terça-feira, agosto 9

Gaúcha

Acho tão bonito
As azuis dos teus olhos
Refletindo o bonito dentro d’outro bonito
Espelho sobre espelho
            Luzido
Acho tão olhos o belo dos teus
Pele da alma
Mar derretido
Acho tão céu o belo dos seus
Olhos de vidro...  

segunda-feira, agosto 8

Civilização, Barbárie e Cocaína

No mundo contemporâneo que vivemos hoje, em que o homem não tem mais tempo para nada a não ser relacionado ao trabalho e a valores materiais, acaba resultando vivermos isolado um do outro no meio das pessoas em que vivemos, a ponto de não notar os pequenos detalhes no dia a dia, como o corte de cabelo ou a roupa que a pessoa está vestindo, por exemplo.
Isso é refletido na sociedade nos dias atuais, que as pessoas muitas das vezes perdem o bom humor num do lapso de segundos por motivos toscos, podendo acabar a perder a vida, já que a vida do ser humano também não tem mais valor algum.
A sociedade está doente e pede socorro, mas o próprio Estado também faz o seu papel, “Tô nem aí”, justo ela que deveria exercer o seu papel de bem estar e se importar com a vida de cada individuo, podendo uma vida no mínimo digna, mas que na prática é o inverso.
Aos poucos dias atrás, eu li num blog a agressão ao funcionário do Sistema Mirante de Comunicação por três rapazes que são “filhinho de papai” por causa do estacionamento na via de transito que estava atrapalhando o percurso dos agressores, o que podia ser resolvido numa simples conversa, foi através de chutes e pontapés pelos playboys.
O mais interessante nisso, é porque os agressores são de famílias de classe média alta e alta, com famílias estruturadas e requintadas, que sempre foram vistos como exemplo de civilidade, educação e bons costumes, enquanto a barbaridade e violência está associada a família pobres e má estruturada, prevalecendo a má informação, ignorância e falta de oportunidades.
Mas isso serve para romper paradigmas de que a violência está relacionada somente aos pobres e favelados, se a violência nos bairros pobres podem ser justificadas devido a desigualdade social e falta de oportunidade. O que leva os jovens de classe média alta e alta a agirem como animais irracionais, sendo que pra eles não faltam supostamente nada?
Um dos fatores que fizeram aumentar a violência que atingiram todas as classes sociais, o que antes era associado somente às camadas pobres, são o uso desenfreado de drogas, e como de costume, eu leio todos os blogs e artigos na internet na cidade, um deles foi o artigo do Vereador Chico Viana, que é médico e jornalista. O mesmo afirma que mantém o tráfico de drogas são a classe média alta e alta, principalmente a cocaína, sendo a droga mais cara e a mais consumida por essas classes que tem poder aquisitivo.
E com a ressalva, o Vereador Chico Viana é do PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira), partido alinhado com a política do neoliberalismo e durante o governo do Fernando Henrique Cardoso combateu fortemente o tráfico (mas esse combate foi mais direcionado aos usuários), o mesmo reconhece que reprimir não é a solução, e não pode tratar como criminoso os usuários e sim como doente que precisa de tratamento.
O Estado com o papel que “Tô nem aí” para os usuários/doentes, o uso desenfreado aumenta cada vez a violência com níveis alarmantes, que por motivo bobo, cada um de nós podemos ser a próximo vítima, e o responsável por toda essa violência são aqueles que sustentam o mundo do crime e se beneficia com a criminalidade, mas a culpa e a responsabilidade com a violência são os que moram em favelas, morros e bairros pobres/periféricos.

domingo, agosto 7

Expresso

Cena I

- Alô?! Alô!?
- Sou eu.
- tomou chá de sumiço?
- Trabalhos extras. Posso te ver?
- quando?
- Hoje.
- Cê é sempre urgente.  (ouço uma inspiração forte) - onde quer me ver, senhorita?
- Um lugar neutro e discreto.
- Pode ser um café?
- Pode.
- Não chore, ou melhor, chore.
- Desculpa, desculpa. Não queria...
- Sem desculpas.
- É. Te vejo, então?
- que horas?
- Cinco e meia. Fim da tarde. Tá bom pra você, bem?
- Sim, naquele café.
- Isso. Thau, querido.

