domingo, janeiro 20

Escrever




a madrugada se fez solitária. os pensamentos que há dias têm girado feito sirenes estonteantes dentro de mim acalmaram-se. um funk de 1982 toca suave no rádio. As janelas — estão fechadas.
a madrugada se fez solitária. posso despir-me de ideologias — não há ninguém vigiando: posso deixar de escrever sobre a falta ou o excesso de alegria, posso não me preocupar em ser o herói ou o anti herói, qualquer outra coisa que agrade qualquer um. 
o cão que ladra… sento-me na cama e olho fixamente para lugar nenhum. estou com a mesma sensação de quando cruzava por baixo das luzes dos postes em uma cidade longe de casa, em uma rua deserta qualquer. o cão silencia. passo a mão vagarosamente pela barba — e me lembro que já deveria tê-la feito há dois dias — é a insônia. por que eu estava chorando no chuveiro? caralho, será que tô enlouquecendo? ando agindo estranhamente, de modo insano, como quem está para partir. e quem disse que não estou? afinal, quem não está? oh, isso me atormenta. escrevo contra mim — não gosto de poetas: são uns filhos da puta egocêntricos. veja bem, todos os que conheço que se dizem poetas estão reunidos agora em algum grupo, se encontram apenas com outros poetas e então postam no facebook suas poesias, depois — céus! essa é a pior parte — eles ficam elogiando uns aos outros.
não. se precisar disso pra ser lido, então não quero ser. deixe-me aqui, no meu quarto, escrevendo raramente. em madrugadas vazias de calor humano. deixe-me escrever sobre a saudade de um abraço, de um olhar de admiração — colocarei a culpa de tudo no sono.
bem, se é a tristeza de um verão chuvoso que insiste em tomar conta da minha alma agora, o que posso fazer? ao menos não estou mais em uma ruazinha deserta longe de casa e — há uma cama desta vez, e o que me resta é deitar-me sobre ela. tristeza? acredito que não seja a palavra certa, mas acontece que estou desacostumado com essa tranquilidade toda, a paz que se deita nua sobre minha cabeça e beija o céu dos meus sonhos — quem disse que isso é bom? mas eu me acostumo, ah sim…




sábado, janeiro 19

Cidade dos Anjos - Trilha Sonora





Cidade dos Anjos é um remake de um filme do diretor alemão Win Wenders. O original data do ano de 1987 enquanto o remake foi às telas em 1998, com Meg Ryan e Nicolas Cage como protagonistas, a estória se desenrola em cima da paixão de um anjo (Nicolas Cage) que havia recebido ordens celestes para cuidar da cidade de Los Angeles, por uma jovem médica Meg Ryan. Com um final arrebatador e inusitado, a trilha sonora serve como mote para diversas cenas românticas. Contendo artistas do quilate de Peter Gabriel, Alanis Morissete, Jimi Hendrix e também de uma banda de Pop/Rock Americana pouco conhecida à época, chamada Goo Goo Dolls. A canção “Iris” talvez a mais próxima do enredo do filme fez com que eles alcançassem reconhecimento mundial. 



sexta-feira, janeiro 18

Veneno da Água Parada


Entrevista cedida por Reuben Da Cunha Rocha - integrante da Revista Pitomba - por via e-mail pra Diego Pires

DÚVIDA: A maioria dos integrantes da Revista Pitomba reside fora do Maranhão, ou são poetas/escritores mortos (sem menosprezar seus legados).  Queria saber mesmo, acho muito importante pra quem ler a revista.  Qual é a proposta ou as propostas?

Primeiro, vamos rever a contagem dos corpos: a revista é feita por três maranhenses, dois deles vivem em São Luís. Os colaboradores, como os editores, estão todos vivos. A não ser por alguns estrangeiros: mas esses foram traduzidos pelos vivos. De resto, tem gente de Alagoas, Ceará, Piauí, Bahia, Pará, Paraíba, Pernambuco, São Paulo, e até do Maranhão. Pessoalmente, gosto de definir a Pitomba! como uma revista de poesia, artes gráficas e sacanagem. Publicamos textos, histórias em quadrinhos, fotonovelas, fotografias e qualquer coisa que se consiga imprimir. Mas o critério dificilmente seria geográfico: não trabalhamos no IBGE, nem estamos no business do folclore. Gostamos de gente instigada de qualquer lugar.    

