terça-feira, novembro 17

Será que é tarde demais?


Se arrependimento matasse eu morreria um milhão de vezes.

Sou um besta, vaidoso, egoísta e sem noção. Perdi a mulher da minha vida por essas qualidades destrutivas que escrevi.

Trair. Traição. Quebra de fidelidade prometida e empenhada. Infidelidade no amor.

Amor não tem nada a ver com sexo dicionário.

...

Ela dizia que da janela do quarto cheirava o futuro e eu sou um puto ordinário, cachorro vira-la sem futuro, então


vou me embora pra Cedral

lá serei amigo de Zenhinha
E vou tirar a coira em Caratatiua 
vê a lua cor de sangue 
na volta pelo caminho de areia 
já pela noitinha

vou me embora pra Cedral

namorar a piquena mais sonhadora da cidade
e jogar dama com seu avô 
ouvindo atento suas histórias no mar
de quando era um grande pescador

Vou me embora pra Cedral

Comer juçara, pescado,
manga rosa, carne de sol, camarão seco, 
e muito xiri, mas 
só o da minha namorada
não vou de jeito nenhum lhe trair 

Vou me embora pra Cedral

me casar e ter vários filhos
um vai ser pescador como seu avô
o outro vai querer ir pra capital ser doutor
e o outro vai tocar violão e gostar de ouvir dorival caymmi
e ficar de preguiça na rede 
fumando erva da boa

...

e depois da morte
vou ressurgir encantado
lá pras bandas de Outeiro

...

Falo sozinho com ela e rio bobo. Vasculho suas fotos no facebook meio psicopata e vejo seu sorriso e isso me deixa feliz e ameniza a falta de sentido das coisas a tristeza e a canalhice. Ela tá com alguém. Ela tem amigos legais. Ela tem um trabalho gratificante. Ela me esqueceu?

Alguém me belisca pra ver se eu ainda não morri, por favor ! 

Sonhei outro dia que era o Homem Aranha derrotava inimigos por prédios destruídos e ia atrás dela jogando a teia e chegando na porta da sua casa ela disse um NÃO sorrindo ao meu pedido de retorno. Seria bem cômico senão fosse trágico toda a situação !   

Vou um fumar um trevo, dois trevo, ter uma tuberculose, minha cabeça dói, meu coração implode, será que é tarde demais?

sábado, novembro 14

Are We A Warrior - O Segundo Álbum de Ijahman

Por Oluap Said

Trevor Sutherland passou por várias provações na vida. Não seria nada fácil para ele seguir uma carreira artística. Sentenciado à prisão por três anos, Trevor aproximou-se do movimento rastafári, convertendo-se e mudando o nome para Ijahman Levi. Após sua saída da prisão em 1974, Ijahman mergulhou no estudo da bíblia, que seria alicerce em suas letras com grande teor místico-religioso. O cantor e compositor do clássico "Jah Heavy Load" assinou um contrato com a Island Records, lançando em 1978 o primeiro álbum, Haile I Hymn. No ano seguinte, com o sucesso de venda e crítica do debut, lançou o clássico álbum Are We A Warrior, álbum que será tema do presente texto.
A excepcional Are We A Warrior, um verdadeiro clássico do reggae, abre o segundo álbum de Ijahman, produzido por Geoffrey Chung. A letra meditativa de Are We A Warrior tem uma forte carga de paz e mansidão, convidando todos a refletir sobre as guerras e a violência. Além disso, o arranjo dessa canção é primoroso e hipnótico. Em São Luís do Maranhão (conhecida como Jamaica Brasileira), Are We A Warrior é batizada como o hino da Jamaica Brasileira. Em seguida, Moulding chega para levar qualquer indivíduo ao sétimo céu. A cadência é de seguir as batidas do coração. Vale destacar na canção os instrumentos de sopro. A espiritual "The Church", cantada em inglês e gueze, apresenta um reggae lento com direito a tambores Nyahbinghi e teclado melódico. Depois, "Miss Beverly" chega para conquistar de vez o ouvinte. É uma das mais belas canções de Ijahman. Na cadência da guitarra, Ijahman canta divinamente. A última faixa é "Two Sides of Love" é uma louvação ao amor, com Ijahman em seus melhores momentos no vocal.
Além de excelente cantor, Ijahman Levi é um compositor de mão cheia. As letras das canções de Ijahman transpiram paz e espiritualidade, espalhando vibrações positivas. Pode-se afirmar com segurança que Ijahman é uma das grandes lendas do reggae. Ainda na ativa, realizando shows por vários países e levando a mensagem do reggae, Ijahman está no panteão da música mundial.

