sexta-feira, junho 28

As Borboletas Amarelas

Meu estômago está borboleteando hoje, Leitor. Azuis, rosas e principalmente amarelas. Não me pergunte o porquê pela preferência por borboletas amarelas, Leitor, apenas as prefiro. São mais alegres, mais voadoras, mais aéreas. Amarelas como as túnicas egípcias dos faraós, antes dos tempos decadentes.

São as mais belas borboletas das quais tenho lembrança, tanto pela simplicidade, quanto pela quantidade. Por que somente as mais raras borboletas são consideradas bonitas? Não concordo,Leitor, para mim o belo está nos detalhes da simplicidade magnífica com que essas borboletas desenham a grama do meu jardim e de repente revoam por  aí, borboleteando por onde passam.

E seguem com o vento, para onde a corrente de ar quente leva, ora mais veloz, ora mais paciente, para que possamos aproveitar a paisagem. Assim como me levaram de volta ao paraíso das minhas memórias, e me acordaram características já adormecidas pela opressão.


Não consegue ouvir, Leitor? Atente ao ruflar delicado de asas que saem pela minha boca em tua direção, tome cuidado ao desviar. Não há remédio, nem tratamento, se for atingido em cheio, terá um enxame delas em seu estômago também. E depois, todos seus dias serão primaveris. 

quarta-feira, junho 26

Mais fácil que tirar doce da boca de criança: a força armada policial e suas ações incoerentes nas manifestações atuais em São Luís do Maranhão.

Ocupação é o ato de ocupar, tomar conta de um território ou lugar. Esse é o processo que vem ocorrendo na sociedade brasileira atual. A ocupação das ruas através das manifestações foi um processo que acabou se espalhando e generalizando¹.

Mas, quanto ganham os militares para bater em pessoas desarmadas? Na manifestação desta Terça-Feira, 25 de Junho de 2013 na cidade de São Luís do Maranhão, com início situado na chamada "Praça do Rodão” no bairro da Cohab, após caminhada pela Avenida Jerônimo de Albuquerque ² ("herói" que depois da Batalha de Guaxenduba adotou o sobrenome de "Maranhão" em homenagem a bela terra que acabara de conquistar, pois mal sabia ele no que a mesma viria a se tornar quatro séculos mais tarde), centenas de manifestantes, obstruíram o transito na altura do “Retorno da Forquilha” sem danificar qualquer veículo ou patrimônio público ali presentes. Pois os mesmos ali se encontravam, com o único objetivo de expressar sua insatisfação para com a gestão municipal, estadual e federal vigentes. No entanto a presença de policiais com uma postura inadequada, extremamente violenta, e segundo relatos portando armas de fogo, torna-se contraditório com o que consta na CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL, texto promulgado em 05 de outubro de 1988, onde o Artigo 5º nos Incisos III e IV ³ respectivamente, dizem o seguinte: “ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante” e “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato”. Portanto, a manifestação era legitima.

No entanto, o que cabe aqui colocar é a seguinte questão: os militares certamente muito se contentam quando entram em greve e a sociedade aprova seu posicionamento, tendo em conta que também são proletários e sua reivindicação por melhores salários, e consequentemente por melhores condições de vida é legitima. Então por que cargas d’água o “cidadão comum” não pode fazer o mesmo? Será que o último reajuste salarial da classe foi suficientemente confortável para que os mesmos hajam de tal maneira? Os militares tem adotado um comportamento extremamente violento, com o foco errado. Se a priori eles deveriam exercer o papel de “guardiões” da integridade do corpo social, tem se tornado os maiores vilões desta.

O comportamento que “teoricamente” deveria ser censurado é o de saqueadores, tanto de ônibus de lotação, quanto de cofres públicos. Mas no entanto é mais fácil que tirar doce da boca de criança, lançar sprays de pimenta nos já ardentes olhos cansados dos assalariados e estudantes, e bombas de efeito “moral”, além das rotineiras pancadas de cassetete nas suas cabeças, mas é claro, tudo isso para manter a ordem e integridade da sociedade. Hoje dentre as muitas incoerências por parte dos militares, presenciamos uma jovem ser agredida por um policial, na tentativa de intervir a ação incoerente que eles tiveram ao levar um amigo que segurava uma faixa, parado e em silêncio, isso mesmo, foi preso por protestar pacificamente, ação que inclusive foi registrada em vídeo. O que mais teremos amanhã? E depois? Se esquecem senhores, que no final das contas estamos todos afundando no mesmo barco, todos suados, roucos, tensos e alguns de nós até mesmo machucados, enquanto nosso real “inimigo” está neste momento no ar-refrigerado, rindo de todos nós, de tolos que somos.

¹ VIANA, Nildo. Da ocupação das ruas à ocupação da vida: uma análise das manifestações populares no Brasil atual. In: Territorial - Caderno Eletrônico de Textos, Vol.3, n 1, 20 de junho de 2013. [ISSN 22380-5525].

² - LACROIX, Maria de Lourdes Lauande. Jerônimo De Albuquerque Maranhão: Guerra e Fundação No Brasil Colonial. São Luís: Editora UEMA, 2006. 

