segunda-feira, julho 8

Sem Pé nem Cabeça ( The Thomas - Tammys Loyola)

Pede pra mim
que eu te convenço a sair
mesmo com teu quarto assim
tão desarrumado

Pensemos depois
largar tudo e caminhar sem medo
sabemos que não temos segredos
Além de nós dois

Já são três da manhã,
jajá desembarco
Façamos um trato
de buscar bons ares

E jamais se esqueça,
na nossa bagunça a gente se arruma

Sem pé nem cabeça,
fazer coisa alguma, pensar e agir

Sem nenhuma certeza,
Serei seu herói, seu valente cowboy

E você, minha princesa,
Mas faça o favor de aceitar os clichês

Não, não vamos voltar
Eu posso morrer antes de acabar

E se o tanque esgotar
Eu pago o teu táxi de volta pra lá

Eu só quero acordar
Descobrir o teu rosto do lado de cá

Mas quando você me chamar
Prometo que volto só pra te buscar



domingo, julho 7

Domicílio






Sub-Produto do Rock

Mamãe tá certo
Eu me dei mal na escola
Isso acontece
Mês que vem eu melhoro
Mamãe tá certo eu pisei na bola
Quebrei vidraça
Fiz a maior pirraça
Mamãe tá certo
Eu fui pro fundo e não pode
O mar tá bravo, que bode!
Pode cortar
Televisão e vitrola
Parar o jogo
Você é a dona da bola
Só não me xingue, só não me xingue
De sub sub sub sub sub
O quê?
Só não me xingue, só não me xingue
De sub sub sub sub sub
O quê?
Subproduto de rock
Será um tipo de nhoque?
Subproduto de rock
Alguém me dê um toque
O que é que quer dizer?

terça-feira, julho 2

Reflexos


A minha vida é como uma sala de espelhos, dessas que têm em parques de diversões, com muitos espelhos que te engrandecem, encolhem, emagrecem, engordam. Espelhos líquidos, em que se deve ter a cautela de não encostar, caso em que poderá (sem querer) cair do outro lado. Não se saberá o que é real, e o que é fruto da imaginação.

E a cada espelho me enxergo diferente, ora mais econômica, ora maior. Assim como minha imaginação, ora águia, ora pardal. Mas sempre criando por aí, sonhando, desenhando belos olhos num pedaço de papel. E por esses olhos que desenho que enxergo o mundo, do outro lado do espelho, e vejo o mundo em cores inexistentes no mundo real, cuja frequência é imperceptível ao cérebro humano. Mas apenas visualmente imperceptíveis, dado que no lado real do espelho se percebe o tato e o olfato, apenas com outros sentidos.

Desta forma somos reflexos de nossas percepções, dos nossos sentidos e dos nossos sentimentos. E somos espelhados, frutos de tais reflexos, nas ações e nas palavras que cotidianamente exprimimos um pouco mais a cada dia. E somos reféns, das consequências das ações e das promessas ditas em razão dos tais reflexos. Escolhas feitas de forma intensa e sob circunstâncias únicas, visando tornarmos reféns de uma situação pretendida há muito.

Por assim, torna-se refém da própria liberdade, antes uma imposição, mas agora uma escolha. A liberdade consiste nas escolhas. E hoje em dia podemos escolher tudo, o que dizer, o que comprar, para onde ir, e para qual espelho olhar. A língua italiana tem um verbo fabuloso, specchiare, que significa exatamente se olhar no espelho.  E eu me specchio todos os dias, apreciando as mudanças que causei, e me deleitando com a coautoria do meu próprio reflexo.

E o que é real? E o que é imaginário? Já não posso mais dizer, ambos planos se fundiram, formando um mundo só, o meu. Procuro com delicadeza aprender a distinguir o que existe daquilo que criei, e sigo como Ismália.

segunda-feira, julho 1

22:35

minha garganta inflamada,
me dá um certo gosto de finitude e humanidade.

nada mais banal...

estudantes de psicologia,
filosofia, medicina,
faxineiros, 
a crente da igreja,
policias, trombadinhas e pedintes no trem...

todos nós ignoramos,
e uma hora outra nos inflama qualquer na garganta.

e tanto faz a ideologia de merda que escolher.

crer  ferozmente no darwinismo social,
ou guiar-se
ingenuamente por qualquer marxismo deturpado...

você pode pensar no mundo como uma farsa,
e ignorar  a problemática de sê-la também.

não me faz diferença...

o que temos além da realidade do despertador,
das aulas chatas de terça,
balcões de lanchonete,
escolas e vielas?...

a garota que você amou ano passado,
o seu cachorro atropelado, 
os livros e arquivos no pc,
o chefe
a mulher que te vende sanduíche,

tudo isso é muito mais do que poderia ter.

não nos possuímos, a nós mesmo.

não; não possuímos. e só, nos possuímos.

e não há  amor, 
ciência,
fé ou poesia,
que nos redima do que somos.

tomo um remédio,
e escrevo...

porque não há o que redimir, afinal...

simplesmente, não há.