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domingo, abril 8

Fernando - O Atallaia.

Proveniente da Geração 90,

Fernando Atallaia, além de músico e compositor, também é poeta, com três livros de poesia inéditos, segundo este, versos atemporais. Foi integrante do grupo Carranca de Poesia. Um filho rebelde do Município de São José de Ribamar e exilado no Maiobão. É um ativo incentivador da Cultura Maranhense, com participações em importantes Festivais de Música e Poesia no interior do Estado do Maranhão e na Capital São Luís e idealizador do  portal de Notícias ANB online.

Fernando possui uma visão crítica e engajada sobre a passada e atual cena musical e literária do Maranhão, sustentada pela certeza de que o artista regional pode se tornar universal - até inventou o MPU( Música Popular Universal) - sem necessariamente sair de seu solo. Da sua terra natal tão ingrata com verbas e elogios para os artistas locais. 

O Blog .Continuando entrevistou Fernando Atallaia no Bairro do Cohatrac numa Loja de Conveniências no inicio da noite e sem conveniências bombardeamos ele de perguntas entre salgadinhos, refris e sua cerveja na mão, onde o mesmo discorreu sobre o panorama de sua carreira, de seu engajamento, de sua visão da música maranhense e brasileira, de sua raiva, de seu amor pela arte, da sua geração...

Ou faça o Download da entrevista NUA e CRUA como as próprias palavras do Trovador Atallaia.

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Abaixo assista o clipe Bandeira 2





quarta-feira, julho 6

Elizeu e o Mundo


Diego Pires entrevista por via email o compositor maranhense Elizeu Cardoso.
O que é ser um compositor maranhense?
É se diluir em um universo plural e muito extenso, cheio de zabumbas, berimbaus, matracas, negros, índios, mundo, mar, campo.
Quando se vem a cabeça compositores maranhenses se pensa logo nos baiões de João do Vale e no contemporâneo Zeca Baleiro. E os outros? O problema está na qualidade ou nos formadores de opinião? Qual o entrave nessa historia?
Ainda bem que nos vem logo a mente, dois compositores geniais, mas também  nos vem Josias Sobrinho, Ubiratan Souza , César Teixeira, e tantos outros. O problema não está na qualidade, mas na carência de espaços para que ocorra essa renovação. Quais são os projetos existentes para que os compositores possam mostrar suas produções? Os bares não tem esse objetivo, as pessoas vão para se divertir e ouvir coisas conhecidas e não obras originais. As políticas públicas deveriam se voltar para isso, possibilitar essa divulgação. Não acredito também nas rádios e tvs privadas, elas sobrevivem da venda de produtos, e a cultura massificada é quem traz lucros. Existem na atualidade compositores, letristas, músicos geniais no Maranhão, com obras maravilhosas, mas em que espaços mostrarão?  Outra coisa que sempre é deixada de lado, mas que não podemos esquecer; são os indicadores socioeconômicos do estado que tem uma influência quase determinante sobre esses aspectos.
Ter vivido infância e adolescência em Pinheiro, além da graduação em Geografia na ilha de São Luís influência de que modo suas composições?
Em tudo. A forma de ver o mundo, as coisas, as pessoas, trago de lá. E por mais que esteja radicado aqui em São Luís, que também exerce influência, meu coração é mais campo que mar. A geografia é minha leitura de um mundo maior, e minha música reflete muito isso, é nela que posso ver com mais clareza o que me rodeia e me enche de desejo de mudança.
No São João temos o "ápice" do folclore maranhense. Sem dúvidas, extremamente divulgado pela mídia maranhense e nacional. E no restante do ano, o que fica?
Primeiro que tenho aversão à palavra folclore (risos). Acho que é subestimar uma cultura. Folclore parece algo menor, prestes a desparecer sozinha num lugar esquecido. Também me causa estranheza os modelos em que são encaixados a cultura. As rádios, as festas, os bares, as bandas, tocam sertanejo, forró, brega o ano inteiro, dia e noite, faça sol ou chuva (risos), aí em alguns dias paramos para celebrar a nossa cultura. Essa alienação é tanta que as crianças passam a ver a sua própria cultura como algo a ser lembrado em festas escolares, e não vivenciada nas praças, nas casas, nas ruas. A cultura se levanta de forma exterior ao próprio lugar e indivíduo. Como exemplo, temos Sivuca vaiado em um show no São João, por não tocar teclado e não ter mulheres seminuas no palco.
Além de compor você também escreve literatura. Existe uma combinação, ou são duas coisas bem diferentes?
Não sei se chega a ser literatura (risos), é mais um desejo de contar história que propriamente literatura. Há alguns anos, em um festival do qual faço parte da mesa julgadora, fui comunicado pelo organizador que a melhor letra do festival seria julgado pela academia Pinheirense de Letras. Discordei desse modelo, porque os imortais poderiam eleger uma poesia linda, mas que quando fosse executada na música poderia ferir a harmonia, o tempo, etc. A letra de uma música, e uma poesia, tem vida própria ainda que uma possa estar na outra. As letras das músicas ganham um significado próprio quando dentro de uma melodia.
 E algum momento da sua carreira já pensou deixar sua terra natal e tentar outros mundos?
Mas eu moro no mundo (risos). Minha aldeia é o mundo.
Você fala muito em “Humanidade”. Explica melhor isso.
Não sabia disso (risos), eu falo muito em humanidade? Humanidade é esse redescobrir-se como ser de projeção e felicidade. É um estado sempre inacabado. Acredito muito nisso, toda vez que estou em sala de aula, poderia pensar na força política, na corrupção, na violência, etc, mas acabo por pensar coletivamente em um mundo futuro que não seja a continuação deste, e sinto ressonância do sonho em cada aluno que se propõe a analisar e mudar. Humanidade é a felicidade, a alegria, a amizade, vivenciada coletivamente.
É uma pergunta clichê (risos), mas interessante, quais suas referências na música e na literatura?
Na música é muito gente, dos mais diversos estilos. Na literatura, posso citar Ferreira Gullar, Jorge Amado, e o colombiano Gabriel Garcia Márquez, por ser o primeiro a me fazer repensar tudo que já havia lido. Cem anos de solidão me deixou suspenso. E Eduardo Galeano, escritor uruguaio, que me trouxe de volta para a realidade, e foram seus livros que me fizeram latino-americano. Foi Galeano que me apresentou a mim mesmo.

Deixa um recado, uma frase de efeito (risos), uma mensagem para os maranhenses?
Não sei se terá o efeito desejado, mas enquanto não nos voltarmos para nossa cultura, num movimento de redescobrir-se, estaremos sempre incompletos no mundo. Não acredito que os gênios nasçam exclusivamente nos países ricos. Se Bethoven tivesse nascido em Palmeirândia, Se os Beatles tocassem na Praia Grande, se Michael Jackson dançasse no Coroadinho. Haveria pessoas para gritar e aplaudi-los ou então reconhecê-los?
Escute as músicas de Eliseu Cardoso:

http://palcomp3.com/elizeucardoso/