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terça-feira, maio 29

A Lambida


Ilustração de Diego 

Foi assim que a conheci: carente, precisando de companhia. E lá estava eu, na hora e no local certo. Foi uma espécie de amor a primeira vista, pelo menos assim queria eu entender, no entanto, sabia que seria muito difícil que ela gostar de mim, embora não fosse impossível - a realidade pode ser dura, mas tem seus caprichos, vez ou outra se maquia de sonhos para sair escondida...

“Vou tê-la pra mim”, disse convicto, mesmo que seja contra a sua vontade, mesmo que não ame, mesmo que não se agrade da idéia. Ela será minha, pois, tratando o meu amor como um fato concreto, não preciso de uma recíproca, uma vez que tudo que preciso já foi constatado. Portanto, empiricamente, em outros termos, mais cedo ou mais tarde, ela iria gostar de mim. Disso eu tinha certeza. Basta ela saber que eu sou o grande amor da vida dela. Se ainda não me ama é por façanha da ignorância. Coitada, ela não tem culpa...   
            

quinta-feira, maio 10

- O Que Você Faz Acordado?


Acordado no meio da noite, não!  Não era madrugada, era noite um pouco depois de perceber o adormecer de cada integrante de sua família. Esperou de forma calculista até perceber que ninguém teria mais condições de acordar. Levantara de um sono leve, porém dolorido da bebedeira que vinha da tarde insólita, a dor na cabeça disputava centímetro a centímetro, concorrendo à dor que estava em sua mão, impactada na parede que assistia a perda. O telefone quebrado narrava o desprezo. Era o fim de uma era que naquele momento parecia o mundo para um mero mortal.

Levantara vagarosamente sem fazer barulho. Dirigiu-se à cozinha e procurou água sucumbindo à sede; na sala, roubou um cigarro da mãe e debruçou na janela contemplando uma cidade que não era sua. Pensamentos soltos revelavam mais uma vez o fim e mais uma vez a projeção de outro alguém abraçando e roubando beijos que um dia foram seus. 

sexta-feira, abril 27

Bom Apetite


Foi um dia comum como qualquer outro, as mesmas praças, mesmas pessoas e o mesmo clima de sempre. Nada era tão novo que desrespeito ao ingênuo semblante da cidade de São Luis. Confesso que ganhei o hábito de beber, mas não beber por beber, cada gole de álcool tem o seu devido pensar filosófico, um olhar de mudança, como um jovem pobre; cheio de sonhos preciosos que se mantém vivo as recordações da infância.

Repetem as más línguas que no inicio do mundo havia um olho azul mergulhado no fundo do mar, olho este pertencente a uma alma feminina entrepostas entre as falanges dos corais marítimos, e o homem que o encontrar torna-se valente de todos os homens, verdade ou mentira, tenham certeza amados leitores o medo fora quebrado e a imortalidade está a um passo, entretanto essa singela narrativa não nos convém falarmos, ponha atenção nos fantasiosos ditos transcritos para o papel. Grande conquista soa a voz da verdade. Medo e suas letras formam mais uma vez o duelo de existência, cavalga a noite e meu passo continua lento, mas uma vez em busca do inevitável, da a sensações que foram só sensações, nunca antes o álcool me dera tanto prazer, nunca antes sentir prazer onde não há prazer, em busca de prazer minha boca se traduz. Como podem ver, estou à inércia desta existência, meu tempo torna-se cada vez ainda mais atemporal. Corram para as salas, liguem as TVs, mandem recados..., voltei! E sofro por não sofrer. Minha voz escapa... , preciso fugir onde me encontrem, sou mal, frio..., amo as novelas e os programas com prostitutas..., que se foda! Essa é a minha vez..., descarregar palavras sem pensar nas suas ações e seus tormentos..., em meio às flores surge Maria, mulher doce, de nariz fino, sempre tive certeza que mulheres de nariz fino tinham bom sexo, olhar castanho puxado para o azul! Quem é está? De onde vem?


- Italiana, ela disse...

