sábado, março 25

Desmilitarizar a polícia é a saída? Uma discussão longa e profunda, mas humanizar sim é necessário e preciso


Brasil já certo tempo vem passando por uma crise no sistema de segurança pública, em razão disso há um clamor popular por penas mais severas como a pena de morte por exemplo, o que eu particularmente sou contra, porque seria aplicado somente para os pobres, negros e ladrão de galinha (você novamente com vitimismo e mania de perseguição).

Dados oficiais dos Direitos Humanos das Nações Unidas (ONU) aponta um genocídio à juventude pobre e negra nas periferias no país, seja pela polícia ou por organizações/facções criminosas, a probabilidade de um jovem pobre, negro e morador da periferia ser eventualmente confundido por ladrão/criminoso, ser abordado/detido/preso, agredido e/ou morto é maior a um branco jovem, pobre e também morador da periferia e mais ainda a um jovem branco, rico e morador de bairro de classe média/média alta ou nobre.

Os números apresentados pelas Nações Unidas que envolve a morte de jovens no Brasil na faixa de 14 a 29 anos beira a casa dos 80%, um verdadeiro genocídio que a sociedade brasileira e autoritária ignora estes números, e clamam a pena de morte justamente a esta camada social que é considerada um mal a ser combatido.

Enquanto os mesmos que clamam por pena de morte e penas mais severas a pobres, negros e ladrões de galinha ficam calados perante os criminosos do colarinho branco, o Eike Batista, por exemplo, preso recentemente pela Operação Lava Jato por crimes de corrupção ativa e organização criminosa foi tratado pela imprensa com extrema cordialidade com direito a selfie no aeroporto por pessoas que passavam no local.

Pena de morte e penas mais severas não será a saída para a solução do problema na segurança pública no país, e poderá acirrar ainda mais o ódio de alguns segmentos da sociedade a órgãos de segurança, no caso a polícia militar dos estados, a população das periferias e especialmente os jovens tem ódio aos policiais, os motivos os quais não preciso citar.

Quais os fatores então pela crise da segurança pública no país?
Um dos fatores se deve justamente o uso da força de segurança para uso privado, o caso bem nítido que eu posso apontar é o da Polícia Militar do Maranhão (PMMA), fundado em 1836, fruto da reivindicação das elites da província do Maranhão, especialmente que viviam no interior.
A PMMA foi criada de duas formas, com a criação da Guarda Nacional pelo governo imperial e a criação da polícia rural, esta última foi justamente um resultado da reivindicação das elites do interior da província que reclamavam das fugas de escravos, roubos de gado e saques a fazendas e comercio nas pequenas cidades.
O fator determinante para a criação da policia rural foi pra combater a expansão de comunidades quilombolas que estavam surgindo avassaladoramente, formado por escravos fugidos das fazendas que voltavam para promover saques, roubo de gado e fugas de mais escravos em toda a província do Maranhão.

Viajar para o interior da província foi pavoroso para elites dominantes e especialmente à noite com medo de serem atacados por quilombos, a elite escravocrata não estavam mais tendo controle de seus escravos em suas propriedades, em razão disso, o governo provincial criou a policia para garantir a segurança das propriedades dos senhores, ou seja, o governo estava ali garantindo a propriedade privada com recursos públicos.

Assim a elite dominante sempre usou a polícia como órgão mantenedor da ordem e seus interesses, muitos capitães do mato que trabalhavam nas fazendas dos senhores e promoviam a captura de escravos fujões foram incorporados a polícia rural, e sem contar que muitos migrantes oriundos do Piauí e Ceará que fugiam da seca foram recrutados forçadamente na base da violência.

A revolta da população pobre e marginalizada contra o recrutamento forçado e a violência praticada pela polícia foram determinantes para a eclosão da balaiada, observem que a polícia rural foi criada dois anos antes da revolta (Balaiada durou oficialmente de 1838 a 1841) que levou a grande massa de escravos, escravos fugidos (quilombolas), pobres e marginalizados a participarem ativamente da revolta.

Assim foi criado praticamente todas as demais policias militares dos estados no séc. XIX, para garantir a propriedade privada dos senhores de escravos, promover operações para captura de escravos fujões e destruir comunidades quilombolas, a formação foi na base da violência para recrutar a população pobre e promover capitães do mato, formado boa parte por negros.

Vale ressaltar que muitos escravos foram ingressados na polícia militar, como forma de recompensar as delações de escravos capturados, escravos que delatavam ao informar a localidade de comunidades de quilombos, em troca ganhavam a liberdade e “promoção” ao ingressar na polícia para ser um praça/soldado, a posição hierárquica mais baixa/inferior dentro da corporação que vigora até os dias de hoje.

Fiz essa analise histórica para compreendermos que o problema da segurança pública no Brasil está desde o seu surgimento com a criação dos órgãos de segurança, no caso a polícia militar dos estados, a cultura politica patrimonialista está enraizado nestes órgãos.
O propósito deste artigo desta vez não é atacar a polícia, e sim tentar mostrar o lado dos policiais e situações que ocorrem até mesmo dentro dos quarteis que a sociedade desconhece, em 2011 na primeira e histórica greve da PMMA, eu escrevi em defesa do movimento grevista que ficou instalado na Assembleia Legislativa do Maranhão naquele ano.

Até hoje sou criticado por defender a greve dos policiais, principalmente por ter utilizado o termo “herói” aos que estavam na greve, porque a primeira e histórica greve rompeu um dos pilares da corporação: ordem, hierarquia e disciplina.

A greve deflagrada foi uma ruptura e que até no ano de 2017 alguns que estavam naquele ato até hoje sofrem represálias, eu sempre falo que o policial na rua que serve para garantir a segurança e a ordem se necessário, é também o trabalhador.

O risco que corre um trabalhador e pai de família ao sair de casa para trabalhar e garantir o sustento do lar, é o mesmo que corre um policial, por trás da farda há homens e mulheres, pais e mães de família, nos últimos anos têm aumentado à morte de policiais de forma avassalador.

Aqui no Maranhão têm crescido assustadoramente, devido o aumento e surgimento de facções criminosas influenciados por facções de outros estados que vem organizando cada vez mais o sistema criminoso que assola todo o país.

As policias está enfrentando essas facções de forma desigual e sem a mínima estrutura que garanta a integridade física dos policiais, e para complicar, as comissões de entidade dos direitos humanos não sabem discernir os bons e maus policiais, que estes sim os maus são grandes responsáveis pela péssima imagem da corporação perante a sociedade e fazerem agir com indiferença mesmo que os policiais sejam vitimas do sistema criminoso, principalmente os policiais que procuram serem corretos.

E os mesmos direitos humanos são incapazes de sensibilizar e proteger policiais que sofrem da violência, havendo assim uma guerra ideológica, em que os policiais odeiam as comissões de direitos humanos que os denominam de “direito dos manos”, “protetor de bandidos e outros adjetivos” e enquanto integrante das comissões vê a policia como um todo agentes da repressão sem discernimento.

