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sexta-feira, abril 27

Bom Apetite


Foi um dia comum como qualquer outro, as mesmas praças, mesmas pessoas e o mesmo clima de sempre. Nada era tão novo que desrespeito ao ingênuo semblante da cidade de São Luis. Confesso que ganhei o hábito de beber, mas não beber por beber, cada gole de álcool tem o seu devido pensar filosófico, um olhar de mudança, como um jovem pobre; cheio de sonhos preciosos que se mantém vivo as recordações da infância.

Repetem as más línguas que no inicio do mundo havia um olho azul mergulhado no fundo do mar, olho este pertencente a uma alma feminina entrepostas entre as falanges dos corais marítimos, e o homem que o encontrar torna-se valente de todos os homens, verdade ou mentira, tenham certeza amados leitores o medo fora quebrado e a imortalidade está a um passo, entretanto essa singela narrativa não nos convém falarmos, ponha atenção nos fantasiosos ditos transcritos para o papel. Grande conquista soa a voz da verdade. Medo e suas letras formam mais uma vez o duelo de existência, cavalga a noite e meu passo continua lento, mas uma vez em busca do inevitável, da a sensações que foram só sensações, nunca antes o álcool me dera tanto prazer, nunca antes sentir prazer onde não há prazer, em busca de prazer minha boca se traduz. Como podem ver, estou à inércia desta existência, meu tempo torna-se cada vez ainda mais atemporal. Corram para as salas, liguem as TVs, mandem recados..., voltei! E sofro por não sofrer. Minha voz escapa... , preciso fugir onde me encontrem, sou mal, frio..., amo as novelas e os programas com prostitutas..., que se foda! Essa é a minha vez..., descarregar palavras sem pensar nas suas ações e seus tormentos..., em meio às flores surge Maria, mulher doce, de nariz fino, sempre tive certeza que mulheres de nariz fino tinham bom sexo, olhar castanho puxado para o azul! Quem é está? De onde vem?


- Italiana, ela disse...

Estava desde as sete da noite aprofundando meus pensamentos com um amigo escritor, entre cervejas e cigarros exorcizávamos nossos demônios. Seu nome e bastava, Maria, ela disse, sentou-se a mesa com seu namorado..., bebíamos e conversávamos... , os olhares entre eu e Maria tornavam-se mais constantes! As conversas ganhavam forma e cores, nada me parecia tão singular, o olhar frenético e o dilatar de seus lábios ganhava o enroscar de minhas pernas, o fato de não tomar uma atitude de imediato é devido ao fato de seu namorado está ao meu lado direito, o que se diga de passagem não pareciam tão namorados assim, o sexo entre eles devia ser raridade, continuava eu a imaginar-la sem roupa com seus lábios beijando meu peito e indo direto ao meu membro sem timidez, hora ou outra escutava e treinava meu italiano ainda muito fraco. Com grande esforço de aprendizagem autodidata. Ações simultâneas ocorriam envoltas da mesa, cervejas e mais cervejas, tomavam a mesa, o olhar de Maria tornava-se mais intenso sobre o meu, comia-me com os olhos como se fosse uma cadela em cio, meu corpo gozava de tanto imaginar seu rosto coberto de desejo.

- Parabéns pela apresentação, disse.          
- Obrigada, com o português típico de um estrangeiro, meu amigo escritor e o namorado de Maria logo ganharam amizade; riam de tudo, conversávamos aos berros, Maria e eu fazíamos amor somente no olhar, o gozo da italiana parecia vibrante grande de mais para quatro paredes. Excitação, seus dedos entre o copo me dava, a queria ali mesmo encima daquela mesa, com todos em volta a nos olhar.

- A sua também foi ótima, ela disse.
- Que bom que gostou, respondi completamente tímido. A verdade é que eu e Maria já havíamos nos conhecidos, nos apresentamos juntos na noite anterior em um teatro da cidade infelizmente o tempo não nos deixou nos aproximar, mas o olhar vele- jante de Maria escorria sobre meu corpo...

