domingo, setembro 18
Peça de Igor Nascimento em Cartaz
“Debaixo das covas, não importa qual hora do dia, sempre é escuro, sempre é noite. Lá o tempo é inacabável. É a eternidade das horas, infatigáveis e inimigas da vida, tão mortas como os cadáveres ali enterrados”
Procópio e Torquato, duas caveiras, esperam um dia, finalmente, virar pó. Enquanto isso não acontece, uma trama se desenrola. Um dente foi perdido numa rodada de porrinha, um dedo foi levado por um cachorro. Nesse ponto, o diálogo começa. As caveiras expõem suas angústias decorrentes do fato de “viver assim, desse jeito meio morto”. O debate se torna intenso. O embate se faz necessário. O que será delas duas, só o tempo, ironicamente, será capaz de dizer...
O texto, de Igor Nascimento, mesmo autor de “De Assalto”, “Assassinato de Charllenne” e “As Três e Estações da Loucura”, segue a mesma linha absurda já característica do dramaturgo. Situações do quotidiano são ridicularizadas. O homem, representado através de seus não-personagens, se vê na luta constante contra as horas, a mecanização do pensamento e o dilema de deixar de existir para se tornar um objeto.
“O dedo por um dente”, em inglês, “A tooth for a fucking finger” é uma comédia de caráter altamente mórbido, de cunho pessimista e com uma tendência sutil para o niilismo. Mas isto não importa, o que vale é rir, pois o riso, de qualquer maneira, dilata o diafragma, libera serotonina e, dependendo da intensidade, ajuda a eliminar gases...
sábado, setembro 17
Violeta de Outono / Tempestades, noite eterna dentro...
Existe uma forma simbólica de representar as coisas, não tenho dúvidas, o universo está cheio deles. Rimbaud, o místico poeta francês, saiu numa busca incansável deles, os simbolos. Desta busca nasceu o verso livre, esse despreendimento que causou o formigamento das estéticas e logo depois dos Beats. Tudo é simbólico, com toda ou pouca significância. Dizem que há diversos níveis de entendimento de algo, os monges Tibetanos acreditam em estágios de consciência, acredito eu, com meu humilde conhecimento que tenho e como amante dos bons sons, que existe na música mistérios e sem dúvidas simbolos.
A música sempre foi uma forma ou talvez, a principal forma de representar os simbolos nos tempos modernos,a Psicodélia, termo cunhado pela critica e também pela mídia, refere-se às bandas que foram de uma forma ou de outra influenciadas por drogas como, LSD , que tiveram seu início nos anos 70.Esse ano representou, sem dúvida um amadurecimento não só musical de alguns jovens aqui em terra, mais há quem diga que diversas relações simbólicas dos astros no universo , ajudaram inexorávelmente este acontecido: o movimento da Psicodélia, que teve seu apogeu nos Estados Unidos e na Inglaterra, claro por se tratar de locais onde as luzes da mídia musical estava acessas naquele ano, porém o fenômeno mistico-musical diria, eu aconteceu no mundo inteiro.Diversos são os casos de bandas geniais ao redor do mundo que foram influenciadas pelas vibrações vindas deste universo paralelo-musical.
Já no Brasil tivemos um gênio hoje aclamado no meio tão quanto gente do quilate de John Leenon, nosso Arnaldo Baptista líder do antigo Mutantes, mais um dos garotos que receberam tais vibrações abaixo da linha do Equador.Mas, aqui no Brasil o fenômeno teve um efeito interessante, que causou o nascimento de bandas depois da efervescência que se deu nos anos 70.
No anos 80, em São Paulo, alguns amigos resolveram montar uma banda influenciados por Pink Floyd, Stones, Beatles, Jeferson Airplane, todos na fase psicodélica, o Violeta chegou a lançar por gravadora no início, mas logo cravou os pés no meio independente com um público interado e cabeça. E até hoje carregam o cedro da grande banda psicodélica Tupiniquim que já foi dos Mutantes e outras bandas que falarei em outras oportunidade.
No anos 80, em São Paulo, alguns amigos resolveram montar uma banda influenciados por Pink Floyd, Stones, Beatles, Jeferson Airplane, todos na fase psicodélica, o Violeta chegou a lançar por gravadora no início, mas logo cravou os pés no meio independente com um público interado e cabeça. E até hoje carregam o cedro da grande banda psicodélica Tupiniquim que já foi dos Mutantes e outras bandas que falarei em outras oportunidade.
Voltando ao símbolo, Fabio Golfeti, lider e letrista da banda Violeta de Outono, é um desses caras raros que entendem , usa e abusa até hoje do símbolo como forma de cômpor, sou suspeito para falar dele, sou fã incondicional, uma boa dica de quanto o Brasil é grande e interessante em se falando de simbolo, digo música. Ah! E daqui a pouco um bom dia para vocês .Um eterno dia.
sexta-feira, setembro 16
ILHA MARGINAL
Passando pela ponte política
Revejo milhões lameados
Debaixo de prédios de luxo
Na rua entorpecida
Entorpeço-me no semáforo da Cohab
Escuto. O não negativo do dedo polegar
Negando minha vida pequena
No ônibus da Maranhense
Vendo: Jujuba , Halls e Trident
Sem dente rio da desgraça da sorte do camelô na Rua Grande.