Quem perde com essa guerra ideológica e inglória é a própria sociedade, e para complicar ainda mais, há segmentos da esquerda que quer a desmilitarização, desarmar e inclusive o fim da polícia, todas essas discussões são válidas, mas a minha opinião pessoal, sei que todos irão discordar e me criticar ferozmente.

A presença da polícia é necessária, um mal, mas necessário, nós seres humanos na condição de raça humana e cidadão brasileiro que temos costumes no dia a dia do famoso “jeitinho brasileiro”, não estamos preparados a viver numa sociedade sem regras, sem leis e muito menos sem a polícia.

Vejam o que ocorreu em Vitória-ES, a polícia militar do estado ficou aquartelada, ou seja, os policiais não saíram nos quartéis para as ruas garantir a segurança de cidadãos. E o que deu? Saques a estabelecimentos comerciais, assaltos e roubos a luz do dia aos olhos de qualquer pessoa.

E pior, mais de 100 assassinatos na região metropolitana do Espírito Santo principalmente nos municípios de Vitória e Vila Velha, está certo que pode haver integrantes do governo estadual e da própria policia ter promovido e aproveitado o caos para os seus interesses, mas a ausência do órgão de segurança mostra o quanto é necessário a sua presença e que o indivíduo não está preparado a viver sem ela.

Outro fator que deve ser ressaltado é o que levou os policiais ficarem dentro dos quarteis, porque não foram eles que se rebelaram contra a ordem superior da corporação e nem do governo estadual, e sim à organização e mobilização de mães e esposas destes.

Só mães e esposas desses policiais sabem o que passam no dia a dia, a aflição de ver o filho/marido seu sair de casa sem a certeza se voltará, e lidar com transtornos emocional e psicológico em virtude da exaustiva tarefa no trabalho que é de altíssimo risco.
As mães/esposas não estavam reivindicando somente o aumento salarial, e sim segurança a eles próprios que trabalham sem a mínima proteção, enfrentam a criminalidade de forma desigual e ainda tem que se esconder dos criminosos quando a justiça os solta.
Mãe e esposa de policial também chora pela morte de seu filho e marido como qualquer outra mãe e esposa, e sem contar que as viúvas lutam na justiça por receber pensão de seus maridos falecidos e eventuais indenização do estado em casos que a morte do policial foi causado pelas péssimas condições de trabalho.
Policial soldado/praça é um trabalhador tanto quanto qualquer outro trabalhador, jornada exaustiva de trabalho, remuneração baixa para o trabalho que executa, os riscos que corre e sem a estrutura que garanta a sua segurança e a integridade física, e o pior, muitos moram nas periferias onde reina a criminalidade, expondo a si e a sua família, no Rio de Janeiro e em São Paulo, os policiais não moram ou evitam morar nas periferias para preservar a sua identidade e proteger a sua família das organizações criminosas.
O protesto das mães e esposas de policiais em frente os quartéis foi mais pela dignidade deles a remuneração de salário, até porque salário nenhum por mais alto que seja pode compensar se a vida for botada em risco, ainda mais que elas sofrem tanto quanto qualquer outra mãe e esposa, e incluindo os filhos, que esses sim sofrem muito mais se o pai não estiver presente e nem voltar mais para casa revê-los.
Desmilitarizar a polícia, desarmar e nem findar a instituição será a saída para a solução do problema na segurança pública, enquanto a criminalidade se fortalece cada vez mais, e quem perde é a própria população que fica refém, e em contrapartida, colocar mais policiais nas ruas e acabar com a bandidagem ao sair por aí matando somente, está longe de ser a solução do problema se não dar importância aos fatores socioeconômico e étnico-racial no país.

Humanizar a policia sim é preciso, não confunda o sentido de humanizar em afrouxar para a criminalidade, mas o discernimento de quem é bandido, suspeito e não tem envolvimento algum, e acabar o pré-conceito e pré-julgamento que todo morador de periferia é bandido ou no mínimo suspeito, principalmente com a população negra.

Humanizar a policia seria comparar e tratar em igualdade todos os demais trabalhadores, com a jornada semana de 40 horas no máximo e receber extras por horas adicionais, e ter a vida e da sua família sob a proteção do estado e trabalhar em condições adequadas e com extremo aparato protetivo para enfrentar a bandidagem.

Garantir a moradia digna e protetiva a sua família, tirando policiais nos bairros que reina a criminalidade principalmente nas periferias (infelizmente é a triste realidade, não podemos negar), porque a morte de policiais simplesmente por serem policiais vem aumentando em todo o Brasil, incluindo no Maranhão.

Contudo, na periferia existem trabalhadores e trabalhadoras que tentam ganhar a vida honestamente sob duras penas tanto quanto o soldado/praça, ambos são da mesma classe e sofrem por mesmos problemas no cotidiano, porque a culpa pelo caos na segurança eu afirmo categoricamente, são as classes dominante no país.

A solução da segurança pública seria o desvinculo das policias com o exército brasileiro que mudaria o estatuto (RDE-Regimento Disciplinar do Exército) e o conceito de ordem, hierarquia e disciplina que muitas vezes degrada a dignidade e a honra do sujeito que se submete a certas situações sem necessidade.

E o principal, a autonomia administrativa e financeira, as policias além de serem vinculadas ao exército brasileiro, é totalmente refém dos governos e da classe política que usa os órgãos de segurança a seus interesses pessoais, políticos e eleitoreiros.

Não é a toa que há cidades nos interiores que não existe policiamento, quando há, sem a mínima estrutura com a única viatura as vezes que responde mais de 1 ou 2 municípios, e para complicar, não há delegacia e nem delegado, sendo obrigado a exercer a função dos policiais civis que é cuidar dos presos.

A classe política não quer a autonomia das policias, muito menos a autonomia financeira e porque não querem? Um dos fatores é o legado negativo causado pela ditadura militar que assombra até hoje os políticos, principalmente os que viveram no período e foram presos e torturados.
As polícias militar e civil dos estados contribuíram para a repressão aos que ousaram combater o regime vigente, dar autonomia aos órgãos de segurança seria criar um estado policial, o que caminharia para o regime fascista, não é a toa que os partidos, organizações e entidades de esquerda não sonham de jeito nenhum com essa possibilidade.

Com alegação que iria monitorar e reprimir as entidades e organizações, como ocorreu no regime militar que os protestos eram reprimidos fortemente, sindicatos, entidades e partidos foram para a clandestinidade e as organizações eram feita de forma discreta, os comunistas e subversivos eram inimigos numero da nação (para os generais).

