terça-feira, março 19
segunda-feira, março 18
E agora, Josué? ( Entrevista)
Josué
é compositor, poeta, blogueiro, cinéfilo e formado em Filosofia pela UFMA.
Atualmente exilado na metrópole São Paulo com um curta-metragem a ser rodado em
Sampa, chamado “Música é uma coisa da sua cabeça” em fase de pré-produção.
O
Samba Rock te pegou de jeito e por que não o Tambor de Crioula?
Boa
pergunta. Só sou músico por uma questão de predisposição genética. Por parte de
mãe todos faziam arte de alguma forma: se divertiam tocando e compondo baiões, sambas, choros, modinhas, jingles
e o que mais que desse na telha; também tenho 2 irmãos que me influenciaram diretamente
a desenvolver essa parte. Mas decidi tarde e sozinho entrar esse negócio de aprender
a tocar um instrumento.
Bom,
gosto de passear por vários ritmos que estão ao meu alcance, mas o lance do samba rock é uma questão de munheca, de
pulso... e dá pra treinar sozinho, fazer festa pros próprios ouvidos, pelo
menos. Daí eu não ter ido direto, explicitamente, para um Tambor de Crioula,
por exemplo, que é uma energia essencialmente coletiva e tal. Nessas horas me
faz falta não ter ido mais pra rua... faço música solitariamente, apesar de vampirizar tudo que encontro pelo
caminho, como inspiração.
Outra
coisa: Até o momento expus, precariamente, menos de 10 músicas e venho
finalizando outras tantas, diferentes entre si. Então, o samba rock é um ingrediente
fundamental, mas apenas um dos...
P.s.: a 1ª música que toquei na frente
de outras pessoas foi uma composição minha: uma levada de bumba-boi tocada na
guitarra - em dupla com um amigo de infância, num evento em homenagem à semana
de arte moderna, no Liceu Maranhense,
em 2003. Foi tosco. Meu joelho esquerdo não parava de tremer.
Dores
de Cotovelo são letras recorrentes em suas composições. Esse sadomasoquismo vai
do Brega a Bossa-Nova na musica Brasileira - Que bicho te mordeu?
Ser arredio é uma questão de
autopreservação. O lado bom é que toda história de mágoa
também pode proporcionar boas risadas ou boas músicas, depois. Melhor ainda:
usar as tretas alheias como inspiração, portar-se como observador e deixar o
lado pessoal de lado. Ou cutucar as próprias feridas. Ambos os métodos de
composição funcionam bem. E nada é mais eloqüente do que a dor.
São
Luis – São Paulo. A distância é grande, sem duvidas, de pensamentos e tudo
mais. Tu ta tocando teu som por aí?Qual o melhor lugar do país para usufruir o anonimato senão em Sampa? São Luís é meu QG afetivo, meu poema sujo com riqueza de detalhes. Sinto falta de ter medo de tanta água ao meu redor... Por aqui ando respirando muito mais poluição, mas vendo, e trombando, com muita arte e oportunidades também. É uma troca temporária razoável... Nesse 1 ano e meio, tenho me concentrado em ser um maridinho 200% presente, lidando com tarefas domésticas, pagando contas, enfim, todo aquele treinamento samurai. Esteticamente tenho sido um voyeur e aqui o que não falta é coisa pra ver. Mas ainda esse mês essa estratégia vai mudar: irei autopresentear-me com equipamentos suficientes pra entrar de novo no jogo. Estou comendo São Paulo pelas beiradas.
Suas
musicas são “caseiras”: É falta de grana, falta de tempo, ou tudo isso junto
pra entrar num estúdio e gravar algo com “qualidade”?
(1º)
Falta de grana e tempo e espaço (2º) aprendi a gostar dessa sonoridade
subterrânea. Quase chorei ao ouvir pela primeira vez algumas gravações do Arnaldo Baptista! Aí depois tive acesso
a um material mais homemade do Kurt
Cobain, Daniel Johnston, Keziah Jones. Mas esses caras são faixa-preta
(e/ou tarja preta, se preferirem).
Quando
desenhei, aaaanos atrás, um possível logo pra banda que eu fazia parte na época
(a famigerada Bosta Maravilha) não escolhi um caramujo por acaso... espero que
lentidão seja sintoma de longevidade, pois venho andando calmamente pra chegar
onde quero: fazer jus aos genes sonoros e plásticos que carrego. E, como eu
disse antes, assim que botar as mãos em meu equipamento estarei de novo no
jogo.
“Se ninguém tem culpa/ não se tem condenação”. Rapaz, tu és um bom
cristão?
