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segunda-feira, maio 14

Medo ou conivência?


Na ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO MARANHÃO através do Dep. Estadual Bira do Pindaré (PT – Partido do Trabalhadores), propôs a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os crimes de pistolagem do Estado, principalmente sobre a morte do jornalista Décio Sá que foi mais uma vítimas dos pistoleiros que voltaram atemorizar a população maranhense.

Desde a morte do jornalista, a imprensa maranhense vem dando cobertura sistemática sobre o caso, mas com uma ressalva, o profissional do jornalismo era ligado a família Sarney que governa o estado através da Governadora Roseana Sarney, filha do Presidente do Senado Federal José Sarney, funcionário do Sistema Mirante de Comunicação e do Jornal O Estado do Maranhão.

quarta-feira, maio 9

ABATE - Lucas Sá

Sinopse: Abate. Lembra corte, extenuação, redução, retirada quase abrupta da vida do orgânico... Matança.
Direção, Produção e Roteiro: Lucas Sá
Produção Executiva: Raissa Baldez
Atores: Nilana Fróes, Raissa Baldez, Carlos Cezar

Festivais e Prêmios:
* MENÇÃO HONROSA – I MOSTRA DE CINEMA UNIVERSITÁRIO DA UNICAP
* 16º FCBU – FESTIVAL DE CINEMA BRASILEIRO UNIVERSITÁRIO (RJ)
* 10° MOSTRA NACIONAL DE AUDIOVISUAL UNIVERSITÁRIO
* III FESTIVAL CINEMA DA FRONTEIRA
* 9º FESTIVAL ESTUDANTIL DE GUAIBA (RS)
* II FESTIVAL CURTAAMAZÔNIA (AM)
* I FESTIVAL ESPANTOMANIA (SP)
* KINOOIKOS – II FESTIVAL DE VÍDEO NAS ESCOLAS (SP)
* MOSTRA SETE IMAGENS - Teatro 7 de Abril (RS)
* MOSTRA CURTA NO BOTEQUIM (RJ)
BRASIL / SÃO LUÍS - MA
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Crítica de Cid Nader *

“Uma novidade vinda do Maranhão (talvez indicando mais um polo difusor lá no nosso Nordeste), esse Abate bebe nitidamente da fonte dos filmes pernambucanos para contar uma história de revolta feminina por opressão machista: algo tão comum ainda no mundo, mas que toca muito mais profundamente em uma região de tradição absolutamente masculina.  
Só que beber da fonte, somente, poderia resultar em cópia de estilo, vazio no mote e no modo. Negativo. Lucas Sá demonstra ter noção bastante complexa e bem elaborada de estética e técnica. O filme é de fotografia não conformada, que busca o inusitado nos ângulos (enquanto o momento “comum” subserviente da mulher existe, filma-se seus pés a caminho do açougue, para a inversão do ângulo quando uma outra possibilidade de continuidade de vida é pensada, por exemplo), e também bastante atenta às possibilidades de contrastes emprestadas pelo bom uso da iluminação.  

No corte, na edição (e novamente lembrando alguns outros filmes de Pernambuco), o contar a história ultrapassa a “simples” barreira da fluidez, para que interferências intrometidas até na marra se façam responsáveis pelo adensamento do clima. Desde o início, a montagem não permite a acomodação do espectador, e a tela se enche de variações cromáticas ou de ritmo. Portanto, as invenções e tentativas que resultaram um curta bem interessante não são resultado – o que seria até razoável de se imaginar - de acumulação crescente, mas de ritmo imposto desde os primeiros instantes: algo bem mais difícil de ser mantido e obtido”

 Cid Nader Jornalista e crítico de cinema. Editor e
umdos idealizadores do site de cinema
Cinequanon. Colaborador da revista Paisá
e do site Omelete. Edita também o
Cidblogwww.cinequanon.art.br/cidblog.
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segunda-feira, abril 30

Lamentos


Segunda feira (23 de abril) morre o jornalista DÉCIO SÁ, é conhecimento de todos que ele era ligado ao grupo político (família SARNEY) que governa o nosso ESTADO, e fazia um tipo de jornalismo que servia aos interesses desse grupo político.


E esse fato bárbaro contra o mesmo não deve só ser repudiado, mas também investigado com todo rigor pelas autoridades. Eu era o leitor assíduo do seu blog, lia para saber do que ocorre na política maranhense e também que do falam e pensam o grupo político pelo qual ele era o porta-voz da imprensa maranhense.

Mesmo com a postura política repugnante, que eu mesmo discordava, é inegável que ele tinha muitas informações e sabia demais. Era dele as denúncias vindas da Assembleia Legislativa principalmente sobre os altos salários dos deputados que foram repercutidos no programa da Rede Globo aos domingos no Fantástico.

