sábado, outubro 1

Muita euforia pra nada

Recentemente foi divulgado pelo Ministério da Educação o resultado do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio), com o ranking das melhores escolas do país.
O resultado não é muito diferente em relação aos anos anteriores, apesar de que a classe política e imprensa nos estados fizeram grande festa, caso aqui no Maranhão em que a oposição aproveitou para esculachar com o atual governo estadual, sendo que na verdade o ensino público do nosso estado é vergonhoso, no fato de ficar entre os piores do país as escolas públicas e as particulares não tiveram o bom desempenho apesar de terem algumas escolas referências como o Dom Bosco, Batista, Marista, Crescimento, Educator e outros, o Governo do Estado até o momento não fez nenhuma menção a respeito, usou o silêncio como resposta.
Enquanto o vizinho o Piauí, a classe política e a imprensa local fizeram uma grande festa pelo fato de duas melhores escolas do estado estão entre as 20 melhores do país, mas essas escolas são particulares, ou seja, as escolas públicas no estado não tiveram o bom desempenho.
De acordo com o ENEM, as melhores escolas do país são privadas, as públicas que ficaram entre as 50 melhores são os Institutos Federais (o IFMA, por exemplo) com o ensino médio e os cursos técnicos. O ensino público no Maranhão, Piauí e no Brasil é preocupante, mostra que os governos, tanto o federal, estaduais e municipais não estão investindo como deve no ensino público.
Não se pode levar como regra o último resultado do ENEM, mas mostra a dura realidade socioeconômica no país em que o pobre dependente do ensino público e gratuito está condenado a um futuro incerto e sem perspectivas. Em que o Bolsa Família não é garantia certa de dar um futuro melhor a muitos jovens.
Os governos demonstraram que a educação não é prioridade, não estão importando com o futuro dos jovens que estudam na rede pública oriundos de famílias pobres e más estruturada, com os professores mal remunerados, escolas sem as condições físicas adequadas pra abrigar os seus alunos, todos acabam ficam desmotivados pra obter e passar o conhecimento aos demais.
E ressaltar que a educação mesmo com o corte dos gastos pelos governos, são os que mais sofrem com os desvios na aplicação, ou seja, a corrupção corre solte no setor e as conseqüências são vistas diariamente a qualquer cidadão. Portanto, é muita euforia pra nada diante dos resultados do último ENEM divulgado pelo Ministério da Educação.
Reafirmando o papel do Estado com o ensino público e gratuito, mas deveria ser de qualidade e referência. E esse ENEM não deve ser posto como regra sobre a realidade do nosso ensino, mas demonstra a profunda desigualdade entre as escolas públicas e privadas no país, inclusive no Maranhão.

  

sexta-feira, setembro 30

MINHAS SINCERAS CONDOLÊNCIAS À EDUCAÇÃO BRASILEIRA

Meus amigos, é com muito pesar que digo: A Educação brasileira está morta ! E, ops! Não fui eu que matei. È de lamentar as cenas que vi hoje pela manhã dos professores do Ceará. Como não dá para descrever aqueles policiais, puxando, agredindo quem um dia ensinou eles. È triste, meus amigos! Não tenho nenhum adjetivo agora que melhor qualifique tal ato. Logo, eu uma professora de língua portuguesa, mas minha língua parece que calou-se em meio ao caos da Educação Brasileira, me desculpem.

O que posso, apenas, dizer é que nos meus pequeninos oito anos, como professora, nunca sentir tanta vergonha em dizer: SOU PROFESSORA Por que recordo-me de meses atrás quando, nós professores do Maranhão, fizemos greve e fomos reprimidos, não com tamanha violência como nossos colegas cearenses. Mas, pudemos sentir na pele os olhares dos policiais e das autoridades governamentais lançarem para nós um olhar de quem fala: BANDIDOS! MALANDROS! VAGABUNDOS! È verdade! E tudo por causa de uns míseros 1, 187 reais e alguns centavos que me recuso a escrever. È por isto que lutamos, por este pequeno piso para alguém que ENSINA, que EDUCA, que leva CONHECIMENTO a toda uma nação. E como disse nossa colega potiguar em um discurso visceral no palanque da câmara em Natal, que esta pequenina remuneração, não compra se quer um paletó, um terno e uma gravata de um excelentíssimo deputado brasileiro. Que me desculpem, mais uma vez, um parlamentar (que não são todos), que esquenta a bunda em Brasília, enquanto, nós professores estamos à mercê de sermos mortos, mutilados, espancados por policias. Estes, meus amigos, recebem um talzinho de não sei o que insalubridade e um acrescimuzinho no salário porque é uma profissão de risco. E nós professores? Podemos trabalhar em escolas que o nível de insalubridade nem se pode medir? Podemos ser assassinados (e olha que nem temos colete à prova de bala e nem porte de arma), ou até mesmos correr o risco de a escola vir abaixo em nossas cabeças?

