Ilustração de Diego
Foi assim que a conheci:
carente, precisando de companhia. E lá estava eu, na hora e no local certo. Foi
uma espécie de amor a primeira vista, pelo menos assim queria eu entender, no
entanto, sabia que seria muito difícil que ela gostar de mim, embora não fosse
impossível - a realidade pode ser dura, mas tem seus caprichos, vez ou outra se
maquia de sonhos para sair escondida...
“Vou tê-la pra mim”,
disse convicto, mesmo que seja contra a sua vontade, mesmo que não ame, mesmo
que não se agrade da idéia. Ela será minha, pois, tratando o meu amor como um
fato concreto, não preciso de uma recíproca, uma vez que tudo que preciso já foi
constatado. Portanto, empiricamente, em outros termos, mais cedo ou mais tarde,
ela iria gostar de mim. Disso eu tinha certeza. Basta ela saber que eu sou o
grande amor da vida dela. Se ainda não me ama é por façanha da ignorância.
Coitada, ela não tem culpa...

