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sábado, novembro 7

Dançando em Silêncios

Por Aline Bei


deslizar sobre você com o meu corpo todo
inclusive com as minhas
celulites, você gosta?
me chupa
de luz

acesa inclusive na minha
magreza, nas minhas veias
grossas como coxas,
Minha pinta grande
demais nas costas, minhas
Olheiras, te beijar
com meus dentes tortos e sorrir pra você porque eu te amo, minhas sardas, meu
Cabelo precisando de um novo
corte, mas
o dinheiro tá
Curto ou longe
de mim, te
foder
com a minha força que acaba
rápido e logo preciso da ajuda
de suas
mãos na minha bunda,
pra cima
pra baixo, você
gosta?
Eu gozo,
depois da transa te coço
Com as minhas unhas muito curtas por serem de 1
mulher, o meu

tá seco na
sola, precisa de creme, minha Unha
caiu, precisa de band aid, a gente dança nu no quarto de hotel.
Cê me pergunta carinhoso o que houve porque eu tô com 1 roxo
enorme na coxa,
foi quando eu trombei com a parede naquele dia que a gente
discutiu, mas
escuta, você gosta
de passar essa noite
comigo?
Apesar das estrias, do cu
lote, da barriga um pouco inchada que eu não vou ao banheiro faz dias, apesar das musas todas que eu não sou
nenhuma, ainda assim,
Me diga
se sou uma Mulher possível
de se guardar o tesão
dentro.

 

quarta-feira, julho 15

Mossa

Por Mariana Matilda

A noite, teimosamente, me quer a dormir
Mas, desperta, estou fora de casa.
Ficaste na tua,
Em uma cláusula de pequenas compleições, chéri.
Larga de tais flancos.

A noite anda ao revés,
claríssima sob(re) as pálpebras.

Observa-me a dançar,
Fissura-te o átomo.

O calor não ajuda,
faz suar, esgota.
Ó, trópicos infernais,
em vós não há reais alentos,
canções de ninar ou a diplomacia dos santos.

A madrugada abafada
torna-se um tango
sedento de desejos
já fartos de ocultos.

Tu sonhas mal, darling,
sonhas temor.
Buscas verdades indubitáveis
em meio a tantas predileções —
Onde estão tuas vitais perdições?

Mas há um nome que teu corpo quer pronunciar.
Para invocá-lo,
suaviza-te os lábios
Mas continua o desejo
no céu da boca.
A ideia é engolir
para não deixar sair
nem um vil grão de desejo

Encerras em ti o incontrolável vazio
nas coisas banais.

Deixas descambar
em meio à cinza das horas
os vãos da equação.

Lembra-te da pura e puta humanidade, cariño.
Pelo nascer, o Sol se inclina,
Faz moldura onde passa.
Deixa-o.
Ele está escrito na eternidade.
Tu, não.

— queiramos a delícia de sentir o reles empirismo palpável e não plausível do tango.

quarta-feira, julho 8

Câncer

Por Tayna Guerra
                                        
                               Em meia luz beija-me de novo.

           E descobre os caminhos inóspitos que trilham as estrelas do meu céu.

                      Mãos traçam linhas tortas, os arrepios pelo corpo


                         mostram o efeito causado pelo seu cheiro.

                         Nessas linhas defeituosas me lembro de ti, 


                   do toque de seu corpo, das marcas que você deixou

                  como se quisesse me lembrar que por aqui deixou morada.

               Causando estrago a boca traça caminho de vermelhos beijos,


                                      me arrancando suspiros.

             Com essa sua vontade me olha, e massageia minha alma.

         Olha-me com esses olhos límpidos cor de mar, repletos de vontade 


                           e me deixa com um sorriso de bem amada.