A conversa da mesa de bar continuava, sem pressa a noite ia embora, a vontade de ir para casa havia passado. Preocupava-me somente que aquelas seriam as derradeiras horas da linda italiana aqui na cidade. O presente fato que obtive em minhas andanças de vida é que a mulher pode obter o prazer com um homem sem entregar sua alma para ele, o momento da copula, a eternidade limitada natural do desejo equivale ao pequeno suicídio, individual e depressivo. As inertes horas de posições, beijos, carícias e gemidos resumem-se em apenas três segundos da pré-morte: a respiração pára e o corpo gela; individual, sozinho e mais nada. Entretanto, o olhar perfurante da ragazza movimentava a atmosfera do ambiente, os sinais eram visíveis até demais, os lábios finos secavam a cada segundo que antecipava nosso sexo.

- Tenho que ir não me sinto muito bem, disse meu amigo escritor.
- O que te passa, disse o namorado de Maria.
- A boemia tem me custado o estomago, e os pulmões pressentem a minha deixa.

O belo italiano não compreendeu o sentido das palavras que o escritor disse, mas fez o favor de se fazer-se compreender.

- Melhor ir se não tiver bem, completou Maria.
- Não, já tive noites piores.
- O mundo traz a sina, exclamei.
- A sina traz o mundo, acrescenta o meu amigo escritor.

De certa forma para o poeta a noite é sua amada perfeita, seu chapéu; o templo de sabedoria, sua sabedoria; seu deslize último e verdadeiro. O que preenche as lacunas efêmeras da solidão é o perceber da obra que ganhou vida, perfurar com palavras desejando a imortalidade. Imortalidade que não vale mais nada nos dias de hoje, levando-se em consideração a realidade pela qual a sociedade vive uma fábula afirmando-se somente na aparência e no recado informativo, então de que valeria o surgimento de novos boêmios de nossa era? Somente por lembrança. E nada mais, em outras palavras o herói está morto e seu luto profanado. De nada mais vale estas e noites e está embriaguez, o sentido de tudo isto caminha para o vazio, a menstruação arrependida guardada pela puta virgem em seu deleite de ética e moral. Fedendo assim caminha o aparente mundo social destas personagens que atuam em busca do exagero construindo o material da ilusão religiosa esperando o advento do status. Neste liquidificador ao fundo do esgoto onde se encontra a reciclável sociedade aparece o inimigo indesejável, marginal que rapidamente precisa ser expelido.    

A gostosa conversa entre nós quatro tornava-se ainda mais empolgante, risos frenéticos, reflexões profundas e certezas filosóficas. O que não era tão visível para o meu querido escritor e o belo italiano era que não percebiam o suspiro selvagem de Maria ao perfurar meus olhos, por mais que as mulheres sejam previsíveis, esta possuía uma formula peculiar de me controlar e decifrar meus signos. As cartas estavam lançadas, a decisão era minha de possuí-la ou de apagar de uma só vez a sua existência da memória. O que me perturbava era somente como? Ela lia meus pensamentos.

Cochichou por dois segundos ao ouvido de seu namorado, ele respondeu: Benne. Ela enroscou suas pernas por debaixo da mesa, levantou-se e direcionou-se para as escadas do bar onde estávamos. Era minha chance, logo pensei, deixei que a subisse, fiquei alguns segundos entretendo o tempo com pouca conversa até a coragem suplantar o medo e levar minhas pernas em direção da bela italiana, subi ao seu encalço sem saber para onde este sentido primata me levaria não hesitei e fui. Ao termino das escadas não há avistei, estava errado e sentia-me envergonhado por tanta loucura pensada abrir a porta do banheiro lavei o rosto e contemplei minha derrota. No entanto uma pancada seca abriu a porta, Maria surge igual qual um fantasma sedento de vingança, empurra-me contra a parede e em um só fôlego beija-me, semelhante ao ultimo suspiro de vida de qualquer mortal, não hesitei, retribuir na mesma medida o forte beijo, minhas mãos enroscaram em seus cabelos compridos e escorregavam até suas nádegas. Surpreendentemente para este momento a minha surpresa foi que minha mão firme em seu quadril não lhe agradou, o meu ato lógico foi respondido com uma veemente tapa, e os suspiros secaram ficando apenas o diálogo do olhar quente e faminto da ragazza invadindo o meu, a comunicação estabeleceu um símbolo pelo qual não interpretei. Sua mão direita desceu milímetro por milímetro até chegar a minha calça onde estava meu pênis, desabotoo o zíper ainda com a flecha em meus olhos e segurou com sua mão direita com tanta força como se quisesse arrancar, ajoelhou-se e colheu os colhoes a boca com sua língua, frenética e ofegante abusou–me até minha explosão orgástica, minhas mãos quase que arrancavam seus cabelos, chupou-me como se fosse um mendigo que encontra o pão. O tempo, não contei, se demorou? Não lembro. Ao final de seu prazer direcionou-se ao espelho e do bolso de sua calça vermelha tirou um batom, arrumou seu cabelo e desceu as escadas em direção em nossa mesa. Não tive outra ação, apenas um pênis  vivo, e coragem de gemer. 

