sexta-feira, julho 1
O transporte urbano de São Luís: um resgaste histórico.
RESUMO
O trabalho versa sobre o resgate histórico do surgimento dos ônibus na cidade de São Luís; os fatores que contribuem para o surgimento desses veículos não estão por si só isolados; há toda uma conjuntura que envolve o âmbito estadual e nacional, que contribuiu para consolidar os fatos aqui apurados. Outra análise se refere aos transportes que vieram substituir os bondes, que nesse período era o principal meio de locomoção da população ludovicense. Outro aspecto abordado é a contribuição deste tipo de transporte para o crescimento da classe empresarial no setor que causou (e ainda causa) grande problemática do sistema de transporte por causa do monopólio praticado pelos mesmos; problemas esses, que o poder público municipal ainda não resolveu. Procura-se mostrar com ênfase a relação de interesses no transporte publico existente entre empresários, trabalhadores e demais usuários que utilizam esse tipo de serviço; todas estas questões norteiam este trabalho. Palavras – Chaves: Ônibus, Usuários, Trabalhadores, Empresários e Prefeitura Municipal de São Luís.
ABSTRACT
The papers reports on the historic rescue of the emergence of the buses in the city of São Luís; the factors that contribute to the emergence of these vehicles are not isolated by itself, there is a situation that involves all the state and national levels, which replaced the trams, which in this period was the main kind of locomotion ludovicense population. Another issue addressed is the contribution of this type of transport to the growing entrepreneurial class in the industry that caused (and still causes) great problem of the transport system because of the monopoly practiced by them; these problems, the municipal government has still not solved. Attempts to show emphasizing the relationship of interest in public transport between employers, employees and other users who use this type of service, all of these question guides this work. Key – words: Bus, Users, Employees, Entrepreneurs and City of São Luís
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Jesus, William Washington de. O transporte Urbano de São Luís: um resgate histórico / William Washington de Jesus. – São Luís, 2010 90 folhas. Impresso por computador (fotocópia). Orientador: Baltazar Macaíba de Sousa Monografia (graduação) – Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Curso de História, 2010. 1. Transporte urbano – São Luís – MA – Usuários – Trabalhadores 2. Empresários 3. Prefeitura Municipal de São Luís I. Título CDU: 656.121(812.1)
email: leaozuluzinho@hotmail.com / leaozuluzinho@gmail.com
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quinta-feira, junho 30
Nuhu Ayuba
CARTA ABAIXO-ASSINADO
Nós, estudantes do curso de Engenharia Química da Universidade Federal do Maranhão/UFMA, matriculados na disciplina Cálculo Vetorial, informamos que o professor Cloves Saraiva vem sistematicamente agredindo nosso colega de turma Nuhu Ayuba humilhando-o na frente de todos os alunos da turma.
Na entrega da primeira nota o professor não anunciou a nota de nenhum outro aluno, apenas a de Nuhu, bradando em voz alta que “tirou uma péssima nota”; por mais de uma vez o professor interpelou nosso colega dizendo que deveria “voltar à África” e que deveria “clarear a sua cor”; em um outro trabalho de sala o professor não corrigiu se limitando a rasurar com a inscrição “está tudo errado” e ainda faz chacota com a pronúncia do nome do colega relacionando com o palavrão “no cu”; disse que o colega é péssimo aluno por que “somos de mundos diferentes” e que “aqui diferente da África somos civilizados” inclusive perguntando “com quantas onças já brigou na África?”.
Nuhu não retruca nenhuma das agressões e está psicologicamente abalado, motivo pelo qual solicitamos que esta instituição tome as providências que a lei requer para o caso.
Favor divulgar em todas as redes, pois o que está acontecendo aqui é comum em outras Instituições.
Cristina Miranda
Coordenadora do CEN/MA
Nós, estudantes do curso de Engenharia Química da Universidade Federal do Maranhão/UFMA, matriculados na disciplina Cálculo Vetorial, informamos que o professor Cloves Saraiva vem sistematicamente agredindo nosso colega de turma Nuhu Ayuba humilhando-o na frente de todos os alunos da turma.