Merda de mim, sempre estou disponível para seus piores momentos, é, admito que me chamar de querido e bem me mexe pra caramba e não é só a porra da palavra carinhosa é a maneira de dizer: que-ri-do.
Um feio sentimental que sou.
Me odeio.
Cena II

Vasculho eles, são negros, bem negros e distraídos como se tivesse fora de órbita. Fingem está na decoração ou talvez no chuvisco que iniciou lá fora. Meu dedo indicador vai de encontro ao polegar dela. Estão gelados e brancos. O garçom está ao nosso lado da mesa com a comenda e uma caneta preta pronta a rabiscá-la.

- Um expresso. (Diz baixinho)
- O mesmo (tento seguir o baixinho dela). Começou as chuvas...
(olho para fora seguindo os olhos dela)

- é...
- Por que está assim?
- Assim como?
(tenho certeza que ela finge um espanto)

- Cê sabe.
- Quer saber mesmo?
- Sim.
- Pode estar querendo ser apenas gentil.
- Acho que não.
- Deve saber que estou vulnerável.
- Não sei... Continua fugindo da pergunta.
- ...Aquele homem.
- ... (?)
- Eu acreditei que ele me amava, mentia tantas coisas bonita durantes mais de um ano...
- o café. - aponto com os olhos (interrompendo-a de propósito) Ela olha para a xícara como se ela aparecesse como mágica.
- Como está?
- Eu?
- Não... O café?
- Amargo... Já foi traído?
- Claro.
- e...
- Usei o mesmo veneno.
- Com a primeira mulher bêbada e solitária dando mole num fim de festa. ( fala alegremente pela primeira vez como se soubesse dos destinos).

- Quase isso.
- Vocês homens são todos iguais. (Não gosto do seu tom de desprezo e de suas generalizações)
- Sabe?! Até me desculpe dizer isso: por mais doloroso que seja uma despedida, o fim de relacionamento e uma traição estamos condenados a ficar a dois... Sem amor ou com amor.
- E se eu fosse uma freira ou gostasse de mulheres?
- Amaria deus pela eternidade e quanto a amar o mesmo sexo... Não duvido que seja diferente do oposto.
- Chato.
- É apenas um pensamento que veio agora.
- Oquei, podemos mudar de assunto até acabar esse cafezinho.
- (acendo um cigarro) podemos falar de samba, cozinha, política, ou o que de fato nos atrai.
- Você é sempre direto.
- Cansei de flores, pequena flutuante!
- Mas você não me atrai. Ainda mais com frases de efeito.
- Senti uma dor agora aqui.
- Sério (ela se levanta pronta pra chamar um médico). Você não esta fumando demais?
- É apenas uma metáfora boba, sua boba. Senta.
- Engraçadinho. Ia ficar bonitinho com uma bola vermelha no nariz e meias listradas e sapatos longos.
- E ia animar enterros.
- O café está acabando e meu tempo também.
- Ainda vou te ver?
- Como nos conhecemos mesmo? (
por que ela não me responde e volta com outra... medrosa)

- Você sabe como e não importa lembrar.
- E quando importa?
- Quando nos despedimos podemos reconstruir uma estória de amor que nunca aconteceu.
- Pra me identificar com um filme romântico em cartaz?
- Que seja. Você acredita neles.
- Não tenho trocados. Nem trouxe meu guarda-chuva... Droga de tempo!
- Eu te levo debaixo do meu.

Chamo o garçom e solto uma cédula na mesa. Abro meu guarda chuva e saímos grudados em direção ao ponto de táxi. Parece uma eternidade, nossos braços se tocando, apesar dos panos de roupa separando, senti seu cheiro, cheiro de perfume doce e suor. Ela transpira mais e acelera os passos. Vou ao seu ritmo com força de pularmos uma poça d’água. Deus! Palpito. O chuvisco aumenta e ela entra no taxi:

- Depois nos vemos, bem. - Estanco vendo ela se afastando, até. Bem, bem, bem, bem, bem. Bem que poderia te matar. Vou acender um cigarro, não. Entro em outro táxi. Dentro o radio toca jazz, Charlie Parker. A cidade só tem luzes foscas e água. O taxista acelera o carro, parece que esta gostando da perseguição, eu cada vez mais confuso, me balanço pra esquerda e pra direita, jazz, Charlie Parker, meu pau, o que faço atrás dessa mulher, ela é uma tola, uma merda de tristeza.