³- CONSTITUIÇÃO, Da República Federativa do Brasil. Senado Federal – Secretaria Especial de Informática. Texto promulgado em 05 de outubro de 1988. Brasília: 2013. Disponível em < http://www.senado.gov.br/legislacao > Acesso em 25 de Junho de 2013.

terça-feira, junho 25

Ode para Augusto dos Anjos


Por Paulo Dias

I
Sob o sol da amargura uma alma triste vagou
Em silêncio procurando uma brisa qualquer
Corroída pelos mesmos vermes que do seu corpo
Alimentaram-se imponentes ao chegar da noite insone
A tristeza pousou em sua alma como um urubu
E em horas brutais a fome lhe devorou os desejos
De conquistar os sonhos que se perderam no vendaval
Agora neste mundo não há nada para se lamentar
Apenas o luar cai sobre o túmulo risonho
Que guarda os restos de uma mente torturada
Em um corpo antes esquálido carregando um coração
Que era mais amplo que um deserto onde uma caravana
Cruza à procura de um oásis de flores mortas
Ó Mausoléu corpóreo abrigando a angústia e a dor
Veneradas sob a lua macilenta dos solitários
Nem uma sombra vagou tão esquecida pelas ruas
E nem uma prostituta ficou tanto tempo na esquina
Esperando por um convite funesto e malicioso
Somente um velório que atravessa a noite inteira
Pode ser lembrado, ó poeta, pelos tristes sonâmbulos
II
Tu caminhaste na direção do sol nascente
Como um visionário enxergando o futuro
Sentiste as agonias de um filosofo na madrugada
Somente um tamarindo te deu sombra e abrigo
E nem um morcego veio atrapalhar teu sono
Dentro de tua última camisa tecida pela morte
E nem quimeras te acompanharam no caminho
Quando teu caixão era transportado para a cova
Onde a terra iria cair como último alento
Já esperavas essa hora de um novo despertar
Em teus sonetos inigualáveis e grandiloqüentes
Sonhei várias noites lendo teus poemas majestosos
E queria tanto uma noite no Cairo desmaiando
Dentro de mim como desmaia um epiléptico
Ó Lázaro que os dias consumiram sem pudor
Tendo alucinações à beira-mar com medo da morte
Tu, ó poeta, te acostumaste à terra que te esperava
E o escarro que lançaste na face de um poeta tolo
Que menosprezou teus versos com tanto sarcasmo
Agora escorre nos vidrais das catedrais da ignorância
III
Foi nessas horas longas de tão sensata meditação
Que eu suspirei ouvindo teus versos a um coveiro
Tanta morbidez em termos científicos eu ouvia
No latejar agonizante dos trovões ao anoitecer
Tendo nas mãos a cítara mística sempre a gemer
Eu cantava tua glória magistral nesse martírio supremo
De ser poeta em tempos insanos e sangrentos
Ouvindo sempre um gemido do meu ser em rutilância
Avisando-me dos perigos em abraçar tantas dores
Sei que o calvário de todo poeta é seu coração abrasador
Que queima em vertigens nas horas soturnas
Esse oficio requer uma força tamanha do ser
Parece um apocalipse íntimo onde belos arcanjos
Anunciam com trompas d’ouro o momento extremo
Que é expor em palavras sentimentos demasiados
Essa agonia ardente, ó poeta, sentiste no peito
E ouviste sem findar as vozes de um túmulo
Que te chamava para um longo sono sempiterno
Acolhido pelos braços da costureira funerária
IV
A chuva caía reconfortante sobre tua alma
Mesmo com tantos relâmpagos e trovões ensurdecedores
Tu já esperavas em sonhos o caixão fantástico
Que iria te conduzir para tua última morada
Este era o solilóquio de um visionário que se repete
Quando se visualiza no horizonte os corvos
Que fazem o contato deste mundo com o outro
Quantas vezes eu li teus sonetos exuberantes
Anunciando a noite prometida que se aproximava
Só que não temeste a chegada da hora fatal
Cantaste em versos o momento de tua morte
Que já não tardaria logo em ti beijar o rosto
Os sicômoros se entristeciam pelo passamento
Pois tua alma buscava a tristeza metálica
Que a natureza forja na fria escuridão
Eu queria bradar ó poeta uma única palavra
Que em teus versos parece tímida: amor!
A dor foi para ti uma companheira primeva
E por ela padeceste rumorejando à noite
Ó poeta! Quando a noite dos Vencidos chegará?

segunda-feira, junho 24

Feliz Ano Velho ( Filme)




Ficha Técnica
Título original: Feliz Ano Velho
Gênero: Drama
Duração: 105min.
Lançamento (Brasil): 1988
Distribuição: Embrafilme
Direção: Roberto Gervitz
Roteiro: Roberto Gervitz
Produção: Cláudio Kahnz
Produtor Associado: Josef Kurc, José Mindlin, Victor Rebouças, Sérgio Mindlin, Patrícia M. Caldeira, Reynaldo Catalano e Nelson Atallah
Direção de Produção: Boby Costa
Co-produção: Tatu Filmes, Quanta Filmes, Transvídeo, 5.6 Produções, Embrafilme
Música: Luiz Henrique Xavier
Som: Galileu Garcia Júnior e Roberto Gervitz
Fotografia: César Charlone
Sonografia: José Luiz Sasso e Karin Stuckenschmidt
Direção Artística: Clóvis Bueno
Cenografia: Clóvis Bueno
Figurinos: Clóvis Bueno
Montagem: Galileu Garcia Júnior



Esse filme é baseado no livro autobiográfico Feliz Ano Velho de Marcelo Rubens Paiva, que teve seu pai Rubens Paiva morto na Ditadura Militar ( Essa noticia foi confirmada depois da Comissão da Verdade) e conta a Historia de um universitário que mora numa republica de estudantes em Campinas-SP que vai se tornar militante ( talvez muito pelo sumiço do seu pai), entre aventuras amorosas, diamba, musica, e um terrível acidente fraturando a cervical lhe deixando tetraplégico e o faz repensar a Vida. 

....

