quinta-feira, outubro 31

Caso Hugo Farias



Os últimos dias que estava ocorrendo o 7° Felis (Feira do Livro de São Luís) no bairro Praia Grande do centro histórico de São Luís, aconteceu uma cena lamentável aos olhos que estavam presente, uma agressão dos guardas municipais ao suposto hippie que estava vendendo os seus produtos de artesanatos entorno do evento que estava ocorrendo.
O pior estaria por vir, com a sensibilidade das pessoas presentes ao verem o “hippie” ser agredido de maneira covarde pelos homens da guarda municipal, entra em cena o jovem advogado que não se conteve e resolveu se manifestar contra a arbitrariedade e a detenção do “hippie”.
Está certo que alguns “hippies” incomodam muitos frequentadores do local e turistas, desde a pedir esmolas até cometer pequenos furtos, mas muitos destes são de fato moradores de rua e dependentes químicos, e isso deve ser encarado como caso social e saúde pública e não de polícia.
A reação do advogado Hugo Farias em manifestar contra a detenção do “hippie” contra os homens da guarda municipal voltou contra a si também, que os mesmos homens da guarda tratam com truculência resolveram dar voz de prisão por desacato, alguns vídeos postados nas redes sociais mostram o suposto descontrole do jovem advogado sobre os guardas.
Alguns que eu vi não consta o áudio, somente as imagens, e sem o áudio não dá pra definir de forma clara o acontecimento, uns falam que o advogado Hugo Farias humilhou os guardas ao afirmar que os seus salários não dá pra comprar a cueca que ele veste, e esse foi o motivo dos guardas darem a voz de prisão e conduzir até a delegacia da Refesa na Beira Mar.
O outro vídeo que está circulando que mostra a suposta humilhação do advogado aos guardas e o seu descontrole, é de apenas 10 segundos, muito pouco pra constatar e além do mais não mostra o Hugo Farias em discussão com os guardas, e sim ele sentado num balção da delegacia citada e falando as pessoas presentes sobre a suposta afirmação no que ele disse, a exibição do vídeo é bem curto e não dá pra constatar em nada no que disse o jovem advogado.
Não estou aqui defendendo o Hugo Farias, entretanto, não vou demonizá-lo como tem feito algumas pessoas, se ele disse ou não aos guardas que o salário que eles recebem não dá pra comprar a cueca que ele veste, não vem o caso pelo aqui neste artigo, se ele disse que provem de fato, caso ele tenha realmente afirmado, eu lamento profundamente.
A voz de prisão dada ao jovem advogado e levá-lo até a delegacia da Beira Mar, a Refesa, se deu por um único motivo, por ser negro, isso mesmo que você acabou de ler, por ser negro, não é mania de perseguição ou achar que tudo é associado ao racismo.
Isso ocorreu pelo fato dele ser negro, mas ele não é advogado William? Sim, mas não isenta devido a cor da pele, e infelizmente isso acompanhará por toda vida, eu falo isso porque sou negro e sei bem como as pessoas agem quando vê um negro numa condição social mais elevada.
Eu queria e muito que os homens da guarda municipal agissem com o advogado de pele branca, olhos azuis e cabelos loiros e/ou sendo filho de desembargador, promotor, procurador, corregedor, juiz, advogado influente ou político, principalmente este último ocupar um importante cargo do governo e ter uma forte influencia com as autoridades do poder judiciário.
Seria capaz de dar a minha cara a tapa se os homens da guarda seriam capazes de agir como agiram com o Hugo Farias, quem nunca ouviu esta frase? “Você sabe com quem está falando?” Eu mesmo sei muito bem o que isto significa e o peso que carrega esta palavra numa sociedade injusta, desigual, excludente, segregadora, machista, homofóbica e racista, e o pior, uma sociedade que persiste em manter os resquícios da escravidão que são muito presente em dias atuais.