A classe política teme em razão dos últimos acontecimentos na politica como a operação lava jato deflagrado pela polícia federal e ministério público federal, essa operação como as outras só está ocorrendo devido à autonomia que a policia e o ministério publico tiveram nos últimos anos, o que a elite politica tenta de todas as formas acabar com a independência ou enfraquecer essas duas instituições.

O outro fator para a crise no sistema de segurança pública no Brasil é o forte aparelhamento nos órgãos de segurança, como assim? Todo dia se fala que a maioria dos estados federativos em especial o Maranhão, tem pouco efetivo, e boa parte das cidades só há um policial sem a viatura às vezes.

E exercendo o papel de delegado, escrivão e chefe de captura, funções exclusiva da polícia civil, e quando isso ocorre à segurança fica vulnerável, por isso as quadrilhas especializadas de roubo a banco só tem praticado assaltos no interior, e a maioria das vezes é realizado com êxito por causa da ineficiência do poder público.

A solução para o problema é a realização de mais concurso público em curto espaço de tempo e o melhor treinamento e formação de soldados? É uma das soluções. Quando eu me referi o aparelhamento, é porque ninguém fala sobre os policiais que estão fora de suas funções. Há policiais em diversos lugares e repartições, exceto no lugar que deveria estar nas ruas ou na própria corporação, no caso os quartéis.

Há policiais nos gabinetes de deputados, vereadores, prefeitos, governadores, secretários de estado, senadores e deputados federais, fora os que estão na politica com mandatos eletivos quadrienais, uns nos cargos de secretários, cargos de comissão nas secretarias e outras funções em repartições públicas.
Sem contar que há policiais as disposições de autoridades como os magistrados (desembargadores, promotores, juízes...), e acabam exercendo funções de segurança pessoal/guarda costa e motorista a ponto de trabalhar inclusive na residência nos finais de semana, sendo tratado como empregados doméstico, muitos policiais se submetem a isso em troca de favores como o nepotismo, que a sua família muitas das vezes é empregada em repartições pelos magistrados.
Policiais nas horas vagas trabalham de segurança em empresas privadas, sendo muitas dessas empresas os proprietários são da alta patente da corporação (oficiais, coronéis, tenente-coronel, comandante...) e usam a estrutura da policia principalmente os soldados/praças para colocar a sua empresa em funcionamento, um verdadeiro patrimonialismo.
Cada policial fora de suas funções é o policial a menos, esse é um dos motivos para haver pouco efetivos de homem nas ruas, a polícia militar dos estados no caso do Maranhão, exerce funções que não é dela, o papel da Polícia Militar é garantir a segurança ostensiva e permanente nas ruas, capturar bandidos e conduzir até as delegacias, ficando sob a responsabilidade da Polícia Civil.
No Palácio dos Leões, sede do governo do Maranhão e residência oficial do governador, havia em média de acordo com a informação dos blogs mais de 100 chegando ao número de 150 policiais, um contingente altíssimo para garantir a segurança exclusivamente do governador do estado, enquanto a sociedade clama por mais policiamento.
O atual governo do estado de acordo com os mesmos blogs, reduziu o número de policiais em média de 50 homens, e estes foram deslocados para as ruas fazer o patrulhamento em viaturas, atitude louvável, mas longe de resolver a problemática, porque não era pra haver nenhum policial no palácio do governo e muito menos fazer a segurança de quem esteja a frente do cargo de governador.
O governo do estado deveria criar uma polícia exclusivamente para manter a segurança no palácio e na pessoa do governador, como ocorre na esfera federal, quem garante a segurança no Palácio do Alvorada, Palácio do Planalto e Palácio do Itamaraty, residência oficial da presidência da república, local de trabalho da presidência e sede do ministério das relações exteriores do Brasil respectivamente, vice-presidência e ministros de estados é o Batalhão da Guarda Presidencial conhecido como “Batalhão Duque de Caxias” e os Dragões da Independência.
São unidades do exército brasileiro responsáveis exclusivamente pela segurança nos palácios e autoridades do poder executivo na esfera federal, especialmente do presidente da república, a Polícia Militar do Distrito Federal não é acionada para garantir a segurança nessas localidades, e nem no judiciário e o legislativo porque há polícia exclusiva para as autoridades, principalmente no Congresso Nacional que fica o Senado Federal e a Câmara dos Deputados que têm a polícia legislativa nas duas instituições.
Não é a toa que o Distrito Federal tem maior contingente policial no país, ou seja, há polícia sobrando enquanto na maioria dos estados federativos há escassez, no Maranhão não há policia legislativa para garantir a segurança do Palácio Manoel Beckman (sede da Assembléia Legislativa do Maranhão) e dos 42 deputados.
Assim como o governo do estado do Maranhão e o Tribunal de Justiça do Maranhão também não têm a sua polícia exclusiva para garantir a segurança predial e das suas autoridades, é a Policia Militar do Maranhão que faz a segurança predial/patrimonial e das autoridades nos três poderes do estado, cada policial fazendo segurança nessas localidades é um policial a menos nas ruas para proteger a sociedade.
E sem contar que é a policia que realiza os blitz nos trânsitos que deveria ser a função dos guardas de trânsitos, a seguranças nos portos onde deveria haver a polícia portuária responsável exclusivamente para proteger os portos do nosso estado como o Itaqui, é a policia que garante a segurança nas rodovias estaduais, tanto que existe a Polícia Militar Rodoviária, unidade da PMMA, mas no estado não existe a Polícia Rodoviária Estadual como existe em alguns estados como São Paulo por exemplo, e é novamente a polícia que garante a proteção nos presídios e dos presos junto com a polícia civil porque não há polícia penitenciária.
A solução para o problema da segurança pública no Brasil e no Maranhão em especial é a criação de polícias exclusiva para cada finalidade, como já existe na esfera federal como a Polícia Rodoviária Federal e Polícia Federal, por exemplo, tem quer ser criado em maioria dos estados onde não há a polícia portuária, polícia universitária, polícia ferroviária, polícia rodoviária estadual, polícia costeira, polícia penitenciária e outros se forem necessário.
Tem que serem criadas essas polícias com a finalidade especifica e dar autonomia administrativa e financeira, como também a Polícia Civil e o Corpo de Bombeiros Militar, tem que ser independente dos três poderes e independentes uma da outra.
O problema da segurança pública no Brasil e no Maranhão está além da falta de homens, o problema é estrutural que a elite política e a elite como todo principalmente dos três poderes não querem que haja mudança porque tratam os órgãos de segurança como seus capatazes e capitães do mato, e os usam para os seus interesses na esfera privada, um notório patrimonialismo, coronelismo e até mesmo o voto de cabresto.
















sábado, fevereiro 18

Um tirano governando a democracia?


Desde o dia 20 de janeiro com a posse do Donald Trump a presidência dos Estados Unidos, o país vem passando por uma convulsão em virtude de alguma das medidas feita pelo presidente ianque. Uma delas é a construção do muro da fronteira entre os EUA e México, colocando a conta para o governo mexicano pagar pelo muro construído, e o presidente mexicano Henrique Nietto se recusa.

