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sábado, fevereiro 8

ENTREVISTA COM A BANDA FOME



Por Davi Galhardo

Nada mais justo que começarmos esse bate-papo pelo começo. Vocês poderiam fazer um breve histórico da banda contando-nos: quando, onde e como surgiu a FOME?
FOME: A banda surgiu em fevereiro carnaval de 1989 – no Bairro do Cohatrac, a banda no início era um trio: Eduardo Mulambo (voz e baixo), Mauricio (guitarra), Billi Podrão (bateria) – meses depois Rato Velho assume a bateria e Billi Podrão vai para os vocais – mais tarde (1990) Eduardo sai da banda e Carlos Pança assume o baixo, formação que perdurou até a parada da banda em 1993. Com a volta da em 2013, Rato Velho se acidentou de moto e o Edvards está segurando a batera.

A banda FOME tocou no festival “Nordeste em Caos” ao lado de Câmbio Negro HC e Discarga Violenta, e pelo que se sabe recebendo bastante admiração do público. Falem um pouco a respeito dos “intercâmbios” entre bandas do Nordeste que vocês puderam presenciar.
FOME: O intercâmbio nos meados de 1980 e início1990 era bastante intensificado, existia um um bom entrosamento não só entre as bandas do nordeste quanto entre as bandas dos quatros cantos do Brasil, nós mesmo tínhamos um leque de diversas bandas a qual tínhamos contato. Rolava troca de fanzines, demos, etc..

FOME é bastante lembrada Brasil à fora pela Split que possuem com a Amnésia intitulada “Fome & Amnésia” de 1990. Como era a relação entre estas duas bandas nesta época, e como era o Cenário local daquele momento na chamada “Ilha do Lixo”, ou seja, São Luís do Maranhão
FOME: A relação entre A banda amnésia e fome sempre foi a melhor possível, posso até dizer que são bandas irmãs, os ensaios sempre rolaram juntos, não lembro um ensaio da fome sem amnésia e vice-versa. Quanto o cenário era bem produtivo, surgiram várias bandas na época, diga-se de passagem muitas das quais muito boas, grande parte de bandas de metal, outras punks, algumas de rap, mas havia uma união muito sadia entre as bandas e o público tanto que ocorreram vários show, com bandas de punk, metal e rap juntas!

4 – Outro registro da FOME que se tem notícias é a DemoTape “Invólucro Humano” que foi gravada no estúdio caseiro “Estrago Tapes Records” em Abril de 1991, falem um pouco sobre este material.
FOME: Bom apesar de todos esforços do Assis (gravamos na casa dele), o áudio ficou de péssima qualidade, não se escuta ou entende quase nada, e acabou não saindo o que esperávamos, mas de qualquer forma valeu a intenção da “Estrago Tapes Records”.

A quarta edição do Fanzine HARDRUNK de 2004, traz uma matéria de divulgação de um CDr da banda, que na época estava sendo lançado pela Grito Punk Produções resgatando as DemoTapes existentes até aquele momento, texto assinado por Joacy James. Gostaríamos que vocês falassem um pouco sobre este resgate histórico.
FOME: Na verdade eu não tive acesso a esse material, não estava morando aqui em são luís - fiquei sabendo, assim por alto, mas acredito que todo resgate é benéfico. Qualquer ato que leve nossa música e nosso anseio de um mundo igual aos confins do planeta, vale apena ser resgatado, vale apena ser divulgado!

Em 2006 acontecia o Festival Punk Atitude – 20 anos do Punk no Maranhão onde a banda se fez presente. Vocês gostariam de falar um pouco a respeito do mesmo, e de sua significação?
FOME: Bom nesse show a banda tocou meio que “nas coxas” já estávamos a mais de cinco anos ou mais sem tocar, e fizemos apenas um ensaio, como nosso guitarra estava em fortaleza, convidamos o Isomar (Antigo) para segurar a guitarra, ai complicou não tinha como ele pegar todas as bases de uma vez só duas horas de ensaio – tocamos mesmo só para não deixar a data e o significado do show passar batido, mas, valeu apena o registro dos 20 anos do punk na Ilha, foi um show muito válido.

De 2007 para cá muita coisa mudou, muitos indivíduos e bandas se foram e tantos outros novos apareceram... Como vocês tem observado a Cena Local nestes últimos tempos?
FOME: Esta pergunta vou te responde com mais propriedade daqui a uns seis meses mais ou menos, porque te confesso que estamos por fora da cena. Mas acredito que ela tenha crescido não sei em qualidade, mas que cresceu, cresceu!

Neste meio tempo longe de atividades diretamente ligadas ao meio underground vocês absorveram novas influências? Seja na Música, Cinema, Literatura ou mesmo no próprio Cotidiano desesperador de todos os dias? Rs Comentem a respeito.
FOME: Verdade, hoje nossas influências vão de Nelson Gonçalves a Ratos de Porão (hehehehehe!) – brincadeiras à parte hoje temos como influência praticamente quase tudo de qualidade – Cinema, literatura, mpb, clássicas, rock, reggae, rap – e buscamos aproveita o que de melhor esses músicos e autores oferecem.

