segunda-feira, fevereiro 2

Espantalho

     Nas amplidões de tua carne
         território demasiadamente selvagem
 sigo como um notívago ébrio
              sentinela dos sentimentos obscuros
    pairando entre colchas encharcadas
                e vociferando pela noite adentro
     
Lanço no espaço profundo
                   meus braços cansados
         enquanto você geme
                  e sonha novas eras
  ... seguimos como siameses
           colados em suor
  profetas ou videntes
            anunciando um orgasmo
                        na chuva que desaba lá fora

                (Gotas de suor
      se misturam com as gotas da chuva
 caídas do telhado retalhado)

              Como um eremita
     escondo-me na tua caverna
                  tatuando sensações no teu corpo

         e gotejando dentro de ti
           ... em poucos minutos
 ficarei como um espantalho
             a esperar o sono

        que cairá lento junto ao travesseiro

Paço do Lumiar, 2008