- Ela parou naquele prédio, senhor.
- Quanto foi?
- 10 pilas.
- Certo... A fórmula Um te perdeu, cara!
- Que nada senhor, prefiro isso aqui.

Um hotel na área moderna da cidade. Abro o guarda chuva. Ela saiu e corre para a entrada. Preciso ser rápido. Dizer mais umas coisas.

Antônio Almeida, o inço das artes no Maranhão

Como planta daninha que se agarra despretensiosamente ao solo modificando a paisagem natural, saiu do Jacaré, em Barra do Corda, desbravando caminhos até alcançar São Luís, onde denunciou sua vida e a de milhares de famílias do interior do Maranhão sem deixar escapar o amarelo que queimava o verde e secava o azul, o colorido da cultura e a palidez do sofrimento que lavrava a terra árida de fome e seca por onde passava.

Do chão infecundo, fez brotar arte. Nunca aceitou sair de sua terra para viver uma cultura solitária avessa a sua natureza de homem simples. Suas mãos colhiam da natureza inspiração como raízes que buscam no âmago da terra os nutrientes necessários à sobrevivência. Indiferente ao dinheiro, o enriquecimento que desejava era intelectual e artístico, trabalhava pelo valor que a arte tinha pra si mesmo: a busca pela perfeição, no entanto, com ela pagava o leite e a boemia: nutria seus dez filhos, e quando dava, rematava a conta do bar.

Sobrevivente da seca castigado pelo sol, a escuridão tomou conta de seus dias. As madrugadas, companheiras de insônia, ouviam-no em silêncio, enquanto travava discussões com seus próprios pensamentos. No dia seguinte... prosas e poesias com o cheiro de terra através do olhar de um menino autodidata de nascença que crescera sob instrução de seus instintos, mas, sobretudo, de um artista nervoso que desafiou até a cegueira tateando pensamentos e redesenhando palavras, sementes essas lançadas no chão fértil de suas limitações criativas, esse era o Almeida: uma raiz amarga difícil de ser tragada, mas que se ramificava.

Aos 27 de maio deste ano completaria 89 anos, se não tivesse sido desentranhado da terra em Janeiro de 2009, a facão! Sua sede de viver era tamanha que teimou com a vida agarrando-se a cada sopro dos ventos até o silêncio pintar o leito de paz. Hoje, suas estirpes ainda permanecem entranhadas na terra que amou, ilustrou, pintou, xilografou... verdadeiras barrigudeiras espalhadas pela cidade, murais que deveriam ser tombados pelo valor histórico e cultural, testemunhas sol a sol do caminhar de um homem franzino e inquieto que germinou arte no Maranhão.


Alice Almeida, Nascimento

Há muitos anos atrás, eu e meu avô, em sua casa no Monte Castelo, guardiã de seus dias de vida 



Quase Epitáfio
No meio do caminho que caminho
a cova
Em que me planto regermino sonho
Que é vida sempre sol a sol a caminhar
Antônio Almeida
( 1922-2009)

(Texto publicado no Jornal Pequeno revelando o descaso das obras do falecido Almeida pelo poder público, como o Painel em Azulejo do antigo Banco do Estado do Maranhão; murais no Parque do Bom Menino, dentre muitas outras obras.)

