domingo, março 4

Os livros que eu li, os filmes que eu vi, as mulheres que amei.

Havia alguns anos que não se ouvia mais falar nele, as últimas informações sobre seu paradeiro configuravam uma desistência em todos os sentidos, uma completa falta de fé nas pessoas, no trabalho, na família, no mundo. Há quem diga que tudo no seu ponto de vista tinha ficado obsoleto, antiquado, sem sal, sem odor. No meio onde tempos atrás transitava com uma certa imponência, reinava o vazio sem as palavras entonadas com veemência e objetividade, não mais as críticas, não mais as músicas, nem os sobressaltados nos corações das mulheres, aliás, as belas mulheres eram uma de suas especialidades, paixões tórridas, complexos jogos de sedução, a sensualidade acentuada, ás vezes, disfarçada. O agridoce meio esquecido, a perfeita presença espalhada nos ambientes outrora adentrado por ele. Sim logo de pronto do vazio do inicio do vazio deixado por ele, diversas teorias foram postas em discussão sobre sua desistência, sobre todo esse abandono das noites infindas ao lado dos amigos, em companhia de belas mulheres, cravando diversos comentários sobre tudo e, sobretudo a arte, a vida, o amor. Uma dessas várias noticias que, diga-se de passagem, ninguém afirma como sendo de fonte verdadeira, estaria ele morando num lugarejo pequenino na fronteira de sua cidade com uma vizinha, porém dessas noticias, uma que parece está mais ligado a sua forma de lidar e pensar as coisas, veio de um cacheiro viajante que afirmava ter estado com ele numa quitanda de beira de estrada no inverno passado dividindo uma garrafa de cachaça, falando sobre livros, filmes e mulheres. Depois disso até sua silhueta na memória de quem ele esteve nesses anos para trás se esvaneceu. E findou-se.

Um comentário:

. disse...

Po natan...gostei muito da pequena cronica (singela)...assim..acho que certas pessoas morrem simbolicamente e renascem de outra forma

diego