segunda-feira, março 4

Elevador Social


Não quis pegar o Elevador de Serviço. Pela primeira vez decidiu entrar no Elevador Social. O coração palpitava e a camisa molhava. Aquilo era um insulto aos seus patrões. Se entrasse algum deles podia ser demitido ou no mínimo receber uma advertência e um puta dum carão. Mas mesmo assim apertou o botão e aguardou.
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T - A porta abriu e entrou. Reparou que ali havia um espelho, ao contrário, do  de serviço. Sua farda azul estava descorada e com manchas de água sanitária, apesar de bem gomada por sua mãe. Mas seu rosto não aparecia. Não tinha olhos. boca, orelha, cabelo, nada. Talvez fosse um espelho diferente.
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8 - Saiu e foi trabalhar.

domingo, março 3

descrição


Tem esses caras que estão de saco cheio de tudo. Eu era um desses. Existem muitos assim, por aí. Essa noite não me sentia bem. Quando lembro dos sonhos que tenho sempre me sinto mais maluco do que o normal. Acho que é impossível ser completamente diferente de todos. Assim como não da pra escrever um livro sem que haja outro parecido. Não da pra pensar demais sem ficar dando loops infinitos. Estes loops me estonteavam, me sentia caindo girando num poço úmido feito de pedras; naturalmente, estava o tempo todo com essa sensação de desconforto — mas foda-se, sentir-se confortável é um sintoma de morte. Se você é incapaz de ouvir lobos uivando toda semana, é um sintoma de morte. Se não sente sua cabeça pesada, como se houvesse um machado enorme de um lenhador descendente de Nazistas do Rio Grande do Sul cravado na parte de trás do seu crânio; Se não sente constante vontade de morrer, está morto; A vida como um amontoado de percepções. Conversas com aranhas que moram na parede do banheiro. Livros intermináveis. O sangue no espelho. Videogames. Amor. — Amor também é uma ilusão, a única que vale a pena (até mais que o álcool). Trabalhar num supermercado. Ver caras roubando cachaça no supermercado e quando seu chefe perguntar porque você não disse nada, dar uma resposta certa e firme. Estar cheio de dúvidas. Mulheres suicidas em mesas de bar. Autossabotagem. Tristeza. Angústia. Ânsia de vômito. Parecer feliz. Feliz! A dor nos olhos, por não dormir. Música eletrônica. Parecer perdido. Não parecer perdido. A rua. O sol piscando entre as grades do quintal da fábrica de pedras. Olhar pro céu e levar concreto nos olhos. É só a vida. Não que eu dê bola. Só quero escrever.

sábado, março 2

O Canto dos Malditos - Loki? Arnaldo Baptista




Por Natan Castro.

Para se falar do primeiro álbum de Arnaldo Baptista, esse gênio da música, precisamos falar um pouco dos Mutantes. Logo depois de Caetano e Gil terem deixado à Bahia e se encontrarem em meio à profusão cultural do eixo (Rio – São Paulo) no final dos anos sessenta, os dois iniciaram conversas sobre como poderiam interferir na Cultura Popular Brasileira, que segundo eles à época necessitava de uma renovação em termos estéticos principalmente. Havia a principio somente ideias, após eles se depararem com a turma dos Mutantes, ai sim eles tiveram a certeza de que as modificações poderiam começar. E de fato foi isso que aconteceu os Mutantes foram à banda de acompanhamento em diversas apresentações dos Tropicalistas, e também eles por si só representavam musicalmente o próprio movimento desencadeado por Caetano Veloso e Gilberto Gil.

Os Mutantes foram e são até hoje a banda mais criativa e autêntica não somente do Brasil, mas também do mundo inteiro. Haja vista o global reconhecimento que a banda vem tendo nos últimos quinze anos na critica musical especializada ao redor do mundo. Arnaldo Baptista junto de seu irmão Sergio Dias e a cantora Rita Lee, representavam o núcleo criativo dos Mutantes. Depois de alguns geniais álbuns feitos com essa formação, aconteceu uma grande baixa no inicio dos anos setenta. Rita Lee a musa do rock nacional resolveu deixar o barco, por não estar de acordo com o caminho musical que os demais músicos resolveram trilhar, era o inicio dos anos setenta e o rock progressivo estava no auge com grandes bandas como Yes, Pink Floyd, Ermerson&Lake&Palmer, a sonoridade deles estava se definindo progressiva também, diferente dos áureos tempos onde a banda misturava MPB e Beatles produzindo uma sonoridade totalmente autoral.


