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segunda-feira, abril 8

O Homem Sem Nome


Este é o desenho que fiz no Paint para o personagem o O Homem Sem Nome. Um ladrão de carros sem grandes palavras, poucos amigos, um tanto cínico e psicopata, mas alguns acham eles gente boa, mas a maioria já morreu.

Aí vão suas HISTÓRIAS:

Femme Fatalle

A Foda Com A gorda

Bala!

Brigitti Bardô - A transexual

Operação Boneca Kelly


sábado, fevereiro 23

Operação Boneca Kelly


Encontrei com Os Caras no horário combinado. Chapola, Zorro, Zé Macaco e Boneca Kelly que surgiu depois de uma dúvida.  Era meio dia com uma lua ENORME lá fora e lá dentro do galpão tava escuro e MUITO quente. Funcionava um ferro-velho e um desmanche de carros. Fedia a graxa, urina, cigarros e juro que vi ratazanas com aquele grunhido agudo e irritante e um caminhão daqueles de Guerra Mundial e uma mulher nua amarrada em cima dum fusca com alguma coisa tapando a boca. O papo foi bem reto. Sabiam da minha capacidade de pilotar um carro. Falaram do plano. Faria apenas a fuga. Disseram que eu ficaria com 10% da quantia total do roubo. Aceitei. Seria um grande desafio. Mas acho que dava conta. Me deram um papel rabiscado de caneta com a planta baixa do banco, com a avenida paralela e o ponto EXATO onde devia estacionar. E bem em cima escrito Operação Boneca Kelly. Fiquei olhando aquele papel.

- Alguma dúvida, Mikael Xumaker?
- Por que é esse o nome da operação?

Do nada uma bicha baixa de cabelo loiro apareceu entre eles e me respondeu em alto e bom tom:

- É meu nome bofe e eu arquitetei todo plano e nada melhor que chamar a operação com meu nome. Tá um arrasso, não?
- Sim. Você entende mesmo da PARADA.
- Eu entendo de tudo, bebê. Saiba que foi quase 6 meses de estudo.
- Dava pra passa no vestibular.
- HAHAHAHA. Esse Mikael Xumaker é um palhaço. 

Sua gargalhada fez um ego no galpão e outros também sorrirem enquanto dei uma olhada novamente ao redor e vi que a mulher em nua em cima do fusca, talvez estivesse sorrindo também, mas a bola dentro da boca não deixava e a boca dos ratos tavam cada vez maiores. Senti uma leve tontura e era hora vazar dali.

- Até.
- Leva o papel.
- Oquei. 

No dia D. Pedi a minha esposa deixar os meninos na escola e botar ração pra Fred Rincón. Pela minha cara sabia que vinha chumbo grosso pela frente. Me desejou boa sorte, sem saber  ao certo no que eu ia me meter. Tomei duas xícaras de café com três pães. Precisava de energia. Carreguei a pistola e pus nas costas e vazei.  Estacionei o carro a 100 metros da entrada no ponto desenhado no papel que tava na minha mão. Vi todos tavam comigo no galpão. Uns de paletó e gravata e maletas nas mãos como se fossem políticos ou executivos e também o segurança do Banco e a Boneca Kelly de saia, salto alto e peruca. Tudo ocorrendo como o combinado. Foi rápido. Os 4 saíram pela entrada. Liguei o carro e destravei as portas da frente e de trás. Entraram. Abaixei o freio de mão e apertei o acelerador e o carro cantou pneu. Ainda deu pra escutar que o alarme do banco apitou.

Fizeram a conta na hora enquanto o carro ia a quase 100 por hora. Exatamente 105 mil pilas e me passaram o prometido. Botei entre minhas pernas. O primeiro a descer foi Boneca Kelly que deixei na porta do Shopping Rio - Anil. Disse que ia fazer uma Mega compras moda verão. Chapola foi o segundo a descer. Deixei ele na Rodoviária. Ia pra algum lugar fora das fronteiras do Estado. O terceiro foi Zé Macaco. Ficou no Anel Viário pra pegar um Ferry Boat. Destino desconhecido.

O quarto era o Zorro. Pediu pra eu deixar ele no Anjo da Guarda. Passei pela feira central e dobrei para Hospital Maternidade Maria da Penha e seguir por um caminho escroto e cada vez mais escroto até se acabar num beco sem saída. E sentir que alguma coisa esta cutucando minha cintura. Era o cano de seu revolver.

