Poeta, músico, filósofo e escritor para fechar a série com os
malditos da MPB, falaremos de Jorge Mautner, carioca de mãe Iugoslava e pai
Austríaco, segundo o próprio ele nasceu aqui no Brasil depois de um mês que
seus pais fugiram do holocausto. Jorge aprendeu violino muito cedo através de
um padrasto, desde cedo começa a escrever, data dos 15 anos seu livro “Deus da
Chuva e da Morte” o livro compõe o inicio de uma Trilogia. Adere ao comunismo
em 1962 e mantém contato com o anarquista e poeta Paul Goldman nos E.U.A,
representando significativa influência em seu pensamento.
Em 1970 vai para Londres onde se aproxima de Caetano e Gil, e
inicia uma forte parceria estética que dura até os dias atuais. Voltando ao
Brasil começa a escrever para o Pasquim, nessa mesma época conhece Nelson
Jacobina seu parceiro musical por muitos anos. Em 1974 sai o álbum (Jorge
Mautner) com capa de Rogerio Duarte designer do Tropicalismo e produção de
Gilberto Gil. No álbum Jorge Mautner destila toda uma forma peculiar de tratar
de filosofia, engajamento politico e poética tudo num caldeirão musical, com
participação de Roberto de Carvalho (Marido e Músico de Rita Lee) no inicio de
carreira tocando teclados, tem ainda músicos tropicalistas como Tuti Moreno e
outros. A maioria das composições desse álbum é de parceria dele com Nelson
Jacobina, neste álbum se encontra a música símbolo de um movimento surgido décadas
depois no Recife, denominado Mangue Beat, a música é Maracatu Atômico regravada
por Chico Science que foi sucesso nacional no inicio dos anos 90.
Em 2012 o jornalista global Pedro Bial filmou o documentário “O
filho do Holocausto” contando a trajetória de vida e artística de Jorge
Mautner. Por representar de forma quase mitológica a resistência intelectual e
musical dos anos de chumbo da ditadura até os dias atuais. Jorge Mautner possui
e sempre será detentor de uma cadeira mais que cativa na Academia Brasileira
dos Artistas Malditos.
Documentário "O Filho do Holocausto" - Trailler