Eu mesmo nos primeiros anos que eu trabalhei na prefeitura de São Luís, trabalhei em estacionamento na época era alugada a prefeitura que pertencia ao antigo casino maranhense, sofri muitas humilhações e desaforos de alguns donos de carros e até mesmo de alguns motoristas, e numa dessas eu sempre ouvia “Você sabe com quem está falando?”
Se supostamente o jovem advogado Hugo Farias afirmou isso aos guardas, isso é devido ao fato dele fazer um curso extremamente conservador e elitista, o direito, que apesar da existência das cotas raciais e o aumento de jovens pobres e de escolas públicas ao curso de direito na UFMA (Universidade Federal do Maranhão) e outras instituições públicas de ensino superior pelo Brasil afora, o curso mantém as tradições de pertencer a elite e com o pensamento reacionário.
É deste curso que se forma os filhos de juízes, desembargadores, políticos, advogados, procuradores, corregedores, promotores e das pessoas da alta sociedade pra se tornar futuros juízes, políticos, desembargadores, promotores e até mesmo ministro do supremo ou tribunais superiores em Brasília – DF, é deste ambiente que viveu academicamente e se formou o Hugo Farias, e nesse ambiente a famosa frase “Você sabe com quem está falando?” é regra e corriqueira ou até mesmo encarado com naturalidade nos corredores e nas salas de aula do curso de direito.
Mas eu ressalto, se o Hugo Farias afirmou ou não, isso não vem o caso deste artigo, e sim a repercussão na cidade envolvendo o jovem advogado, que reitero o ocorrido devido o fato dele ser negro. Você é contra a atitude dos guardas por terem sido ofendidos?  Não sou contra, mas eu queria ver se eles teriam coragem de fazer com outro advogado sendo este influente na sociedade ou filho de alguma autoridade.
Ele é advogado, mas infelizmente a cor da pele será o empecilho de ser visto, tratado e respeitado como ser humano, antes de saberem a sua função e condição social, ele está passível a situação vexatórias e degradantes, e sempre haverá alguém que vai querer manchar a sua imagem.
Eu falo com o conhecimento de causa, já passei por isso mesmo sendo professor (aprovado duas vezes no processo de seleção que haviam mestres e doutores concorrendo, sendo que muitos destes não foram aprovados) da UEMA (Universidade Estadual do Maranhão), muita gente duvida e questiona a minha capacidade intelectual por eu estar lecionando na instituição de ensino superior, fui vítima de abordagem policial em Loreto – MA ano passado (2012) quando estive na cidade pela 1° vez pra lecionar, mas comigo os policias apenas fizeram perguntas, quem eu era, porque eu estava na cidade, e tive que apresentar a minha carteira de identidade, mas sem armas ou cassetetes em punho e muito menos eles mandaram eu ficar de mãos pra cima, pernas abertas e encostado na parede, mas contudo, não deixou de ser o constrangimento logo de cara pra quem chega na cidade.
A nossa sociedade infelizmente ainda não está habituado a ver jovens negros, como Hugo Farias, Eu e muitos outros a estarem numa condição social mais elevada e com a função social que exige respeito, e antes de saberem quem é cada um nós, continuaremos a passar por humilhações e constrangimentos.
E cabe a nós a bater de frente contra o sistema e todo o seu preconceito e discriminação, seja contra os negros, mulheres e homossexuais, principalmente aqueles que não são satisfeitos de nos verem nos patamares elevados que pra eles deveríamos estar na senzala ou abaixo deles, como eu, por exemplo, de guardador de carros em estacionamento e office boy da prefeitura de São Luís a professor universitário da UEMA, isto é um insulto e ofensa, mas continuaremos a insultar e ofendê-los.
Eu não conheço o Hugo Farias, tenho colegas de faculdade que o conhece, e todos afirmam que ele tem uma conduta ilibada, e espero que o jovem advogado não abaixe a cabeça e encare a tudo isso que está passando, porque alguns homens da guarda municipal devem ter falado algo que o levou a revidar.