Estava desde as sete da noite aprofundando meus pensamentos com um amigo escritor, entre cervejas e cigarros exorcizávamos nossos demônios. Seu nome e bastava, Maria, ela disse, sentou-se a mesa com seu namorado..., bebíamos e conversávamos... , os olhares entre eu e Maria tornavam-se mais constantes! As conversas ganhavam forma e cores, nada me parecia tão singular, o olhar frenético e o dilatar de seus lábios ganhava o enroscar de minhas pernas, o fato de não tomar uma atitude de imediato é devido ao fato de seu namorado está ao meu lado direito, o que se diga de passagem não pareciam tão namorados assim, o sexo entre eles devia ser raridade, continuava eu a imaginar-la sem roupa com seus lábios beijando meu peito e indo direto ao meu membro sem timidez, hora ou outra escutava e treinava meu italiano ainda muito fraco. Com grande esforço de aprendizagem autodidata. Ações simultâneas ocorriam envoltas da mesa, cervejas e mais cervejas, tomavam a mesa, o olhar de Maria tornava-se mais intenso sobre o meu, comia-me com os olhos como se fosse uma cadela em cio, meu corpo gozava de tanto imaginar seu rosto coberto de desejo.

- Parabéns pela apresentação, disse.          
- Obrigada, com o português típico de um estrangeiro, meu amigo escritor e o namorado de Maria logo ganharam amizade; riam de tudo, conversávamos aos berros, Maria e eu fazíamos amor somente no olhar, o gozo da italiana parecia vibrante grande de mais para quatro paredes. Excitação, seus dedos entre o copo me dava, a queria ali mesmo encima daquela mesa, com todos em volta a nos olhar.

- A sua também foi ótima, ela disse.
- Que bom que gostou, respondi completamente tímido. A verdade é que eu e Maria já havíamos nos conhecidos, nos apresentamos juntos na noite anterior em um teatro da cidade infelizmente o tempo não nos deixou nos aproximar, mas o olhar vele- jante de Maria escorria sobre meu corpo...

A conversa da mesa de bar continuava, sem pressa a noite ia embora, a vontade de ir para casa havia passado. Preocupava-me somente que aquelas seriam as derradeiras horas da linda italiana aqui na cidade. O presente fato que obtive em minhas andanças de vida é que a mulher pode obter o prazer com um homem sem entregar sua alma para ele, o momento da copula, a eternidade limitada natural do desejo equivale ao pequeno suicídio, individual e depressivo. As inertes horas de posições, beijos, carícias e gemidos resumem-se em apenas três segundos da pré-morte: a respiração pára e o corpo gela; individual, sozinho e mais nada. Entretanto, o olhar perfurante da ragazza movimentava a atmosfera do ambiente, os sinais eram visíveis até demais, os lábios finos secavam a cada segundo que antecipava nosso sexo.

- Tenho que ir não me sinto muito bem, disse meu amigo escritor.
- O que te passa, disse o namorado de Maria.
- A boemia tem me custado o estomago, e os pulmões pressentem a minha deixa.

O belo italiano não compreendeu o sentido das palavras que o escritor disse, mas fez o favor de se fazer-se compreender.

- Melhor ir se não tiver bem, completou Maria.
- Não, já tive noites piores.
- O mundo traz a sina, exclamei.
- A sina traz o mundo, acrescenta o meu amigo escritor.

De certa forma para o poeta a noite é sua amada perfeita, seu chapéu; o templo de sabedoria, sua sabedoria; seu deslize último e verdadeiro. O que preenche as lacunas efêmeras da solidão é o perceber da obra que ganhou vida, perfurar com palavras desejando a imortalidade. Imortalidade que não vale mais nada nos dias de hoje, levando-se em consideração a realidade pela qual a sociedade vive uma fábula afirmando-se somente na aparência e no recado informativo, então de que valeria o surgimento de novos boêmios de nossa era? Somente por lembrança. E nada mais, em outras palavras o herói está morto e seu luto profanado. De nada mais vale estas e noites e está embriaguez, o sentido de tudo isto caminha para o vazio, a menstruação arrependida guardada pela puta virgem em seu deleite de ética e moral. Fedendo assim caminha o aparente mundo social destas personagens que atuam em busca do exagero construindo o material da ilusão religiosa esperando o advento do status. Neste liquidificador ao fundo do esgoto onde se encontra a reciclável sociedade aparece o inimigo indesejável, marginal que rapidamente precisa ser expelido.    