Gritando: DVD ! CD! È pirata!
Piro na insanidade quase louca dos casarões da Praia Grande
Pra turista gringo digitalizar
E o sorriso de satisfação revela a lava-racial
Da coreira em transe do Tambor de Crioula.
E, eu menino, moleque, pivete, trombadinha, cheira cola, ladrão - mirim
Dezenas de sinônimos da miséria-capital
Jogo meu corpo meio infantil
No Rio Anil
Pra sonhar com o entorpecente na ponte surreal
Da minha ilha Marginal.
Cris Lima.
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| Nascer do Sol na ponte José Sarney. Foto de Cris Lima. |
quinta-feira, setembro 15
ABoRReCenTES
DORALICE E JOÃO
JOÃO (contemplativo) - Esperei do lado de fora do consultório sentado numa praça em frente. Mães passeando com carrinho com bebês. Crianças brincando de pega-pega. Homens e mulheres fazendo Cooper. Casais passeando de mãos dadas. Velhos jogando milhos pros pombos. Nascer, crescer, multiplicar e morrer é o sentido da natureza. Tudo são passatempos dos homo sapiens para se distrair da vida. A única diferença entre nós e os animais ditos irracionais é a distração.
DORALICE (blasé) - Aquele Nerd maconheiro ainda ta aqui, será que ele esta me seguindo. Pode ser um psicopata que serra as cabeças das pessoas e joga na privada suja de bares machistas da periferia com aquela música tétrica.
JOÃO FOI EM DIREÇÃO A ELA PRÓXIMO A CALÇADA DO CONSULTÓRIO COMO SE DISTRAÍDO.
JOÃO (nervoso)- Ei...
DORALICE (fingindo surpresa) - Por que você ainda esta aqui? (Vira de ombro pra ele)
JOÃO (nervoso)- To esperando meu pai vim me buscar no carro. - Claro que menti. Queria ver aqueles olhos verdes em contraste com sua brancura.
DORALICE (curiosa e blasé)- Sei... O que o psicólogo falou com você?
JOÃO (menos nervoso) - Perguntou se eu usei maconha pra me aparecer diante dos amigos ou se foi por curiosidade?
DORALICE (blasé) - E o que você respondeu?
JOÃO(calmo) - Respondi que tinha lido uma matéria dos efeitos terapêuticos da canabis sativa na revista Mente e Cérebro e tinha me interessado.
DORALICE (surpresa) - Sério?!
JOÃO (rindo) - Mentira. Na verdade foi um amigo da escola que me ofereceu e aceitei.
DORALICE (rindo) - Ele perguntou só isso?
JOÃO (calmo) - Também perguntou sobre minha relação com meu Pai. Disse que meu pai parecia uma criança e eu tinha que fazer muitas coisas em casa; como esquentar a comida, falar com os cobradores, pagar as contas. E perguntou também sobre minha mãe.
DORALICE (mais curiosa)- E sua mãe?
JOÃO (calmo) - Disse que tinha saudades dela, mas não a odiava por ter traído meu pai.
DORALICE - Ela traiu seu pai?
JOÃO (nervoso) - Com outra mulher.
DORALICE - Como assim?
JOÃO (nervoso) - Minha mãe era artista plástica. Pintava mulheres nuas. Um dia num vernissage mamãe conheceu uma francesa.
DORALICE - Vernissage?
JOÃO (calmo) - É uma exposição.
DORALICE (blasé) - É que gosto de palavras novas. Que nunca li ou escutei. Era uma exposição de quê?
JOÃO - De quadros. Ela pintou a francesa no seu ateliê que ficava no fundo de casa. Meu pai chegou em casa e pegou elas transando.
DORALICE (curiosa) - Que flagrante. E o que seu pai fez? Matou ela?
JOÃO - Matou ela?! Não, ela está viva.
DORALICE - É que você estava usando o verbo no passado e pensei... O que ele fez então?
JOÃO - Chutou o quadro com a pintura das pernas abertas da francesa e não falou nada. Mamãe ainda brigou com ele dizendo que aquele quadro era uma obra prima. Na outro dia mamãe viajou para Paris com a sua musa. E você, como foi?
DORALICE - Não falei muita coisa. Não tava a fim de conversar. Falar dos meus conflitos. Sou uma bipolar ambulante.
JOÃO- Você vem na próxima consulta bipolar ambulante?
DORALICE - Acho que sim.
JOÃO - Quando vai ser?
DORALICE - Próxima quarta feira.
JOÃO (preocupado) - No mesmo dia da minha. A gente se vê. Promete que não vai se suicidar até lá?
DORALICE (riso cínico) - Não sei. Você é engraçado?
JOÃO - Isso é um elogio?
DORALICE - Acho que sim.
JOÃO - (Pensei que ia dar um beijo no rosto dela de despedida como as pessoas da nossa idade fazem normalmente. Mas ela pôs headphone e foi embora na minha direção oposta. Estranha e misteriosa. Pelo menos ela disse que eu era engraçado. Legal)
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