Na entrega da primeira nota o professor não anunciou a nota de nenhum outro aluno, apenas a de Nuhu, bradando em voz alta que “tirou uma péssima nota”; por mais de uma vez o professor interpelou nosso colega dizendo que deveria “voltar à África” e que deveria “clarear a sua cor”; em um outro trabalho de sala o professor não corrigiu se limitando a rasurar com a inscrição “está tudo errado” e ainda faz chacota com a pronúncia do nome do colega relacionando com o palavrão “no cu”; disse que o colega é péssimo aluno por que “somos de mundos diferentes” e que “aqui diferente da África somos civilizados” inclusive perguntando “com quantas onças já brigou na África?”.
Nuhu não retruca nenhuma das agressões e está psicologicamente abalado, motivo pelo qual solicitamos que esta instituição tome as providências que a lei requer para o caso.
Favor divulgar em todas as redes, pois o que está acontecendo aqui é comum em outras Instituições.
Cristina Miranda
Coordenadora do CEN/MA
quarta-feira, junho 29
quarto em chamas
O coaxar rítmico dos sapos noturnos se esvai dando lugar aos gracejos empolgados dos galos, tudo por causa dos oeste feixes luminosos que se projetam no horizonte de campos verdes alagados advindos de uma crescente vermelha circunferência dando luzes ao dia, enquanto a menina esquia, pálida de tanto forçar a vista e perder sono está com olheiras para ler num quartinho escuro iluminado por lamparina de querosene, no livro de ciências desgastado do governo. A menina esquia, pálida com olheiras descobre que a terra gira em torno do sol, através de movimentos de rotação e translação. E que a terra surgiu de uma grande explosão: o Big Bang.
A amiguinha vizinha banguela e feia foi quem emprestou o livro de ciências desgastado do governo com a obrigação da menina esquia, pálida com olheiras responder o dever de casa por que a amiguinha banguela e feia não gosta do livro de ciências desgastado do governo e nem de ir à única escolinha de nome Castro Alves, num raio de 10 quilômetros do povoado onde moram, para a inveja e satisfação da menina esquia, pálida e olheiras. Inveja por que a menina esquia, pálida com olheiras não pode ir à escolinha de nome Castro Alves e a amiguinha vizinha banguela e feia pode. Satisfação por que a menina esquia, pálida com olheiras pode estudar no livro emprestado de ciências desgastado do governo da amiguinha vizinha banguela e feia.
O pai da menina esquia, pálida com olheiras plantador de mandioca tem orgulho de ter sua própria casa de forno feita por suas mãos calejadas, onde o pai plantador de mandioca e mãos calejadas fabrica farinha d’água vendendo a um real o quilo na pequena rodoviária na cidade a 20 quilômetros da sua casa de telha de palha de coco e paredes de barro duro com troiras passeando. O pai plantador de mandioca e mãos calejadas viaja devagar no sacolejo constante sobre sua carroça antiga puxado pelo o jumento acinzentado, triste e sempre faminto, uma vez por semana pra pequena rodoviária. O plantador de mandioca e mãos calejadas trás sempre um litro líquido gaseificado preto: seu único luxo bebendo aos pouquinhos no retorno a casa de telha de palha de coco, paredes de barro duro e troiras passeando.
O pai plantador de mandiocas e mãos calejadas não permite de jeito nenhum sua filha esguia, pálida com olheiras ir à escolinha de nome Castro Alves. Sua mãe obesa e cega de um olho devido a uma doença venérea não questiona mais a autoridade do marido plantador de mandiocas e mãos calejadas. Pois a única vez que a mãe obesa e cega de olho questionou a autoridade do marido plantador de mandiocas e mãos calejadas. O marido plantador de mandiocas e mãos calejadas bateu na esposa obesa e cega de um olho com folhas de urtiga deixando uma semana a esposa obesa e cega de um olho dormindo sobre folhas de bananeiras para atenuar as dores das feridas que deixou cicatrizes na mãe obesa e cega de um olho.