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quarta-feira, novembro 11

Juan Carlos Osorio: O profissional no mundo semiamador, personalista e centralizador do futebol brasileiro

 
Juan Carlos Osorio, técnico colombiano com larga experiência no futebol como jogador, ganhou destaque por ter se graduado técnico e pós-graduado em Ciência do Futebol da Universidade de Liverpool, começou a carreira como assistente num clube nos Estados Unidos e do Manchester City – Inglaterra até se tornar treinador por alguns clubes da Colômbia e dos EUA, até ser contratado pelo São Paulo Futebol Clube como grande aposta que poderia mudar o perfil do futebol brasileiro.

O agora ex-técnico do São Paulo, é um acadêmico e profissional no mundo futebolístico em que o profissionalismo ainda caminha a passos lentos no Brasil, e o clube paulista durante muitos anos foi referência e modelo de gestão para outros clubes brasileiros. E porque Juan Carlos não deu certo?

Foram vários fatores que contribuiram para a saída do treinador no clube, uma delas foi a crise interna entre os dirigentes que há tempo vinha ocorrendo que só agora veio à tona quando o presidente Carlos Miguel Aidar demitiu toda a diretoria, que estava interferindo diretamente no trabalho do treinador com os jogadores.

Outro fator que contribuiu para a saída do treinador foi a sua chegada ao clube em junho, com o campeonato brasileiro em andamento, substituindo o Murici Ramalho que ficou no comando do time há pouco mais de um ano.

Há uma aversão dos jogadores brasileiros aos treinadores estrangeiros quando estes atuam no Brasil, porque o profissionalismo no futebol fora do Brasil é bem levado a sério, e os jogadores quando atuam aqui não gostam do comprometimento.

E além do mais, o Juan Carlos não é muito conhecido no Brasil, e os jogadores do São Paulo não conhecem a sua filosofia de trabalho e o profissionalismo, dificultando o relacionamento com alguns jogadores que não assimilaram o treinador.

Ao assumir o comando do time com o campeonato em andamento, foi também o fator primordial para a não permanência do Juan Carlos, planejamento é uma palavra que passou a fazer parte do dicionário de todos os dirigentes que comandam os principais clubes do país.

No Brasil ainda prevalece a tradição ultrapassada de que o treinador permanece no cargo por jogo/rodada, se houver três derrotas consecutivas a demissão é quase certa, trocar de treinador é mesmo que trocar de camisa todos os dias, são raros treinadores que permanecem mais de um ano no mesmo clube.

O ideal era Juan Carlos Osorio assumir o clube no início da temporada, porque conheceria melhor os jogadores e implantar a sua filosofia de trabalho e futebolístico, ao assumir o campeonato em andamento e substituindo o antecessor (Murici Ramalho) se torna bem difícil implantar o seu trabalho e conhecer os jogadores, daí os conflitos se tornam inevitáveis.

A nova geração de técnicos que vem comandando os clubes está levando cada vez mais a sério a função, e exigem uma série de requisitos antes de ocuparem os cargos, uma delas é o tempo de contrato, liberdade de escalar e barrar jogadores e implantar a sua filosofia de trabalho e futebolístico.

Após o desastre da seleção brasileira de futebol na copa do mundo de 2014 no Brasil, em que levou de 7 a 1 da Alemanha e acabou sagrando-se campeã do mundo, veio à tona uma série de denúncias na parte administrativa, e as palavras gestão e planejamento entraram de vez no dicionário do futebol e dos dirigentes.

O futebol brasileiro vem passando por uma crise que vem desde a copa do mundo e a goleada sofrida pela seleção em pleno estádio Mineirão em Belo Horizonte – MG, a crise não é falta de jogadores porque o Brasil é o país que mais revela jogadores e exporta estes para o sonhado mercado europeu e nos países em ascensão da modalidade como a China, em que o futebol não é popular, mas os dirigentes estão investindo em milhões em seus clubes e contratando os brasileiros.

Com a crise futebolística, os treinadores passaram a ter mais atenção pelos dirigentes, principalmente no fim e início de temporada, não se contrata jogador sem antes de contratar um bom técnico, o Sport Clube Corinthians Paulista é a prova, no fim da temporada no ano passado trouxe de volta o Tite, o clube fez ótima campanha no campeonato paulista e na primeira fase de grupo na libertadores, mas foi eliminado na semifinal e na fase de mata-mata no paulistão e libertadores da América respectivamente.

