sábado, setembro 13

O Funcionário do Mês

    Hoje acordei com uma vontade de ser o funcionário do mês. Já na cama pensei: "Poxa! Nunca fui o funcionário do mês naquela porra de loja". Levantei com esse pensamento a tilintar na cabeça. Fui direto para o banheiro. A água fria que jorrava do chuveiro era de arrepiar. Na pia depois do banho, eu escovava os dentes com preguiça, pensando na minha meta do mês. Pensava feliz da vida: "Quantos pares de tênis, sapatos e sandálias tenho que vender para ser a porra do funcionário do mês?". Saí com pressa do banheiro e entrei no quarto bagunçado para me vestir. Eu tinha que usar a camisa com o nome estampado da loja, uma calça surrada e um tênis que, vez ou outra, uso para correr numa praça próxima do prédio velho onde moro há três anos. Eu tive que descer rapidamente para pegar o ônibus das seis horas da manhã.
    Na parada de ônibus, estavam as mesmas pessoas que encontro diariamente. Hoje, justamente hoje, elas me olharam de outra maneira. Porventura, elas sabiam que eu seria eleito o funcionário do mês? Que alegria para mim foi pensar dessa forma. O ônibus passou com bastante atraso. Veio lotado como sempre. Fiquei espremido como sempre. Bem, peguei o ônibus cheio. Pensei que eu iria chegar atrasado e não era algo nada bom. Na longa jornada até o centro da cidade, eu fiquei escutando música pelo celular. Desci no ponto depois de uma hora de viagem e segui para a loja de calçados. Ao entrar na loja no horário certo, encontrei o gerente e outros funcionários. Eles me disseram bom dia, então para ser educado eu também respondi. Passei pelo atual funcionário do mês que estava com um sorriso largo na cara e muito bem vestido por sinal. O gerente com ar de importante veio falar comigo:
- Leve essas caixas lá para os fundos. - Ele apontou uma porção de caixas que estava no chão. Prestativo e eficiente, eu apenas movimentei minha cabeça afirmando que sim. Carregando as caixas, pensei em quantos pares de calçados eu teria que vender para me tornar a porra do funcionário do mês. Sei que isso não é algo como ganhar o prêmio Nobel, mas eu não posso morrer sem ser a porra do funcionário do mês. É esse meu objetivo do mês. É esse meu objetivo de vida. Eu ficaria frustrado a vida inteira se eu não fosse eleito, ao menos uma vez, a porra do funcionário do mês.

João Pessoa, Novembro 2009

Nick Drake - A Skin Too Few

O documentário "A Skin Too Few" aborda a vida do cantor e compositor inglês Nick Drake. A música de Nick Drake, durante o passar dos anos, foi ganhando um grande número de fãs, entre eles: Robert Smith do The Cure, o ator Brad Pitt e o saudoso Renato Russo. Amante da poesia simbolista francesa, principalmente de Charles Baudelaire e Arthur Rimbaud, Nick Drake - com sua alma amargurada - não encontrou o sucesso esperado durante o final da década de 1960 e o início da década de 1970. Suas canções no estilo folk bem rebuscado apresentam um toque fino no violão e suas letras idílicas/poéticas fazem de Nick Drake um dos grandes compositores (com alma de poeta), ao lado de Bob Dylan, Leonard Cohen, Donovan e Van Morrison. Nick morreu jovem aos 26 anos de idade em consequência de uma depressão profunda.