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terça-feira, novembro 10

Top 5 - Livros Essenciais da Literatura Latino-Americana

        A literatura latino-americana sobressaiu no século XX com escritores excepcionais como Jorge Luis Borges, Gabriel Garcia Márquez, Juan Rulfo, Carlos Fuentes, Mário Vargas Llosa, Roberto Bolaño, Ernesto Sabato, entre outros. O "boom" da literatura latino-americana representou uma autoafirmação da cultura latina e do seu povo, muitas vezes subjugado pelos europeus e pelo neocolonialismo brutal do Estados Unidos. Mesmo com tantos entraves, houve durante todo o século passado na América Latina uma enxurrada de grandiosas obras literárias, que foram cultuadas pelos leitores do mundo afora, mas elencamos aqui três romances e dois livros de contos de escritores latino-americanos (pertencentes ou não ao "boom"), excetuando-se os brasileiros. Apresentamos, nesta referida lista, obras de autoria de dois escritores argentinos, um colombiano, um mexicano e um uruguaio. Então, se deliciem com as indicações abaixo, e tenham uma boa leitura.

1 - Cem Anos de Solidão de Gabriel Garcia Márquez

  
2 - Pedro Páramo  de Juan Rulfo


3 - O Aleph de Jorge Luis Borges

  
4 - Pássaros na Boca de Samanta Schweblin


5 - Contos de Amor de Loucura e de Morte de Horacio Quiroga


segunda-feira, janeiro 14

Hilda Hilst - Transcomunicação.





Hilda Hilst foi uma importante poetisa brasileira com prêmios importantes em diversos gêneros literários. No ano de 1979 o programa fantástico da (Rede Globo) fez uma reportagem com a poetisa, segundo a mesma ela estava envolvida em experiências com (TCI – Transcomunicação Instrumental). TCI trata de experimentos que visam à comunicação com os mundos dos mortos, através de aparelhos de comunicação (Rádio, Televisão, Computadores e outros). Nessa reportagem Hilda Hilst afirma que se comunicou com o espirito de sua mãe através de um desses aparelhos, ela fala também que estava bastante antenada sobre o assunto, estaria inclusive na época trocando informações com especialistas europeus no assunto.

quinta-feira, abril 5

Off Flip

Estão abertas até 30 de abril de 2012 as inscrições para a sétima edição do Prêmio OFF FLIP de Literatura. Criado em 2006 como parte da programação literária da OFF FLIP, o Prêmio oferecerá aos poetas e contistas vencedores R$ 11 mil no total, além de estadia em Paraty, ingressos para mesas de debate da FLIP e cota de livros da editora Record. Os textos serão avaliados por escritores de expressão no cenário literário brasileiro e os 30 finalistas serão publicados em coletânea pelo Selo Off Flip. A premiação acontecerá entre 4 e 8 de julho de 2012 paralelamente à Festa Literária Internacional de Paraty. O regulamento pode ser lido no site.