Porque apenas os negros e pobres como nós sabemos perfeitamente o que é passar por situações quem nem essa que nos coloca muita das vezes como bandido ou mau caráter perante a sociedade ou a opinião pública, especialmente aos leigos e desinformado

segunda-feira, outubro 28

Pedrinhas: O matadouro humano com a conivência do governo do Maranhão



Os últimos acontecimentos que tem tomado o noticiário em telejornais, jornais impressos, blogs e outros meios de comunicação são as recentes rebeliões ocorridas no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, resultando em mortes entre os presos de forma catastrófica nunca antes vista no nosso estado.
O Maranhão ganhou destaque internacional pela BBC News com esses acontecimentos, e para piorar ainda mais a situação, boatos correm por toda a cidade sobre arrastões e que os bandidos estão tomando a cidade, deixando a população ludovicense em estado de temor constante, a prova disso são as ruas do centro de São Luís lá pra 16 horas estavam todas desertas com o comércio fechado parecendo um final de semana ou feriado, devido a queima dos ônibus em diferentes bairros da cidade.
Cenas como a queima de ônibus até semana passada só se via na TV em cidades como o Rio de Janeiro – RJ e São Paulo – SP, e isso não foi causado por manifestantes, mas por facções criminosas que vem de dentro da cadeia, infelizmente essa facções surgiram com a influencia de facções existentes nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo, como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) respectivamente.
As facções responsáveis pelas recentes rebeliões são os PCM (Primeiro Comando do Maranhão), esta com influencia do PCC citado anteriormente, a outra é o Bonde dos 40, esta última se intitula genuinamente maranhense sem influencia do crime organizado de outros estados, com forte ligação com o ritmo musical, o funk, que tem até composições dando referencia ao grupo.
O sistema criminoso chegou no presídio maranhense, e da forma que esse grupo reagiu através das rebeliões recentemente, é muito mais organizado e mostrando realmente a que veio e dando o recado direto ao próprio governo estadual, que não vão aceitar retaliações por parte da polícia e nem das autoridades da segurança pública.
Isto é preocupante visto que a própria população ficar refém dessas organizações, São Luís em plena semana de trabalho com os comércios aberto, repartições públicas e privada, escolas e faculdades deveriam estar funcionando em tempo integral, ônibus circulando até meia noite e com os corujões após esse horário, se viu numa cara de feriado ou dia de domingo, ônibus se recolhendo as garagens lá pra 5 horas da tarde.
Isto causado por essas facções que no dia anterior causaram terror em toda a cidade com a queima dos ônibus, mas devemos culpar essas facções criminosas somente? Não! O governo do estado tem a enorme culpa por tudo isso, e quando falo do governo estadual, refiro não só o atual governo, incluo também todos os governos anteriores, incluindo o período que a oposição governou o estado nos anos do José Reinaldo Tavares e Jackson Lago.
É vergonhoso para o estado ter apenas um complexo penitenciário, no caso o Pedrinhas, numa imensão territorial maior que o estado de São Paulo e o vizinho Piauí que tem mais penitenciarias, as autoridades maranhenses sempre foram omissas a problemática.
E ainda saliento, o estado é cumplice e conivente com a situação por haver grande possibilidade do envolvimento de agentes ou autoridades do governo e do poder judiciário com essas facções criminosas, eu sempre costumo dizer aos amigos e colegas em rodas de conversas e aos meus alunos em sala de aula.

 “Não há crime organizado sem a presença do estado.”