A gostosa conversa entre nós quatro tornava-se ainda mais empolgante, risos frenéticos, reflexões profundas e certezas filosóficas. O que não era tão visível para o meu querido escritor e o belo italiano era que não percebiam o suspiro selvagem de Maria ao perfurar meus olhos, por mais que as mulheres sejam previsíveis, esta possuía uma formula peculiar de me controlar e decifrar meus signos. As cartas estavam lançadas, a decisão era minha de possuí-la ou de apagar de uma só vez a sua existência da memória. O que me perturbava era somente como? Ela lia meus pensamentos.

Cochichou por dois segundos ao ouvido de seu namorado, ele respondeu: Benne. Ela enroscou suas pernas por debaixo da mesa, levantou-se e direcionou-se para as escadas do bar onde estávamos. Era minha chance, logo pensei, deixei que a subisse, fiquei alguns segundos entretendo o tempo com pouca conversa até a coragem suplantar o medo e levar minhas pernas em direção da bela italiana, subi ao seu encalço sem saber para onde este sentido primata me levaria não hesitei e fui. Ao termino das escadas não há avistei, estava errado e sentia-me envergonhado por tanta loucura pensada abrir a porta do banheiro lavei o rosto e contemplei minha derrota. No entanto uma pancada seca abriu a porta, Maria surge igual qual um fantasma sedento de vingança, empurra-me contra a parede e em um só fôlego beija-me, semelhante ao ultimo suspiro de vida de qualquer mortal, não hesitei, retribuir na mesma medida o forte beijo, minhas mãos enroscaram em seus cabelos compridos e escorregavam até suas nádegas. Surpreendentemente para este momento a minha surpresa foi que minha mão firme em seu quadril não lhe agradou, o meu ato lógico foi respondido com uma veemente tapa, e os suspiros secaram ficando apenas o diálogo do olhar quente e faminto da ragazza invadindo o meu, a comunicação estabeleceu um símbolo pelo qual não interpretei. Sua mão direita desceu milímetro por milímetro até chegar a minha calça onde estava meu pênis, desabotoo o zíper ainda com a flecha em meus olhos e segurou com sua mão direita com tanta força como se quisesse arrancar, ajoelhou-se e colheu os colhoes a boca com sua língua, frenética e ofegante abusou–me até minha explosão orgástica, minhas mãos quase que arrancavam seus cabelos, chupou-me como se fosse um mendigo que encontra o pão. O tempo, não contei, se demorou? Não lembro. Ao final de seu prazer direcionou-se ao espelho e do bolso de sua calça vermelha tirou um batom, arrumou seu cabelo e desceu as escadas em direção em nossa mesa. Não tive outra ação, apenas um pênis  vivo, e coragem de gemer. 

Descia as escadas agindo como se nada houvesse acontecido, e por dentro signos de medo a decifrar. Como me comportar à mesa após uma quase cópula com a adjuntora de um dos conhecidos a mesa?Ao final das escadas vejo ao longe com suas mochilas o casal de italianos deixando esta inerte cidade sem olharem para traz.

-Demorou, disse meu amigo escritor. Respondi com apenas um sorriso tremulo entre os dentes. Ele continuou:
-A garota beijou seu namorado e deixou este bilhete para você.
Sentei-me, abrir o bilhete e estava escrito:

“Ora sono bravo ragazzo, vengono a mangiarti”

domingo, março 18

X+Y=A


 
Querida *****

Revendo uma carta de despedida que escrevi, rio, do rio de sentimentalismo no último parágrafo. Na qual busco uma espécie de happy end sem neuras, tudo acabado na boa (com se isso fosse possível quando algum dos lados está apaixonado ou ainda querendo o outro). Então, digo que a pessoa é linda, que a vida continua apesar de tudo, e temos que nos lembrar dos momentos bons e jogar de escanteio todas as dores que tivemos e uma série de clichês de fim de relacionamento.
....
(xxxxxxx)
No meio da carta falo que o amor não pode ser pesado na balança, tipo assim: quem amou mais, quem se doou mais, quem chorou mais, quem foi mais fiel. Cito também a Clarice Lispector, engraçado, dessa mulher li apenas uns textos, quando declamei num minicurso de teatro para pessoas que não podiam pagar. Ela, Clarice, dizia que as emoções são eternas, isso é o que vale, pois colam para sempre na cabeça, difícil se a cola for de sapateiro: pois, sem duvidas, náuseas virão junto com a emoção. É, mas, a cola pode ter cheiro bom, e até o pau endurece lembrando aquelas transas em pé no quintal com luz propositalmente desligada da nossa amiga   entre a parede sem reboque e o coqueiro ( que tinha pequenos cocos verdes- o que importa isso!), naquele espaço de menos de um metro, você tinha que levantar os pés, devido a nossa diferença de altura, sei que no fim nos encaixamos muy bien, como esquecer de seus orgasmos múltiplos, e sua ferocidade, da nossa. Nossa amiga ficava lá na janela de um quarto tentando enxergar pelas frestas nossos movimentos geométricos e ouvindo os gemidos, aquela safada voyeur e solidária em oferecer aquele espaço.
Lembro como se fosse hoje, de um orgasmo simultâneo. Depois de todo o frenesi chegamos sim; a um final a dois, sem aquelas perguntas:
- já?!
Como éramos carnais, meu bem.
Nos dávamos bem demais na cama, ou melhor, em pé.

Com carinho *****

P.S: Não éramos muito de discutir politica ou filosofia. Fazíamos acho que... Matemática.

domingo, janeiro 15

A mini-saia de Solange

Andava meio cabisbaixo pelas ruas da Praia Grande, sorriso daqueles bem assim de...
             - É... tudo bem! Não deu mesmo, deixa pra próxima. Próxima o caralho! Que piquena mais safada marcou comigo e me deu o bolo. Bolo? Hum...Não seria mal um pedaço de bolo pra aliviar a porra da decepção.Cacete tava todo empolgado com aquela amiga da Bete, Safada! Desgraçada! Bem que papai disse: “Meu filho mulher é bicho estranho”. Me lembrei agora do filme de Almodóvar Fale com ela. Era tudo o que eu queria fazer. Falar com ela. Vou ligar? Será? Vou ligar porra nenhuma, alias nem crédito tenho. Vou é pro bar do Porto, dançar reggae, fumar unzinho e esquecer do bolo dessa desgraçada!!  
          Marcelo percorreu as pedras de sabão da Praia Grande rumo ao bar do Porto.
- Que aziação! Cadê o povo daqui?!
          Não tinha ninguém. Marcelo desejou não ter saído de casa, gastado passe à toa, por culpa daquela tal de Solange! Sol! Sol o caralho! È chuva que caí agora nessa merda de ilha do Amor. Amor?? Droga! Exclamou Marcelo. O que isto? Não sei.Amor????
Marcelo já havia tomado umas, fumado uns, mas aquela cara de decepção ainda estava lá.

          - Bete? Bete?

          - Cadê Sol? Sol?

          - Que Sol, porra?

          - Solange

          - Cara essa piquina é doida daqui a pouco ela aparece. Me dá um trago ai?

         A Bete era assim meio mística sei lá, Paz e amor essas coisa de hippie. Gostava de curtir um reggae as sextas-feiras, e fumar unzinhos, usar umas roupas diferentes, transadas...

         - Bete?

         - Que é?

         Marcelo estava com aqueles olhos de Silvestre Stalone que só ele tinha...Estava caidinho devia ser o efeito da erva

         - Bete, tô querendo puxar o carro...

         - O que, porra? Agora que o negócio tá ficando bom...Tu vai sozinho.