Se eu tirasse um xerox da cabeça,
no papel eram pontos insólitos,
traços de oxigênio,
nuvens de fumaça
e muito gaz lacrimogênio.

Se eu tirasse um xerox do coração,
nas veias velhas teias apinhadas de aranhas,
batom, merthiolate, puro purê de tomate.

Se eu tirasse um xerox integral em nú frontal
pra saber se no fundo algo por dentro vai mal

o resultado era um fio descascado espalhando adrenalina o
tempo todo pra todo lado.

Se eu tirasse um xerox geral
pra saber se na real algo comigo não vai legal

o resultado era um puta emaranhado de fios e cacos

confundidos num anárquico mosaico de artefatos. 

( letra da musica do filme de Luiz Henrique Javier)


filme completo

Curiosidades: Hoje Marcelo Rubens Paiva escreve peças de Teatro e teve um texto adaptado recentemente para o cinema " E aí, Comeu?".

Esfinge

por Maria Ligia Ueno

E os meus pensamentos voam longe, feito andorinhas, tentando adivinhar os meus futuros conforme esbarro nas encruzilhadas da vida. Mas assim como uma andorinha não faz verão, cada um que se passa na minha cabeça não me toma. E a minha mente continua seu passeio pelas possibilidades, pelas catástrofes e pelos jardins. E a minha mente continua seu passeio, sem a paciência de outrora, com medo da pressa imperfeita, com medo dos monstros que me espreitam, com medo dos cacos da flor de vidro que derrubei no chão. E a minha mente continua seu passeio, entre os arranha-céus que construí com orgulho na minha cidade imaginária, entre as casas modestas no campo em que eu reservava para meu refúgio, entre o lago de carpas brancas e laranjas que retinham minhas lágrimas.

E os meus pensamentos voam longe, como um balão de ar quente que testa as correntes do vento, deixando-me testar pelo pelos meus sonhos, meus desejos e meus objetivos. E como um castelo de cartas desmoronado, causam-me o riso. Não posso controlar o incontrolável, não posso pedir o impedível, não posso querer que tudo seja como era antes. Aliás, sequer quero como era antes, eu gostaria que fosse como eu desejava antes.

E os meus pensamentos cavam a terra, a fim de me enterrar consigo.  Mas por outro lado, constroem um morro com a terra cavada, no qual me habilito a subir e a enxergar o mundo com um otimismo nunca antes permitido. O céu está lindo hoje, cheio de nuvens para lembrar como é boa a incerteza.

E os meus pensamentos se cansaram de tanto andar, de tanto rodar em círculos sem chegar a lugar nenhum, como se fossem ponteiros de relógios que repetem a vida toda os mesmos números, e o mesmo compasso.

E neste compasso continuo tentando achar lugar nenhum, ou algum, seja para me esconder das conclusões que me passam pela cabeça, seja para me afugentar nas conclusões que chegam à tua cabeça.

E os meus pensamentos são como porcos-espinho, desses que com cuidado e paciência se consegue tocar o coração, mas que com brutalidade apenas te ferirão. É o caso famoso da flor que se transformou em porco-espinho, quando Dr. Jekyll deixou sua poção cair na jardineira. Esse porco-espinho que se tornou minha mente é uma verdadeira esfinge: decifra-me ou devoro-te.

sábado, junho 22

Alerta ao Brasil


Os últimos dias que vem acontecendo as manifestações em todo o Brasil contra o aumento das passagens, sendo este o estopim para o enfurecimento do povo, já está começando a perder o controle, rumo e direção. Isso é perigoso e não cheira nada bem, correndo o grande perigo do movimento cair nas mãos de partidos de direita, conservadores e reacionários.

A grande mídia que no inicio vinha rechaçando as manifestações, está dando total cobertura ao movimento a ponto de deixar transmitir a novela das 6 como ocorreu nessa semana, passando a criticar pequeno atos chamados de “vandalismo” e focando quase exclusivamente nesse atos, deixando de lado as manifestações com as suas reivindicações.

O outro fator curioso orquestrado pela grande mídia é o sentimento anti -partidário que vem ocorrendo nas manifestações, é verdade que os partidos políticos vem sendo fortemente desgastado nos últimos anos em todas as esferas, seja por aqueles que governam as prefeituras, governos estaduais, presidência, câmaras municipais, assembleias legislativas, senado federal e a câmara federal, como também em sindicatos e nos movimentos sociais.

No entanto, não podemos impedir a presença de partidos políticos nas manifestações, apartidarismo é diferente de anti-partidarismo, as manifestações que ocorrem em todo o Brasil se caracteriza apartidária porque não há lideranças partidárias a frente do movimento, há muitos jovens com menos de 18 anos participando pela primeira vez nas manifestações de maneira espontânea sem influencia partidária, que não maioria deles nem são filiados a nenhum partido, esse é o motivo do movimento ser visto dessa forma.

Mas quem agrada a não participação partidária de integrantes nas manifestações? Isso só está acontecendo porque os partidos de esquerda tem tradição de participar nas manifestações, partidos como PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados), PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) e até mesmo o PT (Partido dos Trabalhadores) e PC do B (Partido Comunista do Brasil) que são do governo são fortemente rechaçados.

Quem garante que não há integrantes do PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira), DEM (Democratas) e demais partidos de direita? Quem garante no movimento não estejam presentes os conservadores, reacionários e fascistas? A presença das bandeiras partidárias é pormenor diante da presença físicas destes nas passeatas.