Lembram da CPI do narcotráfico e do crime organizado que ocorreu no Maranhão em 1999? Nele estavam envolvidos e foram condenados posteriormente, deputados, delegados e empresários. Os dois primeiros representavam o estado.
Na morte do jornalista e blogueiro Décio Sá, os suspeitos são policiais, delegados, deputados, ficando ainda mais evidente o envolvimento do estado no sistema criminoso que é a pistolagem que vitimou o jornalista, isto comprova que o estado tem envolvimento direto, seja da classe politica ou de funcionários, no caso policiais, delegados e agentes.
A diferença é que antes da instalação da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), o crime organizado do estado não afrontava o estado e nem as autoridades diretamente, os grupos agiam de forma velada e com vista grossa das próprias autoridades do estado.
E quanto as facções Bonde dos 40 e PCM, principalmente a primeira que realizou a última rebelião essa semana que deixou 9 mortos (dados oficiais do governo do estado), está afrontando diretamente o governo e a sociedade por causa das retaliações existente dentro de pedrinhas.
Sistema carcerário falido não só aqui no Maranhão e também em todo o Brasil, em que o ladrão de galinha é misturado na mesma cela junto com os estupradores, homicidas, traficantes, assassinos e outros bandidos de altíssima periculosidade, em nada ajudará ressocializar a sociedade, vai contribuir que este se torne bandido mais perigoso a ponto que se torne quase irreversível do retorno a família e a própria sociedade.
Pedrinhas se tornou um matadouro humano, se fizermos os cálculos de quantos mortos já tivemos nesta penitenciária nos últimos 5 anos, será um mortandade gigantesca sobre os olhos do governo e das autoridade que nada fizeram pra reverter.
A própria facção bonde dos 40 denuncia o governo do estado diante desta situação ao afirmar que o motivo todo desta rebelião é por causa da ida de alguns integrantes a cela que estavam integrantes da facção inimiga, no caso o PCM, se as autoridades sabem da existência destas facções porque colocam os integrantes da cela ocupada por outros integrantes rivais?
Se isto realmente ocorreu, o governo do estado é grande culpado pela rebelião e por estar promovendo a guerra entre as facções que está aterrorizando a população ludovicense que sente medo de sair casa por causa de boatos como os arrastões ocorrendo em toda a cidade.
O mais correto que deve ser feito é pegar os lideres destas facções e isolá-los, atacar o a fonte que sustenta o grupo, no caso o tráfico de drogas e de armas, mas infelizmente ao que parece isto não está sendo feito pelas autoridades, na insistência de afirmar perante a população através da imprensa que tudo está sob controle, que não verdade não está.
Pedrinhas deve ser interditado ou demolido, porque se continuar os presos ali nas condições sub-humanas, mais pessoas irão morrer, principalmente os ladrões de galinha, estes deveriam ser preservados e mantidos distante dos bandidos de alta periculosidade.
A localização do complexo a beira da BR 135 e de bairros residenciais, é o motivo a mais para ser interditado, não permitir que nenhum preso fique ali dentro, outro fator que devemos pedir mais do que nunca, é a intervenção do governo federal no sistema carcerário do estado, durante os governos José Reinaldo e Jackson Lago, a oposição liderada pelo grupo Sarney pedia intervenção federal no sistema carcerário pelos mesmos motivos.
E está mais evidente que a própria governadora deve pedir o apoio do governo federal, já que a mesma e o seu grupo não aceita a intervenção, pelo menos o apoio é necessário, porque o governo estadual está impotente diante da problemática que tem a enorme parcela de culpa.
E o mais preocupante ainda disso tudo, é a postura da governadora que nos momentos conturbados ela simplesmente desaparece, foi assim durante a greve da polícia militar em 2011, dos professores e agora das rebeliões, em vez de aparecer publicamente na tv para pronunciar diante do problema, usa os seus secretários para dar explicações que são as mesmas de sempre.
E o estarrecedor, é a declaração do secretário de estado da segurança pública, Aluísio Mendes, que diz está tudo sob controle e que vai investigar as pessoas que espalharam os boatos de estar havendo arrastões em São Luís, em vez de reprimir da forma devidamente como ser feito de fato as facções criminosas, quer investigar a população refém, como quisesse colocar a culpa do povo pelo crime de pânico que está à cidade.
Como diz a sabedoria popular: onde há fogo há fumaça, portanto, os boatos são resultado das queimas dos ônibus em diferentes pontos da capital maranhense, ou vão dizer que a queima dos ônibus é boato e as imagens mostradas são montagem?
E faço uma alerta, com a existência dessas facções que se mantém com o tráfico de drogas, armas e outros meios ilícitos, haverá mais rebeliões e brigas entre as facções que vai respingar na população e do próprio governo estadual se insistir em fazer vistas grossas e aceitar a mortandade dos presos em Pedrinhas, Centros de Custódia e delegacias na capital, região metropolitana e interior do estado.
E de forma tardia, após tantas intervenções da justiça, através do juiz da vara de execuções penais, o Roberto de Paula, que expediu inúmeros pedidos de interdição do complexo carcerário, o estado resolveu decretar estado de emergência e pediu o reforço da guarda nacional.
Tudo isso teria sido evitado se tivesse feito muito antes, evitando assim fugas, rebeliões e mortes dentro da penitenciaria, e separando os presos por crimes cometidos, numa tentativa de ressocializar os ladrões de galinhas a sociedade e mantê-los longe dos de alta periculosidade.
Levando estes perigosos a presídios de segurança máxima com o forte monitoramento e ficarem incomunicáveis com os restantes dos presos, e decretar estado de emergência não basta, deve-se mais do que nunca reformular o sistema carcerário do Brasil.
Porque o atual sistema brasileiro não ressocializa, fazendo dos presídios em todo o Brasil numa escola de bandidos, sendo pior que eles já são, e a prova disso são as ruas tomadas por estes, que todos os dias são assaltos, roubos, furtos, sequestros e até assassinatos que muitas das vezes é por motivos banais.