Tite naturalmente seria demitido, mas foi mantido e o clube até o momento é líder do campeonato brasileiro com oito pontos à frente do segundo colocado, o Atlético–MG na 31° rodada, a permanência do treinador é um dos motivos pelo sucesso do clube paulista até o momento no campeonato.

O futebol mundial avançou e o Brasil não está acompanhando essa evolução, não basta mais ter apenas bons jogadores, gestão e planejamento são essenciais para o clube obter conquistas dentro de campo, os clubes europeus são exemplos de planejamento, especialmente o Bayen de Munique (Alemanha), Real Madrid (Espanha) e Barcelona (Espanha).

Enquanto no Brasil, o rebaixamento de alguns clubes grandes da Série A para a Série B são exemplos de má gestão, o Clube de Regatas Vasco da Gama é a grande prova, dois rebaixamentos em cinco anos e este ano está lutando para não cair, sendo que ano passado estava disputando a segunda divisão e ficou na terceira colocação das quatro vagas de acesso.

Eurico Miranda comandou o Vasco com mãos de ferro no primeiro mandato antes do Roberto Dinamite, que foi marcado por desafeto com jogadores e ex-jogadores como Juninho Pernambucano e Edmundo, outros dirigentes como Ricardo Teixeira ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e com a família Marinho proprietária da Rede Globo.

As desavenças prejudicaram o clube que acumulou dívidas, penhora de bens na justiça, rescisão de contrato também na justiça, boicote de grandes patrocinadores e também de jogadores e técnicos que se recusaram a jogar por causa do autoritarismo do Eurico.

Roberto Dinamite quando assumiu a presidência, tentou fazer diferente do seu antecessor, mas o estrago causado e a sua nova filosofia de trabalho como presidente cercado por dirigentes de outros clubes, instituições e entidades corruptas acabaram não dando completamente certo, apesar da conquista da Copa do Brasil e o vice-campeonato brasileiro em 2011, mas o rebaixamento em 2008 e 2013 fracassou a sua gestão e manchou a sua história no Vasco, pois como jogador tem uma belíssima história pelo clube.

Clube de Regatas Vasco da Gama que tem uma linda história de causar inveja a outros clubes e rivais inclusive, a de inserir negros, mestiços, operários e analfabetos numa época que a modalidade esportiva (futebol) era praticado exclusivamente pela elite branca, e foi perseguido pelas ligas comandados por clubes da elite, teve o presidente José Cândido de Araújo nos anos de 1904 e 1905, o primeiro negro a presidir uma instituição em que a escravidão havia sido abolida há menos de 20 anos, com o racismo e a manutenção das relações escravocratas no âmbito étnico e racial bastante evidentes.

E o clube não foi fundado na zona sul, o reduto domiciliar das elites da cidade do Rio de Janeiro, foi fundado no bairro popular de São Cristóvão que fica até hoje a sua sede, contudo, está tomado por facções políticas internas que vai de sócio torcedores, conselheiros a diretoria (incluindo a presidência), e estes estão levando o clube a um fundo do poço sem fim.

E para complicar ainda mais, em vez de renovarem a diretoria na última eleição, optaram pelo retorno do Eurico Miranda, no momento que o futebol brasileiro clama por mudanças, trazem de volta o coronel que tem também parcela de responsabilidade pela crise que o clube atravessa há anos.

Resultado da desastrosa gestão do Roberto Dinamite que o Vasco foi rebaixado duas vezes em cinco anos, a sua nova política foi atrapalhada por grupos de oposição dentro do clube dentre eles liderado pelo próprio Eurico que acabou atrapalhando o clube que se refletiu dentro de campo.

O futebol brasileiro está passando por processo de verticalização que só irá aumentar ainda mais a crise no futebol brasileiro, estão criando a liga sul-minas-rio para enfraquecer cada vez mais os estaduais, levando os clubes pequenos a beira da falência.

Preços dos ingressos nos estádios que sediaram a copa são caros, a prova disso é o próprio Maracanã, perdeu a sua essência de estádio após a longa reforma, nunca mais o estádio pegou lotação máxima, acabando com os geraldinos que ocupavam em massa a parte geral do estádio que fica atrás das traves, setor mais barato e também desprivilegiado por aqueles que ficam em camarote ou cadeiras.