Eu mesmo tenho duras críticas aos partidos políticos, tanto da direita como os da esquerda, tanto que eu já fui taxado de agente do PSDB por um integrante do PSTU por fazer críticas ao seu partido, mas impedir a presença de bandeiras partidárias e discutir se deve ou não levar é desvirtuar as intenções do movimento.
Não devemos cair nessas armadilhas, porque isso está sendo fortemente explorado pela grande imprensa, especialmente pela Globo, os partidos de esquerda devem se unir para não caírem facilmente nas artimanhas e alertar aos jovens que na maioria são inexperientes em passeatas e até mesmo politicamente nessa gravidade.

Porque o movimento está perdendo o rumo e a direção? Tem gente defendendo a redução da maioridade penal (eu sou favorável, mas da forma como está sendo discutida e defendida pelos partidos de direita, conservadores, reacionários, fascistas e religiosos, seja por católicos ou evangélicos, eu me coloco contra) nas passeatas, por exemplo, desvirtuando as reais intenções do movimento.
Por essa razão o MPL (Movimento do Passe Livre) anunciou não mais mobilizar a população, muitos estão criticando essa organização, mas eu o defendo, porque na verdade estes são os primeiros a perceber que o movimento está perdendo o rumo e caindo nas mãos de pessoas ou grupos que não tem compromisso de fato com as pautas de reivindicações.
Outro fator que o movimento está começando a perder o rumo é justamente na tese que está começando a ser propagado em todo o Brasil é a “Fora Dilma!”, não se trata aqui de defender o PT e a presidente da república, mas não devemos cair nessa armadilha orquestrada por aqueles que têm o real interesse pra ocorrer.
Se quisermos tirar o PT e a Dilma do poder, colocaremos quem no lugar deles? O PSDB/DEM com Aécio Neves? Michel Temer? Renan Calheiros? Henrique Eduardo Alves? É uma injustiça, cegueira e ao mesmo tempo oportunismo, especialmente o último associar todas as mazelas do país ao PT/Lula/Dilma, todos os governos sem exceção sempre foram compromissado com as classes dominantes.

A diferença que o PT mesmo com todas as suas contradições e ter recebido o apoio de grupos oligárquicos e uma parte da elite para se eleger em 2002 com o Lula, é originariamente um partido de esquerda, é equivoco também afirmar que o governo do PT é apoiado pelas elites, o apoio das elites ao governo não é unanime, a elite paulista odeia o PT, Lula e a Dilma, porque vocês acham que o PSDB governa o estado de São Paulo há quase 20 anos? A esquerda nunca de fato governou o estado, nem pelo PT ou qualquer outro partido de esquerda. Porque vocês acham que a Veja e os principais jornais porta-vozes da elite paulista e dos partidos de direita como a Folha e o Estado de São Paulo fazem críticas ferozes ao governo do PT?

Portanto, não cairemos nessa armadilha da “Fora Dilma!”, o problema não é mudança de presidente, é o sistema vigente do nosso país que está todo corrompido. Lembram do outro artigo que eu escrevi nesse blog intitulado a “A noite de São Bartolomeu”? Católicos e evangélicos está unidos através dos deputados Marco Feliciano e Jair Bolsonaro e o pastor Silas Malafaia na defesa na redução da maioridade penal, estatuto do nascituro, a tal “cura gay”, contra o casamento do mesmo sexo e o aborto.

O próprio Marco Feliciano já avisou ao governo que irá incitar toda a bancada evangélica do congresso e os evangélicos a se rebelarem contra o governo caso interfira nas leis que eu citei anteriormente, como a “cura gay”. Silas Malafaia junto com o Marco Feliciano e Jair Bolsonaro em Brasília no inicio desse mês organizaram uma manifestação em defesa da família.

A mesma manifestação que ocorreu em São Paulo que teve a participação de mais de 1 milhão de pessoas 
dias antes do golpe em 1964 pelos militares que destituíram o João Goulart do poder, organizada pela igreja católica e partidos de direita que eram contra as reformas de base do presidente Jango.

Vocês acham descartada a possibilidade de haver um golpe de estado? Eu digo que não, e não deveremos subestimar o poder dos militares, porque os militares não gostam do PT, e especialmente odeiam a presidente, a Comissão Nacional da Verdade criado em seu governo para apurar os acontecimentos durante o regime militar de 1964 a 1985 e esclarecer sobre as mortes e desaparecimento das pessoas que foram vítimas, só fez aumentar ainda mais o ódio dos militares contra a presidente.

Lembram do dia da posse da presidente no dia 1° de janeiro de 2011? Ela passou em frente ao batalhão de militares que estavam enfileirados numa espécie de continência e obediência ao novo presidente, nem sequer olhou para o batalhão, o motivo eu não preciso explicar porque todos nós sabemos o seu passado.

Vocês acham que os Estados Unidos não estão acompanhando de perto estes acontecimentos? Leiam o blog do Reinaldo Azevedo da Veja que verão o mesmo incitando a “Fora Dilma” e outros jornalistas reacionários que são porta vozes da elite paulista e dos partidos de direita propagando o coro nas passeatas.

Lembram do golpe em Honduras de 2009 que destituíram o Manuel Zelaya do poder? Lembram do golpe ocorrido ano passado (2012) no Paraguai que destituíram o Fernando Lugo? Lembram das tentativas de golpe ocorridos na Venezuela para destituir no poder o Hugo Chavez como em 2002? Todos esses acontecimentos os Estados Unidos esteve acompanhando de perto e apoiou a mudança de governo via golpe.

A direita adora aplicar golpes de estado, quando ela se encontra fora do poder e não consegue retornar via eleição de modo democrático, usa todos os aparatos que tem pra retomar até mesmo nas manifestações, eles não tem constrangimento de se infiltrar e apropriar dos movimentos e manifestações populares e tirar o proveito disto.