Isso
é lá pergunta que se faça pra alguém que deveria ser pastor? O cristianismo tem
elementos muito bons pra compor artisticamente: um bocado de tortura física e
psicológica, chantagens e mágoas do começo ao fim. Mas tem toda uma poética
nesse desperdício de energia que vale à pena usar. E se é pra ter uma cabeça de
cristão que ao menos o resto do corpo seja pagão!
EXTRA
Tu
és um adicto em cinema.
Quando crescer vai um ser um Cineasta?
Bom, foi o Cinema quem atirou primeiro: estava eu
um belo dia em casa quando meu irmão pôs um tal de Laranja Mecânica pra assistir.
Imagina o efeito que isso causa num pirralho de menos de 10 anos! E nesse mesmo
ano eu ainda vi O Nome da Rosa, A Guerra do
Fogo. Ver Cidadão Kane e Cinema
Paradiso depois nem era mais necessário para a rendição ser completa de
minha parte. Respondendo: toda vez que assisto a um filme é como se ainda
estivesse naquelas sessões, ou seja, um guri fascinado por aquelas imagens em movimento. Quando
eu crescer quero me mover dentro desse universo, de alguma forma... Na verdade,
tenho o roteiro de uma curta pra ser feito aqui em Sampa, Só preciso me
organizar pra começar o projeto. Darei notícias sobre...
Abaixo segue os
Links do seu blog e do palcomp3:
domingo, março 17
“não consigo dormir com esse cheiro de fumaça”
“mas foi você quem
fumou”
“eu sei, espertão, mas
eu não tava mais acostumada”
“mas fumou”
“eu quis”
“você sempre faz tudo o
que quer. ótimo, só que quem fica te ouvindo reclamar depois sou eu”
“eu sei… desculpa?”
“pra quê? você não vai
parar”
“e deveria?”
“você acha que tá certo reclamar assim o tempo todo?”
“não… mas é que…”
“o quê?”
“você precisa encarar o
mundo… mas olhar dói. sentir dói. o mundo é feio. não pela ausência de beleza,
entende? mas pela ausência de tudo. até de uma falta necessária ou algo do
tipo…”
silêncio.
“o cheiro de fumaça tá
foda mesmo, a gente não devia fumar esses cigarros de mal gosto”
ela se levanta da cama e caminha até o banheiro.
ele fica deitado olhando
para o teto. para a luz acesa. fica pensando nos formatos que a lâmpada vai
assumindo conforme o tempo passa.
sábado, março 16
O Canto dos Malditos - Arrigo Barnabé (Clara Crocodilo 1980)
Por Natan Castro
Para falarmos de Arrigo
Barnabé, é necessário, extremamente necessário falarmos da Dodecafonia. Que foi
uma espécie de movimento surgido na música erudita nos anos 20, sendo criada
pelo compositor austríaco Arnold
Schoenberg. Dodecafonia compreende em uma série de 12 notas tocadas
pelo músico, sendo que nunca são repetidas da mesma forma na mesma composição.
Arrigo Barnabé é um músico e ator Paranaense que despontou no Primeiro Festival
de Música Popular Brasileira da USP em 1979. Até aqui tudo seria normal, mas as
canções tocadas e interpretadas por Arrigo não eram nada parecidas com as
músicas convencionais que aqueles estudantes estavam acostumados a ouvir até
então.
Vejamos bem nessas canções
ele fazia a junção da Dodecafonia com a Musica Popular Brasileira, ou seja,
dois extremos o erudito e o popular. Junte-se a isso a letras que não diria “cantadas”, mas “contadas”, como se fosse uma leitura de uma HQ ou um Gibi, mas em
alto e bom som. Todo seu fascínio pelos quadrinhos e sua formação erudita
formada em São Paulo. Representou em 1980 um tipo de bomba, com efeito,
retardante e alusivo, foi mais ou menos isso que o publico daquele festival
sentiu quando começou aquela sonoridade inédita até então. Um misto de vaias e
aplausos levaram esse público aos poucos a se acostumarem com o que estavam
ouvindo.
Arrigo Barnabé era naquela
época o principal nome de um movimento interessantíssimo chamado Vanguarda Paulista,
que tinha outros como Itamar Assumpção, Grupo Rumo e Língua de Trapo para citar
alguns. A temática das metrópoles e suas inconstâncias eram pano de fundo para
essa galera. Até hoje o disco Clara Crocodilo de Arrigo Barnabé é
reconhecidamente apontado pelos críticos como a sonoridade mais autêntica no
Brasil desde a Tropicália.
sexta-feira, março 15
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