Loki – 1974

Arnaldo Baptista era à época da saída namorado de Rita Lee, logo depois o namoro teve seu fim. E Arnaldo iniciou um longo período de nuvens negras em sua vida, vejam bem nuvens negras por conta da desilusão amorosa e os intensos usos de drogas, dentre elas principalmente ácido lisérgico. Porém sua genialidade musical ainda com problemas pessoais continuaria intacta, em 1974 ele lança pela Philips (Loki) seu primeiro álbum. O disco está e deve continuar na lista de malditos da musica brasileira, com bastante propriedade. Neste álbum o músico canta toda sua dor em versos vezes melancólicos, vezes dolorosos e alguns até de difícil compreensão. Somente ao piano, com acompanhamento de Liminha (Mutantes) no baixo, bateria de Dinho (Mutantes) e participação nos backing vocals de Rita Lee sua ex-namorada e segundo alguns responsável por seu momento de instabilidade psicológica durante muitos anos. Nos versos Arnaldo Baptista canta suas memórias de grandes momentos, pede perdão por seus erros e em alguns outros deixa bem claro toda sua carga de sofrimento, por conta do término de sua banda e do seu namoro. Um dos maiores registros musicais de um gênio da música mundial, reverenciado por pessoas como Kurt Cobain (Nirvana) e Sean Lennon (Filho de John Lennon).

quinta-feira, fevereiro 28

Menina


sei que vou te perder menina, assim como eu me perdi um dia - que me esqueci mesmo quando foi. não é do meu feitio mentir. fecho os olhos e me esforço pra caramba. talvez foi naquele dia que sumiram da minha vida - o pai, o espirito santo e o filho. e você esta aí me cutucando pra eu não dormir, me fazendo dá mais uns passos e sonhando como se fosse viver cem anos. não sou forte. me esforço apenas. você sabe bem disso. meu bem, como sempre você me abraça e me abraça mais forte como se eu fosse um ursinho de pelúcia. um ursinho de pelúcia dodói adicto e sem sentido nenhum. a maluquice que ainda escrevo como se fosse pra sempre, meu bem. mas vou te perder. vou te perder. assim como me perdi. e eu já te disse isso antes. mas não hoje. deixa pra depois de amanhã.



quarta-feira, fevereiro 27

Livre Como um Pirata - Cap.5


Eu estou escrevendo essas coisas por que se você vier a falecer, talvez eu não tenha ânimos para escrever nada... E eu também não sei se você vai estar vivo quando eu chegar em casa, então eu preciso terminar logo esse negócio. O que fode é essa incerteza. Ela assusta. E como...
Você adoeceu outra vez assim que começou o inverno. O papai notou que você não estava mais engatinhando normalmente. As pernas estavam pouco flexíveis. Chamamos o doutor:

- Infelizmente não tem cura.
- Como assim, não tem cura?
- É uma doença crônica... Ele sente muitas dores nos ossos. As pernas vão atrofiando com o passar do tempo.

E o infeliz só receitou uns analgésicos, pra amenizar a dor e acabar com as esperanças. Também não me vem à memória a porra do nome impronunciável da doença que te acometeu.

Eu estou muito preocupado, e não sei o que fazer para te tirar dessa, meu amigo. Eu só posso escrever... E esperar. O maldito pessimismo veio quando você negou o pãozinho que eu te dei hoje, coisa que nunca faria. Eu te olhava deitado e triste, mal abrindo os olhos, resolvi te fazer um carinho nas costas e você gemeu de dor. Então fiz só um cafuné, e você parecia estar sentindo um alívio imensurável, como quando alguém chora de sofreguidão, mas possui um colo para se debruçar. Levantava um pouco o olhar, com o mínimo de disposição que te restava, e me fitava com olhos moribundos, sem proferir uma palavra, mas já dizendo tudo.

- Dessa vez eu não escapo, meu amigo.

Eu senti que você já respirava com dificuldade e até dava para ouvir um chiado no teu peito, mas o choque veio quando na já costumeira baba, percebi tons de vermelho. Era sangue...

Tammys





terça-feira, fevereiro 26

Carnaval maranhense tipo importação



O governo do estado pela excelentíssima governadora Roseana Sarney é bem avaliada em seu governo quando se trata de eventos culturais patrocinado pelo próprio governo, com direito a vinda de bandas e artistas nacionais, foi assim nas festas dos 400 anos de São Luís e fim de ano no ano passado (2012).

E tem sido assim nos últimos anos, principalmente com o carnaval maranhense, especialmente na capital, entretanto, o governo do estado resolveu fazer o inverso neste ano (2013) ao contratar bandas e artistas de outros estados.

Nada contra a apresentação do Jorge Benjor, Diogo Nogueira e Timbalada, no que eu quero colocar aqui é que o nosso carnaval é rico e bem diversificado, e devemos valorizar artistas locais e coisas que é bem nosso.

Esses artistas que foram citados, já se apresentam praticamente o ano todo aqui em São Luís, o Timbalada então... e mais uma vez os artistas maranhenses ficaram renegados, e pior, em pleno carnaval onde temos bandas, blocos e artistas locais que animam e compõem muito bem as músicas carnavalescas.

Eu curti o carnaval da cidade num domingo e de certa forma me arrependi, no que vi foi o imenso palco para apresentação de artistas e bandas que foram citadas, a localização do palco para os shows esvaziou e tirou o foco da apresentação de blocos que estavam apresentando paralelamente.

