domingo, abril 21

Bom Dia


O sol nasceu amarelinho e de olhos meios fechados tímido e coadjuvante diante de tantas nuvens paquerando com o céu azul e um bando de passarinhos fazendo a trilha sonora e um poste que dizem ser o mais atrevido da rua deu um bom dia sedutor pra senhora de saia verde que ia passando com pães quentinhos da padaria do galego da quadra numero vinte e um e os pés dela iam cada vez mais longe do asfalto molhado da chuva forte de ontem e um tanto resfriado e irritado com tanta garrafa pet e bitucas de cigarro na sua cabeça e cocô de cachorro. 

sábado, abril 20

O Canto dos Malditos - Jorge Mautner


                                                            Filho do Holocausto


Poeta, músico, filósofo e escritor para fechar a série com os malditos da MPB, falaremos de Jorge Mautner, carioca de mãe Iugoslava e pai Austríaco, segundo o próprio ele nasceu aqui no Brasil depois de um mês que seus pais fugiram do holocausto. Jorge aprendeu violino muito cedo através de um padrasto, desde cedo começa a escrever, data dos 15 anos seu livro “Deus da Chuva e da Morte” o livro compõe o inicio de uma Trilogia. Adere ao comunismo em 1962 e mantém contato com o anarquista e poeta Paul Goldman nos E.U.A, representando significativa influência em seu pensamento.

Em 1970 vai para Londres onde se aproxima de Caetano e Gil, e inicia uma forte parceria estética que dura até os dias atuais. Voltando ao Brasil começa a escrever para o Pasquim, nessa mesma época conhece Nelson Jacobina seu parceiro musical por muitos anos. Em 1974 sai o álbum (Jorge Mautner) com capa de Rogerio Duarte designer do Tropicalismo e produção de Gilberto Gil. No álbum Jorge Mautner destila toda uma forma peculiar de tratar de filosofia, engajamento politico e poética tudo num caldeirão musical, com participação de Roberto de Carvalho (Marido e Músico de Rita Lee) no inicio de carreira tocando teclados, tem ainda músicos tropicalistas como Tuti Moreno e outros. A maioria das composições desse álbum é de parceria dele com Nelson Jacobina, neste álbum se encontra a música símbolo de um movimento surgido décadas depois no Recife, denominado Mangue Beat, a música é Maracatu Atômico regravada por Chico Science que foi sucesso nacional no inicio dos anos 90.

Em 2012 o jornalista global Pedro Bial filmou o documentário “O filho do Holocausto” contando a trajetória de vida e artística de Jorge Mautner. Por representar de forma quase mitológica a resistência intelectual e musical dos anos de chumbo da ditadura até os dias atuais. Jorge Mautner possui e sempre será detentor de uma cadeira mais que cativa na Academia Brasileira dos Artistas Malditos.

Documentário "O Filho do Holocausto" - Trailler 

Fora


Por que você me deixa no vácuo? Como um buraco negro dessas das galáxias. Eu falo e você não me responde. Minhas palavras não tem mágicas nos seus ouvidos ou nem passam pelo tímpano ou nem sei mesmo o que acontece. Droga! São totalmente inócuas. Não sabia que o oposto do amor é a indiferença? Dói. Sangra como uma hemorragia e não tem doadores, compressa, cirurgia, remédios, placebo, porra nenhuma! É fatal. Um fora vai escrever o médico legista numa letra difícil de entender no obituário na causa mortis. Tenho certeza que você não vai aparecer no meu enterro e jogar umas flores quando o cachão estiver sendo coberto por areia por um coveiro magro e cansado e as pessoas estarão ao redor, a maioria de óculos escuros, escondendo suas lágrimas sob um céu nublado e um leve chuvisco. 

sexta-feira, abril 19

Movimento Sebo No Chão


Por Izabel Almeida do Domicílio Literário


O Movimento Sebo no Chão aconteceu nesse último domingo, na Praça Nossa Senhora de Nazaré (Bairro do Cohatrac), com a proposta de cultura livre, tendo livros e comida vegetariana e boa música. A banda The Thomas, formada pelo Tammys Loyola, PJ e PH, embalou o público com o seu folk acústico, tendo músicas próprias e de suas influências, como Vanguart, Fleet Foxes e Dry The River. A idéia do movimento dá uma chance para conhecer, não só novas pessoas, mas também para saber mais sobre a comida vegetariana – o que é uma proposta ótima e com preço acessível - A vontade de criar o movimento já existia, mas se deu inicio no dia 8 de abril desse ano. Com os organizadores Diego Pires, Jorge Davi, Mateus Mendes, Erick e Raíza Gabriela com a intenção de fazer um ambiente alternativo, com cultura e leitura, levando para as pessoas uma forma de troca de conhecimento e socialização. O encontro pretende ir à praça duas vezes ao mês, com palestras, música ao vivo e exposição de livros. Fernando Atallaia fechou com chave de ouro, com músicas de sua autoria, com voz e violão.  




quinta-feira, abril 18

Ismos


Ela gostava das palavras “sexismo”, “machismo” e “feminismo” e outros “ismos”. Falava com uma propriedade no assunto e gesticulava as mãos e tinha certeza que ela ia mudar o mundo um dia. Sempre parecia que ela falava para uma multidão em cima de um palanque como um político. Tipo um Hugo Chávez, um Sarney nos anos 60 ou um Lula nos anos 80. Eu escutava ali na minha e mostrava meu pau do nada e ela chupava e depois fazia todo tipo de movimentos possíveis que a natureza nos permitia com ela na sala de estar ou no quarto ou em qualquer lugar que ninguém perturbasse. Assim era a única forma de calá-la e escutar somente seus gemidos e nada de ismos. 

terça-feira, abril 16

A visita cruel do tempo





Por Natércia Garrido


“É essa a realidade, não é? Vinte anos depois, a sua beleza já foi para o lixo, especialmente quando arrancaram fora metade das suas entranhas. O tempo é cruel, não é? Não é assim que se diz?”



A visita cruel do tempo (Ed. Intrínseca), da autora norte-americana Jennifer Egan, chegou ao mercado editorial brasileiro em 2012 com sua melhor “carta de recomendação”: a de ganhador do Prêmio Pulitzer do ano de 2011 por melhor obra de ficção. Para quem não acompanha intimamente os prêmios literários mundo afora, o Pulitzer é concedido pela Universidade de Columbia (NY) desde 1917 a trabalhos publicados nas áreas de jornalismo, literatura e música.


A história gira em torno da vida de pessoas que transitam no mundo da música – esse é o pano de fundo: a indústria fonográfica e o rock’n’roll, desde a década de 1970 até os anos atuais. Mas o que se discute aqui é a metáfora clara da passagem do tempo, principalmente para essas pessoas que achavam que, por serem jovens, a vida noturna, a juventude e os efeitos das drogas nunca cessariam; ou melhor, nunca trariam consequências.


Então, em um ritmo linguístico alucinante – por isso a leitura flui como o som das batidas das bandas dos anos 70 e 80 , Egan nos faz acompanhar os vinte anos das vidas de Bennie Salazar, um executivo egoísta da indústria musical; de sua sexy assistente Sasha; de Bosco, um guitarrista decadente da explosiva banda Conduits – grande descoberta de Salazar nos anos 80; de Lou, um produtor musical viciado em cocaína e em ninfetas; e das pessoas que rodeiam esses iconoclastas. O que resta afinal...é descobrir como o tempo pode ser cruel e implacável quando aparece tão de repente.