Nada mais justo pra esse retorno da Banda FOME que um material com inéditas, gostaríamos de saber se vocês já tem algo nesse sentido sendo encaminhado?
FOME: Bom, a partir de fevereiro, começaremos a fazer músicas novas, esse primeiro momento de volta, estamos apenas preocupados em recupera as músicas que já tocávamos, depois que as recuperamos daremos início a uma nova produção.

É um prazer enorme dialogar com vocês. Deixaremos o espaço em aberto para que possam deixar uma mensagem, endereço pra contato, e-mail etc. O espaço é de vocês!
FOME: Bom, queremos desejar saúde e paz a todos e dizer para que nunca parem de correr atrás de seus sonhos, leiam bastante, se interessem por política e nunca, nunca aceitem a submissão, um abraço a todos. E não deixem de ir a nossas gigs. Hehehehehehe!

sexta-feira, setembro 27

Fernando Atallaia - Entrevista

Por Natan Castro


Fernando Atallaia é um poeta, músico e blogueiro, proveniente da cena cultural de São Luís dos anos 90. Possui uma valiosa obra autoral tanto na poesia como na música, integrante de importantes grupos de poesia como (Carranca e Curare), foi membro fundador de movimentos culturais entre eles (A vida é uma festa - Reviver) e (Canto da Ema - Maiobão).

Em que momento se dá o teu encontro com os processos artísticos e de que forma isso mudou tua forma de ver e viver numa sociedade, que quase nem sempre se preocupa com o real papel da arte em seu dia a dia?


Fernando Atallaia - Bem, deixe-me lembrar. Para começar acredito que foi há muito tempo (risos) e esse encontro com o fazer artístico se deu como se dá com a maioria dos artistas, de forma gradativa, eu diria. Ninguém acorda e diz ''descobri que um sou artista''. A meu ver não há essa constatação fantasmagórica. Uma certa descoberta apocalíptica que norteia o imaginário infantil de quem quer impressionar aos outros ou a si mesmo ou então auto justificar-se por preguiça. Ser artista vai mais além, é um ofício árduo. Labuta permanente e incessante. Lembro de algumas reminiscências e tenho alguns dados. Algo como 1995, por aí. A minha principal informação sempre foi literária, os primeiros cordéis, as frases de muro, preciso ressaltar isso, embora ainda nessa época a minha ligação com a música tenha de certa forma causado uma dicotomia. Para alguns eu era aquele cara compositor, músico, cantor e tal; para outras pessoas um poeta, um artista literário. Hoje isso já está bem resolvido para quem me pensou assim por anos, acredito. Pois a bem da verdade, eu sempre compus canções e fiz literatura na mesma gradação. Sempre foi algo possível de se conciliar.

Desde muito cedo ficou bem claro para todos que tiveram contato com o teu trabalho, certo afastamento com tudo aquilo que estava sendo feito em termos de arte no Estado do Maranhão, a que se deve essa demarcação? Ou se ela não existe?

Fernando Atallaia - Na verdade nunca existiu uma demarcação e alguns afastamentos meus não foram propositais nem tampouco pensados. Eu lembro de um colega jornalista que me disse uma vez que me achava Cult ou exigente demais, coisas do tipo. Mas eu não diria afastamento. Só vi, ainda na década de 90, que era necessário que a arte literária e a música produzida em nosso estado estivesse mais descentralizada do centros que se uniformizavam como sendo a 'voz de um conhecimento artístico padrão'. Então eu acho que para quem, como eu, sempre pensou e continua a pensar na descentralização do fazer cultural era coerente que eu estivesse também na periferia. Mas digo, no pensamento periférico, inacabado e até rudimentar da construção literária, musical, cultural como um todo. Mesmo sendo eu um daqueles caras que estava ali em reuniões literárias, debates, shows autorais e outras manifestações consideradas de alto nível. Mas daí não bastava. Eu estava também nos movimentos que intentavam, mesmo que precariamente, se formar em Paço do Lumiar, São José de Ribamar e outras cidades. Movimentos de pessoas que nem sabiam ao certo o que era um Movimento, mas que tinham nos olhos a verve, a vontade de fazer acontecer. Então o meu senso estético começou a ser absorvido e absolvido por isto. Comecei a equilibrar minhas exigências intelectuais com aquela inocência pueril de quem quer mostrar algum trabalho artístico pela primeira vez, embora sabendo que este trabalho ainda não tivesse nenhuma qualidade musical ou literária. Essa flexibilidade me fez conhecer grandes artistas maranhenses que à época ainda não o eram e que hoje afirmam que eu os influenciei ou os ajudei de alguma forma.

Qual a importância de ter participado de movimentos literários e culturais como os Grupo Carranca e Curare e logo em seguida A vida é uma festa e Movimento Baluarte ? E no caso dos três primeiros qual foi o motivo do seu afastamento deles?