Em razão disto, no único dia que sai de casa para brincar o carnaval, não vi os blocos Jegue Folia, Confraria do Copo, Vagabundos do Jegue e outros, o único bloco que eu vi passar foi o GDAM (Grupo de Dança Afro Malungo) que agrega o público regueiro, que estava se apresentando na rua do Passeio paralelamente ao show que estava sendo apresentando na praça Deodoro no palco montado com a banda Timbalada, e obviamente os foliões ficaram mais concentrados na praça.

Em virtude da apresentação que vi, o carnaval deste ano teve o gosto amargo em relação aos anos anteriores. Já basta o “finado” Marafolia e shows o ano todo, e ainda temos que aceitar bandas e artistas de fora para tocar em pleno carnaval? Um total desrespeito aos artistas locais, os que tocaram no palco da Praça Deodoro, como Alcione e Bicho Terra, por exemplo, são aqueles que fazem parte do grupo político de a ou b que estão no governo do estado, e os que não são foram se apresentar paralelamente nos circuitos carnavalescos com o público reduzido e outros nem sequer se apresentaram.

A montagem do palco na Praça Deodoro para apresentação dos artistas forasteiros de certa forma esvaziou e tirou o foco em outros locais, como a Madre Deus e o CEPRAMA, por exemplo, que fez os foliões se concentrarem praticamente na Deodoro.

O que é lamentável, porque temos grandes blocos como a Bandida, Máquina de descascar alho, Bicho Terra, Esbandalhada e tantos outros. O governo do estado já fez carnavais bem melhores, mas este ano resolveu desfazer o bom carnaval.

Em Pinheiro – MA que é considerado a ter o melhor carnaval da baixada maranhense, tem o repertório de bandas e artistas vindos da Bahia e Ceará que tocam que axé e forró (forró elétrico no período carnavalesco) respectivamente, resolveu nos últimos 3 anos dar espaço a artistas e bandas da cidades, o grande exemplo é a banda Tricha, um grupo de 3 homens que usam o repertório de artistas reconhecidos nacionalmente e mundialmente e interpretam de uma forma irreverente com letras referente a homossexualidade e se apresentam durante o período carnavalesco travestidos de mulher com personagens fictícias e com o papel de gays, é daí a origem do nome da banda, As Bichas ou Trichas (nome de fato da banda).

Essa banda se tornou referencia no Carnaval de Pinheiro – MA, e uma das atrações principais junto com as bandas da Bahia e Ceará com o axé e forró, abrindo cada vez mais espaços a bandas e artistas locais que consequentemente poderá ofuscar futuramente as bandas baianas e cearenses no período carnavalesco.

Daí você o lado inverso, o poder público da cidade de Pinheiro que sempre contratou bandas de fora para o carnaval da cidade, agora está contratando e dando espaço a artistas e bandas locais, enquanto o governo do estado aqui em São Luís resolveu neste ano contratar bandas e artistas de fora, ofuscando os artistas e bandas da terra.

São Luís está longe de ser a rota de turistas brasileiros e estrangeiros principalmente para curtir o carnaval no Brasil, como Olinda – PE, Ouro Preto – MG, Recife – PE, Rio de Janeiro – RJ e Salvador – BA, por exemplo, que recebem a transmissão de todas emissoras do país e fora do país, recebem investimentos de grandes empresas como a Ambev (Antarctica, Brahma e Skol), Bradesco, Schin, Tim e outras empresas, ou seja, essas cidades citadas não recebem patrocínios apenas do poder público, mas também da iniciativa privada, o que não é pouco por sinal.

As escolas de samba do Rio de Janeiro – RJ e São Paulo – SP recebem patrocínios de grandes empresas, principalmente as que foram citadas anteriormente, a participação do poder público é apenas o complemento, porque muitas dessas escolas já andam com as próprias pernas e tem renda própria que muitas delas faturam não só apenas durante o carnaval, mas também o ano todo.

O que é totalmente oposto aqui em São Luís e nas cidades maranhenses, em que o poder público, seja municipal ou estadual, é 100% do patrocínio para a realização das festas carnavalescas, e nós sabemos perfeitamente como é a nossa classe politica maranhense, e é justamente a classe politica na sua grande parcela de culpa é que não contribuiu em nada para a cultura do nosso estado. E quando contribui, sempre pensando no viés politico e eleitoreiro de forma clientelista.

O carnaval de São Luís que já foi considerado entre os melhores do Brasil, poderá de vez ir a falência, o fofão que é o principal personagem e símbolo da cultura carnavalesca do nosso estado, está sendo substituído por axé, forró elétrico, frevo e outras culturas que são de fora. O que é lamentável e ao mesmo tempo um insulto e desrespeito aos artistas, bandas e o próprio fofão daqui da terra.

Como diz o refrão de uma música:
“Não deixe o samba morrer, não deixe o samba acabar...”
Não deixemos o carnaval maranhense morrer e muito menos o fofão.