- Passa tua grana senão morre! - Passei o dinheiro. Ele desceu do carro.
- Agora cai fora, perdeu. - E virou as costas ao encontro de dois caras. Nunca se deve virar as costas pra mim. Saquei minha pistola. O sol ofuscou minha vista e mesmo assim atirei. Quando vi algo o Zorro tava no chão com a cabeça estourada. As maletas rolaram e não sei mesmo como abriu e o vento fez o dinheiro voar. Uma multidão apareceu sei lá de onde como um formigueiro pegando as notas zeradas de 5, 10, 20, 100 pilas. 


Dei um cavalo de pau e fugi. Tinha entrado numa roubada. Literalmente num beco sem saída. Mas escapei. Larguei o carro na Praia da Guia ali próximo. Um dia morrerei. Eu sei. Mas juro que não vai ser por bala ou uma tocaia. Vai ser por doença.

Hoje vou jogar videogame com meus filhos.             

sexta-feira, fevereiro 8

Brigiti Bardô – A transexual

Diego Pires

Ah Porra! Cai da cama. Nervoso. Sonhei que meu cachorro Fred Rincón foi contratado pelo Flamengo por 5 milhões de dólares e usava a camisa 10 que Zico passava pra ele numa comitiva da imprensa com narração de Galvão Bueno. Coisa estranha esse parada de Sonho. Fui pra sacada da casa e me deu vontade de fumar, mas parei faz um tempo. Desde um dia que passei horas rodando no carro feito louco atrás de uma carteira de cigarros e capotei na Av. Quajajaras. Virou 10x até parar num muro. Mas não tive nenhum arranhão. Não acredito em deus, mas naquele dia quase acreditei. O carro era roubado então deixei lá. Parecia uma lata de refrigerante jogada no carnaval. Voltei caminhando pela avenida.

Nesse dia conheci Brigiti Bardô. Ela me viu e foi falar comigo. Como era linda aquela nega. Na verdade não era uma nega. Tinha sido um nego. Sei que eu a tratei como uma mulher.

- Ei moço! Você está bem?
- Não. Acabei de sofrer um acidente.
- Mas está vivo.
- Sim. Quer transar comigo?
- Cobro 200 reais tudo.
- Vamo!

Chamei um taxi e vamos pro motel que ela indicou, antes passamos numa farmácia 24hrs e comprei um analgésico. Dores na cabeça. Entramos e passei meia – hora tomando um bom banho. Me toquei , puxei minha pele, bati o pé no chão e limpei o pau. Pra vê se eu tava vivo mesmo. Sai do chuveiro e Brigiti Bardô fumava um cigarro e me ofereceu um. Eu disse NÃO. Por causa daquele negócio eu quase morri e contei a estória do acidente pra ela e depois ela me contou a dela. Mas depois da foda. Tirou a roupa bem devagar e depois a minha toalha. Tirou do bolso uma camisinha e um creme e disse que era passar por cima da camisinha porque ela tava com ressecamento. Explicou que tava bebendo pouca água. Fiz o que ela mandou.

Foi bom. Esqueci o tempo naquelas coxas cinza, peitos pequenos, boca carnuda e seus cílios enormes. Esqueci também o acidente e jurei nunca mais fumar. Gozei. Ela gozou. Me abraçou e me beijou com uma mãe como se eu fosse um bebê que acabou de nascer. Acho que casaria com aquela puta se não fosse casado.

- Por que Brigiti Bardô?
- Ela era uma grande diva francesa. Apesar de que ela era loira e eu sou morena. Mas sempre desejei ser ela. Desde quando eu era um menino e morava na Madre Deus.
- Você falou um menino.
- Sim. Eu sou transexual. E você nem percebeu.
- Não parece. Como você se chamava?
- Era horrível meu nome. Carlos Eduardo. Fiz sessões de fonoudiologia pra afinar a voz, pus silicone e tomo hormônios femininos, além, da cirurgia de mudança de sexo que fiz em São Paulo.
- Hummm... Você ficou linda. Parece uma modelo de revista. Tipo aquelas de altdoor.
- Obrigado. E você faz o que da vida?
- Sou assaltante de carros.
- Não gosto de bandidos. Roubam nosso coração e nos deixam na mão. São Mal.
- Hahahahahahahahaha.

Chamei o táxi. Paguei ela e o t[axi. No caminho passamos pela Avenida Guajajaras e ela disse que estava com uma viagem paga pra Portugal e provavelmente demoraríamos a nos ver ou nunca mais. Desejei boa sorte e um último beijo antes de ela descer e me mandei pra casa. Beijei meus meninos que dormiam no sofá da sala e desliguei o vídeo game. E bem devagar entrei no meu quarto subi na cama e abracei minha esposa e apaguei.




terça-feira, fevereiro 5

Bala!