terça-feira, outubro 22

A Trilogia do Silêncio e o Cinema Psicológico de Ingmar Bergman


Por Paulo Dias

"Filme é um sonho, como a música. Nenhuma arte passa
à nossa consciência da maneira que o filme faz. 
Ele vai diretamente para os nossos sentimentos 
e toca o fundo de nossas almas"
(Ingmar Bergman)



O cineasta sueco Ingmar Bergman é considerado um mestre de primeira grandeza no mundo do cinema. Indiscutivelmente, Bergman inovou a linguagem cinematográfica com “O Sétimo Selo” - uma de suas inúmeras obras-primas. No filme “Manhatan”, o personagem Isaac Davis, interpretado por Woody Allen, afirma: Bergman é o único gênio do cinema. Dito isso, a influência do diretor sueco no cinema autoral de Allen é latente e nos cineastas da década de 1960 até a atualidade. Podemos com ênfase afirmar que Bergman é um cineasta original com roteiros persuasivos e contundentes em variados gêneros cinematográficos, tendo usualmente como fio condutor problemas existenciais que servem para canalizar toda abrangência criativa e peculiar do diretor advindo do teatro.



De um modo geral, Bergman apresenta em seus filmes uma gama de personagens complexos, que parecem derivados dos romances de Dostoiévski como, por exemplo, “O Idiota”. São personagens imersos em dúvidas religiosas e existenciais, lançando na tela toda diversidade de sentimentos e desejos. A sondagem psicológica é digna de Machado de Assis e é fundamental para que Bergman construa seus enredos excepcionais e magnéticos. Nos seus filmes principais, o enredo objetivo resulta em um todo pleno de possibilidades para os protagonistas, na medida em que somos transportados para vários canais interpretativos. Bergman dilata nossas percepções, costurando metodicamente em suas tramas os tormentos patológicos e psicológicos dos seres humanos inseridos em um mundo sagaz e corrupto.