È lamentável! É urgente, meus amigos, não somos bandidos. Somos professores! Será que alguém tem um dicionário ai para saber o que significa PROFESSOR? Minhas sinceras condolências à Educação brasileira.



Cris Lima.

segunda-feira, setembro 26

NIRVANA, SEMPRE NIRVANA.


Sexta feira passada, dia 23 de setembro fez 20 anos do lançamento do Nevermind do Nirvana, principal banda, do movimento Grunge. A história trágica todos já conhecem, o ídolo jovem que além de muito talentoso, cedo  se foi  por exagerar em drogas.

O Rock está cheio dessas histórias, mas resolvi escrever o texto para falar da coincidência misteriosa, de sempre acontecer assim. Este estilo musical sempre foi pertubador.Quando as coisas estão sem graça a mesmice imperando nas rádios, nos ouvidos da galera, o showbizz vem com uma novidade e coloca tudo de cabeça para o ar, e com o Nirvana não foi diferente.

O nome já dizia para que eles tinham vindo. Kurt Cobain um gênio, como John Leenon foi, Ian Curtis, Joe Ramone, Neil young e outros. Era muito inteligente porque  estudou o que era feito no rock do início até ali, e criou a sua marca, deu o seu grito no grande alto-falante do rock.  Kurt sabia que ele havia criado um estilo, foi instantâneo depois que o vídeo de Smell Like teen spirit, estreou na MTV americana, no dia seguinte diversos moleques no mundo inteiro estavam vestindo as camisas de flanelas, pegando de novo o velho all star que estava esquecido embaixo da cama e saindo por ai com seu estilo despojado e seus cabelos meio sujos.

Demorou um pouco para o barulho chegar aqui, eu lembro do dia que ouvi o álbum pela primeira vez, foi numa tarde no começo dos anos 90. Ouvi o álbum umas quatro vezes sem parar, quando acabou a quarta vez eu não era mais o mesmo moleque inseguro, que tirava sempre boas notas na escola, depois daquele dia o mundo havia se descortinado na minha frente e eu queria ser livre e me vestir e ser invencível como meus heróis dos quadrinhos, que agora eram de verdade ,como, Kurt Cobain. Enfim, nunca mais fui o mesmo, depois daquele disco. Talvez o  rock, a música em geral, a indústria fonográfica não foram mais as mesmoas, depois do lançamento de Nevermind.

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Por Natan Castro.



domingo, setembro 25

herbário

Estagiava no hospício Nina Rodrigues e fiz amizade com um “esquizofrênico”, com mais ou mesmo minha idade, na época: uns vinte três anos.
Ele cuidava do herbário e eu gostava de ir pra lá, pois era o lugar mais calmo, talvez por causa das plantas e flores e curtia ficar cheirando as folhas de vick (expande os pulmões). Conversávamos até certo ponto “normalmente”, no sentido em havia compreensão de ambas as partes e sem fragmentação da conversa apesar de que truncada se é que me entendem. Ele sabia o nome de todas as plantas e parecia ter  uma relação problemática com sua mãe e que curtia rock anos 80 e até cantava num inglês tão parecido quanto o meu e tocávamos guitarras imaginárias. Éramos crazys stars.
Lembro-me uma vez que levei um artigo sobre “loucura”, pois estava numa fase de entender o que era aquilo e fui para o herbário. Conversamos e perguntei pra ele se ele era louco. Ele me respondeu com raiva e indignado que não era louco (obviamente não retruquei). Ele vendo as folhas do artigo em minha mão identificou um nome Michel Foucault. Que havia escrito - História da Loucura - e ainda me explicou como era a capa do livro e tentou desenhar na parte em branco do artigo com uma caneta que tinha nas mãos. Claro, que fiquei surpreso.
Noutro dia fui pra lá e sentei ao lado dele e fiquei calado, estava triste pela situação dele (o cara podia esta fora daqueles muros curtindo outra vida se não fosse a tal da loucura). Ele me olhou e me perguntou o que eu tinha e olhei pra ele e disse que não tinha nada.

sábado, setembro 24

À merda, Igor Nascimento!

Desejei merda à francesa ao parceiro deste blogue, Igor Nascimento, em expectativa para a mais recente produção teatral escrita e dirigida por ele, a peça Um dedo por um dente, apresentada na última quinta-feira (22), no Teatro Alcione Nazaré.