         Bete não ia mesmo ainda mais que de repente o bar começou a ficar cheio e por entres as pessoas ela havia visto um cara que ela estava afim a um tempinho.

         - Cara, Marcelo, olha o Vitor ali!

         - Que Vitor, Bete?

         - Aquele carinha fofo de dreadlock no cabelo!

         - Dread... O que? Que diabo é isto?

         - Ah! Me poupa Marcelo! Aqueles chumaços de cabelo que os “rasta” usam.

         - Que desgraça é isso de “rasta”?

         A Bete era inteirada nesses assuntos sobre reggae, quem foi não sei quem, quando morreu, onde surgiu o reggae. E Marcelo só sabia uns passinhos tímidos e olhe lá. Na verdade o Marcelo só pensava na Solange que não chegava nunca, ou será que um dia ela ia chegar.

         Marcelo já tristinho “mas sem graça do que a top model magrela na passarela”. Decididamente estava pronto a ir embora e mandar a Solange plantar coquinho, mas tudo na vida precisar de paciência e tempo, como, diz Chico Buarque: “Não se afobe não que nada é pra já”... Quando...Marcelo sentiu nas calças algo vibrando incessantemente era a droga do celular: Solange chamando. E como um súbito rompante de alegria teceu um sorriso maroto e sacana no rosto em Marcelo.

         - Bete! Bete!

         - Que foi, cara?

         - Sol ta chegando...

         - Sol? Que Sol caralho? Tá chovendo pra cacete!

         Bete estava viajando mesmo, mas era nos dreadlocks do Vitor. Marcelo não cabia em si de tanta felicidade e pensou consigo mesmo:

- Essa piquina é doidinha mesmo, está vindo agora 1:30 da madrugada! To decidido é ela que vou amar!

         - Bete, acho que tô gamado na Solange!

         - Heim! Fala alto, porra!

         TÔ GAMADO PELA SOL. TÔ MESMO.

         Marcelo nunca havia amado ninguém, parecia que agora ia ser para valer. Bete, mesmo nunca tinha visto ele tão empolgado por nenhuma menina antes. Ela sempre o achou superficial, mas a Solange havia balançado mesmo.
         - Que horas que essa doida vem?

         - Não sei. Ela me ligou e disse que já tava saindo há uma hora...

         - Sol é doidinha mesmo! Acho que ela já deve tá por ai.Vai lá ver.

         E Bete, tinha toda razão. Quando Marcelo dirigia-se a porta do Bar do Porto, eis como numa cena de cinema, Solange. Com a sua mini-saia da Damyller, entrando triunfalmente, como uma rainha. Os olhos de Marcelo eram todos na direção da mini-saia dela.
         Que saia! Marcelo suspirou. Como um jovem que era sentiu todos os hormônios de seu corpo entrarem em ebulição quando ela disse com aquela vozinha que toda mulher usa quando quer derrubar o cara:
         - Oi, Marcelo! Desculpa, pela demora, mas é que chegou um pessoal lá em casa e só deu pra sair agora...
E tacou um beijo no rosto de Marcelo todo espinhento. Pronto! Marcelo não tinha o que fazer mais, a não ser deixa-se dominar por completo pelos encantos de Solange.
         E como tudo tem que ser, depois de algumas Bahamas ,umas ervas e muito reggae, enfim, Solange deu aquele beijão na boca do Marcelo e Bete na, de Vitor. E o resto vocês podem imaginar...

segunda-feira, janeiro 2

BABOSEIRAS ROMÂNTICAS

Outro dia estava lendo algumas coisas escritas pelos homens; coisas de amor, saudade, coisas, como posso dizer, bonitas, lindas que fazem agente suspirar. Ai! Ai! Outro dia, eu também estava escutando as canções mais lindas, mais dor de cotovelo, que o meu até doeu tanto, que mal pude acabar de escutar. Reparei que os homens são uns bobos quando estão apaixonados. Quanta idiotice! Como dizia Drummond: “Todas as cartas de amor são ridículas”... E são mesma, quanta bobagem! Vocês devem está pensando que não sou romântico?! Na verdade, literariamente, eu sou mais simbolista-decadentista com pintadas realistas e naturalistas.

