
No começo, tudo era como
uma brincadeira, fumar um cigarrinho proibido, no fim da tarde, no banheiro
daquele prédio abandonado lá nos confins do campus, mas a brincadeira acabou
ficando pesada demais. Depois que Miguel fez aquela observação degustatória
acerca do sabor daquela maconha, “hum, essa diamba tá com um gosto diferente...”,
ele nem teve tempo de apreciar as belas estrelas que surgiram na sua frente
como conseqüência do violento tapa, traiçoeiro, pelas costas, que ele havia
acabado de levar na face direita, porque se viu imediatamente agarrado e
atirado contra a parede por um bando de policiais militares, enquanto seu
namorado fugia pelo basculante quebrado de uma janela do banheiro, sem olhar
para trás, com o que perdeu de ver aquele que ele cria pateticamente ser seu
grande amor ser moído de pancadas por três dos polícias, enquanto um quarto
revistava a sua mochila, revista após a qual sua situação pirou muito, pois,
durante a mesma, o dito pê-eme encontrou, na mochila de Miguel, uma substancial
quantidade de maconha, além de uma outra revista, esta, de homem pelado.