Descia as escadas agindo como se nada houvesse acontecido, e por dentro signos de medo a decifrar. Como me comportar à mesa após uma quase cópula com a adjuntora de um dos conhecidos a mesa?Ao final das escadas vejo ao longe com suas mochilas o casal de italianos deixando esta inerte cidade sem olharem para traz.

-Demorou, disse meu amigo escritor. Respondi com apenas um sorriso tremulo entre os dentes. Ele continuou:
-A garota beijou seu namorado e deixou este bilhete para você.
Sentei-me, abrir o bilhete e estava escrito:

“Ora sono bravo ragazzo, vengono a mangiarti”

segunda-feira, janeiro 2

BABOSEIRAS ROMÂNTICAS

Outro dia estava lendo algumas coisas escritas pelos homens; coisas de amor, saudade, coisas, como posso dizer, bonitas, lindas que fazem agente suspirar. Ai! Ai! Outro dia, eu também estava escutando as canções mais lindas, mais dor de cotovelo, que o meu até doeu tanto, que mal pude acabar de escutar. Reparei que os homens são uns bobos quando estão apaixonados. Quanta idiotice! Como dizia Drummond: “Todas as cartas de amor são ridículas”... E são mesma, quanta bobagem! Vocês devem está pensando que não sou romântico?! Na verdade, literariamente, eu sou mais simbolista-decadentista com pintadas realistas e naturalistas.

Aquele amor arrebatador, de Tristão e Isolda, de Romeu e Julieta, de Dante e Beatriz, de Ana Amélia e Gonçalves Dias de... Ah bom! Eu teria que listar todos os amores arrebatadores aqui ai teria que precisar do livro Paixões: amores e desamores que mudaram a história de Rosa Montero, que, aliás, muito bom. Vale à pena! Mas o assunto em questão são as baboseiras românticas, como eu diria: “mamão com açúcar”, que enchem o saco. Conheço um cara que, pelo amor de Deus, Zé cueca. A garota não quer mais ele, disse com todas as letras do alfabeto: EU NÃO QUERO MAIS! E ele insiste. Idiota! Outro ,este dá pena, a moça foi embora com outro, deixou um dívida enorme para o coitado pagar e ele até hoje fica procurando um moça com as mesmas características da outra.EU NÃO AGUENTO! È muita burrice! Os casos são enormes tem outros, este não existe, a esposa pinta e borda com ele. Aliás quem pinta e borda é ele mesmo. O cara faz tudo em casa. Tudo mesmo! E o moçinho fala 24 horas sobre a mulher. Ela é isso. Ela faz isso! Ela é...Mas como ela faz tudo? Se ele é quem faz? Não entendi!

 Bom e o Amor? Onde ele está? Não sei, juro. Acho que ele é uma invenção da literatura, da música, das artes plásticas para venderem coisas. Estou sendo amarga, talvez sim! Mas é que os homens escrevem cada baboseira de Amor e o pior de tudo é que agente ainda curte, gosta e cai nesta baboseira e fica perdidinha, principalmente, quando eles não ligam. Haja baboseiras românticas! Estou precisando, alguém???

sexta-feira, agosto 12

Sobre a tristeza gostosa dos cachorros e dos homens


Petit. Foto de  Cris Lima

Para Diego e Petit
Viemos andando nós dois, no carro pela madrugada estrelada das ruas do Cohatrac. Não sei ao certo porque você disse que estava triste. E foi muito engraçado porque eu tinha acabado de ver uma cachorra e ela sempre me parecia triste. Bem obesa, mal conseguia ficar de pé. Sempre a via deitada de papo para cima, parecia que meditava sobre sua vida tediosa de cachorra.