Fernando Atallaia - Todo movimento cultural é importante pelas premissas que encerra em si mesmo: interação, intercâmbio e fortalecimento de sua identidade cultural, eis aí algumas delas. Tem essa coisa de ser uma grande miscelânia de ideias, contestamentos, descontentamentos e debates e nascedouros. Os grupos Carranca e Curare patrocinavam isto até certo ponto. Eu estava lá levando minhas posições. Naquela época a discussão era literária mesmo e eu pregava que lêssemos mais Crítica Literária como forma de elencar à inspiração e ao labor estético maior exigência conceitual ao criar. Tínhamos reuniões aos fins de semana e com frequência no Centro Histórico. Acho que foi quando começamos a vê maiores necessidades de uma arte literária que tivesse a chamada qualidade literária. Algumas rupturas são necessárias ao processo até para desencadear novos caminhos e eu via essa necessidade mesmo de uma conceituação teórica maior que certamente iria refletir em qualidade para os Grupo. Como consequência dessa percepção alguns descontentamentos surgiram. É que essa coisa da inspiração fácil e simplória nunca foi mesmo a minha praia, apesar de eu me regozijar com todos os partos artísticos genuínos, independentemente da deflagração do conhecimento. Nunca pensei o fazer artístico, por exemplo, a partir das academias. Agora o sujeito ficar ali olhando pra lua e dai escreve um poema e atribui à lua este mesmo poema sempre foi algo discutível e suspeito para mim, que cheguei a falar em ser este um processo de falseamento e simplificação da realidade, as vezes sem voo estético e valoração alguma. Movimentamos muito a cena cultural de São Luís e do Estado, é inegável. Lembro de minha primeira exposição de poesia pelo Carranca em 99. Foi no Departamento de Assuntos Culturais da UFMA. Um cara do Curare estava por lá. Uma das lendas da poesia da década de 70, o poeta e artista plástico Ciro Falcão recitou poemas meus nesta exposição e os caras do Carranca me apoiaram em muitas ocasiões com logística para minhas produções. Sou amigo de todos até hoje. Eu amava estar ali e acho que o Carranca deu sua contribuição à história dos movimentos culturais ocorridos no Maranhão na década de 90. Assim como ''A vida é uma Festa'', movimento que iniciamos no início dos anos 2000, o Carranca igualmente foi importante para a formação de uma consciência cultural, artística e literária que influenciou as décadas seguintes. Já o Movimento Cultural Baluarte, o MSCB, fundado em 2010, segue firme e forte com representantes em São Luís, Paço do Lumiar, São José de Ribamar, Pedreiras, Raposa e por diversos municípios maranhenses.

04 – De todos os artistas que conheço do Estado do Maranhão, você é o único que não esconde a ninguém certo fascínio com a boemia noturna, seja pela peregrinação numa busca incansável por novas expressões artísticas preocupadas com um apuro estético, ou seja, pelo papel social e sensual que garotas de programas exercem no universo masculino.

Fernando Atallaia - É que a minha geração foi e é uma geração catalisadora. Hoje vemos muitos artistas no Estado trancafiados em seus estúdios de criação escrevendo, pensando e refletindo a partir do teclado, do mouse. Na Poesia Brasileira o que faço não é um grande feito. O próprio Vinícius de Morais era o que chamo de ''notívago sonhador''. Um artista que munido de seus aparatos estéticos, poéticos e pensamentais saia a dialogar com todas as gentes. Inclusive, mulheres, prostitutas ou não. E sonhava. Sonhava no sentido estético ao decompor e dessacralizar a realidade concreta, irredutível para o mundo do sonho, onde putas podem ser primeiras-damas, virgens imaculadas e/ou vice-versa. Posso afirmar, reservadas as peculiares, que o meu processo criativo também passa por essa perspectiva. Mas com maior vigor antropológico. A noite, nessa atmosfera é um dado. Um símbolo que além de representar simbiose é catarse também. ''Noite, Putas e Poesia'', este é um poema meu só para exemplificar. Na esfera pessoal, é claro, sempre fui e sou um apaixonado por mulheres, meus relacionamentos também muito falaram e até hoje falam à minha voz artística, onde encontro na intertextualidade, assim como Chico Buarque de Holanda, a feitura e a concepção de algumas canções minhas. Agora você me cita prostitutas. Sim prostitutas. Na minha canção ''Jardins'' de 2001 digo que elas são ''virgens errantes''. Mas se eu não as tivesse ouvido, as provocado, e se não as tivesse sentido e com algumas me relacionado você pode ter certeza que eu jamais conceberia um verso tão denso e emblemático como este. Poderia sim fazê-lo, mas no meu caso , dentro do que concebo como meu laboratório criativo precisei ir aos recônditos de todas elas. Ir à fonte. E estou nessa desde 1993. Hoje temos teses de doutorado sobre o assunto, artistas cantam o assunto, mas precisamos saber se manuais não estão sendo reproduzidos em série só pelo esforço de alguns caras em quererem dominar o universo das putas ou mesmo agregar aos seus trabalhos uma visão pasteurizada da realidade dos cabarés e suas nuances. Fale de puteiros, putas e afins. Mas saiba encontrar poesia entre eles. Aí complica, porque nem todo mundo consegue, mas muita gente ainda assim anda lançando trabalhos que são no fundo  grandes equívocos, mas que são costumeiramente digeridos por um público menos avisado, o que vem ocorrendo com frequência em todo Brasil.

