um salve apenas.

E nesse tempo sacava ela melhor. Usava um vestido florido com uma pegada alternativa e brinco de artesanato, puxei assunto. Perguntei de que Bairro vinha. Bequimão, respondeu . E percebi o olhar que Rato atirou em mim. Acho que não tava gostando muito daquilo, ou melhor, acho que ele tava afim dela. Putz... não ia forçar nada. O Rato era hardcore podia muito bem acabar com minha vida... hehehehe e tb era meu amigo. Então deixei pra lá e tentei me concentrar nos versos e no samba junto com Dio.

Ela não bebe
não fuma 
não cheira
mas é cheio de graça
quando pinta na praça
como um estrela  de outra galaxia

quarta-feira, maio 7

Pequena Receita contra o Embrutecimento

Cufuné muito cafuné
Cante enquanto vai ao mercadinho
banhe de chuva
chore
ande de bike no fim da tarde
pegue um onibus vazio e sente perto da janela
feche os olhos e lembre de coisas boas
visite amigos e abraçe um inimigo desprevenido
troca ideia com um velho bêbado na praça
lave as louças
ouça o silêncio

domingo, abril 27

Mari

Ela era minha amiga das antigas. Amizade mesmo. Falava tudo pra ela. Minhas paixões, o platonismo, o que lia, dividiamos livros, maconha,  filme, assistiamos filme, só não fudiamos até então. Sim, foi num certo dia deu na veneta dela que queria fuder comigo. Soube que tava bem triste. Algum amigo em cumum me contou. Fui lá ver se fazia tirar um sorrisso do rosto dela. Coisa que fazia com minhas piadas malucas que se amarrava em altas gargalhadas. Mas sua cara tava um desastre de solidão. Fazia tempo que tava no total tédio e sem fuder e eu tava solteiro e um tempinho também sem fuder. Nunca senti tesão por ela. Mas sacava que ela sentia tesão por mim porque uma vez me deu um poema que falava do meu peito com creme escorrendo e ela lambia. Os pais dela tinham saido de casa. Eu e ela no sofá da sala e rolando algum programa ralado na tv.  Ela falou que queria fuder comigo, não sei se foi ao certo com essas palavras, enfim. Disse que queria tomar alguma coisa antes. Me trouxe cachaça da terra da adega do lado da tv e virei num gole só. O suficiente pra esquentar por dentro. Beijá-la e transarmos ali no sofá. Uma foda de fundo amistosa  e antidepressiva. Sair de lá me sentindo um bom rémedio. Ainda fudemos outras vezes depois disso. Soube que ela se casou outro dia. Conheci o cara e ele não foi com minha cara. Sei lá se ela falou algo de mim. Vou até ligar pra ela hoje saber como ela tá.

sexta-feira, julho 12

Mulheres




Uma Coletânea de Histórias de Ficção que abordam a lombra que o relacionamento do sexo feminino e sexo masculino. Sabemos que isso é TUDO muito MAIS que um pau e uma xoxota.

é só fechar os olhos

sexta-feira, junho 21

Pau no cú

Pau no Cú

do que ficam em casa RECLAMANDO que isso não é com eles

Pau no Cú

que acha que isso tudo é MODISMO

Pau no cú

dos que falam em PAZ

Pau no cú

dos teóricos de gabinete & redes sociais e por aí vai

Pau no cú

dos quem inventam MONSTROS indestrutíveis