Mulher-Popozuda

Decidi, vou ter que perder estes 6 quilos que me faltam para ficar popozuda. Tenho que jogar fora as barras de chocolate e o pudim que adoro depois das refeições. Ai, meu Deus, acho que não estou pronta para tanto sacrifício! Mas, tenho que lembrar do resultado no meu corpo, daquela calça bem apertadinha, daquela blusa sem marcar os pneuzinhos. Hum!Mulher Popozuda!
Sério, gente! Demorei um tempo para criar a auto-estima que tenho por mim. Tinha maior complexo com meu corpo assim... Vênus de Willendorf. Agora com o passar dos tempos tenho acreditado que é possível ser feliz e gostosa com meu corpinho longe dos padrões globais. Bom,... Até que num belo dia eu vejo o cara que gostei muito com uma Mulher-Edificio, e toda popozuda. Imagine aonde minha estima foi parar? No subsolo cheio de minhocas. Queria virar um avestruz. Mamãe, porque tive que nascer assim gordinha? Não podia ter crescido mais um pouco e virado uma mulher-fruta?

A mulher popozuda é aquela que tem lá na academia em que faço natação. Lindona, o cabelo maravilhoso (horas no formol e na chapinha para depois destruir tudo no cloro, dá para entender?), bem lisinho, o corpão, pernas bem torneadas os “air bags” de fazer inveja a qualquer carro de elite, a bumba bem durinha, sem nenhum furinho. Os caras mal conseguem nadar direito quando ela passa. E tem mais homens no meu horário da natação. Eu, apenas e um senhora de 50 anos, de mulher. E agora esta popozuda. De onde ela veio? Que droga! Eu me sentia o máximo com todas as minhas gordurinhas na piscina envolta por aqueles homens esculturais! Uma deusa! Uma Vênus! Agora, no máximo que sou uma bóia. Maldita popozuda!
Vou ter mesmo que perder este 6 quilos é o jeito. O jeito para minha saúde é obvio. Não, para competir com a Mulher-Popozuda. Tenho meus dotes. E o importante é que o mundo é grande e diverso e nele cabe: as mulheres popozudas, as edifícios, as frutas, as magrinhas e claro, as gordinhas. Como dizem os mulçumanos: “uma mulher que enche uma cama”.

Dedico este texto às todas as mulheres, sejam elas do jeito que são. O importante é ser feliz. E gente, mulher é tudo de bom.

                                           
Todos os direitos da foto ao autor.