Você, meu amigo, meu irmão, me olhou e disse como se esperasse uma resposta positiva para aquela tristeza que você mesmo qualificou de “tristeza gostosa”. Fiquei me questionado -“ O que seria uma tristeza gostosa?”  Será que seria a mesma tristeza que aquela cachorra estava sentindo? Será que ela estava sentido falta do ossinho para roer, da comida no prato, ou do afago gostoso de seu dono? Não sei. Só sei que não era nada gostoso ver sua tristeza, meu amigo, com aqueles olhos caídos e aquele jeito de quem não está nem ai para mundo e de quem decidiu pouco se importar com a opinião alheia. Mas, os olhos tristes da cachorra não me saíam do pensamento.

Lembrei do meu cachorro em casa, lembrei da alegria infantil e dos pulos acrobáticos dele ao escutar o freio de mão puxado. Lembrei dos seus olhinhos, da maneira como balança o rabo, do latido quando persegue o gato da vizinha e lembrei mais da tristeza de quando saio e não o levo . Ele fica com rabo baixo , olha para cima e medita. Acho que da mesma forma da cachorra obesa.

Lembrei de você, meu amigo, que estava ainda do meu lado, dialogando sobre sua tristeza gostosa, da falta de amor, dos meses sozinhos, dos projetos, da vida... E eu só lembro que disse: “- Os cachorros são as criaturas mais tristes que existem” E você, meu amigo, respondeu: -“Por isso que gosto deles, eles parecem comigo”.

sexta-feira, agosto 5

Os homens são covardes


Tive uma conversa com um amigo que esteve aqui em casa durante as férias. Contava sobre sua saúde e, especialmente, sobre um exame que iria fazer. Estava visivelmente com medo, sua testa suava e suas mãos pareciam inquietas. Imaginei de qual exame se tratava, seria o terrivél.... Vocês sabem!Como os homens são convardes. Evitei dizer a ele se conhecia o tal do Papa Nicolau ou melhor a mamografia, ou mais a tal da cólica todo mês, ou ainda a dilatação dos ossos pélvicos na hora no parto. Eita! Disse que não ia falar! Cala a boca, Cris!

Em outro dia recebo a visita de um outro conhecido(às vezes sou psicóloga ).Um cara casado, com um filhinho de 3 anos. Casou assim, vamos dizer... às pressas por um descuido. Dialogmos muito, sobre diferente tópicos de nossas vidas, até que chegamos no ponto de seu casamento. Assunto delicado! Senti uma grande tristeza naqueles olhos meio castranho esverdeados, um arrependimento, uma vontade de jogar tudo para cima e ser feliz. Feliz mesmo! Pois isto não conseguia perceber em seus olhos. Pobre de meu amigo! Pagando por um erro que cometeu.

Às vezes fico divagando sobre estes tipos de relacionamentos e coisas que os homens têm uma fobia de fazer. Quantas vezes estão presos em escritórios, usando sapatos, ternos , gravatas e outras tantas coisas que os prendem. Têm uma vida burocrática ou melhor burrocrática. Admiro aqueles que sabem a hora de dizer NÃO(é óbvio que isto não se aplica a todos os seres do sexo masculino), aqueles que sabem dizer SIM para a vida , aqueles que demonstram coragem, bravura diante da encruzilhada da vida. È engraçado como, os homens sempre estão associados a visão de músculos, de virilidade , de destemidos... Mas, na verdade são todos indefesos, inseguros e imaturos, uns covardes(alguns, hein gente!)

Encontrei um desses amigos, num dia desses e percebi nele um olhar de satisfação. Peguntei o que havia acontecido ele me respondeu: " Cris, sou agora dono do meu próprio negócio, percebeu minha barba grande?" Eu disse sim com um sorriso de satisfação por vê-lo feliz. Mas, algo ainda o incomodava. " Não sou ainda dono do meu coração " E eu disse "Por quê? " . "Ainda não conseguir me libertar daquele casamento de conveniência, ainda pago a conta do erro, minha dívida parece nunca acabar, mas um dia eu me liberto". Eu disse: " Claro que sim, meu amigo" . Mas eu pensei mais alto com as rosas que enfeitavam meu vestido. Os homens são de fato uns belos covardes.