segunda-feira, fevereiro 18
domingo, fevereiro 17
Círculo
Por Lucas
Quoos.
noites
insones e poemas ainda úmidos da impressora à jato. cafeína e crystal castles
(bandinha ruim da porra). ilustrações arrancadas de um livro infantil
espalhadas no rack e uma camiseta do palmeiras comprada em 2010 por quinze
reais (preço acima da média) em santo amaro na zona sul de um puteiro chamado
São Paulo (também existe uma cidade com esse nome), com cheiro de mijo seco e
pomba assada. desço direto em direção à um sebo chamado “Sebo” (pelo menos é o
que a placa em cima dizia). acho um livro com a capa preta e rosa sob o desenho
de uma arma apontada pra uma loira de salto alto, abro e leio uma frase
aleatória: “Ah Louise, sua puta desgraçada, eu te amo!” ah, não fode porra. só
podia mesmo ser do século passado esse livro. saio de lá e dou de cara com ela.
a vaca, a filha da puta, a minha ex namorada chupadora de pirulitos POP (ainda
existe essa merda?). graças à mim comprei um livro grande do Freud e pude
colocá-lo descaradamente no rosto e atravessar a rua antes que… merda, ela me
viu. anda anda anda. não dá mais. ela tá vindo. ê, caralho. um helicóptero
podia cair em cima dela (“háa sempre a pequena chance de o impossível
rolaaaaar”).
“e aí, cara! como vai?”
“ah, não vem me foder com a tua simpatia”
“ih, ó lá, já vi que continua o mesmo mau humoradão uhhh”
“não fode, meeeu. tô indo pra casa”
“eu também”
“me mudei, to morando no Grajaú”
“mentira, acabei de passar na sua casa e a vizinha disse que você já
voltava”
“ave”
“que cê tá lendo?”
“Freud”
“ave”
chegou a lotação. a porra da perua do
Jd. Nakamura consegue ficar lotada até no domingo. mas como a gente pegou no
terminal, deu pra ir sentado de boa. no começo foi bacana. eu curtia ficar
olhando pela janela o pessoal no terminal. vendedores de salgadinho e latas de
lixo. churrasco grego e sacolas do Brás. máquinas de recarregar o bilhete único
e deficientes mentais pedindo esmola. uns caras dando risada alto pra chamar a
atenção e uma mina silenciosa feito um monge achando que sabe algo da vida (vai
que, né? / mas também foda-se). tava lindo, mas aí a ex resolveu puxar assunto.
“larguei o emprego”
“pra quê?”
“virei artista”
“duvido”
“sério, porra, leva a sério”
“duvido. me mostra”
“não dá, sou pintora agora, só pinto
quadros e eles não cabem na minha bolsa”
“é (vai saber) acho que não mesmo”
“mas eu te mostro, assim que a gente
chegar na sua casa”
“ok”
escondo a chave num esconderijo num
tijolo quebrado perto da porta. ela foi direto nele. abriu a casa e foi pegando
as garrafas de cerveja que eu tinha deixado espalhadas no quarto entre copos e
uma toalha de mesa suja de geléia de uva. um ventilador esquelético e uma
chuteira de futebol com os meiões dentro. desodorante rolon e Tony Hawk’s Pro
Skater. deitei na cama que por incrível que pareça estava arrumada. enquanto
Marina (eu ainda não tinha dito o nome dela, né?) foi pegar o tripé na sua
casa, já que é minha vizinha.
Voltou.
Colocou o tripé no meio do quarto.
Começou a desenhar.
Fiquei olhando.
Terminou. Virou o tripé com o desenho pro lado da cama.
“É um círculo”, eu disse “você desenhou um círculo numa tela quadrada”
“aham, lindo né?”
“você é maluca”
“não, presta atenção. a maluquice é uma linha reta”
sábado, fevereiro 16
O canto dos Malditos (Sociedade da Grã Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10)
O
CANTO DOS MALDITOS
Inicio hoje uma série de
postagens falando dos álbuns e artistas considerados malditos da música
brasileira, tendo em sua grande maioria fatos e peculiaridades que levaram
critica e público a considera-los como sui generis, diferentes, especiais ou
como desejam alguns malditos.
SOCIEDADE
DA GRÃ ORDEM KAVERNISTA
APRESENTA SESSÃO DAS 10.
No ano de 1971 nos estúdios
da CBS, no Rio de Janeiro um grupo de quatro jovens artistas se reuniram para
gravar aquele que talvez tenha sido o mais ousado e genial álbum da contracultura
no Brasil. Raul Seixas, Sergio Sampaio, Miriam Batucada
e Edy Star, foram os protagonistas
de Sociedade
da Grã Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10. A versão brasileira
de Sargent Peppers dos Beatles, porém eles não eram um grupo,
apenas se reuniram para esse álbum em especial. Há época Raul Seixas era
produtor da CBS, e diz à lenda que na ausência do presidente da companhia no
Brasil, que estava de viagem ao exterior, Raul teve a ideia do disco. Com produção
requintada diz outra lenda que Raul acabou expulso da CBS por conta da não
aceitação da direção da CBS tanto no Brasil como no exterior, segundo o mesmo
Raul Seixas o alto custo da produção teria sido o estopim para sua demissão.