E a mais polemica delas, é a proibição da entrada de novos refugiados muçulmanos ao país, principalmente em países que estão em áreas de conflito como a Síria, por exemplo, o estopim para o desgaste de um novo governo que assumiu a menos de um mês.

E o mais agravante, é que Trump está implementando essas medidas em decreto, ou seja, não estabeleceu o dialogo com a sociedade e muito menos com o parlamento americano, sendo que a maioria dos senadores e deputados é do partido republicano e base de apoio ao presidente.

Portanto, não há necessidade do presidente implantar ações do seu governo somente no decreto, sendo que tem maioria do congresso para aprovar em lei, nem Barack Obama que governou o país em dois mandatos ousou governar somente com decreto e não estabelecer o diálogo com o parlamento sendo maioria oposição, o Obama tinha mais razões para governar e aplicar ações de governo somente em decretos por motivos citado anteriormente.

E para complicar o seu governo, o poder judiciário do país através da suprema corte vetou alguns decretos principalmente sobre a imigração de refugiados, instalando uma crise institucional de dois poderes, o executivo e o judiciário, talvez nunca antes visto na história dos EUA e muito menos recente.

Trump não foi eleito pela maioria dos eleitores e sim por delegados num complexo sistema eleitoral, se a Dilma Rousseff aqui no Brasil foi eleita por 54 milhões de votos numa diferença apertadíssima de pouco acima de 50% dos votos sobre o seu adversário Aécio Neves, e teve um forte desgaste que resultou num golpe parlamentar-burguês-midiático-judiciário, e imagine o Donald que foi eleito sem a maioria dos eleitores dos EUA?
A mesma população com os eleitores estão ocupando as ruas e avenida nas cidades ianques protestando contra as ações que coibi a vinda de imigrantes e a construção do muro na fronteira com o México, os protestos são quase que diário.

Até quando o povo vai aceitar um presidente como Trump? Nem George W. Bush que foi também um tirano/fascista, mas para o resto do mundo, porque dentro do seu país o mesmo respeitou os poderes legislativo e judiciário e implementava as ações com o apoio destes poderes com leis aprovadas, e tinha uma relação de cordialidade com a imprensa, ou seja, governou como estadista e democrata para os americanos e tirano para o resto do mundo principalmente aos seus inimigos como Afeganistão e Iraque que invadiu estes países e derrubou os Talibãs e Saddam Hussein no poder respectivamente, com o apoio da população em virtude do atentado ocorrido no dia 11 de setembro em 2001 que o grupo Al Qaeda liderado por Osama Bin Laden derrubou as duas torres, o World Trade Center em Nova Iorque, uma afronta para o governo e a população que foi atingida e teve o orgulho americano ferido.

Donald Trump é o inverso, EUA tem a tradição de propagar e servir de referencia para o mundo, exemplo de democracia, a terra das oportunidades, a conquista do sonho americano e o estilo americano de vida para os outros povos principalmente nos países mais pobres incluindo o Brasil, mesmo com a restrição e discriminação aos estrangeiros especialmente aos latinos e mulçumanos, o país se desenvolveu justamente com os imigrantes.
Em razão disso, há uma tolerância das entradas dos imigrantes como forma destes alimentarem o discurso da conquista do sonho americano e obter a ascensão social com a aquisição bens como carro, casa e ganhar “bem” mesmo sendo um pedreiro, contribuindo para diminuir o sentimento anti-EUA em países pobres.
Será que o Trump vai governar até o fim do mandato? Será incomodo para um país e uma nação que propagam ideais democráticos e republicanos, mas ter um presidente tirano que desrespeita os poderes e não estabelece um dialogo com a imprensa e a sociedade.
As suas ações pode provocar até mesmo uma guerra com países que mantem relações cordiais como a China por causa da ilha do pacifico que o governo chinês reivindica como seu e os EUA tem o interesse de apropriar para instalar a sua base militar.
Podendo ocasionar a eventual terceira guerra mundial, porque o cenário mundial está propicio em virtude da crise econômica global, desemprego global, queda de governos com os golpes de estado como no Brasil, Líbia, Paraguai, Honduras, Egito, Afeganistão, Iraque e outros países que estão em conflito como a Síria e para piorar, a questão dos refugiados, algo que não ocorre na dimensão desde antes e após a segunda guerra mundial e a ascensão da extrema direita no mundo, à eleição do próprio Trump é a prova.
Barack Obama fez o seu governo pautado no diálogo, ou seja, sem guerra, foi assim com o Irã ao convencer o governo iraniano a desfazer da política de segurança nacional com a fabricação de armas químicas com o uranio, em troca do governo dos EUA retirar sanções econômicas ao país, uma reaproximação entre os dois países desde a revolução islâmica que resultou num rompimento entre os dois países.
Foi também com a reaproximação ao governo cubano, o que não ocorria desde a revolução cubana com a queda do ditador Fulgêncio Batista e a ascensão ao poder do Fidel Castro, Raul Castro e Ernesto Che Guevara, com a reabertura das embaixadas dos dois países nas capitais, Washington e Havana, capital dos EUA e Cuba respectivamente.
Trump ameaça desfazer os acordos feito pelo Obama, e para complicar ainda mais e causar revolta ao povo americano, pretende desfazer do programa social criado pelo ex-presidente, o Obama Care, um programa de saúde equivalente à bolsa família no Brasil para as famílias que não tem condições de obter o plano de saúde que são caros no país, e ficou mais caro ainda o acesso com a crise econômica desde de 2008 ainda no governo Bush, pouco antes da posse do Barack Obama em 2009.
O sistema de saúde dos EUA é praticamente privado, ou seja, são escassos a existência de hospitais públicos, há postos público administrado pelo governo federal e governos estaduais, mas não garante atendimento de alta complexidade, somente para atendimentos básicos, os hospitais de complexidade são gerenciados por grandes empresas que faturam bilhões/trilhões anualmente a custa de muitos cidadãos que se endividam para ter o plano de saúde.
O Donald Trump é crítico ferrenho do Obama Care, e ameaça de acabar com o programa, para complicar ainda mais pro seu lado, o mesmo não tem o apoio unanime do partido republicano que é a sua base de apoio no congresso, alimentando ainda mais a revolta da população, especialmente dos beneficiários do programa.
O outro fator que vai desestabilizar o seu governo, é o confronto étnico-racial no país em virtude da violência policial a população negra, o Trump antes da eleição disse que caso seja eleito, a pessoa será condenado à morte por matar o policial, a declaração foi feita justamente num contexto que assola todo país pela morte de negros por policiais brancos.
Sabemos bem que cada morte a um negro por policial branco causa uma revolta generalizada em todo país ocasionando um revanchismo, uma guerra civil étnico-racial que o pais viveu nos anos 1960 que esteve a beira, só foi contido com implantação de políticas públicas como as cotas raciais nas universidades e repartições publica através de concursos.
EUA sempre preservou a estabilidade dentro do seu território, todos os presidentes que passaram fizeram isso, foi assim com o Abraham Lincoln ao abolir a escravidão ao custo de muitas vidas pela guerra civil decretado por ele porque o sul queria se desmembrar do norte e após o fim da guerra e aprovação da lei que revogava o sistema escravocrata, mesmo com o suposto suborno a parlamentares na época principalmente os que estavam indecisos, muitos ex-escravos foram indenizados ao receber lotes de terra dos seus antigos senhores, o que ocasionou assassinato ao presidente praticado por um escravista que perdeu suas terras para os seus ex-escravos.
A criação de cotas como foi dito anteriormente e a garantia dos direitos civis que eram negados em lei a povo negro, foi uma forma que o país evitou de entrar numa guerra civil étnico-racial que poderia causar o desmembramento de muitos estados habitados por maioria da população negra como a Filadélfia e Nova Orleans por exemplo.
Trump poderá causar justamente uma guerra civil étnico-racial no próprio país, principalmente se implantar pena de morte aos que matarem policiais num contexto atual em que os negros estão sendo morto por policiais brancos, o que as autoridades e a própria população não quer, tanto os negros quantos os brancos, e por isso muitos brancos tem se juntado a população negra em todo país para protestar contra a violência policial, e a população negra tem recebido com total aceitação.
Os próprios ianques não querem uma guerra civil dentro do seu próprio país, até por uma política de segurança nacional para evitar eventual ataque inimigo e de grupos terrorista como o estado islâmico que é inimigo de governos do ocidente.
Até quando vai governar de forma autoritária e monocrática? Até quando o governo resistirá a fúria popular e o boicote dos poderes como do legislativo e do judiciário? Até quando a imprensa vai aceitar a eventual censura do governo a seus editoriais de jornais? O mundo todo está de olho neste governo que em menos de um mês enfrenta a popularidade baixíssima antes de assumir a presidência.