 Diego Pires


No Stress, baby! Os tempos de vacas gordas voltaram. A vaca não era tão gorda, mas era banco de couro, injeção eletrônica e direção hidráulica. Soube pela TV que os agentes do DEIC estavam em greve por atraso de salário. O que fez relaxar meu esfíncter anal e deu espaço pra agir. Agora podia roubar sem achar que um flanelinha em um posto de gasolina era um agente disfarçado ou se não instalaram uma escuta dentro da orelha do vira-lata lá de casa.

O roubo foi fácil. Foi na verdade uma vacilada.  Alguém esqueceu um Ômega com a porta meio aberta no estacionamento do consultório do gastro onde fui consultar da cirrose.  Abri, entrei, ligação e vazei pela BR135 – BR010 e depois de 8 hrs tava em Imperatriz de frente com meu intermediador negociando aquele carrão anos 90 de playboy escutando A-HA. Voltei de avião e fui passear na praia com minha esposa e os meninos. Eu precisava de sol, mar e areia. Tava mais branco que o Drácula. Tirar a coira. Dá um mergulho profundo e não pensar em nada. E nada de cerveja e voltar a tomar os remédios pra cirrose que o medico receitou. E um sorvete de coco e maracujá pros meninos e um biquíni novo pra minha esposa que, por sinal, fazia tempo que eu não dava uma. Ia fazer isso quando voltássemos pra casa. Que lindo, não?

Mas não tão lindo. Na hora da volta no calçadão da Litorânea fomos vítimas de um assalto. Dois homens numa moto. Apareceram como uma blitz. Do nada. Gritando: - Passa tudo! A cagada dos caras eu que eu conhecia eles. Era a porra duns traficantes lá do meu bairro. Tinha até bebido outro dia com eles e tive que pagar a conta com uma foda com a dona do bar. Assaltando de faca ainda os pilantras. Um puta 157 nervoso. Eles pediram desculpa. Eu disse pra eles tomarem cuidado. Imagine se eu estivesse armado? Mataria eles sem pensar. Mas, no outro dia, matei. 

Fui à casa de cada um. Com minha pistola e botei os dois dentro do meu carro. Levei pra um terreno baldio, onde o povo joga lixo. Um disse que tinha virado evangélico e era pra eu perdoá-lo. Mandei ele abrir a bíblia que ele insistiu em trazer e ler algum versículo. O desgraçado não sabia ler. Meus deus! Bala no meio da testa. O outro já mijava pelas calças. Bala no culhão por ser medroso e pau no cú em assaltar pessoas num domingo de volta a praia. Mandei ele falar alguma coisa se tivesse a fim. 

- Eu to namorando!
- Quem?
- CARLINHA!
- Carlinha... Aquela morena gostosa da pensão do Mathias?
- É.
- Caralho! Tu é um cara de sorte rapaz. Mulher bonita. Que quer fale algo pra ela?
- É... 

Sentir inveja e pena. Mas não podia deixá-lo mais vivo. Ia dá merda. Bala.

sexta-feira, fevereiro 1

A foda com a Gorda




Por Dieguito

Estava sem grana. Liso. Um mês sem roubar carros. O policiamento aumentou muito na cidade e os condomínios fechados. Mas isso nunca foi uma pedra pra mim, é que também estão de olho nos meus passos Agentes policias do DEIC¹. Todo cuidado é muito, muito pouco pra eu não pegar um flagrante e passar um bom tempo na cadeia e habeas corpus custa caro.  E voltei a beber apesar do meu início de cirrose. Sem grana fico deprimido e bebo. E bebi com uns amigos traficantes uma, duas grades de cerveja sem dó nem piedade do meu fígado no BAR DA GORDA. Mas não fumei o cof ² que eles me oferecem e nem a pó com 50% de bicarbonato de sódio. Meu lance é só álcool mesmo. Nada de viagens e coisas que apaguem meu sono. Mas to parando de beber, é difícil, claro. Ainda entro no A.A, como manda todo dia minha queridíssima esposa. No final, a Gorda pendurou no meu nome a conta da bebedeira e mais os três petiscos de carne de sol e uma água mineral com gás. Eu sou um cliente antigo, nunca deixei de pagar um fiado. Tenho crédito na praça.