Os comentários posteriores à minha saudação cordial provocou uma antropofagia discursiva entre os outros parceiros, e a merda elogiosa e refinada foi interpretada e saudada por eles com a mesma força expressiva dos que sofrem de prisão de ventre, expelindo a merda escatológica - no sentido fedorento mesmo da bosta, cocô, fezes ou tolete - para divertirem-se e lambuzarem-se na piada. Gostei mais ainda de poder escrever aqui por isso.

[Sou interrompido nesta parte do texto pelo telefonema de André Lisboa, a respeito de um artigo de Roland Barthes com um trecho que diz em determinado momento: “O funcionamento ideal da língua seria por meio do rumor”. Acaso?]

Um dedo por um dente conta a história de duas caveiras, Torquato e Procópio. Elas desejam manter a dignidade que lhes falta no vazio da morte representada por um pequeno detalhe. Torquato quer recuperar o único dente na boca vazia. Procópio o anel no dedo, símbolo de sua memória. As caveiras existenciais refletem sobre vida, morte, amizade, apego, gênero, bondade, perversidade e até mesmo sobre o porvir. Tudo isso com um tom divertido, irônico e melancólico. Não sei se isso representa o tal ‘teatro do absurdo’, não entendo de teatro e suas teoria, mas sou profundo entusiasta do poder da representação e suas linguagens.

A voz de Igor anuncia o início da peça. Em quase tudo está o nome dele. Talvez essa repetição tenha me causado incômodo, talvez. No cenário, esquadrias de alumínio em formas retangulares penduradas por fios que compunham um curioso quadro concretista. Funcionou bem como recurso expressivo para a movimentação dos atores e marcação das pausas na narrativa, junto com o trabalho de iluminação como mais um componente dramatúrgico, ora quente e amarelada, ora fluorescente e fria, ora ausente, apagada. A luz exprimia a sensação das caveiras, por vezes, muito confusa.

Admiro e respeito o trabalho de todo e qualquer ator no oficio de materializar com seu corpo e voz um texto e uma boa estória. No caso dos dois jovens atores, Nuno Lilah Lisboa e Luiz Ferreira, foi irresistível: fui envolvido pela história absurda mais pelo exaustivo e diversificado exercício dos dois em buscar a entonação adequada para cada frase do que pelo texto em si. Meus companheiros de plateia também recebiam a peça com desprendimento. André celebrando o teatro como uma grande arte que precisa ser mais estimulada, praticada, e Paulo negando o teatro em prol da força do texto escrito.

Saí do teatro com a satisfação de quem curtiu um bom espetáculo. Houve inclusive abraços efusivos, apoio moral dos colegas aos artistas, e até mesmo um discurso clichê do autor na defesa da produção teatral maranhense, desnecessário.


O que importa nesse texto todo é a afirmação que farei após os dois pontos: Igor Nascimento é verdadeiramente um agressivo e talentoso dramaturgo. E está claro que ele não tem a menor dúvida quanto a isso. Postura dele que me irritou quando ouvir falar dele pela primeira vez. Na ocasião, tive que entrevista-lo na função de assessor de imprensa da Feira do Livro de São Luís, quando ele proferiu palestra junto com o ator Geraldo Iensen sobre o tema ‘teledramaturgia’. A má-vontade e as respostas evasivas me tiraram do sério, silenciosamente, e guardei um rancor que contrastava com a beleza cativante dele.

Quando nos conhecemos pessoalmente no encontro dos blogueiros ‘pretensiosos’ do Ponto Continuando fui armado de contra-expectativas. Bastaram algumas cervejas, um debate surreal sobre os comentários anônimos feitos ao último texto que compartilhei aqui e discussões divertidas sobre planos de uma atitude avant em promover uma cena cultural na cidade para eu mudar meus pré-conceitos. Igor Nascimento e sua trupe são jovens iluminados e encantadores na sua ideologia teatral. Não há presunção que não seja perdoada pela força do talento. Eles me ganharam com a peça. E vou desejar profundamente que seu trabalho seja tão autoral quanto a necessidade dele afirmar seu nome como dramaturgo. Não quero que nosso dândi, como diz Natan Castro, se torne mais uma vítima do êxodo cultural maranhense. (É o máximo que consigo escrever politicamente, rs)



Senti falta de todos vocês naquela noite.



Alberto Júnior





PS. Procurei outros sinônimos fétidos para a merda brasileira e – pasmem! – não estão registradas a palavra cocô, merda ou bosta no Dicionário Escolar da Língua Portuguesa, de Francisco da Silveira Bueno, edição de 1983. Ou seja, um indício de que Ministério da Educação e Cultura confia na educação oral paralela e subversiva de quem aprende português do caralho. Uma boa ideia para quem deseja criar o Dicionário ‘Crazis’ de Língua Portuguesa, hein, Diego!