Das 11 canções do álbum nove
são parcerias de Raul com Sergio Sampaio, o disco possui uma miscelânea de
ritmos indo do rock ao bolero. Edy Star era um homossexual cantor de boleros
que Raul Seixas conheceu na Bahia, Sergio Sampaio era um talentosíssimo compositor
de Cachoeira do Itapemirim (ES) amigo de Roberto Carlos na adolescência, Miriam Batucada era uma cantora iniciante
da mpb e do samba com uma voz bem peculiar. Com quase nenhuma divulgação por
parte da gravadora sendo relançado anos depois até da morte de três deles,
somente Edy Star continua vivo. Em minha opinião esse é o primeiro álbum dos
grandes álbuns considerados malditos da musica brasileira, seja pela sua
parcela de transgressão e por sua ousadia musical.
quinta-feira, fevereiro 14
NOVO PAPA, QUEM VAI PAPAR ESSA?
Bom é de conhecimento de
todo ser vivo, desse planeta a informação dada pelo próprio Papa Bento XVI sobre sua desistência do papado, a literal jogada de toalha da maior autoridade da Igreja
Católica, se deu segundo o mesmo por conta de sua idade avançada, a qual não
estaria ajudando na massiva agenda de viagens, reuniões e outros compromissos
inerentes ao cargo. Por conta da inusitada vacância no papado, nós do Ponto-Continuando criamos a enquete PAPA NOVO, QUEM VAI PAPAR ESSA? Vote no lado direito do blog, ou deixe seu comentário abaixo. OBRIGADO!
quarta-feira, fevereiro 13
3 cigarros no 4º degrau
Me masturbo,
às vezes, ejaculo no chão do corredor de pisos retangulares do setor de
emergência. É fecundo. Fetos crescem e caminham e são esmagados por pés de
psiquiatras, terapeutas ocupacionais e enfermeiros e pacientes em crise, mas o
ruim é que sempre me amarram na cama e injetam um coquetel de Diazepan com Haldol e fico impregnado durante dias como um Zumbi e meus punhos
ficam arranhados. Louco, não? – Falei isso dagora pra meu irmão. Estávamos sentados
na arquibancada da quadra de esportes. Vocês tinham que ver a cara dele de nojo.
Era dia de visitas e ele já queria ir embora. Eu disse: - Espera mais um pouco
pra conhecer a Zica, a minha namorada. Ela chegou meio dopada e super calada e
sentou ao meu lado, devia estar naqueles dias no submundo dos pensamentos e tão
fedorenta quanto eu. A Zica teve três tentativas de suicídio e quando vê cacos
de vidros quer engoli-los e tenho que persuadi-la a viver mais um pouco. Também
não quero ver seu esôfago degolado e ela cuspindo sangue até a morte. Seria
terrível ver meu amor morrer assim na minha frente. Eu lhe dou esperança. Falo que a gente ainda
pode transar ainda que escondido dos enfermeiros e guardas de plantão, dançar
nosso ritmo, fazer artesanato & pintar na sessão de terapia e fumar muitos cigarros.
Ninguém lá liga pra essas coisas inofensivas, estamos dentro do jogo deles. E,
além disso, estamos protegidos por paredes e drogas pesadas. – Falei essas
coisa dela e sua cara tava tapada pela mão. Mudei de assunto e perguntei se ele
trouxe a carteira de cigarros que pedi. Tava cansadão de fumar US. Me passou um
pacote de Free. Abri. Tirei uma carteira e 2 cigarros. Dei um pra Zica. Acendi
o meu e o dela. Ofereci pra meu irmão. Ele aceitou. Tirei mais 1 da carteira.
Acendi e lhe dei. Queria me dividir em dois e o outro ficar no centro da quadra
de esportes pra vê aqueles três sentadinhos no quarto degrau fumando um do lado
do outro e a fumaça se espalhando por ser mais leve que o ar em busca do céu. O
segurança apareceu e fez sinal que a visita estava encerrada. Ele me deu um
abraço meia boca. Mandou eu rezar, tomar um banho e outras coisas que esqueci.
Ele mal se despediu da Zica. A Zica com certeza ia falar que ele não gostou
dela.
Livre Como Um Pirata - Cap. 3
Então
chegou o inverno. Você quase bateu as botas, meu amigo. Todos ficaram
preocupados, achando que sucumbiria. Foi aí que os seus problemas começaram de
vez... Até então, lembro de você perfeitamente saudável. Com o frio, veio
aquela infecção, você mal rastejava e eu tentava te cobrir pra te proteger do
frio, mas a febre te fazia delirar e recordo bem que várias vezes você tentou
me agredir. Eu entendo que você não regula muito bem da cuca, essas coisas eu
relevo. Chamei o doutor. Ele te aplicou um monte de injeção e, com o tempo,
você foi se recuperando, mas acho que a doença deixou muitas marcas. Foi daí
que você começou a babar e a cheirar mal, e as pessoas passaram a te evitar e
etc. Aí você foi ficando magro e também perdeu a maioria dos dentes, de forma
que demorava muito a comer, e mal. De visitas você nunca gostou. Até um tempo
atrás colocava todo mundo pra correr lá de casa. Demorou muito pra você se
acostumar com a menina que ajuda a mamãe nas tarefas do lar. Pirata, pra ser
sincero, acho que fui um desnaturado contigo.
Tammys
Assinar:
Postagens (Atom)