É o que está ocorrendo nesse exato momento em todo o Brasil, eu temo que isso possa levar a situação catastrófica.

Diante do perigo que corremos, eu conclamo a todos os partidos de esquerda, organizações, movimentos sociais e sindicatos a se unirem e deixe nesse momento as divergências de lado, porque cabe o papel da esquerda se unir, não se trata de defender a presidente e sim e evitar o pior que todos nós não queremos.
Não caia da armadilha “Fora Dilma!” porque é isso que querem a Globo, Veja, PSDB, DEM, Igreja Católica, Editora Abril, jornais o Globo, Folha e o Estado de São Paulo, conservadores, reacionários, fascistas e fundamentalistas religiosos, porque o momento é de tensão, a unidade nesse momento é crucial e avisar esta juventude que está nas ruas.

sexta-feira, junho 21

Pau no cú

Pau no Cú

do que ficam em casa RECLAMANDO que isso não é com eles

Pau no Cú

que acha que isso tudo é MODISMO

Pau no cú

dos que falam em PAZ

Pau no cú

dos teóricos de gabinete & redes sociais e por aí vai

Pau no cú

dos quem inventam MONSTROS indestrutíveis




O açougue

Por Maria Ligia Ueno

I
A minha alma foi fatiada
Finas lâminas de alma, servidas com limão,
Na tua bandeja de prata.
Você espeta o garfo em cada pedaço,
Saboreando meu doce gosto de derrota.
Cry, babe, cry.

II
Quantos gramas de alma quer levar hoje, senhor?
Quer levar pão integral para acompanhar?
Essa veio de um ótimo frigorífero,
Abatemos essa alma humana semana passada, extremamente macia.

III
De primeira havia um quarto vermelho gritante, talvez e tão somente para aumentar o desespero daquele momento. Ataduras nos braços como se fosse manicômio, mas talvez era um manicômio, não? E, para completar, água amarga para beber. Matar a sede com aquela água amarga não teve preço, e já que fazia dias que estava sem tomar qualquer gole de vida, bebeu aquela jarra como se fosse mel.

Fotografias dos dias felizes grudadas com imãs nos batentes das janelas, trancadas com grades impenetráveis até pela luz solar, apenas para lembrá-lo de que conhecia o céu, mas iria ao Inferno. Estava só, não estava? Estava são ainda? Aqueles robôs brancos não tinham olhar, e nem falavam.

Dois meses, esse foi o tempo do que eles chamaram de purificação. É o tempo em que demorou também para se deixar de querer viver, em que o amargo da água se tornou insuportável, em que a alma estava louca de vontade para partir. E saiu, por um tubo azul, que a depositou em um pote de plástico, feito gelatina.

E o que restou desse corpo, cuja alma foi sacrificada servindo de alimento a outrem? Pergunto-me dia após dia, enquanto cicatrizo as marcas dos catéteres.

IV
Alma é aquele pedaço de si, invisível a olho nu, que em outros tempos achávamos que imbuía o corpo com graça e leveza. Mas o mundo deu voltas para o lado errado, e hoje há pessoas que perderam sua alma em meio à guerra, ao álcool e ao pântano. E desses, quem pode compra almas enlatadas, vendidas num comércio ilegal (que é protegido até pelos governos).

- Eles não sentem nada. Eles não são nada.

Mas para quem não tem alma, alívio da consciência se torna desnecessário.


terça-feira, junho 18

Mamãe eu vou pra Rua / Mamãe não sou da Lua

Mamãe eu vou pra Rua
Mamãe não sou da Lua

Mamãe faz o café bem forte
que to indo comprar os pães
preciso forrar o estômago
e fumar um caipora

Mamãe eu vou pra Rua
Mamãe não sou da Lua

se você me ver na TV
e me chamaram de vândalo
é mentira deles
acredite em mim

Mamãe eu vou pra Rua
Mamãe não sou da Lua

Não se preocupe vou tomar um banho
e por um jeans usado e um tênis de futsal
mas vou amarrar a camisa no rosto
vai que eles jogam gás lacrimogênio

Mamãe eu vou pra Rua
Mamãe não sou da Lua

- Thau, mãe!
- Vai com a pomba e o divino espirito Santo!
- Na hora.
- E penteia esses cabelos.
- Deixa assim mesmo.

Do Coração e da Mente


 Por Maria Ligia Ueno

O meu coração é como um desses relógios velhos, cheio de engrenagens interligadas que só funcionam em conjunto. Por isso digo que não adianta roubar umas poucas delas, só poucas não fazem meu coração bater. Mas o fazem parar. E quando ele para minha vida perde a cor, sem sangue bombeado para alimentar os olhos, nem as pernas para andar e olhar em outras direções.

Mas como um velho relojoeiro, conserto o coração, invento novas engrenagens, gambiarro as interligações, e ponho tudo a perder de novo. Coração batendo, vida seguindo, lágrimas rolando. E assim meus passos seguem, robotizados, afinados e sintetizados por um coração cheio de engrenagens.

O coração cantarola sua música enferrujada, rangendo sua amargura e entoando seu triste canto por todos os cômodos que entra. A presença de tal ruído assusta num primeiro momento, depois desanima todos os seus expectadores e os transporta a um estado de plena compaixão e melancolia.

Pobre coração, esse meu. Todo reinventado para continuar batendo, todo cheio de peças não-originais, fora de seu modelo e que não encaixam tão bem. Todo remendado, costurado, superbondado para ficar inteiro, parece uma dessas obras de arte feitas com cascas de ovo, que se encaixam, mas não estão mais contínuas. Ah sim, porque hoje eu estou cheio analogias, e de neologismos, mas tudo tem sua razão. Por hoje minha voz foi cortada sorrateiramente, e tudo que é importante para mim se tornou seu gole amargo de café frio.