Na estupenda carreira cinematográfica – e aliás bem extensa - de Bergman, há várias peças monumentais como, por exemplo, “Noites de Circo”, “Morangos Silvestres”, “Personna”, “A Fonte da Donzela”, “Vergonha”, “Cenas de um Casamento” e “Fanny e Alexander”. Todos estes filmes têm um encanto especial e nos cativam e emocionam profundamente até mesmo os corações mais empedernidos, visto que Bergman desperta em nós os mais valorosos questionamentos e sentimentos; são filmes magistrais que trazem toda a magia e beleza do cinema. Vale assim enfatizar que Bergman é sinônimo de cinema, de um cinema inesquecível, de um cinema onde transborda beleza lírica e onde há um manancial de poesia.

O primeiro filme da chamada trilogia do silêncio de Bergman é “Através de um Espelho” - ganhador do Oscar de melhor filme estrangeiro de 1962 e da Palma de Ouro no Festival de Cannes. O filme é um drama pungente e de uma força exorbitante, centrado em uma família que está de férias em uma ilha isolada. Os quatros membros da família sofrem as consequências da esquizofrenia de Karin (interpretada pela excelente atriz Harriet Anderson). De fato, Karin tem graves problemas psicológicos e todos ao seu redor são afetados profundamente. O marido de Karin (o espetacular ator Max Von Sydow) tenta com devoção ajudá-la a superar a doença e o irmão adolescente de Karin apresenta um apego forte à irmã. Esta, com o passar do filme, vai piorando gradativamente sua crise histérica. Em particular, o pai de Karin é extremamente egoísta e culpa-se por se afastar dela quando da descoberta da doença, estando preocupado principalmente com sua carreira literária. Percebe-se muito claramente os diálogos deslumbrantes e as imagens poéticas da película em preto e branco (veja as cenas no barco abandonado). Bergman realiza um estudo analítico sobre a família sob o efeito de uma doença psicológica, que atinge um de seus membros (na verdade, Karin parece sofrer de transtorno bipolar devido às inúmeras variações de humor). Em outras palavras, Bergman aborda a desestruturação de uma família diante da ausência de Deus em responder aos seus questionamentos mais íntimos.

Em sequência, o segundo filme da trilogia é o impactante “Luz de Inverno” de 1962, cujo enfoque é sobre um pastor em dúvida de sua fé e em silêncio com Deus. Quando um habitante da frívola vila debalde vai à procura de conselhos e de paz, o pastor não consegue persuadir o pescador, temeroso com uma possível guerra nuclear, de cometer suicídio. Com efeito, o ator Gunnar Björnstrand no papel do pastor descrente é de excelência e altivez, bastante focado na interpretação e em sintonia com a atriz Ingrid Thulin, que é uma professora apaixonada pelo pastor incrédulo. Cumpre-nos mencionar o diálogo arrebatador do pastor com um portador de necessidades especiais antes de um culto e as cenas cruciais que mostram o vazio não apenas das igrejas, mas também dos personagens despidos de fé e em crises existenciais. Bergman (filho de um pastor luterano) prega a instabilidade do homem perante o silêncio de Deus, de sorte que os momentos de incerteza no divino são preponderantemente mostrados em close-ups que captam os personagens apóstatas. Somos catalisados, assim como no primeiro filme da trilogia, pela fotografia em preto e branco de Sven Nkyvist – um dos melhores fotógrafos cinematográficos de todos os tempos.