Não será espanto algum o Brasil pela primeira vez da sua história não se classificar para disputar a copa do mundo, os escândalos de corrupção da FIFA (Federação Internacional de Futebol e Associações) acertou em cheio o futebol brasileiro com a prisão do ex-presidente da CBF José Maria Marin, sendo que há anos a entidade vem sendo alvo de denúncias.

Aqui no Brasil nenhum treinador como Juan Carlos Osorio ou até mesmo o Pepe Guardiola considerado o melhor técnico do mundo na atualidade daria certo comandar um clube ou a própria seleção aqui no país, porque organização e planejamento fazem parte no futebol europeu, ao contrário no Brasil.

Os jogadores e treinadores não prestigiam o futebol no Brasil, há uma diferença de jogadores brasileiros serem valorizados no exterior ao futebol em si no Brasil que dificilmente viriam para cá sabendo da realidade dos clubes e da forma como os dirigentes atuam.

terça-feira, novembro 10

Top 5 - Livros Essenciais da Literatura Latino-Americana

        A literatura latino-americana sobressaiu no século XX com escritores excepcionais como Jorge Luis Borges, Gabriel Garcia Márquez, Juan Rulfo, Carlos Fuentes, Mário Vargas Llosa, Roberto Bolaño, Ernesto Sabato, entre outros. O "boom" da literatura latino-americana representou uma autoafirmação da cultura latina e do seu povo, muitas vezes subjugado pelos europeus e pelo neocolonialismo brutal do Estados Unidos. Mesmo com tantos entraves, houve durante todo o século passado na América Latina uma enxurrada de grandiosas obras literárias, que foram cultuadas pelos leitores do mundo afora, mas elencamos aqui três romances e dois livros de contos de escritores latino-americanos (pertencentes ou não ao "boom"), excetuando-se os brasileiros. Apresentamos, nesta referida lista, obras de autoria de dois escritores argentinos, um colombiano, um mexicano e um uruguaio. Então, se deliciem com as indicações abaixo, e tenham uma boa leitura.

1 - Cem Anos de Solidão de Gabriel Garcia Márquez

  
2 - Pedro Páramo  de Juan Rulfo


3 - O Aleph de Jorge Luis Borges

  
4 - Pássaros na Boca de Samanta Schweblin


5 - Contos de Amor de Loucura e de Morte de Horacio Quiroga


sábado, novembro 7

Dançando em Silêncios

Por Aline Bei


deslizar sobre você com o meu corpo todo
inclusive com as minhas
celulites, você gosta?
me chupa
de luz

acesa inclusive na minha
magreza, nas minhas veias
grossas como coxas,
Minha pinta grande
demais nas costas, minhas
Olheiras, te beijar
com meus dentes tortos e sorrir pra você porque eu te amo, minhas sardas, meu
Cabelo precisando de um novo
corte, mas
o dinheiro tá
Curto ou longe
de mim, te
foder
com a minha força que acaba
rápido e logo preciso da ajuda
de suas
mãos na minha bunda,
pra cima
pra baixo, você
gosta?
Eu gozo,
depois da transa te coço
Com as minhas unhas muito curtas por serem de 1
mulher, o meu

tá seco na
sola, precisa de creme, minha Unha
caiu, precisa de band aid, a gente dança nu no quarto de hotel.
Cê me pergunta carinhoso o que houve porque eu tô com 1 roxo
enorme na coxa,
foi quando eu trombei com a parede naquele dia que a gente
discutiu, mas
escuta, você gosta
de passar essa noite
comigo?
Apesar das estrias, do cu
lote, da barriga um pouco inchada que eu não vou ao banheiro faz dias, apesar das musas todas que eu não sou
nenhuma, ainda assim,
Me diga
se sou uma Mulher possível
de se guardar o tesão
dentro.

 

terça-feira, novembro 3

Três é Demais: Nick Drake

Por Oluap Said
 
"Nick estava, de uma maneira estranha, 
fora de seu tempo. Quando se estava 
com ele, sentia-se que ele não era daquele século"  
(Robert Kirby)

