domingo, março 17

“não consigo dormir com esse cheiro de fumaça”



“mas foi você quem fumou”
“eu sei, espertão, mas eu não tava mais acostumada”
“mas fumou”
“eu quis” 
“você sempre faz tudo o que quer. ótimo, só que quem fica te ouvindo reclamar depois sou eu”
“eu sei… desculpa?”
“pra quê? você não vai parar”
“e deveria?”
“você acha que tá certo reclamar assim o tempo todo?”
“não… mas é que…”
“o quê?”
“você precisa encarar o mundo… mas olhar dói. sentir dói. o mundo é feio. não pela ausência de beleza, entende? mas pela ausência de tudo. até de uma falta necessária ou algo do tipo…” 
silêncio.
“o cheiro de fumaça tá foda mesmo, a gente não devia fumar esses cigarros de mal gosto” 
ela se levanta da cama e caminha até o banheiro.
ele fica deitado olhando para o teto. para a luz acesa. fica pensando nos formatos que a lâmpada vai assumindo conforme o tempo passa.

sábado, março 16

O Canto dos Malditos - Arrigo Barnabé (Clara Crocodilo 1980)

                                                         Clara Crocodilo
Por Natan Castro


Para falarmos de Arrigo Barnabé, é necessário, extremamente necessário falarmos da Dodecafonia. Que foi uma espécie de movimento surgido na música erudita nos anos 20, sendo criada pelo compositor austríaco Arnold Schoenberg. Dodecafonia compreende em uma série de 12 notas tocadas pelo músico, sendo que nunca são repetidas da mesma forma na mesma composição. Arrigo Barnabé é um músico e ator Paranaense que despontou no Primeiro Festival de Música Popular Brasileira da USP em 1979. Até aqui tudo seria normal, mas as canções tocadas e interpretadas por Arrigo não eram nada parecidas com as músicas convencionais que aqueles estudantes estavam acostumados a ouvir até então.

Vejamos bem nessas canções ele fazia a junção da Dodecafonia com a Musica Popular Brasileira, ou seja, dois extremos o erudito e o popular. Junte-se a isso a letras que não diria “cantadas”, mas “contadas”, como se fosse uma leitura de uma HQ ou um Gibi, mas em alto e bom som. Todo seu fascínio pelos quadrinhos e sua formação erudita formada em São Paulo. Representou em 1980 um tipo de bomba, com efeito, retardante e alusivo, foi mais ou menos isso que o publico daquele festival sentiu quando começou aquela sonoridade inédita até então. Um misto de vaias e aplausos levaram esse público aos poucos a se acostumarem com o que estavam ouvindo.

Arrigo Barnabé era naquela época o principal nome de um movimento interessantíssimo chamado Vanguarda Paulista, que tinha outros como Itamar Assumpção, Grupo Rumo e Língua de Trapo para citar alguns. A temática das metrópoles e suas inconstâncias eram pano de fundo para essa galera. Até hoje o disco Clara Crocodilo de Arrigo Barnabé é reconhecidamente apontado pelos críticos como a sonoridade mais autêntica no Brasil desde a Tropicália. 



quinta-feira, março 14

Garoto Lithium (3)


Magali Vaz - Alma Gêmea de Morten Harket (A-HA)




Magali Vaz é uma brasileira que afirma ser a alma gêmea do vocalista da banda Pop (A-HA). Segunda ela quando era criança começou a sonhar com um garoto, com o passar dos anos foi crescendo e o garoto também. No ano de 1989 ganhou um disco da banda (A-HA), e ao ver a capa se deparou com esse garoto que agora era um homem, no caso o vocalista da banda Morten Harket. Na passagem do cantor pelo Brasil em 1995 ela chegou a conhecê-lo pessoalmente e conversaram. Magali Vaz conta que a ligação entre os dois é bastante forte ao ponto de se acontecer dele ficar doente ela também sente os mesmos sintomas. A brasileira escreveu um livro para falar do caso chamado Eu e Minha Alma Gêmea onde conta com riqueza de detalhes seu caso. Recentemente o nome de Magali Vaz veio à tona novamente na grande mídia pelo motivo de ela dar declarações que irá processar a autora da saga Crepúsculo, que segundo ela estaria plagiando seu livro em algumas passagens. Um desses plágio seria a semelhança do ator Robert Pattinson com a sua suposta alma gêmea o cantor Morten Harket.




quarta-feira, março 13

Livre Como Um Pirata - Cap. 7


Lembranças contigo eu tenho de sobra, e desde já peço perdão por estar te matando antecipadamente. Lembro de quando você ainda era um bebê e engatinhava pela casa da vovó, e eu estava no meu quarto fazendo algum trabalho até que eu te ouvi gritar e chorar e saí correndo em desespero para ver o que havia te acontecido. Você tinha machucado o dedo mindinho na cadeira de balanço, e eu fiquei muito puto com a minha tia por que eu disse para ela tomar conta de ti. Teu dedinho sangrava e a unha tinha caído. Só me lembro de te pegar nos braços e te fazer um curativo. Então eu te levei pro meu quarto pra cuidar de você enquanto ficava fazendo alguma coisa no computador e, não sei por que, botei pra tocar umas baladinhas de rock’n’roll e você adormeceu como um bebê que era. A unha nunca mais cresceu, mas você também nunca se importou com isso.

Outra vez, você mais crescido, lembro que em São Luís já não chovia há séculos e o calor tava de matar. Já era madrugada e eu não conseguia dormir, então, de repente, começou a chover e nos levantamos meio que por instinto e fomos sentar no quintal. O Negão ficava com aquelas brincadeiras chatas de ficar esfregando o nariz na gente e você ficava só do meu lado, olhando a chuva como quem acabara de presenciar um fenômeno sobrenatural. Às vezes esses momentos se repetiam, quando o sono me faltava. Eu tentava enganar vocês dois, caminhando na ponta dos pés, mas nunca consegui passar despercebido. O que vocês não têm de juízo, compensam na audição. É tocar os pés no chão para atiçar a maldita curiosidade da dupla.

Também lembro de uma vez que você foi brigar com o Negão e tentou pronunciar algumas palavras. A reclamação me soou como uma piada. Eu ri tanto e tive a infeliz ideia de ficar te imitando até que você me lançou aquele olhar desapontado fazendo brotar um sentimento de culpa terrível no meu peito. Então te pedi perdão e você me perdoou.