segunda-feira, março 11
domingo, março 10
UTI
Me sacode
Me esmurra
Enfia o dedo no meu olho
Sacaneia da minha cara
Descola uma coisa boa pra mim
Pareço num coma sem aparelhos
Estirado na cama de um quarto alheio
Sem romantismo nenhum, um dois, três, quatro
Canta uma música.
sábado, março 9
O Canto dos Malditos - Jards Macalé 1972
Vai bicho desafinar o coro dos contentes
Por Natan Castro.
Muito se fala em Tropicália,
MPB da virada dos sessenta para os setenta, Bossa Nova, Jovem Guarda. E vários
são os artistas ovacionados nesse período no Brasil. O próprio Caetano Veloso à época do exílio em
Londres produziu dois discos importantes dentre eles um clássico chamado Transa.
Sem dúvida alguma um álbum genial porem toda sua genialidade pela parte musical
não teria se consumado se não fosse um cara chamado Jards Macalé. Um iconoclasta da nossa cultura, um artista que
passeia até hoje pelo o erudito e o popular com uma desenvoltura que poucos
possuem.
Em 1972 ele lança um
álbum ousado misturando rock, samba, eruditismo, jazz, bossa nova, tropicalismo.
Em plena ditadura não poderia haver ousadia musical maior, um acetato
minimalista, pois tinha o próprio ao violão, Lany no violão solo e Tutty na
bateria. Esse disco tem a clássica “Lets Play That” que se tornou um hino da resistência
por conta do refrão “Vai bicho desafinar o coro dos contentes” junto da vinheta
de outra importante canção “Vapor Barato” eternizada na voz de Gal Costa de sua autoria e do poeta Wally Salomão. Esse álbum possui letras
e músicas de Torquato Neto, Luiz Melodia, Gilberto Gil dentre outros. Tamanha
ousadia musical deu a Jards Macalé um lugar cativo na cadeira da Academia Brasileira
dos Artistas Malditos com bastante propriedade.
Incerteza.
Pego um ônibus qualquer.
Posso descer em qualquer parada. Saca? Partir sem saber pra onde. Posso ser atropelado por
um carro a 100 por hora. Posso parar na casa de alguém. Posso ver um burocrata
entrando num banco e uma mulher saindo de uma academia. Posso ver o sol se
pondo sobre minha cabeça se não tiver nuvens. Pode não acontecer nada disso.
Mas é tudo incerto quando parte-se sem saber pra onde. Nem o vento é certo,
pois o ar pode estar sem movimento. O que é certo é exatamente o não certo. A porra
da incerteza é o lance.
quarta-feira, março 6
Livre Como um Pirata - Cap.6
No primeiro dia do ano eu te vi feliz como nunca quando o Negão, com um grama de inocência e um quilo de espírito de porco arrastou a picanha dos meus pais da churrasqueira e começou a comer sozinho. Eu não consigo mais me imaginar fritando um bicho e comendo-o, você sabe. Mas era dos pais e da visita, poxa! Aí nós o pusemos de castigo e te demos aquele pedação de carne para comer sozinho. Nunca imaginaríamos que conseguiria.
Com seus poucos dentes, mas paciência de sobra, em pouco menos de uma hora você conseguiu terminar o jantar e depois foi deitar no quintal, feliz da vida. Você nunca teve a oportunidade de comer nada em paz, já que o Negão ficava te enchendo o saco, mas dessa vez eu te vi com um sorriso grande estampado no rosto depois da refeição. Nós profetizamos:
-
Eita que 2013 vai ser o ano do Pirata!
Só
começou bem mesmo. Mais uma vez nos equivocamos na profecia.
Tammys
O Papa latino ou negro?
Desde
o anuncio da renuncia do Papa Bento XVI (Joseph Ratzinger) no dia 11 de
fevereiro de 2013 para o último dia do mesmo mês (28), especula-se que o
próximo papa seja um latino, mais precisamente aqui na América do Sul,
ampliando as chances dos cardeais brasileiros, entre eles o Dom Raymundo
Damasceno, Dom Cláudio Hummes, João Brás de Aviz, Dom Geraldo Magela e Dom
Odilo Scherer, não sendo o brasileiro, pode ser o argentino, se não for nenhum
dos latinos aqui no nosso continente, pode ser o espanhol, português ou
italiano.
Porque
esses países citados têm raízes fortíssimo com o catolicismo, e se não for o
latino, pode ser o negro africano. Porque a santa igreja pode escolher um
latino ou negro? A
renuncia do Papa Bento XVI deixou a mostra a crise da igreja, para se ter uma
ideia da dimensão desta crise, a última renuncia do papa foi a mais de 600
anos, uma série de denuncias como o caso do Vatileaks, denuncias de corrupção e
lavagem de dinheiro envolvendo o banco do Vaticano e envolvimento de padres com
pedofilia e homossexualismo.