E nisso minha mente constrói grandes pontes e arranha-céus, tentando olhar de longe e de cima, de uma nova perspectiva para entender o que se passa com esse coração. E minha mente é um helicóptero, um mosquito grande e audaz, que é capaz de parar no ar, voar para onde quiser e pousar em quase qualquer lugar.


Minha mente é um helicóptero de guerra, armada, com metas e objetivos, bombas e soldados. Minha mente é feita para a guerra.

Mas não qualquer guerra, mas a guerra de pensamentos, de argumentos, de encanamentos e de chamamentos. E eu perco, perco mais e mais. Batalhas e mais batalhas perdidas, mesmo as ganhas. Porque não sinto que as ganhei. Talvez nem queira sentir o sabor da vitória da guerra , ou talvez já senti e não gostei. Não sei.

É essa a guerra entre a mente e o coração, os dois sentem que perdem, e os dois caem ao final. belo espetáculo. 

Ode para T.S. Eliot

Por Paulo Dias
I
Aqui é um lugar de desamor e não há nada para chorar
O tempo corroeu as expectativas deste lugar, ó poeta
Onde há somente ganância, sofrimento e intemperança
As almas daqui são escravizadas pela hipocrisia
Até parece que não sentem suas vidas esvaírem ao vento
A decadência vive pelas proximidades em lento processo
Nesta terra desolada onde os anjos não pisam
Apenas o sol que queima a pele dá a certeza de chegar
Acho que todos rastejam para um abismo raso
Que brotou radiante próximo aos seus pés
Todavia há aqueles que encontram rosas no deserto
E que enxergam o futuro mesmo no escuro
E não findam seus dias a contar estrelas
E nem a sorrir para um espelho que não reflete
Penso que neste mundo não há lugar para sonhos vãos
Entretanto dentro de mim há tua benigna inspiração
E tua metafísica me engrandece até os dias de hoje
II
O presente, o passado e o futuro estão entrelaçados
Num mesmo bordado, esculpidos na face do tempo
E cada princípio é um fim que esperamos chegar
Em passos silentes, calmos como uma tempestade
Sei que não posso ficar preso no arcabouço da melancolia
Tenho agora que ver meu futuro galopando no horizonte
E ler os Quatro Quartetos no fim do dia quente
Esses poemas têm tanto a dizer e refletem harmonia
E quase não acredito que tais poemas foram escritos
São monumentos erigidos para uma breve eternidade
Como estátuas visualizando o horizonte ao longe
E eu como crianças ocultas na folhagem
Sorrindo felizes no jardim da inocência
Fico a observar a beleza posta em frases lapidadas
Ó grande poeta! Ensina-se a revelar as palavras
Pois o teu dom divino desperta até as pedras
Quem ouve teus poemas sussurra como um anjo
Que se viu ancorado diante de um mar de maravilhas
III
Somos homens ocos, destituídos de sentimentos
Nossos corações bailam na arena da razão
E nossas emoções são esquecidas na esquina
Há um crime na catedral do nosso peito
Somos levados por vendavais selvagens
E estamos sujeitos a enganos e mentiras
E apenas tenciona-se adquirir o óbvio
As mãos sangram por um pouco de riqueza
Que só engrandece aqueles que não têm alma
Somos homens vazios e não acreditamos em milagres
Mas os milagres estão nas ruas aos nossos olhos
Que estão vendados ante um precipício sem fim
Então diga-me, ó poeta, qual a razão para tudo isso?
Apenas massacrar a beleza que há na madrugada
E fenecer algum mistério por detrás das cortinas
Que se abaixam no magnífico teatro da vida
Quero apenas seguir junto a ti enquanto o poente
No céu manchado de arrebol além se estende
IV
O calor do outono persiste em nos aquecer
Em nos mostrar uma fragrância que vai ao longe
E que não podemos sentir o aroma por estamos presos
Talvez nossa angústia seja por não acreditarmos
E somente ouvir as palavras sem sentido algum
Tanto espaço para que o vácuo nos preencha
O tempo e o sino sempre a sepultar o dia
Com uma nuvem negra demais cobrindo o sol
Que nos fortalece e nos alimenta no passar das horas
Ademais quero ouvir o retinir dos pássaros formosos
Nas florestas ocultadas por muros infinitos
Quero me descolar como uma palavra ao vento
Ouvir a música ecoar por mais tempo nos meus ouvidos
Feito um lamento de uma criança que perdeu o doce
Onde está o princípio para encontrar o fim?
Não sei enxergar além do horizonte revelado
Somente tu, ó poeta, enxergou aquilo que era o início
Ou o fim que deveras revelará algo por se descobrir
Por ora não cessarei a exploração ante o desconhecido
Ó poeta! Quando o fogo e o teixo irão ser somente um?

quinta-feira, junho 13

O desgaste natural no Futebol

Por William Washington de Jesus

Desde a eliminação do Barcelona na liga dos campeões da UEFA (União Europeia de Futebol e Associações) para o Bayern de Munique (Alemanha) e principalmente na inacreditável derrota em pleno estádio Camp Nour de 3 a 0 para o adversário na semifinal da competição.

Falam do fim da era do clube catalão e possivelmente o fim do apogeu de Messi, eu afirmo que não, o que está ocorrendo é o desgaste natural que o clube vem recebendo por tudo que já ganhou nos últimos 5 anos, e graças ao Barcelona que a seleção espanhola conquistou a última copa do mundo realizado na África do Sul em 2010, porque a base da seleção é praticamente do Barça, e só faltou o Messi pra completar o time.