segunda-feira, janeiro 9

Os golpistas já não falam mais a mesma língua



O afastamento definitivo da Dilma Rousseff, deposta do cargo de presidente da república federativa do Brasil por uma manobra golpista comandado pela elite política, elite econômica, elite industrial, elite do judiciário e da elite dos meios de comunicação colocou o país a instabilidade política sem precedentes e longe da estabilidade politica, econômica e social.

Nos últimos dias temos visto a briga de poderes entre o judiciário e o legislativo ocasionado pela operação lava jato, deflagrado pela polícia federal e ministério público federal há dois anos (desde 2014), a fase da operação está pegando em cheio a cúpula de líderes dos partidos que orquestraram o golpe, o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) e o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), com os acordos de leniência, ou seja, delação de empresas envolvidas no esquema de corrupção que durante anos roubaram os cofres da Petrobras.

E entre as empresas é a Odebrecht, que há tempos assinou o acordo de delação premiada através de 77 ex-executivos que resolveram falar tudo que sabem, e antes da delação bombástica que irá sacudir o governo golpista, que só agora a imprensa resolveu revelar após o processo do impeachment da Dilma Rousseff ser consumado.

E antes da divulgação da mídia que revela na íntegra a delação da Odebrecht, a sessão plenária na madrugada e calada da noite na câmara dos deputados foi aprovado o projeto de lei que combate a corrupção que é iniciativa do ministério público federal e dos estados e da população que contém 10 medidas, e essas medidas foram alteradas que causou revolta dos membros do ministério público e do poder judiciário.

E essa revolta se deve num dos artigos que combate o abuso de autoridade e envolvimento de atos ilícitos envolvendo membros do judiciário, o que obviamente não agradou os agentes, que se sentiram diretamente afetado com esse projeto de lei modificado por parlamentares.

Se pensar bem de forma mais apurada, a câmara dos deputados agiu corretamente de alterar a lei e incluir membros do poder judiciário e do ministério público no combate ao abuso de poder e autoridade e no envolvimento em atos ilícitos que macula a imagem do judiciário que tem o papel de zelar a lei, constituição e mediar conflitos na sociedade.

Porque ninguém está acima da lei e de acordo com a própria constituição federal, somos todos iguais perante a lei, portanto, estão certo os parlamentares de fazerem a modificação para aprimorar melhor a lei e abranja todos os cidadãos para que ninguém fique impune ou imune.

Entretanto, para ser bem honesto, essa aprovação na câmara dos deputados veio como forma de retaliar integrantes do poder judiciário e ministério público, e porque essa retaliação? Dilma Rousseff quando sofreu o impeachment por crime de responsabilidade fiscal, crime esse de fato nunca comprovado e praticado por todos os governos passados e incluindo o atual que agora tem autorização pra pedalar livremente porque foi aprovado pelo senado federal que afastou a presidente por praticar pedaladas (contraditório não?), por trás na verdade era barrar a operação lava jato.

A classe política com imensa e ampla maioria envolvidos em crimes de todos os tipos, especialmente no desvio de dinheiro da Petrobras, está amedrontada com eventuais prisões.

A lava jato colocou na cadeia pela primeira vez na história do Brasil um senador em pleno exercício do seu mandato, o Delcídio Amaral, do Partido dos Trabalhadores (PT), e também do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) onde ocupou cargos técnicos da ELETROBRÁS (Elétricas brasileira/ a estatal que gere o sistema energético do Brasil) durante o governo do Fernando Henrique Cardoso nos mandatos de 1995-1998 e 1999-2002.

A operação colocou na cadeia integrantes e lideres do PT como José Dirceu, ex-ministro chefe da casa civil no governo Lula, João Vaccari Neto ex-tesoureiro do partido e Antônio Palocci ex-ministro da fazenda e da casa civil nos governos Lula e Dilma respectivamente.
A prisão das lideranças do partido ajudou a desgastar o partido e o governo da Dilma que foi reeleita em 2014 com a diferença apertadíssima, mas o desgaste aumentou ainda mais e no primeiro ano de mandato do segundo mandato em 2015 a sua popularidade baixou de forma avassaladora, ocasionado pela crise econômica, inflação alta (10% para os dias de hoje, longe dos 80% ao mês e 1000% ao ano durante o governo Sarney de 1985 a 1990) e desemprego.

Os fatos mencionados acima foram o estopim para a crise política ocasionada pela oposição que perdeu mais uma eleição, e a base do governo descontentes com o governo da presidente estavam temerosos com a lava jato em razão da Dilma Rousseff não ter interferido de forma direto e efetivo os rumos da operação e para complicar, a mesma sancionou a lei da delação que está sendo aplicado nos últimos desdobramentos da operação envolvendo grandes empresas como a Odebrecht.

