sábado, junho 25

Bailarina

Ontem ela esteve aqui, trouxe vinho antigo e ficou por horas deitada no chão, relatando suas andanças, reclamando de minhas mazelas, das coisas que escrevo e deixo amiúde pelo chão, sua preocupação me alimenta quando ela esta ausente. no meio da madrugada sua lembrança vacila na escuridão, é quando aceito o sono sem repulsa. Ela possui trejeitos de maldade, aquele olhar que ultrapassa as coisas, mas como já a conheço há tempos sei que não é por toda assim.
Muitas vezes discutimos sobre diversos assuntos, quando contrariada vem à tona aquele castelhano lá das terras da Andaluzia e depois se pôs a chorar ouvindo alguns fados e outras epifanias. Nunca a deixo perceber minha parcela de satisfação com suas visitas, nossas vidas se entrelaçam por conta do seu viés trágico, não escolhemos esse oficio, precisamos compartilhar a primazia desta condição.
Como de praxe cantamos a capela - A canção da mais alta torre - no abraço minha lágrima manchou sua fantasia de bailarina, porém ela sorriu dizendo ter mais um motivo para lembrar-se de mim, sempre que estiver bailando por ai. Antes costumava me visitar, durante o inverno, porém ontem o sol clareava os quatro cantos do quarto e também o dorso do meu corpo inteiro, para ela não sei por que tudo isso importa; verificar as plantas colocando-as ao sol, dobrar as camisetas naquela posição anterior, apalpar minha barba por fazer, lá pras tantas ela pediu que cantássemos outra canção, no meio da manhã dei a ela de presente o vigésimo nono girassol. Isso foi ontem, hoje tudo continua como ela deixou e por ela assim tudo deverá continuar.

Natan Castro.

sexta-feira, junho 24

O sentimento de mudança e dias melhores chegaram ao país?

Por William Washington de Jesus*
Desde 1500, o Brasil sempre foi governado pelas elites que sempre estiveram no poder, gozando das regalias e privilégios fazendo-os imunes a quaisquer penalidades as leis vigentes, em detrimento da maioria do povo que sempre foi e é massacrado para manter os interesses pessoais. Vários intelectuais retratam essa realidade como o Caio Prado Jr., Lima Barreto, Raymundo Faoro e muitíssimos outros.
Um país com a forte doutrina cristã, influenciado especialmente pelo catolicismo que prega ideologicamente a preservação da família e da propriedade privada, conjugado com a moral e os valores, transpassando a uma sociedade fortemente patriarcal e conservadora que ainda nos dias de hoje é fortemente propagado.
A polícia e as demais forças armadas que foram usaram a força para reprimir todas e quaisquer manifestações que atente a lei e a moral vigente, sempre aplicou aos mais necessitados, oprimidos e marginalizados na sociedade e defendendo os interesses das classes dominantes.
Este é o Brasil que predomina nos dias de hoje no século XXI do ano de 2011, entretanto, este ano corrente entrou para a história no nosso país em virtude das decisões mais polêmicas tomadas pelo STF (Supremo Tribunal Federal), que causou a ira de alguns segmentos da sociedade.
Numa delas foi a união civil dos homossexuais, que causou revolta de católicos e protestantes, como foi citado anteriormente, a sociedade brasileira carrega conceitos e doutrinas cristã, a outra foi a liberdade ao militante-guerrilheiro de esquerda Cesare Battisti, acusado pelo governo da Itália pelo suposto assassinato de quatro indivíduos no país na década de 70.
Sendo que o governo italiano pediu a extradição do comunista, que o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva negou o pedido do governo e o STF legitimou a decisão do ex-presidente da república, que havia sido pedido em 2007 e foi protelado até o último dia de governo, no dia 31 de dezembro de 2010, causando revolta da Itália e dos militantes de partidos de direita de ambos os países, afetando as relações bilaterais, sendo que o governo italiano entrou com o recurso no Tribunal de Haia (a Corte Jurídica Internacional) na Holanda para processar o Brasil pela decisão.
E a última foi a decisão da mesma suprema corte brasileira em legitimar a marcha da maconha, essas três decisões foram inéditas, parafraseando a frase do Lula “Nunca na história deste país”, a suprema corte tomou decisões que vão contra os princípios das classes dominante, isso pode ser considerado uma derrota para os grupos políticos conservadores direita, a igreja católica e protestante e todos os seguimentos que condenam essas decisões.
Mas a pergunta é que não quer calar. Quais as razões o STF tomou essas decisões? Historicamente nunca tomou decisões favoráveis a essas questões. Mas uma coisa é certa, mesmo com todo o aparato repressor policial do estado e indivíduos aos homossexuais, o movimento GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais eTransexuais) durante anos carregou essa bandeira de luta para obter os mesmos direitos que os heteros.
A não extradição do Cesare Battisti para o governo da Itália foi uma demarcação política e ideológica pra ressaltar que o Brasil é governado por esquerdistas com a doutrina marxista, sendo a raiz ideológica do Partido dos Trabalhadores (PT), enquanto os italianos são governados por Silvio Bellusconi que representa a direita mais conservadora no país, ignorando as relações bilaterais de vários anos, considerada nações amigas com a relação diplomática bastante amistosa.
A legalização da marcha da maconha que sempre foi reprimida pela grande imprensa neste país e igrejas, sempre foi tratado como caso de polícia (vide o fato recente em São Paulo), foi legitimada pela suprema corte brasileira.
Todas essas decisões foi o fruto de anos e anos de luta a custa de muito sangue derramada e vidas ceifadas que defenderam a causa, mas isso tem a contribuição do atual governo e do antecessor (Dilma Roussef e Lula respectivamente)?
O PT desde a sua fundação e os demais partidos de esquerda junto com os movimentos sociais de vários segmentos, sempre defenderam os direitos dos homossexuais, aborto, legalização da maconha (ou no mínimo leva o debate dentro e fora da academia), liberdade aos presos, torturados dos regimes ditatoriais e de governos de direita, refugiados e muitos outros.
Apesar das contradições que é o governo do PT, mas ficando bem claro que eu não defendo o governo petista, mas deve reconhecer ou no mínimo levar em consideração algumas ações deste governo que deve ser bastante debatida, como no caso, essas decisões tomadas pelo STF, porque de forma ou outra, o governo teve grande influencia nas decisões, apesar do Poder Executivo e Judiciário são independentes em determinadas questões, garantindo assim o regime republicano e democrático (a principio).
É de grande importância levar isso ao debate, tentar compreender no que está por trás dessas decisões, e ressaltar que os movimentos sociais têm sim forma política, mesmo sendo uma sociedade extremamente conservadora que é controlado por aqueles que sempre estiveram no poder e usavam o aparato estatal pra defenderem os seus interesses.