sábado, junho 25

Um flâneur no Rio


Por Cris Lima
Era perambulando pela cidade que o flâneur tornava-se livre. Livre para compor seu leque de desejos. Era vagando pelas ruas dantes sem luz, que ele tentava enxergar por entres os paralelepípedos, pelo lixo, pelas vitrines a inspiração para a melancolia e o tédio que adornavam a vida moderna. “A rua se torna moradia para o flâneur que entre fachadas dos prédios, sente-se em casa tanto quanto o burguês entre suas quatro paredes. Para ele, os letreiros esmaltados e brilhantes das firmas são um adorno de parede tão bom ou melhor que a pintura a óleo no salão do burguês.”(BENJAMIN, 2003 p. 35).
O flâneur que passeava, nos bulevares, “comum”, como todos, parecia misturar-se a multidão para dela extrair o que mais de frívolo existisse. Além de fazer sua observarão patológica do seres que habitavam as ruas, o flâneur almejava, também, buscar um certo distanciamento dos acontecimentos observados por ele.
O Rio de Janeiro do início do século XX ofereceu condições, por assim dizer, patológicas, para o surgimento desta figura que passeava de modo inteligente pelas ruas. João do Rio foi o nosso flâneur. Apesar do calor, da aparente mestiçagem da população do Brasil, tão diferente da cidade-modelo, Paris. A arte de flanar instaurava-se na capital da recente república brasileira. O olhar lançado por João do Rio à cidade era o mesmo de Baudelaire sobre sua Paris. Afinal, ambas, foram banhadas pela onda da Modernidade, da Velocidade, da Artificialidade.
O ato de vagar, ou melhor, de divagar pela cidade recém modernizada, fazia com que João do Rio encontrasse nos redutos mais longínquos, por entre becos, botequins, vielas, aqueles seres marginalizados pelo progresso, que nos salões da “Belle Époque“ carioca não cabiam. Contudo, em seus contos e crônicas, tipos como prostitutas, cafetões, ladrões, assassinos, jogadores, alcoólatras, suicidas, homossexuais tinham lugar privilegiado no teatro da realidade da cidade moderna. Era nas ruas cariocas que nosso flâneur defrontava-se como os homens mecanizados pelo progresso dos seus automóveis a enfeitarem, com fumaça a paisagem urbana do início do século XX. “O automóvel é o símbolo do novo tempo, avassalador e vertiginoso, trazendo consigo alterações radicais na fisionomia urbana”. (RODRIGUES. 2003, p.130)
Era através da distração de forma inteligente que o flâneur brasileiro captava para si a crônica da vida cotidiana. O sujeito passeava quase que vertiginosamente, sentia o tédio e a melancolia de ser envolto pela uniformidade que a modernidade trazia. Era congestionando-se pelas pessoas na Rua do Ouvidor, frequentando o Teatro Municipal que, João do Rio desenhava as figuras mais excêntricas de seus contos, buscando assim, mostrar o que hoje parecemos viver a frivolidade da cidade moderna, o simulacro da vida urbana, o corre-corre em busca do capital, a crise de valores, a depressão, o sentimento de niilismo diante das coisas.
A urgência da vida parecia criar parasitas, vermes, tal como, já descrevia Kafka em seu livro A metamorfose. A degradação psicológica e física do homem moderno que se encontrava perdido em sua vida de consumo e que achava refúgio no suicídio.
A modernidade fazia da rua um labirinto de possibilidades ao “homem das multidões” perde-se ou encontra-se diante de uma vitrine, ou dentro de uma galeria, ou num café a contemplar por cima a vida miserável da metrópole burguesa.
Coube a João do Rio, nosso flâneur, descortinar a falsidade vivida pela sociedade carioca, desvendar a vida de aparência que importava tudo; gestos, falas, andares, costumes europeus. O mundo visto por João do Rio era a representação do riso falso da moça no bulevar a flertar com o janota de cartola, o cumprimento “cortês’’ do banqueiro, feliz por acertar mais um negócio.
O Rio de Janeiro no início do século apresentava ares de uma grande feira, onde tudo era possível de ser negociado, e o flâneur ávido por observação vislumbrava paciente, quase indolente, talvez inebriado pela fumaça dos automóveis a vida agitada da cidade.

REFERÊNCIAS:

BAUDELAIRE, Charles. Sobre a Modernidade.Org: Teixeira Coelho Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2004.
BENJAMIN, Walter. Obras escolhidas III: Charles Baudelaire: Um Lírico no Auge do Capitalismo. 3 ed. – São Paulo Editora brasiliense,2000.
CUNHA, Helena Parente. Melhores contos de João do Rio. São Paulo: Global, 2001.
BROCA, Brito. Naturalistas, Parnasianos e decadentistas: vida literária do Realismo ao Pré-Modernismo. Campinas, SP. Unicamp. 1991.