O afastamento da presidente deposta por um golpe parlamentar-judiciário-midiático-empresarial foi na verdade barrar a lava jato, pois os rumos da operação estão chegando justamente da elite judiciária, elite política, elite empresarial e dos meios de comunicação.
Porque a lava jato está desestruturando e desarticulando toda a cadeia criminosa que envolve a elite do país de todos os segmentos que foram citados, nunca na história do Brasil (parafraseando o ex-presidente Lula) se viu tanto bandido do colarinho branco estar estampado nas primeiras páginas de jornal e centro de notícias nos telejornais sendo acusado por algum crime.

O que era comum pobre, negro e ladrão de galinha ocupar as primeiras páginas e ser alvo de matérias jornalística nos telejornais para manipular a opinião pública e incitar estes serem favoráveis a penas mais duras como pena de morte.
As elites envolvidas nesse esquema de corrupção que roubou os cofres da Petrobras durante anos estão sentindo a hostilidade da mesma opinião pública, mas sem pregar a pena de morte a estes, somente aos pobres, negros e ladrões de galinha.

Lembram das escutas telefônicas revelada pela imprensa entre o senador Romero Jucá do PMDB e o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado que o primeiro revela que há o grande acordo nacional envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), políticos envolvidos e empresários/empreiteiros pra tirar a presidente e estancar a sangria (acabar com a operação lava jato)? Pois é meu amigo, o Impeachment foi apenas um pretexto, desculpa esfarrapada pelos mentores do golpe.

E você que foi às ruas vestido de verde e amarelo, segurando o pato da Federação da Indústria do Estado de São Paulo (FIESP, entidade que representa a elite empresarial e especial a industrial, a financiadora do golpe) e pedindo Fora Dilma/Fora PT pelo fim da corrupção, está vendo os podres virem a tona, e nessa altura deve estar arrependido de ter sido usado como marionete ou massa de manobra por aqueles envolvido em todo o esquema de corrupção e tiraram a presidente em até o presente momento não tem o nome citado na delação premiada da Odebrecht e sancionou a lei da delação que está sendo aplicada por agentes do ministério público na lava jato.

Com ameaça evidente da classe política em barrar a lava jato, principalmente em aprovar a lei de abuso de autoridade que visa punir membros do judiciário e do ministério público federal e estadual, procuradores da operação na pessoa do procurador Deltan Dallagnol e o juiz Sérgio Moro, ameaçaram renunciar as suas funções, um evidente risco da lava jato parar com a renúncia destes operadores.

A permanência da operação se tornou uma questão de honra e uma forma de retaliar a classe politica que ameaça em barrar através de leis e decretos aprovado no congresso nacional, e além do mais, o golpe continua em curso no país e está mirando o atual governo.

A grande mídia já está bombardeando, desde a posse no dia 12 de maio como interino já caíram 6 ministros, todos por causa dos escândalos de corrupção, tráfico de influencia e tentativa de obstrução de barrar a lava jato.

Não estou criticando a lava jato, sempre defendi a operação e as ações dos agentes, e em especial do juiz Sérgio Moro, mas infelizmente a operação foi contaminada e usada pelas elites para atacar o governo da presidente Dilma até derrubá-la, associando os roubos da empresas exclusivamente ao governo petista, não estou inocentando os envolvidos, que fique bem claro.

Como disse anteriormente, a operação vem desarticulando toda a cadeia criminosa que as elites estão envolvida até a alma, roubo da Petrobras já vem durante anos, e infelizmente os podres vieram a tona justamente no governo Dilma.

Quem está sendo punido majoritariamente é justamente integrantes do PT, enquanto outros envolvidos estão soltos e governando o país, como o PSDB por exemplo, que está tramando um golpe para derrubar o Temer. Até o presente momento há integrantes desse partido preso por envolvimento do roubo da Petrobras?
As eleições para a câmara dos deputados e o senado federal serão decisivas para o governo e também uma articulação do governo para evitar um racha ou definitivo rompimento com o Michel Temer, o seu governo está fragilizado e o grupo chamado “centrão” está insatisfeito por se sentir desprestigiado e não ocupar mais cargos nos ministérios que são ocupados majoritariamente por PMDB e PSDB.

Para complicar, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) presidido pelo Gilmar Mendes, militante tucano disfarçado de ministro do STF e proprietário de grandes propriedades de terra no estado do Mato Grosso, autorizou a investigação e operação deflagrado pela polícia federal e ministério público eleitoral para apurar crime de caixa dois nas eleições de 2014 na chapa Dilma e Temer, candidatos à presidência e vice-presidente da república respectivamente.
E para piorar pro lado do Michel Temer, o Eduardo Cunha preso desde outubro ano passado e teve o mandato cassado pelo plenário da câmara está em Curitiba-PR respondendo pelos crimes do roubo da Petrobras, a pergunta é que não quer calar, até quando vai manter o silêncio enquanto os seus ex-aliados continuam livres e sem responder pelos crimes que somente ele está pagando?

O suposto dinheiro que recebeu pra ficar calado é suficiente e está sendo compensatório enquanto a sua mulher, Cláudia Cruz, que responde pelo crime de associação e beneficiária pode ser presa a qualquer momento? E a sua filha também pode se tornar ré e presa junto com a mãe pelo mesmo crime.

O risco que corre a sua família o fará abrir a boca? Nos bastidores se fala que o Eduardo Cunha vem sendo bastante pressionado para fazer a delação premiada, o Jornal Nacional passou 10 minutos noticiando a delação da Odebrecht que envolve membros do governo, no senado e na câmara com todos os nomes citados.

A rede globo deixaria de noticiar a eventual delação do Cunha? A polícia federal e o ministério público está apurando os crimes na eleição de 2014, o objetivo não é criminalizar a Dilma e sim o Michel Temer, o partido dos trabalhadores está desgastado.

Não interessa atacar o PT, exceto o Lula, se o foco é atacar o governo que vem a popularidade baixíssima, superando a própria Dilma Rousseff, em que a crise econômica e política estão longe da estabilidade, e o desemprego aumentando cada vez mais e tirando o poder de compra do trabalhador.

Contribuindo cada vez mais para o aumento da inflação, as eventuais reformas da previdência e trabalhista ocasionará compulsoriamente a convulsão social, obrigando os movimentos sociais e as entidades sindicais irem as ruas protestar e deflagrar greves por todo o país.

O governo Temer é um castelo de cartas, um simples assopro poderá ser derrubado, já existe aposta que esse governo golpista não durará até meados do ano, e estão aguardando as eventuais reformas serem aprovadas para aplicar o novo golpe ou caso não seja aprovadas a tempo antes das eleições pra presidente em 2018.

O certo é que os golpistas não estão mais falando a mesma língua.

quarta-feira, setembro 14

Polícia universitária já!