No que diz respeito ao terceiro filme da trilogia “O Silêncio”, podemos salientar a relação nada convencional das duas irmãs, que viajam de trem pela Europa e param em um país, cuja língua para elas é um empecilho. Anna (interpretada pela caliente Gunnel Lindblom) e Esther (a versátil atriz Ingrid Thulin) vivem uma conturbada e caótica convivência ao lado do filho de Anna. À primeira vista, a sedutora Anna repudia sua irmã doente, que é uma tradutora de sucesso, e salta aos olhos a falta de comunicação das irmãs com o mundo externo e consigo mesmas. A ausência de Deus é enfatizada no quarto de hotel e nos olhos dos personagens que seguem em um mundo à beira de um colapso. De resto, Bergman destina-se em mostrar ao público que as relações fraternas são marcadas pelas vivências da infância à vida adulta, enfatizando que a busca pela adequação ao mundo perpassa pelo conhecimento e fé em si mesmo. Digno de nota é a cena dos anões circenses espanhóis em um momento lúdico com o filho de Anna. No tocante aos diálogos sempre profundos de Bergman, que servem como veículo para acentuar as personalidades diametralmente opostas das irmãs, as protagonistas acertam em cheio na interpretação bastante rica e coesa. É Bergman como conhecemos.
Trailers


segunda-feira, outubro 21

HITLER no Maranhão



Por Natan Castro

No ano de 1944 começou a correr pelo interior e também pela capital maranhense, a lenda do “Monstro da praia de Guimarães” Tal monstro estaria aparecendo numa praia do Município de Guimarães sempre a noite durante alguns dias. A época foi solicitada o auxilio das forças armadas com navios e similares com o intuito de verificar o que de fato estaria acontecendo, nada foi comprovado sobre a existência de um monstro marinho ou algo parecido.

Recentemente a revista alemã chamada Der Spiegel em uma reportagem citou o diário de bordo de um submarino alemão o SS-199, nesse diário está contido informações de um destino que esse submarino teria tomado no dia 04 de Agosto daquele ano, com as seguintes coordenadas: 2°o7′57” de Lat. S e 44°36′04” de Long. W. Seriam essas as coordenadas do município de Guimarães no Estado do Maranhão. Dias antes Adolf Hitler teria sobrevivido ao atentado conhecido como operação “Valkyrias” A bomba que deveria explodir junto do seu corpo explodiu próximo de alguns generais de sua inteira confiança, um desses generais antes de morrer avisou a Hitler que tinha preparado um submarino que estava a sua espera, onde o mesmo deveria embarcar fugindo da conspiração indo rumo a um destino incógnito.


A matéria do Der Spiegel cita ainda a informação de um pescador chamado Coutinho, segundo a reportagem o mesmo estava em uma das dez noites que o submarino esteve submerso na praia, ele teria presenteado os tripulantes, dentre eles Adolf Hitler e sua amante Eva Braun com dois cestos contendo peixes e camarões. O encontro da tripulação com o pescador se deu porque em uma das noites Eva Braun sentindo-se entediada no interior do submarino pediu que a levasse a praia, ela foi colocada num bote junto de um dos tripulantes. Por conta da escuridão no espaço entre o submarino e a praia, o mesmo emergia e focava suas luzes rumo à praia ajudando o bote no caminho correto, esse fato fez surgir à lenda do “monstro da praia de Guimarães”. No inicio do décimo primeiro dia em águas maranhenses o submarino tomou o caminho de volta ao seu país de origem a Alemanha Nazista.


domingo, outubro 20

15 Melhores Músicas Para Uma Caminhada



Por Natan Castro

Muito das vezes numa caminhada você precisa de um incentivo, um empurrãozinho, aquele gás pra ajudar a espantar a preguiça, pois bem sem sombra de dúvidas a música é a melhor companhia pra essas horas, o ritmo das canções poderá rapidamente se juntar ao ritmo da batida do seu coração, ajudando você no percurso da caminhada, quem caminha oxigena todo o corpo, segundo os médicos ajudando o corpo a reorganizar o metabolismo, equilibrando seu corpo rumo ao bem estar. Segue abaixo a lista de 15 melhores músicas pra caminhar.