Como editor de um blog (A agência de Noticias Baluarte) você vê o desenrolar da politica em âmbito politico e econômico no Estado do Maranhão?

Fernando Atallaia - A política do Maranhão é a mais óbvia do País. Não há nada indecifrável aqui. O cara que você elege para lhe representar é o seu maior concorrente. Há vários casos de que o sujeito se elege e logo compra um carro do ano. Ele sempre pensou em ter aquele carro. Então há esta e outras mesquinhezes. O político maranhense precisa provar para o vizinho que deu certo na vida. Que venceu na vida. Essa filosofia do otimista desregrado é perigosa, porque muitos são capazes de tudo para se dá bem no que chamam e justificam como ''vencer na  de vida'', uma vida concebida nos livros de autoajuda que viciam e fecham você na ideia desesperada e desesperadora do ''sucesso'' a qualquer preço. A todo custo. E o resultado desses desvios é o que causam as grandes catástrofes. Ou seja, gente que se utiliza da política para fins particulares, pessoais. Para ''vencer na vida''. Em todo o Brasil é o que rola, mas no nosso estado essa realidade ganha feições bem nativas. Aqui, há dois grupos, o da Situação e o da Oposição. Ou ainda o da Esquerda e o da Direita. O que dá no mesmo. O que os faz diferentes? Somente a posição onde estão. Os que não são Governo querem está lá. E para quê? Para ter as mesmas benesses que aqueles tem. E os que estão lá não querem cair. E porquê? Porque precisam conservar suas famílias, amigos, cachorros, gatos, fantasmas e outros objetos, utensílios no Poder. No Maranhão é assim, o negócio é rasteiro e essa coisa de mudança quando se prega é discurso vazio, porque a mudança em si é só um sintoma dessa vontade do também corromper. A mudança já vem corrompida, inclusive.

Sabemos que você possui três livros inéditos, e um total de quase duzentas canções ainda não registradas em álbuns, você pretende lançar ou ainda não chegou o momento certo?

Fernando Atallaia - Na verdade são 323 canções e em torno de 87 letras sem música e 3 livros inéditos, mas já venho publicando muita coisa no blog da Agência Baluarte, o ANB Online. Estimo que já publiquei cerca de 300 poemas e algumas dezenas de letras minhas nos últimos 2 anos. Há também vários poemas inéditos da obra homônima Ode Triste para Amores Inacabados publicados em sites e blogs de Cultura país afora, além de matérias em impressos, rádio e TV. É, acredito ser  o momento, sim. Estamos trabalhando no projeto de em breve lançar o álbum e o livro juntos. Se possível, ainda este ano. Enquanto isso, muitas canções estão disponíveis nos sites Palco MP3 e Youtube. As pessoas podem ir lá e curtir. Há no Facebook a Fanpage Fernando Atallaia e também o Blog do Fernando Atallaia, uma extensão do projeto ANB Online. Todos podem acessar, indiscriminadamente. Converso com minha equipe que trabalha comigo há 10 anos que queremos que as pessoas pesquisem. Vão lá e pesquisem. Então quando me perguntam ''onde encontrar sua obra? ''. Eu respondo: - Pesquisem que há muita coisa. Não deixa de ser uma forma de fomentar. Temos que pensar a não padronização dos meios de comunicação culturais. DVD, CD, Livro, tudo bem, ótimo. Mas a arte independentemente dos meios é também presencial em outras esferas. Infelizmente o conceito que temos no Maranhão de produção cultural e de propagação, assim bem, como de divulgação e acessibilidade foram definidos pela Indústria. Hoje reclamamos da chamada Música Comercial e somos pejorativos, quando na verdade olhamos a nossa própria obra sob a óptica deste Comercial que nos parece inferior, reprovável e ainda abominamos. É meio contraditório e mostra a fragilidade de nosso discurso que na maioria das vezes pode despencar para a infantilidade e extremismo.

Estamos a poucos dias do inicio da (Feira do Livro) de São Luís, como foi a experiência de ter tocado em uma das edições, e qual sua opinião sobre a feira como veiculo de disseminação de conhecimento no Estado.