Dia 05 de agosto foi marcado por uma grande tragédia no campus da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) com a morte do estudante universitário que estudava na instituição, Kelvin Rodrigues, nesse mesmo dia estava acontecendo dois eventos acadêmico na universidade.

O da juventude conservadora que estava sendo realizado no auditório central da universidade, e outra no Centro de Ciências Humanas (CCH) com a denominação de “porra louca” organizado por estudantes e professores, esses eventos além do cunho acadêmico, tinha também o caráter político e ideológico.

Os conservadores pregavam os valores da família, do cristianismo, da lei e da ordem, enquanto os “porra louca” estavam discutindo assuntos como escola sem partido, redução do repasse de verbas da universidade e outras pautas que estavam na agenda.

Tudo isso foi motivado pela conjuntura política que estamos vivenciando, a ruptura das regras democráticas e do estado democrático de direito com o golpe disfarçado de Impeachment que poderá afastar em definitivo a presente da república que foi eleita legitimamente sem crime algum, pois os crimes na qual acusam (crime de responsabilidade fiscal que a perícia do senado a inocentou e o Ministério Público Federal do Distrito Federal (MPF-DF) pediu arquivamento do caso) não conseguiram provar.

As realizações destes eventos foram para demarcar espaço dentro da universidade, com o golpe em curso no país que o mundo inteiro acompanha e denuncia, e somente a imprensa das grandes mídias do país negam veementemente, o conservadorismo tem se alastrado por todo o Brasil, principalmente nas universidades.

Os conservadores defendem o golpe abertamente e por trás dos ideais de valores a família, a igreja, a lei e a ordem, por trás está a pregação do ódio e a luta pela negação de direitos, como a luta para anular o casamento civil do mesmo sexo aprovado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), são contrários ao sistema de cotas sociais e raciais com a alegação da meritocracia, a não criminalização da homofobia, criminalizar o aborto mesmo em caso de estupro e a gravidez colocar a vida da mulher em risco, o absurdo estatuto da família que tramita no congresso nacional orquestrado pelos neoinquisidores (bancada evangélica) e para piorar, levantam a bandeira do projeto de lei “escola sem partido” que também tramita no congresso nacional e já foi aprovado pelas assembleias legislativa dos estados de Alagoas e Paraná, o neoinquisidor Magno Malta, senador pelo estado de Espírito Santo e um dos líderes da bancada evangélica, é o autor do projeto.

O citado projeto visa nada mais e nada menos que amordaçar os professores e interferir diretamente no seu trabalho em sala de aula, essa lei já está fazendo vítimas em Alagoas e Paraná, professores afastados da sala de aula e das suas funções por supostas doutrinação ideológica.

É nesta conjuntura política e o golpe em curso foram realizados dois eventos no mesmo dia num mesmo espaço com a distância de poucos metros na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), eu imaginei que haveria provocações, xingamentos, insultos e até mesmo agressões físicas de ambos os lados, e para o bem de todos acabou não havendo, e os eventos ocorreram de forma pacifica até a morte do estudante Kelvin Rodrigues.
E antes de eu falar do jovem, prezo aqui os meus sentimentos a família que ainda sente a dor da perda de forma trágica, o que eu comentar a respeito do ocorrido é baseado em relatos e comentários de pessoas que estavam no evento e viram o corpo do estudante antes de falecer no local do crime.

O que eu vou falar já comentei em grupos de WhatsApp que eu participo, para mim a morte do Kelvin Rodrigues foi premeditada, não acredito em latrocínio, crime passional e nem mesmo em acerto de contas, mas porque você pensa dessa forma?
Primeiro, nunca houve crime dessa dimensão de dentro da universidade, posso afirmar isso pelo meu conhecimento e os 6 anos que estive na graduação por essa instituição justamente pelo CCH em que sou formado, segundo, sempre houve eventos nas dependências do campus, principalmente no Centro de Ciências Humanas, e mais ainda no chamado bloco 6 que foi o local do crime.

Esse bloco é conhecido por ser um local que os estudantes usam drogas como a maconha e cocaína e também para namorar, é verdade, mas, entretanto, é usado também para diversas atividades, dentre elas as culturais que já foi realizado vários ponches e saraus organizados por centros e diretórios acadêmicos.

Não há nada de errado a realização de eventos regado a bebida e até mesmo drogas dentro da universidade, não estou aqui fazendo apologia e defendendo o uso de bebidas e principalmente de drogas na universidade, que fique bem claro, mas uma coisa deve ser ressaltada.

Quem realmente consome drogas dentro da universidade são jovens de classe média, classe média alta e até mesmo da alta sociedade, muitos jovens de outros centros como o Centro de Ciências Sociais (CCSO) e Centro de Ciências Biológicas (CCBS) que ficam os cursos de direito e medicina respectivamente frequentam o bloco 6 do CCH, sejam para usar drogas ou namorar.

Muitos dos advogados, médicos, engenheiros, promotores, juízes e outros profissionais liberais que estão na sociedade, muito deles bem sucedidos, já experimentaram maconha e cocaína, namoraram nesse bloco hoje tão marginalizado.

Portanto, não se empolgue e nem dê credibilidade se você ver algum profissional liberal com ideias conservadoras que preze a família, a moral, os bons costumes, a lei e a ordem, porque muitos deles tem o passado que não condiz com o discurso, e temos aí muitos exemplos, só não vou citar nomes porque se trata da privacidade de cada um, e eu defendo que a privacidade das pessoas sejam inviolável, por isso eu não condeno quem usa ou já usou drogas, e cada um tem a liberdade de fazer da sua vida o que bem entende e assume as suas responsabilidades sem prejudicar ninguém.

Agora voltando ao assunto do estudante assassinado, reafirmando mais uma vez que na minha ótica foi um assassinato premeditado, porque um dos fatores que eu sustento essa tese por ele ser negro e morador da periferia (morava na Vila Embratel, um dos bairros que fica entorno da UFMA), mais uma vez você com o vitimismo e mania de perseguição? Sim, você já viu um branco rico ser vítima de preconceito e ódio? Já viu algum filhinho de papai ser vítima da violência e ou perder a vida pela sua condição social e cor da pele?

Como disse anteriormente, nunca houve assassinato nessa dimensão de dentro da universidade, e ocorre justamente quando estava acontecendo o evento cultural após atividades dos “porra louca” organizado por estudantes e professores e o assassinato ocorrido foi a poucos metros do local que estava acontecendo a festa. Coincidência não?
O outro fator que eu reforço a tese da morte premeditada, de acordo com os comentários de pessoas que o conheciam, Kelvin supostamente era homossexual, não estou aqui discriminando e nem ridicularizando a sua orientação sexual, e também não há provas concretas a respeito disso, talvez a sua família sequer sabia da sua condição.