 
Às vezes um artista, excepcional cantor e compositor, não encontra durante sua carreira no mundo da música o entendimento e a apreciação de sua obra. Raras pessoas dão valor ao seu talento e até o encorajam a seguir em frente, mas há um momento na vida que esse artista se pergunta o que está fazendo de errado. O jovem compositor inglês Nick Drake se perguntou, em certa altura da carreira, por que seus discos e sua música não eram apreciados, visto que ele tinha uma capacidade espantosa em compor canções sensíveis e em escrever letras carregadas de poesia. Além de um letrista formidável, Drake foi um violonista de toque único, com um dedilhar límpido nas cordas de um violão e técnica para lá de virtuosa, utilizando-se de inúmeras afinações. Antes de iniciar a fadada carreira musical, Nick ingressou em 1966 na Universidade de Cambridge para estudar Literatura Inglesa. O tímido e introspectivo Nick Drake era fascinado pelos poetas românticos ingleses e pelos poetas simbolistas franceses; também fascinado pelo folk inglês - principalmente por Bert Jansch, que influenciou meio mundo - e pelo blues de personas como Robert Johnson e Josh White. Descoberto num festival por Ashley Hutchings (da banda Fairport Convention), Drake foi apresentado ao produtor Joe Boyd, que já havia trabalhado com Pink Floyd e The Incredible String Band. A partir disso, Drake parte para gravar seu primeiro disco, Five Leaves Left, que foi lançado em 1969. O segundo trabalho fonográfico, Bryter Layter, saiu em 1970 e o último disco, Pink Moon, em 1972.
Fives Leaves Left abre com a sensacional "Time Has Told Me", tendo o guitarrista Richard Thompson (do Fairport Convention) e o baixista Danny Thompson (do The Pentangle). Nessa canção, já se tem uma prova do talento peculiar de Nick Drake ao violão e da sua veia poética. A voz quase sussurrante de Nick Drake só aumenta o clima pastoral e arcaico das canções. Em seguida, "River Man" apresenta um arranjo bucólico com belos violinos, pontuando o som do violão e a voz de Drake. O arranjo de cordas refinado dessa canção foi elaborado por Harry Robinson, enquanto nos restantes das faixas os arranjos orquestrais ficaram por conta de Robert Kirby. Logo depois, a introdução de "Three Hours" atesta a capacidade singular de Drake em retirar sons sublimes do violão, que ainda pode ser vislumbrada no decorrer da canção. Entre outras qualidades exibidas ao decorrer do álbum, isso o coloca junto aos grandes violonistas do folk inglês como Davey Graham, Martin Carthy, Wizz Jones e do já citado Bert Jansch. Vindo logo após "Three Hours", o arranjo de cordas em "Way to Blue" cria um colchão para que Drake exponha seu canto introspectivo. A seguir, o dedilhado finíssimo de Drake em "Day is Done" acompanha os versos recheados de angústia e melancolia. Um dos pontos altos do álbum é a majestosa "Cello Song". A poesia se faz presente nessa canção nos versos: "You would seem so frail / In the cold of the night / When the armies of emotion / Go out to fight". Continuando as preciosidades, "The Thoughts of Mary Jane" vem para acalentar os ouvidos com sua doce melodia e arranjo, enquanto o piano e o violão se comunicam harmoniosamente em "Man in a Shed". Logo depois, no dedilhar sereno em "Fruit Tree", Nick Drake prenuncia toda sua melancólica carreira nos versos: "No one knows you but the rain and the air / Don't you worry / They'll stand and stare when you're gone" (Ninguém te conhece, exceto a chuva e o ar / Não se preocupe / Eles ficarão em pé e se espantarão quando tu te fores), "Safe in your place deep in the earth / That's when they'll know / What you are really worth" (Seguro no teu lugar na profundeza da terra / É quando saberão / Que realmente tu tens valor). Para encerrar, "Saturday Sun" com ar gospel e soul finaliza Five Leaves Left com chave de ouro.
Abrindo Bryter Layter, a instrumental "Introduction" desponta com ornamentações orquestrais bastante floreadas, assim como em outras canções do álbum, que tentam afastar o clima soturno/melancólico do primeiro disco. Em seguida, "Hazey Jane II" apresenta toda uma gama de instrumentos de sopro e percussão. Depois vem o toque citadino de "At the chime of a city clock", em que Drake faz suas reflexões sobre a vida numa cidade, deixando d lado sua poética pastoral. O arranjo jazzístico nessa canção retira um pouco da característica folk de Drake. A seguir, a belíssima "One of these things first" mostra novamente o violão majestoso de Drake e um piano muito bem executado. Em ato contínuo, a melodia magnética de "Hazey Jane I"  é um nicho perfeito para o arranjo rebuscado e para as dedilhadas límpidas de Drake no violão. A faixa que dá título ao