*Bacharel em História (Historiador) pela Universidade Federal do Maranhão

PAI NOSSO, PROTEGEI-NOS DE NÓS MESMOS

Nenhum pecado dito no confessionário será perdoado através de orações.  Em pires do rio, goiânia, o padre pede apenas que plantem árvores, árvores, e árvores...e quando os brotinhos estiverem prontos todos os penitentes, em procissão, irão para uma área desmatada da cidade plantá-los. algum dia quando suas folhas, troncos e raízes estiverem grandes,  ouvirão das estrelas um segredo que jamais contarão aos homens, que o céu é verde, cheio de plantas e animais.


eliseu cardoso

quinta-feira, junho 23

Vida em uma lauda - A porteira

Pensou na vida, mas não olhou pra trás. As lembranças já não faziam parte dos seus planos, não havia o que recordar, nem infância tivera. Na mala praticamente vazia, o futuro: um espaço a ser preenchido. Vestida de coragem, calçada de garra, deu o primeiro passo: encarar o mundo. No bolso, identidade para lembrar quem era; sobrenome para jamais esquecer suas origens, mesmo com todo o sofrimento, afinal cada um carrega consigo uma história difícil de ser apagada, e, além de algum dinheiro entregue por seus irmãos da venda de carvão, não levou mais nada, nem fotos; a da identidade era mera formalidade, já não se reconhecia ali.

O sol estarrecido acompanhava-a de perto sem deixar que nenhuma nuvem lhe tampasse a visão. Colocou a mala no chão e abriu a porteira retirando a corrente que se agarrava a cerca impedindo sua passagem. Parou. Contemplou por alguns instantes aquele céu tão azul que seria capaz de respingar sua cor em qualquer coisa. O calor intenso ultrapassava sua pele e alcançava o sangue que corria por suas veias. Era chegada a hora de partir o cordão umbilical com os dentes antes que a parteira do vilarejo cortasse os seus sonhos de ir embora daquele chão, pois antes dos dezoito anos, as barrigas das meninas já despontavam, enquanto os pais dos rebentos embrenhavam-se na roça, isso quando não eram vendidas aos fazendeiros por punhado de terra ou de dinheiro, como ocorrera com duas de suas irmãs. Quanto valeria? Desviou o pensamento e seguiu em frente. Nenhuma lágrima. Ninguém a levara até a saída do vilarejo. Iria ser mulher da vida, sua mãe dizia. O pai reforçava a ladainha chegando a ameaçá-la com o cipó, como o fizera em toda sua infância. Não se intimidou. Apressou o passo e chegou ao pequizeiro, local onde o pau de arara passava para recolher os desistentes, como o povo chamava quem ia embora. Para ela, os libertados.

Ao longe a nuvem de poeira avisava: é chegada a hora de partir! Respirou fundo. Engoliu a saliva forçosamente como se um nó na garganta impedisse o acesso... Pisou firme no primeiro degrau. Jamais teria o destino que lhe traçaram. Fechada a porteira, renascera.

Alice Nascimento


E se...

Imagine querida, se nós pudéssemos andar pelos tetos, de cabeça para baixo, tendo que tomar cuidado para não tropeçar nas ripas do telhado, tendo que pular o espaço que fica entre a porta e o finalzinho da parede para passar de cômodo em cômodo... Não, talvez fosse má idéia, sem contar que todos os móveis imediatamente cairiam sobre nossas cabeças, e você, ingênua, ao sair de casa, seria sugada junto com as telhas e os carros; daí seria aquele inferno, pessoas gritando, sendo praticamente abduzidas por não sei o quê, e lá teria eu que procurar uma corda para amarrar em torno da cintura e buscar você na atmosfera, e então, querida, como o ar ficaria rarefeito e a temperatura diminuiria drasticamente, eu não te alcançaria, por mais desesperado que estivesse. Ficaria no ar, ali, que nem pipa, imaginando que àquela hora você nem seria mais o que era, tendo se desintegrado de vez, restando comigo apenas a latência do que um dia foi... Não, imaginar é perigoso, é melhor que apenas fique exatamente onde está,  que as coisas permaneçam nos seus devidos lugares, ao raio dos olhos, e que a gravidade, calada no seu canto, não cuspa a gente como quem, de repente, ao comer o doce, achasse na língua o amargo.

Igor Nascimento

quarta-feira, junho 22

sataney (bem cômico se não fosse trágico, né?)


vi essa foto no blog do O PUTAQUEPARIU! ,
segundo o Bruno Azevedo foi vista pelas bandas do cohafuma.
(espero que não tenha sido uma montagem.)
Me manda a arte quem fez pra por nos muros no cohatrac.
tenho certeza que alguns dos donos dos muros não aceitariam propina ou não necessitaria de tráfico de influências.