A suposta homossexualidade da vítima reforça a tese de que ele foi vítima do ódio, pois relatos de pessoas que viram os seus últimos momentos ainda com vida, reiteram que os assassinos não levaram nada de seus pertences, descartando a hipótese do latrocínio (roubo seguido de morte).

Só a polícia civil pode elucidar esse crime, e se quiser realmente esclarecer para a sociedade e em especial a comunidade da UFMA, porque as investigações do caso não convenceram a mim e nem as pessoas que estavam no dia do ocorrido, e ressalto, o crime de ódio vem aumentando nas universidades.

Um jovem na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) foi morto de forma covarde, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) um estudante foi agredido brutalmente por um grupo de estudantes da mesma instituição, a ponto de ficar hospitalizado em virtude das agressões, esses dois fatos citados que os estudantes foram vítimas, era negro e homossexual e outro indígena que havia ingressado pelo sistema de cotas respectivamente.

Casos de agressão verbal e física tem aumentado nas universidades brasileiras, principalmente envolvendo os pobres, negros, indígenas, homossexuais e mulheres, justamente em que o conservadorismo vem crescendo nas instituições de ensino superior, e crimes como racismo, misoginia e a homofobia tem sido decorrente, fomentando o preconceito, discriminação e a intolerância.

Kelvin Rodrigues não foi vítima da violência simplesmente, foi escolhido pelo assassino pra colocar em ação o seu ódio, porque as universidades brasileiras ainda continua sendo o lugar exclusivamente para a elite branca, pobre e negro estudar numa universidade pública é considerado um acinte, principalmente para aqueles que são contrários ao sistema de cotas e defendem a falácia da meritocracia.

E os homossexuais tem sido alvo preferencial, casos de agressões e mortes tem aumentando bastante no país, e mesmo assim os neoinquidores são contra a criminalização da homofobia por causa das suas convicções religiosas e querem a todo custo submeter o estado e toda a sociedade aos seus interesses.
E aproveitando de um fato isolado e premeditado, a reitoria da universidade de forma autoritária e fascista, assinou o convênio com a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão para a instalação de um quartel e permanência da Polícia Militar do Maranhão (PMMA) dentro do campus.
Não houve um diálogo com a comunidade acadêmica, nem mesmo com as entidades como a Associação dos Professores da UFMA (APRUMA), Sindicato dos Docentes da UFMA (SINDUFMA), Sindicato dos técnicos administrativos, Diretório Central dos Estudantes (DCE), Centros e Diretórios acadêmico dos cursos, e muito menos consultou o Conselho Superior da UFMA (CONSUN).
Natalino Salgado, ex-reitor, pelo menos consultava o conselho superior, não decidia nada sem o aval do CONSUN, e a atual reitora, a Nair Portela, se mostrou bem pior que o antecessor, o assassinato premeditado ocorreu no dia 5 de agosto numa sexta-feira, e no dia 8 na segunda-feira de forma relâmpago assinou o convenio com o secretário de segurança pública Jefferson Portela e o comandante geral da PMMA.
Precisavam de um defunto para passar por cima de todas as instâncias da universidade? A própria instituição através da reitoria não teve um mínimo de respeito com o estudante assassinado por não aguardar o desfecho do ocorrido para poder tomar medidas mais sensatas sobre a questão da segurança.
Os que realizaram o evento dos conservadores também foram oportunistas, aproveitaram o crime trágico e premeditado para promover a passeata dentro da universidade para pedir policiamento no campus, e de forma covarde e desrespeitosa usaram o nome do Kelvin como bandeira reivindicatória para clamar por segurança e tentam responsabilizar os organizadores do evento “porra louca” pelo assassinato do estudante.
Eu não sou contra a implantação do sistema de segurança na UFMA, mas sou contra a entrada e permanência da polícia militar dentro do campus, em vez de assinar o convenio porque a Vossa Magnifica Reitora Profa. Dra. Nair Portela não cria a polícia universitária?
Até os integrantes da PMMA são contra a entrada e permanência da corporação dentro da universidade, pois sabem que vai acirrar ainda mais o conflito deles com os estudantes, professores e funcionários, desgastando ainda mais a imagem da polícia perante a sociedade.
A reivindicação por mais segurança é antiga, roubos e furtos sempre ocorreram dentro da UFMA, inclusive brigas motivadas por questões políticas e ideológica, principalmente em época de eleições para o DCE, centros e diretórios acadêmicos que estão constantemente lutando pelo poder dessas entidades estudantis, mas assassinato e da forma como foi com o estudante, nunca.
Sabemos bem da truculência da polícia militar nos bairros de periferia, em que os pobres, negros, trabalhadores, pais e mães de família são constantemente confundidos por bandidos e tratados das formas mais cruéis e humilhantes, prevalecendo o conceito de que todo morador de bairro pobre e violento é ladrão e bandido ou no mínimo suspeito e tem alguma ligação com a bandidagem, seja na amizade, parentesco e/ou acobertar bandido por causa de represália.
Como a polícia vai agir com os filhinhos de papai ao verem fumando maconha e cheirando cocaína dentro da universidade? A forma de abordagem será igual como estão habituados a fazer com os pobres e negros na periferia? A presença da polícia militar não vai corresponder os anseios na questão da segurança.
Vai acirrar mais os conflitos dentro da universidade principalmente em proibir a realização de festas e eventos organizado por estudantes, a universidade não é lugar de festas e sim para estudar para uns, também não é o espaço de cerceamento com a presença da força repressora do estado, no caso, a PMMA, pois a universidade proporciona um espaço para os debates de ideias e a liberdade é um dos pilares.
A polícia universitária mais do que nunca é necessária, pois será criada dentro dos anseios e perspectivas que atendam os interesses exclusivamente da universidade, com a política de segurança pautada em assegurar o patrimônio da universidade quanto resguardar a integridade dos que fazem parte dela sem transgredir os princípios que reinam na universidade, que são a democracia, a liberdade, igualdade e o respeito.
E além do mais, a PMMA representa um dos resquícios da ditadura e não se adequou completamente com o regime democrático ainda vigente, a sua atuação não reflete com o que se prega dentro da universidade no caráter de formar opiniões e pensadores críticos.
O que vai se esperar para comprovar que a presença da polícia na UFMA tende a não dar certo? Que haja casos de agressões? Prisões de estudantes dentro da universidade por fumarem maconha ou usar outra droga? A resistência dos estudantes, professores e funcionários habituados a utilizar os espaços da universidade para realizar eventos seja de cunho acadêmico, cultural e político quando forem proibidos e negados? Ou vai aguardar mais um assassinato dentro do campus, mas envolvendo os policiais?
Sou contra a presença da polícia militar no campus, mas defendo que se crie a polícia universitária, e seria bom os estudantes, professores e funcionários propor a criação de um sistema de segurança exclusivamente para a universidade sem intervenção externa que atenda os anseios e perspectivas de acordo com a realidade acadêmica.

Polícia universitária já!