Fernando Atallaia - Foi decepcionante e a meu vê a Feira não dissemina absolutamente nada, pois esta não é a sua proposta. Na minha apresentação me deram um camarim sem luz, sem água e uma chave. Pensei: vou precisar de uma vela. Aquilo foi ridículo, mas não menos ridículo do que é a Feira em sua própria perspectiva. Em sua realidade factual, que não passa de um evento onde os artistas literários de outros estados são ovacionados, valorizados e cultuados em detrimento dos escritores de São Luís, que em tese, deveriam ser os protagonistas de todo o espetáculo. Então me deram um camarim sem luz e os altos cachês foram para quem? Ninguém precisa falar mais sobre o fato de que a gestão cultural dos governos de São Luís e do Maranhão sempre foram voltadas para os chamados ''artistas de fora''. Assim como todos sabem que quando essas instituições fazem um convite para um artista de nossa cidade para nos apresentarmos em engodos como a Feira do Livro estamos sendo naquele momento postos em terceiro, sexto, último plano, principalmente quando eles oferecem a você um cachê de migalhas(que inclusive passa meses e até anos para ser pago) enquanto que os convidados do Sul ganham em milhares e contabilizando o pacote, milhões. Dinheiro público investido lá fora. Estão nos chamando de burros. É como se precisássemos da generosidade e da alta sapiência dos ''mestres'' dos outros estados. Somos os bons alunos e nos contentamos, calados. Nós os artistas literários sentadinhos ali ouvindo palestras sobre nós mesmos. É o cúmulo. Mas o curioso, é que quem faz a história dos movimentos literários, musicais e culturais somos nós que estamos aqui e diariamente no debate. E o mais curioso ainda é que a feira se chama Feira do Livro de São Luís em vez de se chamar Feira do Livro de São Paulo, Rio, Minas, o que seria mais coerente diante da supervalorização intelectual desses estados no evento, o que escancara a alma de nossos governantes e seu desprezo por nós artistas da Grande São Luís. Não me é difícil afirmar por exemplo que o prefeito da Capital, Senhor Holandinha e a governadora do Estado, Senhora Roseana nada entendem de nossa arte literária, nada entendem de nossa Cultura à medida em que nos oferecem caraoquês armados para tentar nos convencer, subestimando talento e inteligência. Mas nos convencer  do quê? De sua desvalorização. Ambos, não valorizam a Cultura de seus artistas. Preferem os bahianos, como diria um amigo poeta. Feira do Livro de São Luís é algo que não debato mais, pelo simples e notório fato de ela não pertencer a este debate. No futuro, quem sabe, se pertencer e se se apresentar de fato como a feira do livro de São Luís terei prazer e honra em participar.

Por fim gostaria de agradecer a entrevista, e pedir que você deixe sua opinião sobre qual o real papel do artista maranhense nos dias atuais.

Fernando Atallaia - Bem, eu acredito que o papel do artista do Maranhão só ele mesmo saberá conceber a partir de suas elucubrações, aporrinhações e descontentamentos que são sempre presentes, uma vez que falar sobre o papel do artista na Sociedade é tema de uma discussão sempre pertinente, mas que não pretendo tocar agora para não me alongar demais. Mas muito se falou em união, organização dos artistas em movimentos e até em associações de classe. E eu sempre acho essas iniciativas vitais ao Fenômeno Cultural em todo e qualquer país, estado, cidade, comunidade, localidade. Sob o ponto de vista da participação ou do engajamento, o Maranhão é ainda um dos únicos estados do Brasil onde o artista teria que manter uma função social quase que obrigatória diante do não investimento e da não aplicabilidade de políticas públicas para o Setor, que é visto como diversão e dilentantismo barato pelos Governos. Eu penso que a única obrigação do artista é com sua construção artística, com seu fazer cultural. Quando ele é ferido no exercício dessa função para ir ao debate contra Governos está mais do que provado que estes Governos não o respeitam e nem tampouco o valorizam. Pior que isto: estes Governos( e aqui no caso, o do senhor Holandinha e o da senhora Roseana) não servem para sua população, sua gente, seus cidadãos. Portanto, merecem ser depostos. 

        
                                                                  Fernando Atallaia

quinta-feira, setembro 12

Devotos de Riba - Entrevista com o vocalista Alex Soares.

Devotos de Riba fazendo um Som no Odeon

Quem é a Devotos de Riba e como a banda se formou?
Em 2000, depois de 12 anos afastado da ilha, voltei de Recife com umas letras e uns riffs de guitarra. Já tinha umas coisas na minha cabeça, como estéticas, texturas e, uma premissa principal, tocar músicas fáceis para todo mundo se divertir. Mas eu sozinho, não me bastava. Foi aí que comecei a procurar  parcerias. Tarefa árdua. Esse lance de parceria requer sintonia entre os integrantes. Depois de anos procurando e sem obter resultados, acabei desistindo. Então, reencontrei um amigo que estava morando em Belém e, assim, surgiram os primeiros sons da Devotos de Riba. Na época tocávamos com uma bateria eletrônica, depois convidamos alguns bateras, até chegar o Marcelo, que entendeu a proposta e deu uma harmonização de bateria mais orgânica. Na guitarra e vocal, eu, Alex Soares. No baixo e vocal, Dárcio Souto. Na bateria, Marcelo Lennon. Hoje, é assim que a banda toca.

