quarta-feira, janeiro 30

Livre como um Pirata - Cap. 1




Lembro de quando te vi pela primeira vez. Alguém havia lhe abandonado e lá estava você: ainda com os olhos fechados, enrolado nuns panos velhos, cheirando a leite. Na época a gente nem tinha uma casa pra morar, vivíamos de favor nos fundos da casa da vovó. Ninguém sabia o seu nome, daí fiquei lhe chamando de Pirata, não me pergunte o porquê. Todos te paparicavam muito, por que você era bem gordinho e engraçado e logo você aprendeu a engatinhar e nunca mais esqueceu: até hoje, só anda sobre duas pernas quando eu te pego pelos braços.  Nunca te faltou mamadeira, e as visitas te achavam lindo e profetizavam que você seria um garotão grande e forte quando crescesse. Bem, não foi o que aconteceu. De uns anos pra cá você teve aquela doença crônica que te enfraqueceu e você passou a babar muito e a cheirar mal. Hoje as pessoas te evitam por conta disso, e eu sei que você fica triste. Eu mesmo evito te fazer carinho quando você vem ansioso e carente me receber assim que eu chego do trabalho, correndo pra cima de mim, mas eu preciso usar essa farda por mais alguns dias e, por isso, fujo de você. E quando eu troco de roupa, me sinto meio culpado, e então volto pra te fazer um cafuné.

TODAS AS QUARTAS-FEIRAS

O brasileiro que comeu Janis Joplin






“Foi no festival do Parque em Long Island, EUA. Meu amigo Laudir de Oliveira, percussionista da banda Chicago, vinha pela estrada com uma cigana muito louca. Era ela. No dia seguinte, ela foi ver o show da minha banda. Ficamos juntos e fizemos muito sexo. Fomos para a Califórnia e ela me apresentou para várias estrelas: Jim Morrison, Jimi Hendrix, Kris Kristofferson… Nosso caso de amor se transformou em lenda e terminou no Rio de Janeiro.” Assim relembra o brasileiro Sérgio Augusto Bustamante (numa entrevista pra Istoé) ou mais conhecido como Serguei, e ele não é gay. Fala que é Pansexual. Transa com a natureza, e que se vê como uma puta. Fica nervoso sem sexo e tem uma virilidade de um homem de 30 anos. A casa de Serguei é em Saquarema (Região litorânea do Rio), onde ele mantém o Templo do Rock, com fotos, quadros, discos, artefatos e tudo que relacione a sua vida com o Rock.



segunda-feira, janeiro 28

Playmobil – o Garoto Assassino.



Brutalidade na TV
Caos na cidade
Sangue escorrendo pelo asfalto
Sou apenas um menor de idade
Com um skate na mão
Andando na contramão da vida
Quando a rua é minha
Fazendo meu jogo
Em pleno fogo

Playmobil rabiscava uma letra no caderno da escola dentro do seu quarto pra depois botar a melodia. Tava injuriado porque sua mãe não deixava mais ele sair pra andar de skate depois de ouvir da vizinha que ouviu do genro que mataram um jovem na porta da loja LOUCO REED DISCOS por causa de um IPHONE com 13 facadas. Segundo ela – o bandido perfurou os dois pulmões, o coração espocou pela boca da vítima e as tripas se desenrolaram no chão e depois um carro passou por cima espocando a cabeça voando pedaços do cérebro, cerebelo e bulbo e parte da medula espinhal. Não era um filme de Tarantino, era bem perto de casa o assassinato que a vizinha relatou com detalhes e a sua mãe repetiu - varias vezes - dentro de casa.

A notícia virilizou e a vizinhança se isolou dentro de suas paredes e ninguém mais sai na porta, ao anoitecer, com medo. Contrataram seu Madruga - o vigia pra fazer a ronda na rua e construíram também uma guarita pra ele. Rodava com uma moto e um facão com o cabo enfiado na cueca fazendo um relevo debaixo da camisa e do jeans.  Todos os santos dias das 10hrs da noite até 5 h da manhã - apitava e buzinava. Sabe-se que não houve mais notícias de assaltos. Dormiam bem ouvindo o barulho da moto lá fora.  

Passaram 3 mêses e seu Madruga começou a sofrer de um problema - Sono. Não conseguia mais ficar com os olhos abertos no horário da noite, apesar de tomar Arrebite. O negócio tava impossível e sua olheiras aumentavam a cada ronda. Estava numa Boca de Sinuca. Tinha que sair dela, precisava daquela grana pra pagar sua TV a cabo e não perder seus seriados favoritos: The Big Bang Theory e Friends. Mais a prestação de 100 pilas mensais do apartamento pra TODA A VIDA – um programa da CAIXA ECONÔMICA FEDERAL para pessoas assalariadas. Comprou um CD que vinha gravação do barulho de uma moto e o som agudo do apito. Comprou um mini DVD e um Amplificador de som. Na guarita montou os equipamentos e apertou Play e pôs no MODO repetir a mesma música. Agora, podia dormir e receber a grana todos os meses.