disco, "Bryter Layter", é uma peça instrumental, com direito a flauta e outros instrumentos de sopro, tendo Drake no acompanhamento de base ao violão. Um dos destaques do álbum, "Fly" demonstra um lado mais pop e alegre de Drake. A seguir, a letra intimista/confessional de "Poor Boy" se harmoniza com o arranjo jazzístico, que novamente vem à tona no álbum. Logo após, uma das grandes canções de Drake, "Northern Sky", surge para levar qualquer ouvinte ao sétimo céu. A participação ilustre do ex-Velvet Underground John Cale ao piano nessa canção apenas a engrandece mais, assim como em "Fly", na qual tocou cravo e viola. Sem sombra de dúvidas, é uma das melhores letras de Drake, como atesta os versos: "I never felt magic crazy as this / I never saw moons knew the meaning of the sea / I never held emotion in the palm of my hand / Or felt sweet breezes in the top of a tree / But now you're here / Brighten my northern sky" (Eu nunca senti magia tão insana como esta / Eu nunca vi luas conhecerem o significado do mar / Eu nunca segurei emoção na palma de minha mão / Ou senti doces brisas no alto de uma árvore / Mas agora você está aqui / Iluminando meu céu do norte). Fechando o álbum, a instrumental "Sunday" tem como destaque a flauta, além do violão de Drake.
"Pink Moon", a faixa que dá nome ao álbum, abre o terceiro e derradeiro disco de Nick Drake, gravado em duas únicas sessões. Neste trabalho, Drake gravou apenas cantando, com sua voz etérea cheia de emoção, e tocando violão, exceto em "Pink Moon", em que ele também tocou o piano. De fato, Drake se desvencilhou dos arranjos orquestrais para se concentrar apenas em seu violão. Na segunda faixa, "Place to be", a força poética de Drake está mais viva que nunca, apesar de estar vivendo na época uma forte depressão, afirmando na letra que "I'm darker than the deepest sea". Em seguida, "Road" tem Drake no melhor de sua técnica de dedilhado, influenciado por nada menos que Mississippi John Hurt e Jackson C. Frank. A seguir, os versos simples de "Which will" encontram suporte na voz contida e no violão fluido de Drake. Logo depois, a instrumental "Horn" é de uma beleza suprema e serve como um interlúdio para que outras peças sonoras raras se exibam. Vindo após "Horn", "Know" é uma canção curta com apenas quatro versos simples, enquanto "Parasite" parece confirmar a melancolia profunda de Drake, estampada nos versos desesperados e sem autoconfiança: "And take a look you may see me on the ground / For I am the parasite of this town" (E dê uma olhada que você pode me ver no chão / Pois eu sou um parasita nesta cidade). Com habilidade diante das cordas do violão, Drake cria uma base perfeita para cantar "Free Ride". Logo depois, outra canção curta, "Harvest Breed", desponta no álbum, cuja letra desesperançosa talvez aponte para a morte iminente de Drake: "Falling fast and falling free / This could just be the end / Falling fast you stoop to touch / And kiss the flowers that bend" (Caindo rápido e caindo livre / Isto poderia ser o fim / Caindo rápido você parou para tocar / E beijar as flores que se curvam).  Para finalizar o excelente Pink Moon, "From the morning" lança um ar de (des)esperança no futuro de Drake: "So look see the sights / The endless summer nights / And go play the game that you learnt / From the mornig" (Então olhe, veja as paisagens / As noites infinitas de verão / E vá jogar o jogo que você aprendeu / De manhã).
É de lamentar a morte prematura de Nick Drake aos 26 anos de idade, em consequência de uma overdose de remédios antidepressivos para tratar sua depressão crônica, que ele desenvolveu durante sua curta carreira. No decorrer dos anos após sua morte, a influência e o reconhecimento da obra de Nick Drake cresceu exponencialmente. Artistas como Robert Smith do The Cure, Peter Buck do R.E.M., Stuart Murdoch do Belle & Sebastian, Jeff Buckley e Elliot Smith foram influenciados pela música de Nick Drake. Apesar da venda baixíssima dos seus três álbuns, que contribuiu imensamente para sua depressão, Drake é hoje em dia um dos artistas mais propalados no meio musical. Desde da década de 1980, o nome de Drake vem sendo propagado em programas de rádio, documentários, filmes e livros. O relançamento de seus discos e o reconhecimento tardio da crítica musical especializada ajudaram a transformar Nick Drake em um artista cult, cuja história envolta em mistério e depressão o colocam como o John Keats da música folk. Sem sombra de dúvida, Nick Drake está no Parnaso ao lado dos grandes artistas do folk moderno, como por exemplo, Bob Dylan, Van Morrison, Donovan, Joni Mitchell e Leonard Cohen.

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