01 - Supremacy (Muse);


02 – Show Must Go On (Queen);


03 -  Beat It (Michael Jackson);


04 – Come Undone (Duran Duran);

05 – Everybody Wants To Role The World (Tears For Fears);



06 –  (Depeche Mode);


07 – Back To Black (Amy Winehouse);


08 – Would (Alice in Chains);


09 -  New Sensation (INXS);

10 – New Year’s Day (U2);

11 – Mr. Jones ( Counting Crows);


12 – We are young (Fun)

13 – Tubthumping (Chumbawamba);

14 – Decode (Paramore);
15 –                          (Monaco)

terça-feira, outubro 15

O Observatório

Por Maria Ligia Ueno

Ah, suas decepções constantes não me preocupam mais, apenas me entristecem. Não consigo mais aceitar tal responsabilidade, não posso mais ser a culpada e a condenada por suas frustrações, por tudo que não se concretizou.

Ah, o peso de tuas escolhas não me pertencem, o quilo das tuas reações não estão ao alcance das minhas emoções e nada posso fazer. Apenas percebo os cacos de vidro adentrando a carne de meus pés, já assolados pelo metal aquecido que me impuseste como chão. Não há nada a ser feito além de esperar a tua chama perder o fôlego e se cansar de lamber meus pulsos.

Não jogue mais em minhas mãos os atos que não cometi, não sou reato de minhas reações, ante a teus estímulos injustos. Não desejo para mim as alças da tua bagagem de privações que não causei, dos sonhos que não tive, das mazelas que não trouxe.

Ó crucifixo pesado que se arrasta em meus ombros, Ó pena inchada cravada entre meus dedos, Ó coração inflamado e desinchado pelo teu desamor. ó coleira desgraçada que me prende neste cercado, E me vejo obrigada a encarnar minha sentença condenatória irrecorrível, cujo lastro probatório não participei. pago com desprazer tal indenização.

E se de ti não faço companhia,
E se de mim não há escapatória
Canto a minha translucidez ,

e transformo tua ira em solidão.

quarta-feira, outubro 9

Medusa



Por Michael Delacroix

Quantos anjos terão que me transformar?
Quantas asas terão que quebrar?
Quantos sois, quantas luas?
E somente assim deixar que caísse sobre mim
                                          Todo o rútilo pó das tuas quimeras
Se das tuas entranhas
Não me cabe tão pouco veneno
Teus mistérios desvendar trocando passos no escuro
Pois são juvenis meus anseios perante teu andar de labaredas que viram serpentes

Como é sutil existir para si
E como é complexo esse mergulho rumo aos teus infernos
Antevejo corvos, sobrevoo túmulos e dos teus lábios,
                                                                            Pingando estão tão profanos desejos
Como continuar?
Se te como de olhos fechados e abertos ao teu bel-prazer
O que resta a mim criança insolente nessa estrada da perdição?
Tens pernas e anéis
Tens indignos pensamentos bailando por detrás do teu olhar
É somente a noite que parece revelar

                                                      Essa parca imagem que desde sempre quis encerrar. 

terça-feira, outubro 8

O meu coração


Por Maria Ligia Ueno


As saudades reverberam meus sentidos, meu tato busca tua pele, minha audição, tua voz. E quanto tempo ainda minha imaginação, miscigenada com nossas memórias, hão de te fazer as vezes, hão de ter que segurar meu coração, hão de absorver as lágrimas que insistem em aprender a voar? 

As saudades causam terremotos em meus cílios, os quais buscam no horizonte algum caminho para o céu. Meus olhos abalroados pela vista infinita se fixam no chão, buscando as migalhas de pão deixadas na última caminhada.

As saudades fazem solução da minha garganta, dissolvendo minha respiração e retardando o bombeamento de sangue para minhas mãos... Estas se encontram letárgicas, aguardando a vivacidade de outrora para quando se encontrarem nas suas costas. 

As saudades delineiam o contorno do meu rosto, cometendo graves expressões e apontando formas e atos novos para meu semblante. Este sorri pelas lembranças e resta nostálgico pelo presente. 

As saudades me chamam e brincam com meus sentimentos, e transformam tudo em desejo; O desejo de te ver de novo.