Aquele amor arrebatador, de Tristão e Isolda, de Romeu e Julieta, de Dante e Beatriz, de Ana Amélia e Gonçalves Dias de... Ah bom! Eu teria que listar todos os amores arrebatadores aqui ai teria que precisar do livro Paixões: amores e desamores que mudaram a história de Rosa Montero, que, aliás, muito bom. Vale à pena! Mas o assunto em questão são as baboseiras românticas, como eu diria: “mamão com açúcar”, que enchem o saco. Conheço um cara que, pelo amor de Deus, Zé cueca. A garota não quer mais ele, disse com todas as letras do alfabeto: EU NÃO QUERO MAIS! E ele insiste. Idiota! Outro ,este dá pena, a moça foi embora com outro, deixou um dívida enorme para o coitado pagar e ele até hoje fica procurando um moça com as mesmas características da outra.EU NÃO AGUENTO! È muita burrice! Os casos são enormes tem outros, este não existe, a esposa pinta e borda com ele. Aliás quem pinta e borda é ele mesmo. O cara faz tudo em casa. Tudo mesmo! E o moçinho fala 24 horas sobre a mulher. Ela é isso. Ela faz isso! Ela é...Mas como ela faz tudo? Se ele é quem faz? Não entendi!

 Bom e o Amor? Onde ele está? Não sei, juro. Acho que ele é uma invenção da literatura, da música, das artes plásticas para venderem coisas. Estou sendo amarga, talvez sim! Mas é que os homens escrevem cada baboseira de Amor e o pior de tudo é que agente ainda curte, gosta e cai nesta baboseira e fica perdidinha, principalmente, quando eles não ligam. Haja baboseiras românticas! Estou precisando, alguém???

segunda-feira, agosto 15

Despedida aos 18

- Queria te dizer uma coisa?
Dei uma inflexão séria pra que tivesse um maior efeito.
Mas estava com um cara de desapontado de fala insegura de desconcertado mexendo e coçando os cabelos absurdamente. Ela, sem dúvidas, deduziu o que eu ia falar com minha expressão de iminente desastre.  Me olhava com um cara de cachorro tomando banho.
Sabe?! Dá um dó que dá uma opressão no peito e um sentimento de compaixão instintivo e repensar em tudo que vai dizer.
Respirei fundo e disse de supetão sustentando o olhar. Era importante sustentar. O mento levantado. Deveras importante sustentar o olhar. Me fingir de forte pra dizer palavras dolorosas. O ser humano é um teatro:
- Não podemos continuar mais juntos.
- Mas estou apaixonado por você. – ela não mentia. O desespero não mente.
Paixão. Paixão é o que move as pessoas?
- Dorme comigo pelo menos uma ultima noite.
Sexo. Sexo é que move as pessoas?
- Certo. – E não a adverti sobre nada.
Dormi com ela. Fiz amor (mentira). Transei com ela. Nos despedimos na cama.  Não iria perder essa chance de fazer acrobacias na sua cama de casal. Devo acrescentar com cínica poesia que sua pele cabelos pernas lábios rosas menores e maiores era flores doces sem espinhos.
Sou um oportunista filha da puta?
Não!
sou piedoso?
Não.
Sou apenas um jovem desencontrado?
Também não. Droga!
Deus vai me salvar pelas minhas boas ações?
Se pelo menos acreditasse nele.
Ah... Ela tinha mais de uma década na minha frente. Ela gostava do meu charme. Dos meus músculos. Do meu órgão na linha do equador protuso. Vinha de um casamento belo e romântico e depois a decadência do Império Romano e o retorno à religião. No inicio transas em piscinas e  depois de alguns anos ejaculações precoces. Foi pra religião protestante salvar o casamento. Mas deus deu palpite em vão. Uma mulher divorciada e vazia. Novidade?
- O que ela queria comigo?
Talvez encontrasse em mim uma juventude perdida.
Um riso de felicidade eterna.
Uma música.
Um filme.
Tiramos um foto juntos e um sorriso. Fomos felizes, não para sempre.