O quê significa o nome da banda?
É uma brincadeira com as coisas de São Luís. Essa terra é marcada por crenças e poder. São devotos de todos os santos, entre eles São José de Ribamar e de outro José de Ribamar (risos). Isso é a cara de São Luís.

Quais as influências musicais da banda?
As influências da banda vêm desde os rocks clássicos (Led, Black Sabatth, Deep Purple, The Who, Doors) e de outros mais modernos (Black Keys, Queens Of The Stone Age, MGMT), além de uns brasileiros como Raimundo Soldado, Roberto Carlos, Ronnie Von, Demétrius, Júpiter Maçã e Odair José. Outras influências vieram do reggae, do jazz e de qualquer coisa que seja legal, ou não.

Vocês já têm algum material gravado?
Estamos nos preparando para gravar nosso primeiro EP. Acredito que em outubro ou novembro deve estar pronto. Aguardem.

Gostaria de agradecer pela entrevista e o espaço é de vocês.
Obrigado pelo canal de comunicação e viva o rock alternativo! São Luís precisa de muitas bandas autorais, então, você que toca alguma coisa, saia da garagem e vem pra rua.

Dá um play nessa Música ( Barbie) 


segunda-feira, fevereiro 25

John Lennon - Por Mim e Ele Mesmo




 À Mauricio Sousa                                                                                                      
 Por Natan Castro.  


A minha vida ta ligada à música desde sempre, na mais tenra das minhas lembranças da infância, lembro-me de ouvir muita música brasileira num rádio trazido por uma madrinha de São Paulo a nossa casa. Há época já tinha um irmão como locutor de rádio que de certa forma foi bastante influente nas minhas preferências musicais. Toda minha família é musical esse lado é bastante forte pelo lado do meu pai, meu pai era um daqueles que podia passar o dia inteiro próximo a um rádio. Muito do seu conhecimento da vida veio das ondas de um rádio ligado, haja vista que ele era analfabeto, lembro-me de no dia do seu enterro colocarmos ao lado do seu caixão dois rádios de pilhas que ele tanto prezou durante grande parte de sua vida. Durante certo tempo de sua vida meu irmão mais velho apresentou um programa que tinha na Rádio Mirante FM (São Luis-MA) chamado Beatles. Esse mesmo programa durou vários anos e ainda criança ouvia sempre, mas somente na adolescência descobri os Beatles como grande banda e na minha e da maioria dos amantes dos bons sons a maior banda de rock de todos os tempos. 


Ao me aprofundar descobri a persona de Sr. John Lennon um gênio, como vários Beatlemaniacos o amei e depois o odiei ao saber que ele tinha tido a infeliz ideia de acabar com essa que agora era minha banda do coração. Porém um dia indicado por um grande amigo Mauricio Sousa, comprei o livro que possuía a histórica entrevista dada por Lennon e Yoko Ono a revista Playboy. Muito do que sou hoje veio das informações que obtive através das ideias de John Lennon recolhidas por mim nessa entrevista, até hoje sempre releio e apesar de datar do ano de 1975 parecem muito, mas muito atuais. 

Entrevista de John Lennon a revista Playboy 1975. 

Playboy: Comecemos por John. O que você andou fazendo desde 1975?
Lennon: Andei fazendo pão e cuidando do bebê.
Playboy: O quê?
Lennon: Cansam de me perguntar, 'Mas o que você tem feito?' eu respondo: Você está brincando? Toda dona-de-casa sabe que bebês e pães são um trabalho de tempo integral.
Playboy: Por que você se tornou um homem caseiro?
Lennon: Dos 22 aos 30 anos passei minha vida envolvido em contratos e compromissos. Eu não era um homem livre. Meus contratos eram uma manifestação física de uma prisão. Passou a ser mais importante para mim me encarar e encarar a realidade do que prosseguir no mundo do rock'n'roll - e ficar oscilando de acordo com os caprichos de meu próprio desempenho ou da opinião pública. O rock já não tinha graça para mim. Decidi não seguir os caminhos habituais de quem lida com o negócio - ir para Las Vegas e cantar seus sucessos, se você está feliz, ou ir para o inferno, que é para onde foi Elvis Presley.
Playboy: Muita gente teria continuado a trabalhar mesmo assim. É porque não consegue achar uma saída?
Lennon: Muita gente não vive com Yoko Ono.
Playboy: Quer dizer...
Lennon: Muita gente não tem uma companhia que lhe diga a verdade e se recuse a viver com um artista de merda, que é o que eu sei muito bem ser.
Playboy: Yoko, o que você sentiu ao ver John se tornando um homem caseiro?
Ono: Quando John e eu saíamos as pessoas perguntavam a John, “O que você anda fazendo?” Mas nunca perguntavam a mim, pois, como sou mulher, nunca se espera que eu faça alguma coisa.
Lennon: Enquanto eu limpava a sujeira do gato ou alimentava Sean, Yoko se sentava à mesa, em salões enfumaçados, com executivos de terno e colete que mal conseguiam abotoar, de tão gordos.
Ono: Eu me encarregava dos negócios - a APPLE, a MACLEN (respectivamente, a gravadora e editora dos Beatles) - e dos novos investimentos. 

quinta-feira, maio 17

O Delirium* de Saulo


*O termo delirium deriva do latin delivare que significa “estar fora do lugar”, apesar de que hoje esta seja usado como “confuso, fora de si ou um sintoma neuropatológico etc etc”, mas o sentido a qual pus o título é o primeiro.


