Por que você me deixa no
vácuo? Como um buraco negro dessas das galáxias. Eu falo e você não me
responde. Minhas palavras não tem mágicas nos seus ouvidos ou nem passam pelo tímpano
ou nem sei mesmo o que acontece. Droga! São totalmente inócuas. Não sabia que o
oposto do amor é a indiferença? Dói. Sangra como uma hemorragia e não tem
doadores, compressa, cirurgia, remédios, placebo, porra nenhuma! É fatal. Um
fora vai escrever o médico legista numa letra difícil de entender no obituário na causa mortis. Tenho certeza que você não vai aparecer no meu
enterro e jogar umas flores quando o cachão estiver sendo coberto por areia por um coveiro magro e cansado e as pessoas estarão ao redor, a maioria de óculos
escuros, escondendo suas lágrimas sob um céu nublado e um leve chuvisco.
sábado, abril 20
sexta-feira, abril 19
Movimento Sebo No Chão
Por
Izabel Almeida do Domicílio Literário
O Movimento Sebo no Chão
aconteceu nesse último domingo, na Praça Nossa Senhora de Nazaré (Bairro do Cohatrac),
com a proposta de cultura livre, tendo livros e comida vegetariana e boa
música. A banda The Thomas, formada pelo Tammys Loyola, PJ e PH, embalou o
público com o seu folk acústico, tendo músicas próprias e de suas influências,
como Vanguart, Fleet Foxes e Dry The River. A idéia do movimento dá uma chance
para conhecer, não só novas pessoas, mas também para saber mais sobre a comida
vegetariana – o que é uma proposta ótima e com preço acessível - A vontade de
criar o movimento já existia, mas se deu inicio no dia 8 de abril desse ano.
Com os organizadores Diego Pires, Jorge Davi, Mateus Mendes, Erick e Raíza
Gabriela com a intenção de fazer um ambiente alternativo, com cultura e
leitura, levando para as pessoas uma forma de troca de conhecimento e
socialização. O encontro pretende ir à praça duas vezes ao mês, com palestras,
música ao vivo e exposição de livros. Fernando Atallaia fechou com chave de
ouro, com músicas de sua autoria, com voz e violão.
quinta-feira, abril 18
Ismos
Ela gostava das palavras “sexismo”,
“machismo” e “feminismo” e outros “ismos”. Falava com uma propriedade no
assunto e gesticulava as mãos e tinha certeza que ela ia mudar o mundo um dia.
Sempre parecia que ela falava para uma multidão em cima de um palanque como um político.
Tipo um Hugo Chávez, um Sarney nos anos 60 ou um Lula nos anos 80. Eu escutava
ali na minha e mostrava meu pau do nada e ela chupava e depois fazia todo tipo
de movimentos possíveis que a natureza nos permitia com ela na sala de estar ou
no quarto ou em qualquer lugar que ninguém perturbasse. Assim era a única forma
de calá-la e escutar somente seus gemidos e nada de ismos.
terça-feira, abril 16
A visita cruel do tempo
Por Natércia Garrido
“É essa a realidade, não é? Vinte anos depois, a sua beleza já foi para
o lixo, especialmente quando arrancaram fora metade das suas entranhas. O tempo
é cruel, não é? Não é assim que se diz?”
A visita cruel do tempo (Ed. Intrínseca), da autora norte-americana Jennifer Egan, chegou ao
mercado editorial brasileiro em 2012 com sua melhor “carta de recomendação”: a
de ganhador do Prêmio Pulitzer do ano de 2011 por melhor obra de ficção. Para
quem não acompanha intimamente os prêmios literários mundo afora, o Pulitzer é
concedido pela Universidade de Columbia (NY) desde 1917 a trabalhos publicados
nas áreas de jornalismo, literatura e música.
A história gira em torno
da vida de pessoas que transitam no mundo da música – esse é o pano de fundo: a
indústria fonográfica e o rock’n’roll, desde a década de 1970 até os anos
atuais. Mas o que se discute aqui é a metáfora clara da passagem do tempo, principalmente
para essas pessoas que achavam que, por serem jovens, a vida noturna, a
juventude e os efeitos das drogas nunca cessariam; ou melhor, nunca trariam
consequências.
Então,
em um ritmo linguístico alucinante – por isso a leitura flui como o som das
batidas das bandas dos anos 70 e 80 , Egan nos faz acompanhar os vinte anos das
vidas de Bennie Salazar, um executivo egoísta da indústria musical; de sua sexy
assistente Sasha; de Bosco, um guitarrista decadente da explosiva banda
Conduits – grande descoberta de Salazar nos anos 80; de Lou, um produtor
musical viciado em cocaína e em ninfetas; e das pessoas que rodeiam esses
iconoclastas. O que resta afinal...é descobrir como o tempo pode ser cruel e
implacável quando aparece tão de repente.
segunda-feira, abril 15
domingo, abril 14
Rolê
Respire fundo que vai
começar o rolê meu irmão sem noção de nada. A fissura bate uma dose acima do ritmo
do coração. Eu preciso de um trago e não tenho nada nos bolsos, em casa, na
gaveta, na cabeça. Os reacionários me perdoam, minha mãe, os cristãos, os que
tem amor-próprio, os que adoram tragédias. Eu sou autodestrutivo, amor. Vocês
conhecem a História do sapo e do escorpião? Não vou contar agora pra vocês eu
vou é contar quanta grana tem na carteira e calçar meu tênis surrado. PARE POR
AQUI SE TENHA MEDO. Foi o que li agora num muro riscado num giz no beco da
esquina da Boca de Fumo do traficante que estudou comigo e largou a escola
depois de enfiar um soco num professor de química e hoje ele passa me passa o
bagulho em minhas mãos e eu lhe passo o dinheiro. O mundo não é lógico, mas cheio de
frases de efeito e símbolos como o dinheiro. Dobrei a direita. À esquerda.
Segui reto. Pulei um esgoto. Tropecei numa pedra. Sabe? Você sentir seu próprio
fedor e o sangue batendo em todos seus pulsos possíveis é legal e não sei se é
perigoso. É só um trago. Tchau.
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