domingo, agosto 7

Mulher-Popozuda

Decidi, vou ter que perder estes 6 quilos que me faltam para ficar popozuda. Tenho que jogar fora as barras de chocolate e o pudim que adoro depois das refeições. Ai, meu Deus, acho que não estou pronta para tanto sacrifício! Mas, tenho que lembrar do resultado no meu corpo, daquela calça bem apertadinha, daquela blusa sem marcar os pneuzinhos. Hum!Mulher Popozuda!
Sério, gente! Demorei um tempo para criar a auto-estima que tenho por mim. Tinha maior complexo com meu corpo assim... Vênus de Willendorf. Agora com o passar dos tempos tenho acreditado que é possível ser feliz e gostosa com meu corpinho longe dos padrões globais. Bom,... Até que num belo dia eu vejo o cara que gostei muito com uma Mulher-Edificio, e toda popozuda. Imagine aonde minha estima foi parar? No subsolo cheio de minhocas. Queria virar um avestruz. Mamãe, porque tive que nascer assim gordinha? Não podia ter crescido mais um pouco e virado uma mulher-fruta?

A mulher popozuda é aquela que tem lá na academia em que faço natação. Lindona, o cabelo maravilhoso (horas no formol e na chapinha para depois destruir tudo no cloro, dá para entender?), bem lisinho, o corpão, pernas bem torneadas os “air bags” de fazer inveja a qualquer carro de elite, a bumba bem durinha, sem nenhum furinho. Os caras mal conseguem nadar direito quando ela passa. E tem mais homens no meu horário da natação. Eu, apenas e um senhora de 50 anos, de mulher. E agora esta popozuda. De onde ela veio? Que droga! Eu me sentia o máximo com todas as minhas gordurinhas na piscina envolta por aqueles homens esculturais! Uma deusa! Uma Vênus! Agora, no máximo que sou uma bóia. Maldita popozuda!
Vou ter mesmo que perder este 6 quilos é o jeito. O jeito para minha saúde é obvio. Não, para competir com a Mulher-Popozuda. Tenho meus dotes. E o importante é que o mundo é grande e diverso e nele cabe: as mulheres popozudas, as edifícios, as frutas, as magrinhas e claro, as gordinhas. Como dizem os mulçumanos: “uma mulher que enche uma cama”.

Dedico este texto às todas as mulheres, sejam elas do jeito que são. O importante é ser feliz. E gente, mulher é tudo de bom.

                                           
Todos os direitos da foto ao autor.


sábado, julho 30

As mulheres são capazes de tudo








Sexta, últimos dias de minhas férias. Tinha que aproveitar cada segundo que me restava de irresponsabilidade e liberdade total. Eu e umas amigas decidimos sair, sair para dançar e claro, paquerar. Sexta-feira á noite em São Luís o que de melhor existe é reggae.

Salão não tão cheio, sem muito calor(coisa rara). Lá depois de algums passos. Reparei que meu vestido estava pedindo para se soltar, assim como, meu corpo e minha alma, também. Disse à minhas amigas que precisava ir ao banheiro, ajeitar o vestido se não ia ficar assim, " totalmente livre", se é que me entendem...

No banheiro observei duas figuras bem peculiares. As duas estavam vestidas assim como: "Popozudas"(nada contra, cada um tem a liberdade de se vestir como bem quiser), "Gostosonas", com suas calças bem apertadas, os seios a saltarem das blusas, cabelos soltos com muito creme, para aguentar o calor que faz num salão de reggae. As mulheres falavam de seus amantes. Uma dizia que a esposa do cara havia ligado para ela, esculhanbando dizendo o que devia e o que não devia. Ai ela disse para o cara: -"Olha diz pra tua mulher me respeitar que não sou vagabunda". Que hilário! Pensei comigo mesma. E eu tentando ajeitar meu vestido e demorando o máximo para apreciar as falas delas. A outra mulher disse assim:-" Ah colega, comigo é diferente o meu amante tem que me respeitar , se não ligo pra mulher dele e digo tudo , tudo que ele faz e deixar de fazer" . E eu, ali parada tentando pegar um minúsculo pedaço do espelho na tentativa de ajeitar meu vestido e achando graça daquela conversa. Mas, o inusitado , o inesperado e o fantástico ainda estavam por vir.

