terça-feira, março 5

Edgar Allan Poe


Por Natan Castro

Edgar Allan Poe
  As sombras sobre as letras universais
  O fel nos afazeres dos castelos medievais
  A amarga tragédia nas canções de amor

Edgar Allan Poe
  A dor que grita num distante monastério
  A meia luz que auxilia o poeta em mistério
  Os pensamentos dúbios da quase desilusão

Edgar Allan Poe
  A mão nas feridas escondidas no crepúsculo
  O onírico nos pensamentos de um lúcido
  A dúvida farta sobre os ateus de toda hora

Edgar Allan Poe
  Tua capa sobre teus filhos desgarrados
  Sejam eles rockeiros, loucos, desvairados
  Iniciantes nas artes do difícil investigar.




Somos Tão Jovens (Você conhece o mito, agora conheça a história)







Saiu o trailler do filme que conta a história de Renato Russo e da galera de Brasília. Somos Tão Jovens (Você conhece o mito, agora conheça a história). As apostas estão abertas em breve no cinema, uma legião de órfãos estão no aguardo.  

segunda-feira, março 4

Elevador Social


Não quis pegar o Elevador de Serviço. Pela primeira vez decidiu entrar no Elevador Social. O coração palpitava e a camisa molhava. Aquilo era um insulto aos seus patrões. Se entrasse algum deles podia ser demitido ou no mínimo receber uma advertência e um puta dum carão. Mas mesmo assim apertou o botão e aguardou.
8
7
6
5
6
2
1
T - A porta abriu e entrou. Reparou que ali havia um espelho, ao contrário, do  de serviço. Sua farda azul estava descorada e com manchas de água sanitária, apesar de bem gomada por sua mãe. Mas seu rosto não aparecia. Não tinha olhos. boca, orelha, cabelo, nada. Talvez fosse um espelho diferente.
1
2
3
4
5
6
7
8 - Saiu e foi trabalhar.

domingo, março 3

descrição


Tem esses caras que estão de saco cheio de tudo. Eu era um desses. Existem muitos assim, por aí. Essa noite não me sentia bem. Quando lembro dos sonhos que tenho sempre me sinto mais maluco do que o normal. Acho que é impossível ser completamente diferente de todos. Assim como não da pra escrever um livro sem que haja outro parecido. Não da pra pensar demais sem ficar dando loops infinitos. Estes loops me estonteavam, me sentia caindo girando num poço úmido feito de pedras; naturalmente, estava o tempo todo com essa sensação de desconforto — mas foda-se, sentir-se confortável é um sintoma de morte. Se você é incapaz de ouvir lobos uivando toda semana, é um sintoma de morte. Se não sente sua cabeça pesada, como se houvesse um machado enorme de um lenhador descendente de Nazistas do Rio Grande do Sul cravado na parte de trás do seu crânio; Se não sente constante vontade de morrer, está morto; A vida como um amontoado de percepções. Conversas com aranhas que moram na parede do banheiro. Livros intermináveis. O sangue no espelho. Videogames. Amor. — Amor também é uma ilusão, a única que vale a pena (até mais que o álcool). Trabalhar num supermercado. Ver caras roubando cachaça no supermercado e quando seu chefe perguntar porque você não disse nada, dar uma resposta certa e firme. Estar cheio de dúvidas. Mulheres suicidas em mesas de bar. Autossabotagem. Tristeza. Angústia. Ânsia de vômito. Parecer feliz. Feliz! A dor nos olhos, por não dormir. Música eletrônica. Parecer perdido. Não parecer perdido. A rua. O sol piscando entre as grades do quintal da fábrica de pedras. Olhar pro céu e levar concreto nos olhos. É só a vida. Não que eu dê bola. Só quero escrever.

sábado, março 2

O Canto dos Malditos - Loki? Arnaldo Baptista




Por Natan Castro.