Diego Pires entrevista Saulo Pinto* por via e-mail.

*Economista e Professor de Teoria Econômica do Instituto Federal do Maranhão/IFMA e contribuinte do blog Tempo de Crítica  

Não há muitos dias conversando com um amigo socialista ele me afirmou: “Enquanto houver um lugar nesse planeta terra onde uma criança morre de fome haverá Marx”. Marx é a verdade?


Eu conheci Marx em um desses funerais! Na verdade, em cada período histórico, abre-se uma janela dos desesperados em que a ignorância em estado puro alimenta todos os irracionalismos possíveis… O que realmente Marx fez foi justamente construir uma “crítica impiedosa a tudo o que existe”, conforme disse em carta ao seu camarada Arnold Ruge. É óbvio que, em tempos pós-modernos, o pensamento enquanto uma objetivação está liquidada. O que é produzido nas universidades são mercadorias, fragmentos de pseudo-pensamentos que têm como característica nada dizerem. Na verdade, quanto mais folclórico e exótico for o “não-dizer” dos mercadores do saber, mais entusiastas adotarão em blocos organizados uma militância em nome das modas “novidadeiras” de elogio a tudo o que existe. Marx considerava toda falsidade como o “falso” socialmente necessário, na manutenção das ilusões indispensáveis à reprodução das condições objetivas-subjetivas do capitalismo mafioso. Assim, é estranho que todas as epistemologias não marxistas, por exemplo, advoguem uma espécie de neutralidade do discurso sobre a verdade que, em hipótese, Marx sustentaria. Nada mais falso! Marx produziu uma ontologia do ser social e toda natureza humana é historicamente condicionada pelo modo de vida de um padrão de sociabilidade determinado. As coisas caem para baixo e não para cima! Isto significa que a verdade não está em Marx, mas nas contradições e nas potências deste modo de regulação social. Onde quer que exista capitalismo, certamente, existirá a necessidade objetiva-subjetiva da crítica ao que existe. Pois, o modo de destruição do capitalismo exige  sua necessária e irrevogável superação. Marx existe de maneira inabalável enquanto as condições objetivas-subjetivas do capitalismo mafioso existirem e seu porrete será erguido por todas as gerações que não se renderem às seduções da vida estranhada. De todo modo, precisamos formar marxistas-poéticos… O que seria a revolução total senão uma grande poética inaudível? Na verdade, acho que faço parte de um marxismo não-alinhado e enquanto tal parece-me difícil ter hegemonia, mesmo entre “nós”… É preciso dar um passo adiante, com pedradas e palavras, pelo comunismo!


Há 8 anos voto na legenda do PSTU apesar de não ser Socialista, mas acredito que seja o único partido honesto e capaz de um Revolução no miserável Maranhão e subsequente quebra das Oligarquias (Utópico e Anacrônico? Não sei.)  Pensas como eu?

Um partido comunista é um sempre um intelectual orgânico, é sempre uma “totalidade destotalizada”, plagiando J-P Sartre, como negativo do que existe realmente. Fui militante do PSTU e, ao contrário de muitos amigos socialistas e comunistas, respeito bastante esta organização. Mas estou hoje “fora” … Todavia, o PSTU é um partido da separação e como tal não pode ser mais do que o negativo. A afirmação socialmente necessária e capaz de gerar uma situação irreversível depende, necessariamente, funda-se no pluralismo socialista-comunista. Tenho dificuldades teórico-práticas em compreender o processo de “revolução total” sem a participação do maior número de organismos e proto-organismos de “guerrilha”, isto é, entendo-os como instrumentos mediadores para a “Guerra de classes” que se processa organicamente no interior das contradições do capitalismo mafioso. Assim, o PSTU é um partido importante, honesto, de lutadores e lutadoras, mas não possui a ontologia da luta, são parte necessária dela e indispensável para a sublevação total da nossa classe, dos explorados oprimidos e humilhados, mas repito, não são a vanguarda da vanguarda da “revolução total”. Ainda assim, penso!, quem vem primeiro, a vanguarda ou a retaguarda? … A revolução proletária brasileira exige um determinado pluralismo socialista-comunista. Não há outra forma, não há remédio, não há atalhos… No que diz respeito ao Maranhão, tenhamos calma! Trata-se de uma quadrilha que se organiza na forma de máfia para estabelecer e reproduzir de maneira indefinida seus poderes, mediante a reprodução de relações burocrático-patrimoniais infinitas. Não gosto da crítica moral à oligarquia, parece algo infantilizado… A única crítica relevante tem que brotar da esquerda radical. Sem uma política e uma crítica radical, teremos apenas uma disputa de poder intra-oligárquica, que enganará o proletariado de todas as flexibilizações a depositar sua confiança nas eleições burguesas, este velho cardápio de mentira e cinismo em estado puro. Temos muitos pseudo-intelectuais que comem e vestem à custas da existência dos “sarney”… Penso que existe a necessidade social do surgimento de uma nova geração de críticos radicais no Maranhão… Não estou convencido do que dizem por aí… Fico imbecilizado de tanta besteira! … Sei e reconheço que existem o Flávio Reis e o Flávio Soares, mas o que resta depois? … São dois críticos muito inteligentes, sagazes e, pasmém!, anti-acadêmicos, seus colegas da universidade não os aceitam (risos…), ainda bem! Não estão perdendo nada… Eles desconhecem isso, mas “nós” (um pessoal descartável para o partido dos idiotas com doutoramento), os mais marginais de todos, gostamos deles! … Só lembrar do título do último livro do Flávio Reis, “Guerrilhas”… Quem teria coragem e ousadia de dar a um livro um título tão anti-acadêmico? … Os doutores em bobagens preocupam-se com seus currículos acadêmicos… Os intelectuais têm horror à luta, aos pobres, ao pensamento radical, pois têm horror à qualquer revolução!