E foi um mês, dois meses e não paguei a conta. Porque a única grana que peguei foi de um antigo débito de um Corsa 2000/2001 que mandei pra Imperatriz e só sobrou pro material escolar dos meninos e botar gasolina no carro e fazer a mercadoria do mês no supermercado e um crédito no meu celular. Se tivesse com 30 conto no bolso, era muito. 

Rapaz a Gorda começou a me perturbar direto. Me ligava todo dia a diaba. Eu nem atendia. Tive que por o celular no modo silenciador Um dia me viu passando na rua e gritou meu nome e me chamou de caloteiro. Que mico paguei. Queria enfiar minha cabeça dentro do asfalto ou viajar pra plutão. Não ia matá-la por respeito à comunidade do meu bairro e por ela também ser uma pessoa que vende fiado, mas acima tudo por que agentes do DEIC estão na minha cola. Porque na real mesmo; era bala no meio da testa.  Ia ter que pagar essa dívida de alguma forma e sair por cima. Porque eu tava muito pê da vida com ela. E sou um homem de palavras e rancor e tiro certeiro.

Passei lá quase 1hr da madrugada no fim do expediente enquanto ela expulsava bêbados do Bar e botavas as cadeiras e mesas pra dentro. Parei na entrada e pedi com muito carinho pra ela entrar no carro depois de ela terminar de fechar as portas. A égua suava e tinha uns dentes tudo torto e me lembrava o Shrek. Ainda era casada. Mas o que importa a beleza exterior? Já matei uma loira bonita por que não sabia fuder. Arranquei o carro pra uma praça sem iluminação e levantei a saia dela e meti o dedo por baixo da calcinha e a safada já tava toda molhada. Fogosa essa Gorda. Vamos pro banco detrás e fudemos por quase 1 hora e ela sem perder o ritmo eu por cima, claro, ainda dei uns tapas cara dessa vadia sem noção que chama os outros de caloteiro no meio da rua. Ela disse mais. Eu disse NÃO. - Não podia perder a Sessão de Gala na Rede Globo com minha esposa. Tinha combinado. - Eu usei camisinha, óbvio. Tenho medo de AIDS. Foi um SUPER papai e mamãe sado-masoquista. Acho que a parada dela era estresse mesmo. Trabalhar em bar é foda e aguentar bêbados.  E, talvez, o marido também não tava lá essas coisas. Sei lá. Deixei-a na porta do bar e dei um thau e um tapa na sua bunda de celulite. Ela sorriu. Eu sorri de volta, como um galã da novela das 8.

A dívida tava quitada sem juros.

¹ DEIC - Departamento de Investigações sobre Crime Organizado
² Cof - Maconha com amônia. 

sexta-feira, setembro 28

Femme Fatale

Ela tinha tudo pra ser uma foda legal. Bonita de estampar uma propaganda de cerveja mediana ou um calendário numa pose sensual pregado na parede de um oficina com homens sujos de graxas dizendo: - ah se te pego, loira gostosa. Conheci num fim de noite. Voltava de um lance de vender carros roubados pro Pará. Ela falava e eu só concordava. Queria só uma foda ou quem sabe duas, três no máximo, não tomo Viagra.Tenho medo de Infarto. Caipirinha no canudinho na sua boca carnosa e água mineral pra mim depois do meu inicio de cirrose. Vamos pro Motel? Rápido como apertar o gatilho e matar um cretino. Mas no caso ela era a vítima de cabelos cheirosos e pernas grossas e salto tão alto que quase chegava a nivelar a minha altura. Uma foda em pé cogitava, é claro. Em cima da cama tirando a roupa como uma striper. Closer perto demais. Natalie Portman Tropical oxigenada.

Entramos no táxi. Bandeira Dois. Direto pro Motel mais próximo.

Ar condicionado marcando 15 graus. Frigobar. Um cigarro Carlton. Filme romântico semi-pornográfico na tela fullscreem do canal TELECINE.

Tirei a roupa dela e ela abriu as pernas e eu enviei meu pau em algo parecido com uma boneca inflável. Não se mexia, muda, sem lubrificamento e nem quis fazer uma chupetinha ainda teve a coragem de me chamar de meu amor quando decidiu gemer algo. Fiquei com raiva.

- Eu te conheci há duas horas e só minha esposa me chama de meu amor. E você vem com essa.

Não era um dia legal. Foda pior ainda. Peguei a pistola na minha maleta. Bala na cabeça da desgraçada.

Bem que ela tinha o cabelo cheiroso. Mas já foi.