Para se falar do primeiro álbum de Arnaldo Baptista, esse gênio da música, precisamos falar um pouco dos Mutantes. Logo depois de Caetano e Gil terem deixado à Bahia e se encontrarem em meio à profusão cultural do eixo (Rio – São Paulo) no final dos anos sessenta, os dois iniciaram conversas sobre como poderiam interferir na Cultura Popular Brasileira, que segundo eles à época necessitava de uma renovação em termos estéticos principalmente. Havia a principio somente ideias, após eles se depararem com a turma dos Mutantes, ai sim eles tiveram a certeza de que as modificações poderiam começar. E de fato foi isso que aconteceu os Mutantes foram à banda de acompanhamento em diversas apresentações dos Tropicalistas, e também eles por si só representavam musicalmente o próprio movimento desencadeado por Caetano Veloso e Gilberto Gil.

Os Mutantes foram e são até hoje a banda mais criativa e autêntica não somente do Brasil, mas também do mundo inteiro. Haja vista o global reconhecimento que a banda vem tendo nos últimos quinze anos na critica musical especializada ao redor do mundo. Arnaldo Baptista junto de seu irmão Sergio Dias e a cantora Rita Lee, representavam o núcleo criativo dos Mutantes. Depois de alguns geniais álbuns feitos com essa formação, aconteceu uma grande baixa no inicio dos anos setenta. Rita Lee a musa do rock nacional resolveu deixar o barco, por não estar de acordo com o caminho musical que os demais músicos resolveram trilhar, era o inicio dos anos setenta e o rock progressivo estava no auge com grandes bandas como Yes, Pink Floyd, Ermerson&Lake&Palmer, a sonoridade deles estava se definindo progressiva também, diferente dos áureos tempos onde a banda misturava MPB e Beatles produzindo uma sonoridade totalmente autoral.


Loki – 1974

Arnaldo Baptista era à época da saída namorado de Rita Lee, logo depois o namoro teve seu fim. E Arnaldo iniciou um longo período de nuvens negras em sua vida, vejam bem nuvens negras por conta da desilusão amorosa e os intensos usos de drogas, dentre elas principalmente ácido lisérgico. Porém sua genialidade musical ainda com problemas pessoais continuaria intacta, em 1974 ele lança pela Philips (Loki) seu primeiro álbum. O disco está e deve continuar na lista de malditos da musica brasileira, com bastante propriedade. Neste álbum o músico canta toda sua dor em versos vezes melancólicos, vezes dolorosos e alguns até de difícil compreensão. Somente ao piano, com acompanhamento de Liminha (Mutantes) no baixo, bateria de Dinho (Mutantes) e participação nos backing vocals de Rita Lee sua ex-namorada e segundo alguns responsável por seu momento de instabilidade psicológica durante muitos anos. Nos versos Arnaldo Baptista canta suas memórias de grandes momentos, pede perdão por seus erros e em alguns outros deixa bem claro toda sua carga de sofrimento, por conta do término de sua banda e do seu namoro. Um dos maiores registros musicais de um gênio da música mundial, reverenciado por pessoas como Kurt Cobain (Nirvana) e Sean Lennon (Filho de John Lennon).

quinta-feira, fevereiro 28

Menina


sei que vou te perder menina, assim como eu me perdi um dia - que me esqueci mesmo quando foi. não é do meu feitio mentir. fecho os olhos e me esforço pra caramba. talvez foi naquele dia que sumiram da minha vida - o pai, o espirito santo e o filho. e você esta aí me cutucando pra eu não dormir, me fazendo dá mais uns passos e sonhando como se fosse viver cem anos. não sou forte. me esforço apenas. você sabe bem disso. meu bem, como sempre você me abraça e me abraça mais forte como se eu fosse um ursinho de pelúcia. um ursinho de pelúcia dodói adicto e sem sentido nenhum. a maluquice que ainda escrevo como se fosse pra sempre, meu bem. mas vou te perder. vou te perder. assim como me perdi. e eu já te disse isso antes. mas não hoje. deixa pra depois de amanhã.