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terça-feira, dezembro 17

Beatles, Bob Dylan, Paulo Coelho ou o Raulseixismo - PARTE 03

Por Natan Castro

"Se você não está dentro da Sociedade Alternativa, a Sociedade Alternativa sempre esteve dentro de você." Raul Seixas


Raul Seixas estava então o artista agora descoberto por si e pelos outros, com a certeza de uma carreira pela frente no inicio dos anos setenta. Beatles sempre foram a inspiração para a primeira banda de Raul Seixas, eles forjaram conceitos, pontos de vistas, grandes canções e essas mesmas canções dos Beatles tiveram uma modificação brutal em forma de conteúdo quando na metade dos anos sessenta os Beatles deixaram os temas juvenis e mergulharam de vez nos temas universais. Diz à lenda que o encontro dos Beatles com Bob Dylan teria modificado a forma, as vias que seriam percorridas até ali rumo a novas canções, dizem ainda que foi Bob Dylan que ofereceu o primeiro baseado aos FAB-FOUR. Sem dúvidas depois de 1964 com o lançamento de “Rubber Soul” as letras começaram a tratar de assuntos mais sérios bem longe dos devaneios adolescentes do inicio, é incontestável a influência do cancioneiro de Dylan na dupla Lennon & McCartney. E foi também nesse período senhores que Raul Seixas leu numa revista que tratava de assuntos místicos um artigo sobre Discos Voadores escrito por um cara chamado Paulo Coelho. O assunto interessava tanto Raul Seixas que ele foi até a redação da revista à procura do autor do artigo, lá chegando conheceu Paulo Coelho que era à época um hippie, estudioso de misticismo e ex-diretor de teatro. Esse encontro tal qual o encontro dos Beatles com Bob Dylan foi crucial para o desenrolar da história do rock nacional e decerto para a música popular brasileira, houve logo de inicio uma afeição de duas cabeças que segundo eles mesmo se completavam, ainda que com conflitos que duram até os dias atuais. Raul Seixas prometeu ensinar Paulo Coelho a compor canções e Paulo Coelho prometeu iniciar Raul Seixas nos assuntos místicos. E de fato iniciou-se uma viagem dessas que somente os anos setenta eram dignos de acompanhar, os dois juntos de Marcelo Motta fundaram uma sociedade místico-libertária baseada nos ensinamentos do mago inglês Aleisteir Crowley chamada a Fraternidade do Relâmpago Dourado. Ainda nesse período tal Fraternidade ganhou de presente um terreno no estado de Goiás onde ia ser construída a “cidade das estrelas” nessa cidade os valores estariam todos invertidos, segundo Raul Seixas o advogado seria o não-advogado e assim por diante. Essa seria a Sociedade Alternativa toda baseada de fato no livro da lei de Aleisteir Crowley, porém no ano de 1974 a ditadura militar percebeu que aquelas ideias estavam cada vez mais levando pessoas aos shows de Raul e esse público se mostrando cada vez mais aberto as tais mudanças cantadas nos versos das músicas. Conforme Raul Seixas costumava dizer nesse mesmo ano ele foi convidado a se retirar do país, seu exilio se deu em Nova York nos E.U.A, a essa altura do campeonato aquilo que conhecemos como Raulseixismo, ou seja, a filosofia desse tal Raul Seixas estava bem definida e trouxe com ela uma massa gigantesca de seguidores do Brasil inteiro, todos os álbuns da parceira com Paulo Coelho serviram para a consolidação dessas ideias, claro que Raul Seixas teve outros grandes parceiros musicais, mas foi o principio com Beatles, Bob Dylan e Paulo Coelho que houve a  personificação do mito Raul Seixas junto de uma filosofia que até hoje não para de crescer no país inteiro.





sexta-feira, dezembro 6

Jake Bugg


Por Natan Castro

Jake Bugg é um jovem Inglês que com apenas 19 anos já lançou dois álbuns bastante expressivos no cenário musical do Reino Unido. Com um vocal aquém de qualquer outro artista da atualidade e uma técnica de guitarra no mínimo acima da média, haja vista sua idade, vem chamando a atenção de público e critica. O jovem nascido na cidade de Nottingham na Inglaterra, quase sempre se apresenta de jaqueta preta e por produzir uma sonoridade com um pé nas raízes country americana e o outro no folk Inglês, anda sendo chamado pela critica de Bob Dylan da atualidade. Mas ele mesmo em entrevista recente deixou claro que é admirador de outro grande artista do folk/country nesse caso Johnny Cash.


Em 2011 na fase de “novos talentos” do festival de Glastonbury, participou com 17 anos, após a apresentação recebeu o convite e assinou o contrato com a gravadora Mercury Records, em outubro de 2012 lançou seu primeiro álbum que leva seu nome. Recebido pela critica com uma enxurrada de elogios, destacando sua forma simples e descompromissada de se apresentar e também por um vocal cheio de atitude. Diversas músicas desse primeiro álbum estouraram no Reino Unido e nos E.U.A dentre elas “Broken”, “Two Fingers” e “Lighting Bolt”. No último dia 18 de Novembro Jake Bugg lançou o seu segundo álbum denominado “Shangri-la” os rótulos logo apareceram chamando a sua música de Folk/Britpop e Indie-Folk. O fato é que Jake Bugg surge na cena rock Inglesa como novo diamante brilhante desses que aparecem já prontos, sua atitude digna de grandes nomes e sua responsabilidade com a tradição, apontando caminhos que talvez somente ele saiba aonde chegar, demonstram que ele talvez seja o mais interessante e sui generis nome do cenário rock mundial na atualidade.