Ouço de amigos: - sou pós-moderno. Parecendo assim negar a barbárie da realidade ou mesmo dizer que esta acima de tudo isso ou ter uma leitura errada do termo, pois ser pós-moderno não é necessariamente negar a “luta de classes”. E assim o tal do “Sistema” continua esmagando com suas botas selvagens o pescoço do mesmo... Por favor, me corrige se estiver errado?

Risos… Marx fundou a pós-modernidade… No único sentido realmente válido socialmente. Ele inaugurou uma nova forma de fazer ciência e filosofia, sugerindo uma modalidade em termos de praxis para a mudança total do mundo. A crítica à modernidade é uma forma de deslocar a centralidade do modo de produção do capital para algo difuso, sem qualidade, desprovido de intencionalidade. O pós-modernismo centra seu fogo na crítica às grandes narrativas, ao sujeito do conhecimento, à pretensa identidade de classes, e outras banalidades básicas. Na verdade, o pós-modernismo produz sua pseudo-crítica ao marxismo, mas estipula em termos de crítica à modernidade! E qual seria o motivo? Trata-se de uma ideologia própria ao tempo histórico do imperialismo! … Lukács formula bem esta questão, mostrando uma correspondência necessária entre formas de dominação econômica e decadência cultural. Então, penso que o pós-modernismo que tem em Nietzsche e, depois, em Heidegger seus expoentes mais importantes, formula sua crítica ao progresso, opondo-se à Revolução Francesa com todos os seus atributos importantes e, portanto, da necessária superação do velho pelo novo, de toda forma de superação do existe pelo processo de “revolução total”. Trata-se, sem dúvida, de uma forma aristocrática de formulação intelectual em contrapartida a toda necessária formulação democrática emancipatória, etc… Os pós-modernos são bárbaros, novo-bárbaros! … Assim, não há saída nem muito menos nenhuma alternativa radical e historicamente irreversível na doxa pós-moderna… Como já disse, precisamos recomeçar por Marx…

Mudando um tanto de assunto. O seu espaço no blog no “Tempo de Critica” me lembra, às vezes, o poema adaptado os “Os Patos de Rui Barbosa” do português Joaquim Custelo. Quem é seu público? Pois a imensa maioria fala outra língua.

Não conheço este poema. Não temos público, na verdade, temos inimigos e alguns poucos amantes. Certamente, se alguém perde seu tempo lendo nossos textos e ensaios, deve ser a polícia, os especialistas em segredo! Os ideólogos ineptos imbecis dos “grupelhos” burocracos-patrimoniais que estejam querendo aprender a escrever (risos…). Pulando a acidez, não sei quem são nossos leitores… Primeiro, não escrevemos nada demais, apenas misturamos, eu e Vinícius, delírios de mesas de bar, alguns sentimentos reprimidos pela sociedade do estranhamento, algum pitaco sobre uma sublevação na esquina…  Têm pessoas que dizem que não entendem nada, mas continuam acessando às publicações do blogue… Não entendo! … Na verdade, sinto-me invisível, sinto-me “fora” sempre, um precarizado e descartável flexibilizado… Muitas vezes já pensei em sair do blogue, em tornar-me um “eremita na cidade” (risos…), mas não dá! … o problema é quero mudar o mundo e isolado isto se torna uma impossibilidade ontológica… Na verdade, tenho percebido que é possível dialogar com alguns públicos bem juvenis, mas pequenos grupos… Eles têm vida, pulsão, mas estão jogados ao mundo cotidiano do desfiladeiro… Antes que se joguem de vez, temos que freá-los… Se não fizermos isto, acho que vão virar “gentes sem qualidade” nenhuma… Vamos parar por aqui, tenho que voltar para os delírios…