Nessa semana estamos
completando seis anos sem a presença do genial Artista Gráfico, Cartunista,
Fanzineiro, Desenhista, vocalista de banda Punk e adorável
companheiro de todos Joacy James. Nascido no Rio de Janeiro em 1971,
Joacy veio para São Luis aos 14 anos e durante os anos 80, 90 e inicio dos anos
2000 participou ativamente de militância política e cultural na cidade, tendo
editados alguns fanzines e revistas com reconhecimento no meio underground no
Brasil inteiro e em diversos outros países, tive a oportunidade de conhecer
Joacy James no final dos anos 90 quando junto dele e outros nos encontrávamos
no programa TIME ROCK do pesquisador musical e meu amigo Gilberto Mineiro. A
sua importância no meio alternativo e underground maranhense é brutal,
agregando cabeças e indicando caminhos em diversos âmbitos da arte, lembro
inclusive que foi Joacy James que trouxe a demo-tape de uma banda chamada RAIMUNDOS
de Brasília isso antes dos caras estourarem, tamanho o faro que ele possuía
para observar possíveis revelações tanto na música, quanto em HQ e outras artes
em geral. Encontrei na rede uma entrevista que Joacy James deu ao Ademir
Pascale, nela podemos perceber a seriedade e a generosidade desse que sem
dúvidas foi um dos maiores artistas do underground desse país.
Ademir Pascale: O que você acha do Gênero Fantasia-Fantástica nos
dias atuais?
Joacy James: Quase não existe mais a produção no Brasil.
Depois da Art &Comics, muitos de nossos artistas enveredaram e adaptaram
suas HQs para tentar uma chance no mercado dos Estados Unidos. Muitos zineiros
novos seguiram (e seguem) esta meta, sempre tentando fazer trampos voltados
para conseguir um contrato (de escravidão, na maioria das vezes, servem de
mão-de-obra barata do Terceiro Mundo, da globalização, pois o tal mercado paga
bem abaixo do valor real para artistas estrangeiros). Porém, outros muitos
continuam firmes, inclusive os “novatos”. O mangá também invadiu o mundo, mexeu
até com o mercado europeu. A gurizada se vicia nisto tentando adaptar culturas
que não compreendem/vivem. A própria fantasia-fantástica é da escola
franco-belga, Moebius, Caza e tal. Foi minha influência no começo quando
adolescente. Mas, fiz uma adaptação para minha realidade e eles reconheceram
isto lá, quando comentavam meus trabalhos na Europa.
A fantasia-fantástica perdeu muito de seus expoentes no Brasil. Mas, outros continuam produzindo outras linhas autorais e expressionistas, como Andraus e Edgar Franco. Contudo, a Fantasia quase não se tem mais desenhistas fazendo, eu mesmo estou produzindo aos poucos. Adoro este gênero. Também existem outros gêneros/linhas que foram perdendo sua força, como fazia Alberto Monteiro, Ricardo Borges, Hermuche e outros.
A fantasia-fantástica perdeu muito de seus expoentes no Brasil. Mas, outros continuam produzindo outras linhas autorais e expressionistas, como Andraus e Edgar Franco. Contudo, a Fantasia quase não se tem mais desenhistas fazendo, eu mesmo estou produzindo aos poucos. Adoro este gênero. Também existem outros gêneros/linhas que foram perdendo sua força, como fazia Alberto Monteiro, Ricardo Borges, Hermuche e outros.