           Mas nem por um instante pense que uma noite basta pra me saciar,


                               minha sede é fonte sem tamanho. 

segunda-feira, julho 1

22:35

minha garganta inflamada,
me dá um certo gosto de finitude e humanidade.

nada mais banal...

estudantes de psicologia,
filosofia, medicina,
faxineiros, 
a crente da igreja,
policias, trombadinhas e pedintes no trem...

todos nós ignoramos,
e uma hora outra nos inflama qualquer na garganta.

e tanto faz a ideologia de merda que escolher.

crer  ferozmente no darwinismo social,
ou guiar-se
ingenuamente por qualquer marxismo deturpado...

você pode pensar no mundo como uma farsa,
e ignorar  a problemática de sê-la também.

não me faz diferença...

o que temos além da realidade do despertador,
das aulas chatas de terça,
balcões de lanchonete,
escolas e vielas?...

a garota que você amou ano passado,
o seu cachorro atropelado, 
os livros e arquivos no pc,
o chefe
a mulher que te vende sanduíche,

tudo isso é muito mais do que poderia ter.

não nos possuímos, a nós mesmo.

não; não possuímos. e só, nos possuímos.

e não há  amor, 
ciência,
fé ou poesia,
que nos redima do que somos.

tomo um remédio,
e escrevo...

porque não há o que redimir, afinal...

simplesmente, não há.

sexta-feira, junho 21

Pau no cú

Pau no Cú

do que ficam em casa RECLAMANDO que isso não é com eles

Pau no Cú

que acha que isso tudo é MODISMO

Pau no cú

dos que falam em PAZ

Pau no cú

dos teóricos de gabinete & redes sociais e por aí vai

Pau no cú

dos quem inventam MONSTROS indestrutíveis




O açougue

Por Maria Ligia Ueno

I
A minha alma foi fatiada
Finas lâminas de alma, servidas com limão,
Na tua bandeja de prata.
Você espeta o garfo em cada pedaço,
Saboreando meu doce gosto de derrota.
Cry, babe, cry.

II
Quantos gramas de alma quer levar hoje, senhor?
Quer levar pão integral para acompanhar?
Essa veio de um ótimo frigorífero,
Abatemos essa alma humana semana passada, extremamente macia.

III
De primeira havia um quarto vermelho gritante, talvez e tão somente para aumentar o desespero daquele momento. Ataduras nos braços como se fosse manicômio, mas talvez era um manicômio, não? E, para completar, água amarga para beber. Matar a sede com aquela água amarga não teve preço, e já que fazia dias que estava sem tomar qualquer gole de vida, bebeu aquela jarra como se fosse mel.

Fotografias dos dias felizes grudadas com imãs nos batentes das janelas, trancadas com grades impenetráveis até pela luz solar, apenas para lembrá-lo de que conhecia o céu, mas iria ao Inferno. Estava só, não estava? Estava são ainda? Aqueles robôs brancos não tinham olhar, e nem falavam.

Dois meses, esse foi o tempo do que eles chamaram de purificação. É o tempo em que demorou também para se deixar de querer viver, em que o amargo da água se tornou insuportável, em que a alma estava louca de vontade para partir. E saiu, por um tubo azul, que a depositou em um pote de plástico, feito gelatina.

E o que restou desse corpo, cuja alma foi sacrificada servindo de alimento a outrem? Pergunto-me dia após dia, enquanto cicatrizo as marcas dos catéteres.

IV
Alma é aquele pedaço de si, invisível a olho nu, que em outros tempos achávamos que imbuía o corpo com graça e leveza. Mas o mundo deu voltas para o lado errado, e hoje há pessoas que perderam sua alma em meio à guerra, ao álcool e ao pântano. E desses, quem pode compra almas enlatadas, vendidas num comércio ilegal (que é protegido até pelos governos).

- Eles não sentem nada. Eles não são nada.