Playmobil cada vez mais revoltado com sua mãe e com a violência dizia que era culpa do SISTEMA e a mãe não entendia o que dizia e ainda mais que sumiu seu skate, desconfiou que fosse ela. Saiu de casa depois de enviar sua cabeça dentro do forno e ligar o gás e esperar 50s e desligar. Foi pra rua e ouviu o barulho da moto e do apito e não viu ninguém. E o som continuava. E não via ninguém. E o som continuava. Não acreditava em fantasma, somente no super-herói Motoqueiro Fantasma. Foi na guarita e subiu a escadinha, abriu a portinhola e pela luz amarela de uma lanterna viu Seu Madruga dormindo estirado num colchão roncando agarrado a um ursinho do KUNG FU PANDA e viu de onde vinha o som da sua “ronda” que estrondava lá dentro como numa boate. Pegou o seu facão e enfiou direto no seu olho que saiu de órbita e caminhou pelo assoalho de madeira da guarita como uma peteca fazendo uma linha de sangue até despencar pela portinhola na calçada. Fez outro furo no meio da testa fazendo chover sangue na sua camisa do RENATO RUSSO e enviou mais uma na boca aberta que vez sua língua parar no braço esquerdo do KUNG FU PANDA. Decepou à sua mão esquerda e se lembrou da Família Adams. Cortou a cabeça estraçalhada de furos e pegou nas mãos e chutou como uma bola de futebol. E gritou:

- Gollllllllllllllllll.


domingo, janeiro 27

I


I

a única coisa que se vê é o breu. o escuro. o nada. o vazio. abre-se uma porta que se fecha rapidamente. ouve-se o barulho dos meus passos sobre o assoalho de madeira. uma luz enfraquecida começa a iluminar calmamente o lugar. ainda pouco se vê. apenas vultos. há uma cadeira. sento-me. bebo de uma garrafa de vinho que surge da escuridão aos meus pés.

— estava discutindo sobre você, meu querido personagem, antes de adormecer na cama e vir parar aqui. sinto sua presença. deixe-me vê-lo enquanto não me acordo desse sonho maluco. preciso ver a mim mesmo, esquecer-me-ei depois, eu juro! mas por um instante, me permita admitir a mim tudo o que me falta.

II

apareço diante de mim e percebo que estou diante do mais óbvio espelho.

caio no abismo da lucidez. tenho tentado me encontrar, mas encontrar a quem? sei que não posso. o desejo do encontro não passa de uma fuga deste encontro. uma fuga da existência. e essa fuga, que tenho realizado há tanto tempo, aonde me levou? uma dor imposta por anjos de asas quebradas e olhos furados pela chama da criação, da felicidade da multidão, do brilho de bilhões de estrelas apagadas toda manhã pelo despertador, invade minha alma e me torna esse alguém tão paradoxal por dentro. eu não faço sentido. tudo pode acontecer em mim, tudo, pois sinto o vazio onipresente da vida. o devir de um tempo que não existe, não pode existir. ainda ouço o ecoar do big bang. ainda possuo o caos das explosões vulcânicas agitando meus átomos. ainda sinto-me arrastar para o mar, com o desejo de um rio de sangue que sonha em levar tudo consigo. mas não posso, o nada é o que restará em mim. é para o nada que quero caminhar. só assim, tenho em mim todas as possibilidades como um Álvaro de Campos.

III

levantei-me da cadeira e me vi parado diante de um imenso abismo escuro no qual saltei sem pensar, sem mais delongas desapareci na ubiquidade. o que vi, não tenho como explicar."

sábado, janeiro 26

(O Exorcista) -Trilha Sonora


                                                          pense duas vezes


É inegável a influencia da música em nossas vidas, a música circundando os fatos, preenchendo memórias. Música perdura isso é fato, ela também possui uma forma peculiar de nós afetar sentimentalmente. Nos momentos bons ela permanece como marca indelével, nos momentos de medo e desespero também. Escolhi para hoje a trilha do filme (O Exorcista) do diretor William Friedkin baseado no livro homônimo de William Peter Blatty, lançado em 1973, (O Exorcista) entrou para história como talvez o mais horripilante filme de terror de todos os tempos. O enredo que conta a história de uma garota de doze anos de idade possuída por um demônio assustou milhares de pessoas no mundo inteiro quando foi às telas dos cinemas. Conheço uma história de um cinema no interior da Paraíba, que no dia da estreia do filme deixou estacionada uma ambulância na porta, prevendo pessoas passarem mal por conta das fortes cenas com a garota possuída. Mas além de ter recebido prêmios por conta da sua excelente maquiagem, som e roteiro. Esse filme se destaca pela excelente trilha sonora, as cenas de terror por si só eram assustadoras, porém com a trilha aumentou mais ainda o grau de pavor das cenas. O ápice é com a faixa composta pelo músico Mike Oldfield chamada (Tubular Bells) um tema angustiante composto ao piano, que entrou para a história dos filmes do gênero, como a composição que identifica atmosferas e movimentos de eminente perigo e terror toda vez que é tocada.