sábado, agosto 13
sexta-feira, agosto 12
Manic Street Preachers
O ano de 1997 é um desses anos diferenciados na cronologia da música pop sem dúvidas, assim como o ano de 1977, o ano de 1980, o ano de 1989 e não posso esquecer de citar do ano que para o showbizz e todos nós nunca acabou, o ano de 1968. Esses anos foram marcados pelo lançamento de grandes álbuns da história do rock: em 1997 poderia citar aqui além dos outros, o magistral (Ok Computer) do Radiohead mas estou aqui parafalar This is My Truth Tell Me Yours, do Manic Street Preachers, lançado já em 1998, o álbum trouxe como primeiro single a música If You Tolerate This Your Children Will Be Next, alçada rapidamente a primeiro lugar das paradas, somente essa música salvaria o resto do álbum se as outras canções não atingissem o alvo certo, mas o Manic existia desde 1986 no Pais de Gales, com influencias do Punk, principalmente do The Clash, o Manic sempre usou muito bem o marketing para propagar suas ideias, as letras sociais e politicas sempre foram sua principal marca. em 1995 o letrista e guitarrista Richey James após um surto fugiu do hospital, onde estava internado por conta de problemas psicológicos, seu carro foi encontrado num local conhecido por ser palco de suicídios, o corpo nunca foi encontrado as canções dos álbuns seguintes estão envoltos com a áurea de sua personalidade, nos anos noventa o Manic passou de uma sonoridade punk/Hard Rock para um rock/pop com influências descaradas de Beach Boys e outras bandas dos anos sessenta, esse detalhe fez com que os álbuns atingissem o público consumidor do então Britsh Pop. naquele ano comprei uma revista especializada em musica e li uma entrevista do Michael Stipe do R.E.M num pub em Londres e ele respondeu uma das perguntas dizendo que não parava de ouvir esse álbum, os irmãos Galahger do Oasis fizeram criticas não entendendo o motivo de tanto buchicho em cima no Manic, dois milhões de álbuns justificavam a voz dos fãs, foi essa a quantidade de álbuns vendidos ao redor do mundo. o Manic Street nunca escondeu suas posições socialistas, eles podem se gabar de ser a primeira banda ocidental a tocar em Cuba, uma das canções politicamente corretas tocadas no teatro da Ilha foi Baby Elian, com a letra falando do polêmico caso do garoto cubano levado ao states sem consentimento do Pai, na plateia estava Fidel Castro, o vocalista James Brad avisou que o show seria um pouco barulhento ele disse, "Não será mais barulhento que a guerra". honras como essa poucas bandas possuem.
Sobre a tristeza gostosa dos cachorros e dos homens
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| Petit. Foto de Cris Lima |
Para Diego e Petit
Viemos andando nós dois, no carro pela madrugada estrelada das ruas do Cohatrac. Não sei ao certo porque você disse que estava triste. E foi muito engraçado porque eu tinha acabado de ver uma cachorra e ela sempre me parecia triste. Bem obesa, mal conseguia ficar de pé. Sempre a via deitada de papo para cima, parecia que meditava sobre sua vida tediosa de cachorra.
Você, meu amigo, meu irmão, me olhou e disse como se esperasse uma resposta positiva para aquela tristeza que você mesmo qualificou de “tristeza gostosa”. Fiquei me questionado -“ O que seria uma tristeza gostosa?” Será que seria a mesma tristeza que aquela cachorra estava sentindo? Será que ela estava sentido falta do ossinho para roer, da comida no prato, ou do afago gostoso de seu dono? Não sei. Só sei que não era nada gostoso ver sua tristeza, meu amigo, com aqueles olhos caídos e aquele jeito de quem não está nem ai para mundo e de quem decidiu pouco se importar com a opinião alheia. Mas, os olhos tristes da cachorra não me saíam do pensamento.
Lembrei do meu cachorro em casa, lembrei da alegria infantil e dos pulos acrobáticos dele ao escutar o freio de mão puxado. Lembrei dos seus olhinhos, da maneira como balança o rabo, do latido quando persegue o gato da vizinha e lembrei mais da tristeza de quando saio e não o levo . Ele fica com rabo baixo , olha para cima e medita. Acho que da mesma forma da cachorra obesa.
Lembrei de você, meu amigo, que estava ainda do meu lado, dialogando sobre sua tristeza gostosa, da falta de amor, dos meses sozinhos, dos projetos, da vida... E eu só lembro que disse: “- Os cachorros são as criaturas mais tristes que existem” E você, meu amigo, respondeu: -“Por isso que gosto deles, eles parecem comigo”.
Você, meu amigo, meu irmão, me olhou e disse como se esperasse uma resposta positiva para aquela tristeza que você mesmo qualificou de “tristeza gostosa”. Fiquei me questionado -“ O que seria uma tristeza gostosa?” Será que seria a mesma tristeza que aquela cachorra estava sentindo? Será que ela estava sentido falta do ossinho para roer, da comida no prato, ou do afago gostoso de seu dono? Não sei. Só sei que não era nada gostoso ver sua tristeza, meu amigo, com aqueles olhos caídos e aquele jeito de quem não está nem ai para mundo e de quem decidiu pouco se importar com a opinião alheia. Mas, os olhos tristes da cachorra não me saíam do pensamento.