Mas para quem não tem alma, alívio da consciência se torna desnecessário.


terça-feira, junho 18

Mamãe eu vou pra Rua / Mamãe não sou da Lua

Mamãe eu vou pra Rua
Mamãe não sou da Lua

Mamãe faz o café bem forte
que to indo comprar os pães
preciso forrar o estômago
e fumar um caipora

Mamãe eu vou pra Rua
Mamãe não sou da Lua

se você me ver na TV
e me chamaram de vândalo
é mentira deles
acredite em mim

Mamãe eu vou pra Rua
Mamãe não sou da Lua

Não se preocupe vou tomar um banho
e por um jeans usado e um tênis de futsal
mas vou amarrar a camisa no rosto
vai que eles jogam gás lacrimogênio

Mamãe eu vou pra Rua
Mamãe não sou da Lua

- Thau, mãe!
- Vai com a pomba e o divino espirito Santo!
- Na hora.
- E penteia esses cabelos.
- Deixa assim mesmo.

segunda-feira, fevereiro 25

Cu & Pussy



Mamãe eu vou ser ator pornô
vou vender tudo o que tenho no Maranhão
pra comprar uma passagem pra Los Angeles
comer Cu & Pussy
e minha mandioca vai ficar famosa
e conseguir meu Green Card

com very very money passear in NY 
paquerar uma gringa and i love you  
passear no Central Park de mãos dadas
brincar na neve e gritar FUCK YOU 

Mas Mamãe
Vou voltar pro Maranhão um dia
como Gonçalves Dias
e não irei morrer na praia
vou é comprar uma casa na praia

deitado numa rede 
na sombra de uma palmeira
eu & minha viola
tocando uma bossa nova

"água de beber, água de beber, camarada"    



sábado, janeiro 21

Chuvas de Fevereiro

Numa noite entre cigarros, boa conversa e muitos poemas. Foto: Cris Lima e Diego Pires.

Não quero chuvas em meu quintal de concreto e lodo

Quero a brancura do teu ser em minha rede

Escutar Elizeu Cardoso e Chico Buarque sem teus ouvidos

É como morrer de depressão no século XXI



Saiba, quero ver-te aqui, pregado em minha casa

Contemplando as chuvas de Fevereiro

que caem em meus versos cheios de ti.



Teu jeito de príncipe medieval

Come tartarugamente as pretensões minhas de ser livre

Tenho a sabedoria de teus livros

Latejando em minhas orelhas.



Queria mesmo era que as noites não findassem

Para ter-te sacrificado em minhas pernas roxas

As chuvas de Fevereiro cessaram

E o que me restou foi a saudade das cinzas do teu cigarro solitário.

sexta-feira, setembro 16

ILHA MARGINAL




Passando pela ponte política

Revejo milhões lameados

Debaixo de prédios de luxo



Na rua entorpecida

Entorpeço-me no semáforo da Cohab

Escuto. O não negativo do dedo polegar

Negando minha vida pequena



No ônibus da Maranhense

Vendo: Jujuba , Halls e Trident

Sem dente rio da desgraça da sorte do camelô na Rua Grande.

Gritando: DVD ! CD! È pirata!



Piro na insanidade quase louca dos casarões da Praia Grande

Pra turista gringo digitalizar

E o sorriso de satisfação revela a lava-racial

Da coreira em transe do Tambor de Crioula.



E, eu menino, moleque, pivete, trombadinha, cheira cola, ladrão - mirim

Dezenas de sinônimos da miséria-capital

Jogo meu corpo meio infantil

No Rio Anil

Pra sonhar com o entorpecente na ponte surreal

Da minha ilha Marginal.









Cris Lima.
Nascer do Sol na ponte José Sarney. Foto de Cris Lima.

domingo, agosto 21

A BELA FIGURA DA MOÇA

Avenida Beira Mar em três momentos. Foto de Cris Lima


A bela figura da moça no ônibus era triste
Olhar petrificado,
O nada como observação

A bela figura da moça no ônibus
No meio da madrugada era venal
Na dor que escorria das retinas,
Na postura da Madona em fim de exposição

A bela figura da moça no ônibus
Era virginal,
Era louca,
Era serena,
Era mortal.

A bela figura da moça no ônibus
Só morria...
Na paisagem da cidade adormecida