O
Joseph Ratzinger é um conservador que não aceita as mudanças feita pela
sociedade e também não aceita que a igreja católica adere, como a legalização
do aborto e a união civil do mesmo sexo, por exemplo, e mesmo com o
conservadorismo, não compactuava com as denuncias envolvendo padres e cardeais
que maculavam a imagem da igreja.
Entretanto,
o Bento XVI não queria manchar a imagem da instituição que já está desgastada há
muito tempo com os escândalos, crimes praticados como a Inquisição e
posicionamentos contrários as mudanças que vem ocorrendo na sociedade como eu
citei anteriormente, mediante as estas circunstancias, resolveu renunciar para
garantir a unidade da igreja, mas acabou mostrando ainda mais a crise que rola
nos bastidores, principalmente entre os cardeais que participarão do conclave
para a escolha do novo papa.
As
sucessivas denuncias de corrupção e atos libidinosos das autoridades da santa
igreja nos últimos anos aumentou o descredito de fieis e afastamento destes da
igreja em todo o mundo, crimes praticados nos tempos da Santa Inquisição, o
apoio a regimes tirânicos de militares, apoio a colonização do continente
americano que resultou praticamente no extermínio de nações indígenas, apoio a
colonização na África e o apoio no sistema de mão de obra escrava,
especialmente de negros africanos reforçaram ainda mais o descredito da igreja
com os fieis.
A
prova do descrédito é na própria Europa, que aumenta e muito o número de fieis
que não participam sequer em missas e não seguem a ordem religiosa,
contribuindo assim para o crescimento de ateus e agnósticos, o posicionamento
da igreja contra homossexuais e contra as mulheres que usam as pílulas
anticoncepcionais, praticaram o aborto, divorciadas, não querem o casamento,
não querem ficar dependendo de homem, seja do pai ou do marido, não querem ter
filhos, ter filhos depois de obter independência financeira e ter filhos fora
do casamento sem fazer questão da presença do pai, se afastaram da igreja.
Aumentando
consequentemente o ódio a igreja e em especial ao papa, foi assim com o Papa
João Paulo II que foi vítima de atentado, o Bento XVI que foi alvo ao longo
destes 8 anos de uma fúria implacável de feministas que defendem o direito
irrestrito das mulheres que a própria igreja condena e de homossexuais que tem
direitos renegados mesmo quando o estado concede.
A
possível escolha de um papa latino ou negro é uma forma de resgatar a
credibilidade da igreja, como foi dito anteriormente, a Igreja Católica
participou ativamente no processo de colonização que resultou no extermínio de
muitas nações indígenas e apoio a mão de obra escrava em que muitos africanos
foram arrancados na África e trazidos para cá como animais.
Que
a própria igreja contribuiu para a dominação do homem branco através de
jesuítas que tiveram a missão de europeizar os índios, muitos padres foram
também senhores de escravos ao terem os negros como propriedades e propagavam a
tese “Que os negros não tinham alma” e “Que negros são descendentes de Cam, e a
cor negra na pele era uma maldição dada por Deus a estes, e a escravidão era
uma forma disciplinar para adequar os mesmos ao trabalho e tirá-los do ócio” e
muitas outras teorias que reforçaram o racismo no passar dos anos e os negros
passaram a serem vistos de forma negativa em todos os aspectos.
A
escolha de um latino e principalmente aqui no continente americano é uma forma
de minimizar as atrocidades cometidas pela igreja em virtude do catolicismo ser
muito forte especialmente na América do Sul, porque de forma ou outra, a igreja
fez parte na formação de nossa sociedade, e tem grande parcela de
responsabilidade pela concentração de renda, desigualdade social, pobreza,
miséria e exclusão social nos países da América Latina, inclusive no Brasil.
Diante
desses fatores, a igreja quer recuperar a sua imagem, porque o analfabetismo é
muito grande no continente e a igreja tem influencia enorme sobre as pessoas,
principalmente no assunto sobre o aborto, homossexualismo, família e
propriedade privada. Porque a sociedade da América Latina, e especialmente aqui
no Brasil é fortemente conservadora, e isso é bom para a igreja.
Porque
maior a pobreza, maior o analfabetismo, maior o analfabetismo, maior a
dominação e manipulação, esse é o intuito da igreja em escolher o papa latino
ou negro africano.