Lembrei do meu cachorro em casa, lembrei da alegria infantil e dos pulos acrobáticos dele ao escutar o freio de mão puxado. Lembrei dos seus olhinhos, da maneira como balança o rabo, do latido quando persegue o gato da vizinha e lembrei mais da tristeza de quando saio e não o levo . Ele fica com rabo baixo , olha para cima e medita. Acho que da mesma forma da cachorra obesa.
Lembrei de você, meu amigo, que estava ainda do meu lado, dialogando sobre sua tristeza gostosa, da falta de amor, dos meses sozinhos, dos projetos, da vida... E eu só lembro que disse: “- Os cachorros são as criaturas mais tristes que existem” E você, meu amigo, respondeu: -“Por isso que gosto deles, eles parecem comigo”.
quinta-feira, agosto 11
Sagat e a gangue da bota preta em Londres
Confronto generalizado em Londres. A violência na região britânica subverte a tradição histórica da terra da elegância e dos bons modos. A polícia, sociólogos e políticos procuram um responsável. Até uma menina de 11 anos foi responsabilizada. Eu tenho uma teoria: a de que a extinta gangue da bota preta foi para Londres.
Para quem tem menos de 20 anos pode até ser que o caso da gangue não lhe diga nada. Mas a nós, companheiros balzaquianos, que na década de 90 sabíamos de cor todas as narrativas de Gabriel O Pensador, que curtia se drogar com a suposta presença de cocaína nos chicletes e tatuagens adesivas vendidas na porta das escolas, que tinha a opção de ‘gazear’ aula para se aventurar em alguma matinê no Cine Passeio, que abria o apetite antes do almoço se lambuzando com o recheio de doce de leite do churros quente enquanto fazia algazarra até o ônibus ‘escolar’ Cohatrac-João Paulo chegar e fazer coro nos refrãos dos pagodes e dos gritos de guerra contra ‘pipira azul’, ‘bananas de pijama’, ‘periquito verde’, entre outros, você com certeza vai se lembrar da gangue da bota preta.
Reza a lenda que, nos finais da tarde, eles apareciam na porta das escolas para promover a balbúrdia e assustar as moças virgens. Mamilos arrancados com canivete. Psicopatas com seringas contaminadas com o vírus da Aids. Confrontos entre galeras. E um grande personagem central que desafiava autoridades e exibia sua marca nos prédios mais altos da cidade: o terrível SAGAT. Homenagem ao personagem dos jogos de videogame, outra mania da época.
A marca de SAGAT estava pichada em quase todos os muros da cidade. Entre as meninas, o tesão em conhecer e ser a namorada do terrível pichador. Entre os rapazes, o desafio de quem conseguiria ir além dos limites do personagem invisível.
Nunca vi, nem em reportagem policial, nem nos programas locais matutinos uma foto, imagem ou fato vinculado ao SAGAT. Até hoje ele permanece no meu imaginário adolescente. Imaginava-o menino doce e magricela, com algumas tatuagens feitas com caneta bic e olhar agressivo e assustado.
Qual destino ele teve ao longo dos anos? Será um pastor evangélico? Será um agente penitenciário? Será um agente educacional da FUNAC? Será bandido, artista ou pai de família? Será ele um dos leitores anônimos deste blogue?
Quem souber o paradeiro ou foto, comente.
NOVUELA MEXICANA
Como seria o fim de uma novela que começou com um pequeno romance de vitrine, depois uma despedida forjada pela guerra, em seguida, um casamento, um filho e um retorno inesperado daquele que havia morrido, mas que o drama foi capaz de ressuscitar? Parafraseando Nelson Rodrigues, o amor não interessa a ninguém se perfeito, logo, todo o mérito de um belo amor fictício, deve-se à figura do antagonista, ele, sim, capaz de tudo para ter o que deseja, para obter aquilo que não conseguiu pela espontânea conquista. Ah! Isso excita senhores! É o antagonista que faz o clichê ser dinâmico, embora clichê; é ao vilão que devemos o sucesso de uma paixão irrisória, inocente e, portanto, inofensiva. Por esta razão, que Henrrrique, possuído por uma febre insana, seqüestra o filho de Manuelo e de Firmina e parte só deus sabe pra onde.
Parte V – Do outro lado da linha
ELA – (Soluçando) Manuelo!
ELE – (Abraçando-a) Firmina!
ELA – (Chorando baixo) Manuelo...
ELE – (Deslizando a mão pelas costa da mãe desesperada) – Firmina...
ELA – (Sentindo um arrepio e o corpo mais quente. Tenta afastá-lo) – Manuel...
Ele a beija. Um policial entra.
SARGENTO ANGEL – Firmina?
ELA – Policial!
ELE – Manuelo Junior?
O policial maneia a cabeça, num gesto negativo.
ELA – (Caindo no chão. Gritando) Manueluzinho! Manueluzinho!
SARGENTO ANGEL – (tentando acalmá-la) Firmina...
O telefone toca. Manuelo atende.
ELE – (Assustado) Henrrrrique!!!
ELA – (levantando-se num ímpeto) Manuelo Junior!
SARGENTO ANGEL – (Contendo-a) Firmina!
Manuelo desliga o telefone
ELA – Manuelo?
Manuelo vai rumo a porta
ELA – Manuelo!?
Manuelo sai de cena
ELA – MANUELO!!!
Continua...
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