O pai plantador de Mandiocas justifica que na escolinha de nome Castro Alves sua filha esquia, pálida com olheiras se vier a estudar poderá escrever cartas de namoricos e logo aparecer de “bucho”. E que o futuro da menina esquia e pálida com olheiras é criar pintinhos sujos no quintal úmido e com mangueiras e goiabeiras como à mãe obesa, cega de um olho e cicatrizes cria há anos.
Então por isso a filha esquia, pálida com olheiras, que descobre no livro de ciências desgastado do governo, que os sapos são anfíbios, os galos são aves e as troiaras são répteis, não pode estudar na escolinha de nome Castro Alves.
A menina esquia, pálida com olheiras insiste em ler toda a madrugada num quartinho escuro iluminado por lamparina de querosene, junto ao pio de pintinhos sujos que virarão galos ou galinhas amanhã, criados por sua mãe obesa, cega de um olho e cicatrizes, mas a menina esquia, pálida com olheiras descobre que ninguém vai saber daquilo, por que apesar de os pintinhos sujos terem olhos, os pintinhos sujos são irracionais, portanto não podem lhe denunciar para seu pai plantador de mandiocas e mãos calejadas ou sua mãe obesa e cega de um olho e cicatrizes.
A menina esquia, pálida com olheiras descobre no livro emprestado desgastado de ciências do governo que respira oxigênio que vão para seus pulmões e depois expiram gás carbônico. Descobre na mesma página que água é feita de duas moléculas de oxigênio e uma de hidrogênio e o fogo só queima por causa do oxigênio. Na outra página descobre que a nuvem é feito da água que se evapora, condensa e depois fica líquida e chove: um simples fenômeno da natureza.
A menina esquia, pálida com olheiras está com os olhos semicerrados de sono. Descobre em outra página no livro desgastado do governo que o sono serve para repor as energias para o dia seguinte. Então a menina esquia, pálida com olheiras dorme feliz de já saber tanta coisa e que vai descobrir mais coisas no dia seguinte.
A lamparina de querosene cai sobre o livro emprestado de ciências desgastado do governo e pega fogo. O coaxar rítmico dos sapos noturnos se esvai bem mais cedo dando lugar aos gracejos empolgados dos galos e um inédito ronco estridente do jumento acinzentado, triste e sempre faminto por que uma casa de palha de coco e paredes de barro duro e troiras passeando está em chamas dando luzes ao dia bem antes dos oeste feixes luminosos que se projetam no horizonte de campos verdes alagados advindos de uma crescente vermelha circunferência.
05/02/2007
diego pires
terça-feira, junho 28
Gesto Derradeiro
Depois que partiu
E no mundo se danou a sumir
A dor se tornou irreversível.
Ficando o vazio
A despedida sem porvir,
O aceno sem mãos,
A presença inacessível;
E longe, inevitavelmente,
O passado se sujeita à lembrança.
E a memória, alagada no presente,
É um castigo intermitente,
Pena que os olhos, desavisados,
Não suportam sem dobrarem os joelhos...
Daí, o futuro vira sentença previsível,
A projeção da perda e, na garganta, o indizível.
Saberei por aí, notícias de segunda mão...
E na rua afora,
Sua presença na boca de terceiros
Dão, ao ouvido, o tiro derradeiro:
O teu nome distante como o badalar de um sino
E o impulso de dar a minha cabeça
Ao teu salto mais fino...
Igor Nascimento
domingo, junho 26
Uma confissão
Sinto que sou um iconoclasta. Na falta de uma palavra comum uso iconoclasta. Rejeito minhas próprias referências. E ainda digo mais ou menos como o Camus; que nunca me sigas, pois posso te deixar. Ou que nunca fique na minha frente, pois não vou te seguir, mas se caminharmos ao mesmo lado seremos talvez amigos e um aperto de mão.
Diego
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