E as últimas antes de sua morte trágica, havia dado a cobertura sobre o envolvimento de funcionários do Tribunal de Justiça em atos de corrupção e foram presos e também sobre o julgamento de pistoleiros que seriam julgado na morte de um líder camponês no interior do Maranhão.

Décio Sá fazia muitas denúncias de corrupção em todas as esferas da sociedade maranhense, que ia do Legislativo atacando inclusive os aliados da governadora, do Executivo onde alguns secretários da governadora eram criticados, do Judiciário, empresarial e outras esferas.

A Vale, alguns empresários (quem não lembram do caso de um empresário que foi acusado de pagar 1 milhão de reais a um deputado que levasse o projeto de lei que acabou sendo aprovado pela Assembleia Legislativa do Maranhão que dava a concessão da derrubada dos babaçuais pra beneficiar as grandes construtoras como a Franere, por exemplo, para construir edifícios/condomínios?) eram alvo de denúncias.

Ele fazia fofocas na vida pessoal de muitos políticos e empresários, no qual era chamado de Décio “Rubens”, essa atitude incomodava muita gente, até mesmos os próprios aliados do grupo Sarney.

Não se trata aqui de defender um jornalista-sarneista, mas alertar mais um atentado contra a imprensa do nosso estado como também em todo o mundo, o mesmo era blogueiro além de jornalista, como todos nós sabemos, os blogs tem influencia muito significativa da nossa sociedade e principalmente na formação de opiniões e fazer um debate acerca de qualquer assunto desde que surgiu a internet e a popularização dos últimos anos.

E espero que esse crime seja elucidado, não só do Décio Sá, mas também todos os jornalistas independentes de posicionamento político e ideológico e de líderes como FLAVIANO PINTO NETO (líder quilombola que foi assassinado no povoado do município de São Vicente de Ferrer por pistoleiros).

Deixo aqui a minha SOLIDARIEDADE e REPÚDIO a esse crime bárbaro que afronta a liberdade de expressão, opinião, pensamento e denunciar o que é de interesse a toda sociedade.

terça-feira, abril 24

Atropelamento

Personagens
MIGUEL
VELHO ATROPELADO, personagem mudo (ou antes, plangente)
FILHO DO VELHO
FILHA DO VELHO
MULTIDÃO ENFURECIDA
TESTEMUNHA
POLICIAL
Antes de subir o pano, ouve-se o barulho de pneus cantando e de um corpo se chocando contra um veículo. Quando o pano se abre, vê-se uma multidão aglomerada em semi-círculo, de frente para a plateia, ao redor de um Velho caído no chão, sangrando e gemendo. Da multidão vêm gritos de “Ai, meu deus” e similares. O filho do Velho se agacha próximo ao pai para socorrê-lo, mas é impedido por Miguel, que se mete entre os dois.