O Barcelona continua sendo os melhores times do mundo, e sempre será os favoritos a conquistar a liga dos campeões, campeonato espanhol (este já perdeu a graça há muito tempo devido a hegemonia com o Real Madrid) e o mundial de clubes da FIFA (Federação Internacional de Futebol e Associação).

O processo de desgaste que está passando o Barcelona é natural, todos os clubes já passaram por esse processo, foi assim com o Real Madrid nas décadas de 1950 com Di Stefano, Puskas e Cia, década de 1990 e inicio dos anos 2000 com Raul Gonzalez, Hierro, Seedorf, Zidane, Luís Figo, Ronaldo Fenômeno, Beckham e Cia. Milan no final dos anos 1980 e inicio dos anos 1990 com Massaro, Maldini, Baresi, Van Basten e Cia. Bayern de Munique na década de 1970 com Franz Beckebauer, Méier e Cia. Aqui no Brasil com o Santos na década de 1960 com Pelé, Pepe, Coutinho e Cia. Internacional na década de 1970 com Falcão, Figueiroa e Cia. Flamengo na década de 1980 com Zico, Júnior e Cia. Palmeiras nos anos 1990 com Rivaldo, Mazinho, Zinho, Paulo Nunes, Edmundo “Animal” e Cia. Vasco da Gama no final dos anos 1990 e inicio dos anos 2000 com Edmundo “Animal”, Evair, Ramon, Juninho Pernambucano, Felipe, Pedrinho, Odvan, Mauro Galvão, Carlos Germano, Romário, Juninho Paulista e Cia. São Paulo nos anos 1990 com Raí, Muller, Toninho Cerezo, Zetti e Cia.

Todos os clubes citados foram campeões em competições nacionais, continentais e mundiais, exceto o Internacional que nesse período não foi campeão continental, mas chegou até a final da competição, Vasco da Gama e Palmeiras disputaram a final do mundial de clubes e não foram campeões.
Entretanto, todos montaram um time que pendurou certo período de hegemonia e favoritismo absoluto em todas as competições, até se degastarem naturalmente, seja com a venda de jogadores, aposentadoria de uns ou perca da hegemonia em campo, devido o conhecimento das equipes adversárias sobre o favorito.

A prova disso é o caso do Barcelona, todas as equipes adversárias do mundo conhece o esquema tático do clube catalão, especialmente do Messi, principalmente da liga dos campeões, lembram do Chelsea que foi campeão da liga ano passado (2012)? O mesmo eliminou o Barça com Messi em campo na semifinal, e foi justamente no estádio Camp Nour, casa dos catalães, o clube inglês passou o jogo inteiro jogando na retranca com o forte esquema defensivo, só avançou nos contra-ataques e quando a zaga catalã vacilava.

O jogo acabou em 2 a 2, como o Chelsea havia vencido o primeiro jogo em casa, se classificou para a final, o clube inglês usou todo o esquema tático para parar o ataque do Barcelona e com marcação especial sobre o Messi, o futebol da equipe do Barça é conhecido mundialmente, as equipes adversaria já sabe com quem está jogando... Enquanto o próprio Barcelona é desprovido de conhecimento sobre as equipes adversárias.

A maior prova que eu posso mostrar isso, apesar de ser bobo para uns, mas com certeza irão me respaldar.  Pegamos o time de Balsas, por exemplo, que recentemente disputou o campeonato maranhense de futebol e jogava no estádio Cazuza Ribeiro (que fica na cidade de Balsas).

Se houvesse um amistoso entre o Barcelona e Balsas na cidade de Balsas no estádio Cazuza Ribeiro, com a presença do Messi, Iniesta, Xavi e Cia. Obviamente os torcedores, comentaristas, cronistas esportivos e a opinião pública em geral iriam falar que o clube iria golear e humilhar o time local.

Obviamente seria o mais provável, mas haveria um detalhe que poucos observariam, o Balsas conhece o Barcelona, seus jogadores e o esquema tático da equipe, enquanto o próprio Barcelona não conhece a equipe local, seus jogadores, esquema tático e nem mesmo o estádio que a equipe joga. 

Isso para o Barcelona seria de certa forma um problema, que a equipe de Balsas iria tirar proveito para no mínimo não perder de forma humilhante para equipe dentro de casa diante da torcida, e isso é faz uma diferença e tanto para a equipe local quando joga em seus domínios.

O Barcelona e demais clubes europeus já estão acostumados a jogar em estádios com toda pompa, gramados que parecem o tapete em que a bola rola como estivesse no asfalto, vestiários que mais parecem uma suíte presidencial com direito a sauna e hidromassagem a jogadores, muitas das vezes é individual e exclusivo a craques de suas equipes.

Enquanto aqui no Brasil, muitos estádios não atendem as estruturas exigidas pela FIFA e a UEFA, são gramados naturais com gramas mesmo, mas que apresentam problemas a jogadores, os gramados com buracos ou onduladas, areias ou falta de gramas, enfim, sem condições de jogo para os jogadores.
Mas muitos clubes daqui do Brasil usam as condições ruim dos gramados para tirar proveito em dias de jogos sobre os seus adversários, a prova disso é o Náutico, clube pernambucano que está disputando a primeira divisão do campeonato brasileiro.

Em seu estádio, os Aflitos, o gramado é ruim, já foi reclamado por todos os clubes que já jogaram no local, mas a diretoria do clube não se preocupa em melhorar o gramado, pelo contrário, faz questão de mantê-la nas mesmas condições como forma de isca aos adversários enquanto os jogadores do Náutico se adaptam as condições do campo para tirar vantagem nos dias de jogos.
Não é a toa que dificilmente o Náutico perde jogos em seu estádio, principalmente no campeonato brasileiro, a equipe pode não fazer uma bela partida, mas só o fato de conhecer o gramado já sai em vantagem sobre as equipes adversárias.