Senti um cheiro bem familiar, aliás toda mulher vaidosa ou até a menos vaidosa é capaz de indentificar aquele odor. Sim era cheiro de esmalte! Meus olhos custaram a acreditar naquela imagem. Um das mulheres ,enquanto conversava sobre as suas aventuras amorosas , pintava as unhas com tamanha maestria. Possuia tudo ali: base, algodão, acetona e o "pauzinho " para tirar o excesso do esmalte. Confesso, nunca em meus recente 30 anos presenciei aquilo em um banheiro feminino e tirei a conclusão: nós mulheres somos capazes de tudo na urgência de nos fazermos belas.

quinta-feira, maio 26

O que querem de fato as mulheres?

Pergunta tão questionada por Freud e por tantos outros homens em busca de entender este “universo misterioso” que é ser mulher. O que queremos? O que buscamos? Qual será nossa felicidade?
Rita Lee diz em sua música: Mulher é bicho esquisito sangra todo mês. Desculpe-me cara, Rita Lee, vou discordar um pouco de você. Mulher não é um bicho esquisito, e nem tem fases. Não somos luas! Nós mulheres queremos coisas simples. Queremos que numa tarde de sábado após fazer amor e perguntar ao nosso companheiro, (ai entra todo tipo de sinônimo), porque ele nos ama e não e ele diz simplesmente; Amo você porque amo. Ora! Queremos quando estivemos na tal da TPM, com o corpo inchado, o seios mal cabendo no sutiã e proferimos aquela frase que todo mulher diz: Meu bem, to uma baleia! E ele não diz nada ou então diz: Isto é coisa da tua cabeça. Queremos que ele diga: Meu amor, eu te amo e te admiro assim mesmo, minha baleiazinha!. Queremos ter alguém que no final do dia ligue para perguntar como foi o dia. Queremos ainda ser meretrizes para nossos maridos, namorados, amantes, (enfim, falei ainda pouco cabe aqui todos os sinônimos), e ao mesmo tempo santas. Queremos ser todas as mulheres, de Cleópatra á Dilma Rousseff. Queremos ser várias mulheres para um único homem. O problema é que os homens querem todas as mulheres. Não uma multi-woman.
Não precisamos ser decifradas, adivinhadas. Ei, queremos ser amadas unicamente. Queremos preparar almoços, jantares, lanches, mas queremos discutir Filosofia, Matemática, Literatura, Cinema, Economia e falar de novelas. Por que não? Queremos ser mães e ao mesmo tempo amantes, amigas. Queremos comprar lingerie não só para agradas aos homens, mas para nos sentimos desejadas, “gostosas”. Queremos sexo oral em toda relação. Não queremos pedir! Queremos que façam. E respeitem quando não queremos fazer o mesmo. Queremos que compreendam que ás vezes queremos só namorar, só ir ao cinema, tomar sorvete, ser tocadas no cabelo e escutar: Meu bem, suas unhas estão tão bonitas!
Queremos ainda mais ser respeitadas, quando não mais queremos uma relação e dizemos NÃO, sem precisar correr o risco de sermos violentadas, machucadas ou o pior, mortas por nossos namorados, maridos ou amantes. Não somos misteriosas, esfinges, ou medusas, temos sim um lado místico, como diz Clarissa Pinkola Èstes em seu livro: Mulheres que correm com os lobos, temos um self selvagem, uma ligação forte com a natureza, temos um sexto, um sétimo ou sei lá quantos sentidos, mas não somos bruxas. Queremos somente nos sentir plenas, queremos nos sentir felizes, queremos ser Mulheres. Talvez para resumir o que de fato nós mulheres queremos eu tentaria ilustrar como a imagem de um livro que li há tempos atrás de Marylin French: Mulheres