terça-feira, janeiro 24

Tenso

Escrito no início de 2007

No meu diário de estudante

Dormi por volta de cinco horas de segunda para terça. Acordei um tanto entorpecido pelo barulho diário do despertador do celular. Minhas pernas ainda doem, levanto e não tomo banho, como de costume, e tomo meu café com excesso de leite por causa da gastrite psicossomática. Tenho uma leve discussão com minha mãe sobre meu déficit de atenção que me fez perder uma carteira de estudante universitário em via pública como narrado no boletim de ocorrência. Preciso de grana pra segunda via. E saio para o hospital sem tchau. Ela sempre me manda com ir com Deus e a Virgem Maria, mas dessa vez me mandou para o inferno. Felizmente não acredito em inferno. Não sei se caberia citar que “O inferno são os outros” a únicas palavras que sei de Sartre. Vou para a parada de ônibus com a cafeína no sangue não surtindo os efeitos esperados, pois continuo entorpecido. Entro no ônibus por volta das sete horas da manhã, como sempre fico em pé. Olhos para alguns rostos e escolhos ficar em pé ao lado de um jovem simpática, obesa, de óculos escuros. Tinha certeza que ela ia pedir minha pasta e pede.
Surge uma vaga no ônibus e corro para sentar – abro um livro sobre a morte para minha monografia - mas meu entorpecimento impede de continuar a leitura da pagina marcada feita em outras viagens. Respiro. Os olhos pra fora da janela e num turbilhão de pensamentos descubro que peguei o ônibus errado e chegarei mais atrasado. Desço pego outro ônibus. Acorda. Com outro copo de cafeína; quem sabe.
Recebo uma mensagem no meu celular de minha amiga de estágio ratificando mais ainda meu atraso e que o setor de Transplante Renal é no segundo andar no final do corredor a direita da saída do elevador.
Desço no centro e caminho e caminho até o Hospital que fica há uns 10 minutos. Agora com uma dor inédita num osso do pé direito que apesar das boas notas em anatomia, não me faz lembrar o nome.
Na porta do hospital ponho meu jaleco, meu status de senhor da vida e da morte. Que faz sempre as pessoas te verem e olhar para seu nome bordado com ar de respeito.
Sigo as instruções da mensagem e chego à porta de vidro do setor de Transplante Renal. Onde homens sentados numa espécie de cadeiras de espera: esperam alguma coisa que não sei. Pergunto a eles se tenho que entrar de máscara também e  me respondem quase em coro que são pacientes transplantados e eles que devem entrar de máscaras: protocolos do setor que desconhecia. Provavelmente ganharam uns anos de vida de algum jovem que morreu sem estraçalhar os órgãos.
Entro e me dirijo a Enfermaria, onde encontro à amiga que passa breves informações sobre o Setor. Ponho uma máscara e me dirijo a um banho no leito ao seu lado. O entorpecimento e minhas pernas que doem são sobrepostas a uma angústia, aflição e nervosismo. Deparo-me com uma paciente jovem com morte cerebral apenas vivendo por um ventilador mecânico. Penso tomar um ansiolítico para atenuar a realidade e a taquicardia, mas resisto.
Inicio uma observação sobre aquele corpo, que um leigo diria estar vivo, ou melhor, em certo sentido está, pois defeca, urina e o coração bate ritmicamente; se diz em estado vegetativo. A enfermeira que coordena o banho no leito diz algumas coisas engraçadas e as outras técnicas de enfermagem sorriem. O que me deixa com um sentimento de raiva - não acho interessante o tratamento de um ‘morto’ com humorismo. Isso de fato é humor negro ¹.
O corpo nu, bonito, corado, uma jovem. Como soube depois pelo comentário de uma técnica de enfermagem era uma paciente já transplantada que após dois anos sofreu uma intensa dor de cabeça sem explicações clínicas que evoluiu a morte cerebral. Segundo os cientistas o cérebro que faz o eu, o espírito, trocando em miúdos: a pessoa. Então aquilo não era mais uma pessoa, apenas o corpo que pertenceu a essa pessoa.
Continuava viva apenas devido ao ventilador mecânico. Segunda a Lei não se pode desligar o ventilador mecânico, a não ser com o consentindo da família como explicou a Enfermeira de plantão: Uma Eutanásia Legal, ou talvez, esperar que o coração venha a parar. Reparo em um provável parente com as pupilas cheia de lágrimas ao meu lado querendo fugir daquilo tudo. Sumir, desaparecer, apagar, morrer também, talvez. Sou tão pequeno e inútil.
Saímos do leito e vamos pra enfermaria.
Minha amiga disse que sentiu vontade de pegá-la e balançá-la e gritar para acordá-la.
Admito que senti apenas vontade de desligar o ventilador mecânico e conversar com seu espírito. E eu que não acredito em inferno.
¹ Utilizei a expressão “Humor Negro”, mas sei da carga pejorativa. E não quis mudar as palavras do texto para deixá-los exatamente como escrevi.

terça-feira, agosto 30

O ÚLTIMO POST



Ele vinha a mais de cem por hora. O sinal fechou. Os pneus gritaram. O eixo quebrou. O carro ainda capotou cinco vezes antes de parar, completamente amassado como se fosse feito de papel... 

O motorista ainda estava vivo. Gravemente machucado. O pulmão perfurado. As pernas esmagadas, praticamente decepadas pelo impacto contra o poste.

Com dificuldade, procurou o celular. O encontrou perto do retrovisor. Atordoado, não sabia para quem ligar. Sem opção, conectou-se na internet. Abriu a página principal do seu navegador e digitou.


- Sofri um acidente...


Ele cuspiu dois dentes e depois tossiu sangue. Por sinal, achou que a publicação fora muito brusca. Demasiado súbita. A situação já era grave o suficiente. Espalhar preocupação não ajudaria em nada, portanto ele acrescentou:


- Rs


O riso digitado retiraria um pouco da carga dramática. Denotaria também seu bom humor em face de situações difíceis...

Mesmo com a clavícula quebrada, ele conseguiu levantar o braço. Tentou esboçar um sorriso. Tirou uma foto do rosto completamente desfigurado pelos estilhaços de vidro, em seguida publicou em seu perfil...

Enquanto ele sofria três paradas cardíacas, os amigos comentavam as publicações e os médicos tentavam reanimá-lo.

No dia do enterro, todos estavam extremamente abalados. O choque foi duro. Mas restava ainda um consolo:

 - Ele morreu, mas estará sempre on-line entre nós.


31/08/2011