Os
europeus se libertaram das garras do catolicismo, não permitindo mais o poder e
influencia sobre os indivíduos, mesmo em países tradicionalmente católicos como
a França, Alemanha, Itália (o estado do Vaticano fica no coração de Roma,
capital do país), Espanha, Portugal, Inglaterra e muitos outros, mesmo em
países como a Grécia, por exemplo, onde o catolicismo ortodoxo é muito forte,
mas, contudo isso, a igreja está fortemente desgastada.
O
possível papa negro africano, é uma forma de minimizar as atrocidades cometidas
pela igreja, principalmente ao apoiar a colonização e a escravidão de negros do
continente que serviram de propriedade a muitos brancos europeus, mas também
expandir o catolicismo na região pra frear a influencia muçulmana e as
religiões locais de etnias que até hoje mantém os costumes apesar da forte
repressão de estados europeus durante as colonizações e da própria igreja que
enviavam padres para europeizar os nativos, no mesmo processo com os indígenas.
Ao
contrário de muitas nações indígenas que foram exterminadas, os africanos
resistiram as colonizações e a manipulação da Igreja Católica, mantendo as suas
culturas e tradições que quiseram exterminar, a escolha de um possível papa
negro é para propagar a religião no continente e frear a influencia e poder muçulmano
e islâmico, que é presente no Norte da África como na Argélia, Tunísia e Egito,
por exemplo, mas é também presente na Nigéria, Quênia, Uganda e Etiópia, que
são países onde os católicos e muçulmanos praticamente vivem em conflito.
E
também as religiões locais que eu ressaltei anteriormente, como o candomblé,
umbanda e vodu, por exemplo, que é muito forte e presente aqui no Brasil e
Haiti, que foram trazidos por escravos africanos.
A
Igreja Católica pensa em mudar os seus posicionamentos ou aderir aos poucos às
mudanças? Não! A igreja é uma das instituições ou se é a mais antiga da
humanidade, sempre foi avessa às mudanças com o passar dos tempos, criou a
Inquisição justamente para perseguir aqueles que eram contrários as suas
doutrinas e impedir as mudanças que estavam ocorrendo.
E
quem mais sofreu com a Inquisição foram justamente os intelectuais como Galileu
Galilei, mulheres como a Joana D´arc, homossexuais ou pessoas comuns que eram
condenados injustamente e muita das vezes sem saber os motivos.
A
inquisição acabou, mas as perseguições continuam até os dias atuais, para se
opor as mudanças feita pela sociedade, se aliou aos tiranos como o Francisco
Franco na Espanha, Antônio Salazar em Portugal, Pinochet no Chile, Mussolini na
Itália, Hitler na Alemanha e em muitos países na América e na África governado
por ditadores.
Foi
assim aqui no Brasil ao apoiar o golpe de 1964 orquestrado pelos militares,
sendo conivente e cumplice com as práticas de torturas, sequestros,
assassinatos e desaparecimentos das vitimas.
A
Igreja Católica reforçou a imagem negativa dos comunistas, “Que todo comunista
é ateu”, “Que comunista é comedor de criancinhas”, “Que comunista não permite
propriedade privada, ou seja, ter casa própria ou carro, por exemplo”, os
comunistas passaram a ver visto de forma satânica, fazendo criar o imaginário
popular entre as populações pobres e analfabetas a terem medo de comunistas.
A
escolha do polonês Carol Wojtyla, o Papa João Paulo II em 1978, foi para
combater o comunismo e incitar os católicos dos países do leste europeu a
lutarem contra o regime comunista controlado pela antiga União Soviética.
A
Igreja Católica fez campanha contrária a Dilma Rousseff nas eleições de 2010
para presidente da república por ser favorável ao aborto e por ter participado
de uma guerrilha paramilitar com ideais comunistas e pego em armas para lutar
contra a ditadura militar, na qual foi presa e torturada na década de 1970.
A
Igreja Católica sempre esteve afinada com a direita, especialmente com os
conservadores e reacionários, e atua desse modo em todos os países do mundo,
aqui na América do Sul então... Que
o diga os governos da Venezuela de Hugo Chávez, do Rafael Correa no Equador,
Jose Mujica do Uruguai, Cristina Kirchner na Argentina e Evo Morales na
Bolívia.
Mediante
a essa realidade, praticamente não há mudanças de posicionamentos politico e
ideológico da igreja, apesar de haver uns cardeais progressistas que farão
parte do conclave, mas ainda são minorias, entretanto, não podemos
desconsiderar a influencia destes progressistas no conclave e podem ser
determinantes na escolha do novo papa que pode mudar os rumos da igreja
católica.
Portanto,
é extremamente necessário acompanhar o conclave da igreja para a escolha do
novo papa, mas não fiquem felizes e muito menos sintam representados no fato do
novo papa ser o brasileiro ou negro africano.
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