quarta-feira, agosto 13

Hidden - o segundo álbum do These New Puritans

Seguindo a cena do ressurgimento do synthpop, o grupo de Essex, Inglaterra These New Puritans tem mostrado um som mesclado com sintetizadores e elementos de art rock e pós-punk, tendo influências musicais do The Fall e Public Image Ltd. Formado em 2005 por Jack Barnett (vocal, guitarra, teclados), Thomas Hein (baixo, sampler), Sophie Sleigh-Johnson (teclados) e George Barnett (bateria), irmão gêmeo de Jack, o grupo inglês estreou em 2008 com o álbum Beat Pyramid. O segundo trabalho, Hidden, foi lançado em 2010 com críticas favoráveis nos meios da imprensa especializada. Enfatizando a música eletrônica, o These New Puritans (TNP) cresceu a atmosfera sonora a partir de outros instrumentos de orquestra e sintetizadores mais atuantes no excelente Hidden.
Hidden inicia com "Time Xone" em uma seção melodiosa de metais. Os sintetizadores rugem em "We Want War" acompanhados com ritmos sincopados da percussão e com direito a um riscado de faca sobre um amolador (esse som é recorrente durante todo o álbum). Essa canção nos atinge de tal maneira que somos tomados por um entusiasmo vivaz. Em seguida, "Three Thousand' surge com o toque de eletrônica a inundar a atmosfera. O vocal preciso de Jack Barnett encaixa-se harmoniosamente nesse canção obtusa. A jazzística "Hologram" tem um piano à la Thelonius Monk, enquanto "Attack Music" apresenta uma trompa entremeada ante a percussão massiva. Essa última canção tem fortes vestígios de hip hop. Na sequência, "Fire-Power" enfatiza o ritmo percussivo orientado por George Barnett, assim como na faixa seguinte "Orion". A instrumental "Canticle" abre alas para "Drum Courts - Where Corals Lie", na qual as batidas programadas parecem com um martelar constante. O arranjo orquestral dessa última faixa se confunde com os efeitos eletrônicos e ritmos tribais. O pop eletrônco de "White Chords" remete ao trabalho do Radiohead. Fechando as portas de Hidden, temos "5", uma faixa quase instrumental trazendo peças orquestrais utilizadas ao decorrer do álbum.
É importante enfatizar a parte percussiva trabalhada pelo TNP em Hidden. De fato, as batidas rítmicas alimentam a dinâmica do álbum, fomentando a cadência dançante das faixas. Muito mais importante contudo é o fato que o TNP tem evoluído sistematicamente em sua sonoridade. Verdade é que Jack Barnett e companhia cresceram musicalmente desde Beat Pyramid, originando um segundo álbum fabuloso, que eu considero um opus magnum da banda de Essex. É escutar para comprovar.
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