O Barcelona ou qualquer outra equipe europeia teriam dificuldades em jogar aqui no Brasil com muitos estádios nessas condições. Os seus favoritismos se tornariam em nada quando fossem surpreendidos por equipes locais que atuam em seus estádios nessas condições. 
Em virtude disso, não há crise no Barcelona, são apenas um desgaste natural por um time que ganhou tudo nos últimos cinco anos, que só falta ganhar a competição futebolística interplanetária.

A hegemonia do Barcelona, Real Madrid, Bayern de Munique e Borussia Dortmund que estiveram em semifinais, as duas ultimas equipes citadas que são alemãs e disputaram a final da liga da UEFA no estádio de Wembley em Londres.

Demonstra o amplo favoritismo da Espanha e Alemanha na copa de 2014 aqui no Brasil, especialmente a última campeã na copa de 2010 na África do Sul, a Espanha, porque a base da seleção e majoritariamente do Barcelona e depois o Real Madrid, e da seleção Alemã é formada por jogadores do Bayern de Munique majoritariamente e seguida por outras equipes como o Borussia.

Essas seleções vêm para a copa com amplo favoritismo, mas terão que se adaptar aqui no país, não com os estádios que estão sendo reformados ou construídos rigorosamente por padrões exigidos pela FIFA, apesar de estarem gastando bilhões, as seleções favoritas terão que se adaptar as condições climáticas no qual não estão acostumadas, e isso é favorável ao Brasil e as demais seleções que já estão habituadas ao clima tropical. 

terça-feira, junho 11

Ode para Cruz e Sousa

Por Paulo Dias


I
Quando os violões chorarem novamente à noite
Com a lua despontando no horizonte febril
As formas vagas da escuridão irão cantar
Para aqueles que dormem dentro de sonhos vãos
E as árvores despertarão de um longo descanso
Esse será o momento para que as dores findem
E como um rio os sorrisos passarão inertes
Lembrando as lágrimas perdidas pelo chão
E um resplendor surgirá no alto da colina
Para que nossos olhos contemplem incontinentes
Uma nova aurora exalando fragrâncias supremas
Que até as virgens sentirão em seus corpos
A verdadeira essência de um desejo desconhecido
Que entorpece a mente em momentos intemporais
Agora me deixe, ó poeta, cantar tua glória
Em traçar as mais belas linhas que meus olhos já viram
Palavras rebuscadas cheias de perfumes sonoros
Erguidas como muralhas imponentes e intransponíveis
II
Eu te vejo placidamente no monte Parnaso
Abraçado com a musa Inspiração em longos abraços
Galgando o palácio do Saber em passos cadentes
Com o vento bravio em tua face passando como onda
Que avança palpitante invadindo todo o cais
Tu, ó poeta, enfrentaste os leões da ignorância
Feito um gladiador sem temor num coliseu em ruínas
O preconceito veio furioso ante teus pés
Para te lançar em abismos cavados pelas mãos
Daqueles que queriam te enterrar no esquecimento
Entretanto tu seguiste no furacão da hipocrisia
Banhado no néctar da poesia tão resplandecente
Muitos quiseram te vencer e ver teu fracasso
E como um cisne tu cantaste até chegar a morte
Nessas horas estivais declamo teus poemas
Tão majestosos que fico ligeiramente sem alma
Pois minh’alma voa com tuas palavras no crepúsculo
Onde um sol clamoroso se levanta como um rei
III
Sigo com o coração arfante com os broqueis
Que em minhas mãos pesam como montanhas
Medito diante do extenso mar da dificuldade
Que se abriu feroz e sorrateiramente à tua frente
Ó acrobata da dor! Um supremo desejo te moveu
Para ultrapassar este mundo incauto e enfadonho
Somente as estrelas ébrias se encantaram
Com tua majestade e com teus sonetos fascinantes
Ouço teus versos sonoros sendo declamados à noite
Por arcanjos descrentes que vagam em ruas sujas
Procurando o vinho quente que alimenta a alma
Quero ouvir na madrugada as sinfonias do ocaso
Quando minhas lembranças efêmeras forjam a saudade
Na qual os dias nascem com coisas perenes
Que se desgastam com o passar rápido das horas
Mas o que eu quero é o aprazível e o inefável
Eu quero é as formas claras de luares e os faróis
Para iluminar meu caminho perante os chacais
IV
Um luar de lágrimas lança-se contra nós
E uma tempestade surge nas infinitas praias do desejo
Mesmo assim percorremos os vales do preconceito
Com os corações soluçantes como tantos vulcões
Que jorram lavas contra as nuvens brancas
É desta maneira que vivemos com os violões chorosos
Lançando música serena neste mundo inebriante
E apenas a música acalma nossas almas estranhas
Que voam em céus rubros à procura de outras harpas
Assim seguimos com violões plangentes nas mãos
Ouvindo choros ao vento e cânticos lamentosos
Canções de guerra, de amor e de marinheiros
Que soluçam com saudades de seus doces lares
Ó Dante negro! Fecunde estes versos com tua inspiração
Jorre música nestes versos que te cantam
Pois em vida tu não sentiste as glórias merecidas
Apenas um amigo fiel cumpriu a promessa
Que teus versos fossem celebrados com ardor
Sob o sol que nasce para iluminar teu túmulo
Ó poeta! Quando os sons dos violões irão findam?