sábado, agosto 6

Relação Neurótica

Estou pra terra assim como você esta pra lua ou vice versa. A ordem do planeta e do satélite natural não mudará a comparação na via láctea dos encontros casuais. O que quero dizer é que estamos nos circulando. Dois cachorros desconfiados se cheirando dentro de um canil.
Dou a maior bola pra você. Dou uma bola do tamanho de uma de basquete, ou maior, daquelas infantis de pula-pula que vende em parques de diversão em período de ferias. Só falta eu verbalizar um estou apaixonado – seria quase verdade ou mesmo verdade. Faço gestos excessivos com as mãos. Abuso da metalinguagem. Sei que ela ta me entendendo. Até o garçom me entende - que eu to afim de uma aproximação mais intima.
Não sei se cheguei a falar que você era “interessante”.
Não, não falei.
Mas o que quero dizer com Interessante garçom: que me interessa é óbvio. Ta em qualquer dicionário. Vou tentar expor minhas descrições físicas e subjetivas da criatura feminina a qual anda mexendo com meu órgão que bombeia sangue pra todo corpo (coração) simbolicamente lugar das emoções. Que faz um cara inseguro, carente, desastrado de pai ausente e uma mãe dominadora derrubar um guardador de palitos de dente no restaurante com o self serv a 14 reais o quilo.
Bonita? Bochechas grandes em contraste aos seus olhos pequenos, inquietos, contraditórios, quase estrábicos, bigode de suor, parece que vai se afogar a qualquer momento, sua cabeça cabe abaixo do meu queixo. Bonita? É. Como pode dizer um oftalmologista romântico: o amor é míope.
Impulsiva (pode me beijar de repente ou sair correndo).
Diz que adora dormir. Digo que adoro o ócio. Digo mais ainda que as pessoas trabalham pra terem ócio.
Você faz um contra-comentário que não buscam o ócio, são apenas forças de trabalho alienadas que bebem cerveja no fim de semana. Apenas um entorpecente exclama.
Uma socialista com seus desgostos teóricos sobre o capitalismo selvagem. 
Entorpecente: Me faz lembrar sinais vermelhos. Buzinas. Trânsito engarrafado. Que agonia. Já estou fazendo cara de azedo e dando tremeliques. E claro, o meninos escurecidos cheirando cola de sapateiro doidões limpando vidro de carros que vão pra praia felizes. Eles são de outro mundo. Outra espécie. Selecionada pela evolução urbana. Darwin não previu os zumbis psicotrópicos do século 21.
Você fala sobre que seu signo tem ascendente em leões. Que é mandona e só trabalha sobre pressão. Nunca foi ao cabeleireiro. Seus longos cabelos ondulados negros pontiguados escorrem distraídos pela costa atingindo o cóccix.
Disse que achava bonito, lindo, magnífico (esse adjetivo eu não falei) seu cabelo. (Gosto de elogiar). Meus elogios não são pretensiosos, às vezes, sim.
Não pergunta muito sobre mim. Quando pergunta não olha nos meus olhos. Olha pra janela, pro alface, pro teto, pra dentro de si... Tipo assim garçom ela pergunta do nada acabando uma fala: e tu?
Eu respondo: E eu... sei lá.
Tiro meus óculos. Gosto de minhas pupilas sem meus óculos. As lentes escurecem a qualquer sinal de sol ou lâmpada ou qualquer coisa que emita luz. Sou um vampiro moderno. Tenho caninos pontudos, como galinha ao molho pardo, e tenho angustia a luminosidade. E adoro uma jugular. Mas ainda não tive coragem de tal prática antropofágica no pescoço branco e curto da garota garçom.
Será que vamos dar rock, bossa nova, musica clássica ou tropicalismo?
Por enquanto só diálogos, monólogos, silêncios que não chegam a lugar nenhum. Eu falei isso pra ela:
Nós falamos e falamos e falamos (ela fala o triplo de mim) e não chegamos a lugar nenhum.
Sabe o que ela me respondeu garçom se levantado olhando para as horas no seu celular fora de moda indo pagar seu almoço com pouco carboidrato e muita salada e proteínas:
E Precisamos chegar a algum lugar... Em tom de interrogação e espontaneidade.
Perversa essa garota querido garçom explorado por um pequeno burguês que nem sabe que significa burguês, mas sabe que compra carne de segunda.
Garçom! Uma flecha medieval envenenada cruzou meu peito derramando sangue por todo o restaurante. O nobre cavaleiro aqui caiu do lustroso cavalo suspirando com os braços estendidos e a mão e os dedos contorcidos dando os últimos suspiros. Humilhado.
Garçom onde está o antídoto? Onde esta minha auto-estima? Meu ego? Minhas expectativas?
O amor não é happy end garçon. É Shakespeare.
Resumindo (sem metáforas exageradas ou um aforismo prepotente) fiquei sem jeito. O que ele entende por e precisamos chegar a algum lugar?
Será que um beijo demorado numa praça com o nome de um poeta romântico arborizada de tardizinha vendo o degradê do por do sol sentado num banco de concreto não se enquadra no seu e precisamos chegar a algum lugar?
Sua psicologia complicada merece um estudo de caso . Seu cérebro deve ser retirado do crânio e estudado cada fragmento durante séculos por vários cientistas da alma pra descobrir o que quer dizer com e precisamos chegar em algum lugar?
Vou exercer um pouco de especulações:
Um fora indiscreto. O pessimismo influenciou nessa.
Um mistério. Ela é um romance e ainda estou lendo o prefácio.
Despedimo-nos depois de pegar um pé-de-moleque de brinde do almoço com o dono do estabelecimento.
Temos que marcar um encontro. – afirmei sem dúvidas.
Ela responde afoita: - a gente se marca.
O que ela quis dizer com a gente se marca?
Vou exercer mais um pouco de especulações:
Segundas intenções. Admito que o otimismo influenciou nessa.
A gente se marca... “Quero ficar no seu corpo feito tatuagem...”. Foi só Chico Buarque que me veio à memória musical.
Beijos desconcertantes no rosto de despedida ao sol do meio dia com o estômago cheio.
Thau
Thau