DETALHE: Por que a Revista não tem $preço impresso?

Não sei. Mas o custo, garanto, está todo lá.
 
TROCADILHO: Pitomba é fruta do inicio das chuvas no Maranhão e em tempo de seca pretendem continuar as publicações? (A revista não é mensal, semanal é aleatório o tempo - sazonal).  

Periodicidade é um tipo de compromisso que não temos dinheiro, tempo ou nervos para assumir. Nem consigo me lembrar em que data as edições saíram. Tentamos levar a revista ao ritmo da nossa paciência, acho. Além do mais, não esqueça de que o tempo, como explica o samba, é um pássaro de natureza vaga.
 

EU: Por que Narrativa Pessoal não é pretexto?

"Narrativa pessoal não é pretexto. Contexto não é desculpa" está na contracapa da última edição. Quando escrevi esse texto, pensava em meia dúzia de sentidos -- e pensei em outros agora a pouco, quando li tua primeira pergunta. Mas não posso nem quero monopolizar a leitura do que escrevo. Prefiro que um eventual leitor (bem-vindo e livre) leia sozinho e faça o que quiser com isso.  

EXTRAS

Google Adsense rima com poema?

Não sei o que é "google adsense", e nem tenho certeza de saber o que é um poema.
 
E por fim como é de praxe nas entrevistas por aqui pode dizer QUALQUER COISA p/ os leitores do Ponto.

Gozem enquanto há tempo. Acompanhem os lançamentos da Pitomba Livros e Discos. E como diz o preto velho: esperem veneno da água parada.
 

quarta-feira, janeiro 16

Precisamos de Poesia



A POESIA
NÃO PRECISA DE MIM
NÃO PRECISA DE TI
MUITO MENOS DE NINGUÉM
A POESIA
POR SI SÓ É PRECISA

OS ENCONTROS CASUAIS
NAS ESQUINAS DA COHAB
NUMA TARDE DE JANEIRO DE 2013
NECESSITAVAM BEM MAIS DA POESIA

QUANDO CARROS E BUZINAS
SUBIAM RUMO AO COHATRAC
ERA A POESIA
QUEM DIZIA A MIM
QUE AQUILO PODERIA VIRAR POESIA

PORÉM ELA NÃO PRECISAVA
NADA DAQUILO A ELA INTERESSAVA
PORÉM A MIM A POESIA CINTILAVA
NA MESMA MANHÃ DA CRISE ESTOMACAL
NA MESMA MANHÃ DO BEIJO AGRIDOCE
ERA POESIA INDEPENDENDO DISSO

A POESIA
NÃO PRECISA DE MIM
NÃO PRECISA DE TI
MUITO MENOS DE NINGUÉM
A POESIA
POR SI SÓ É PRECISA.





O Maranhão de Ferreira Gullar



Mais uma vez estou eu aqui de volta, para falar no (Ponto Continuando) desse que em minha opinião é o maior poeta brasileiro vivo. Não só por sua grande importância para a literatura brasileira dos últimos sessenta anos, mas também pelo motivo dele ter imaginado a arte como vetor de mudanças politico-sociais. Encontrei pesquisando na rede sobre escritores um documentário, que não diria apenas ser fundamental para qualquer artista do Maranhão ou de qualquer região do Brasil. E vou ainda mais a fundo pra dizer que ele é definitivo dentro de uma linha de pensamento, que acredita na inteira influência que a terra de origem de um poeta pode causar em sua obra. O documentário (O maranhão de Ferreira Gullar) de Marcelo Gomes e Hélder Aragão mostra em cerca de dez minutos de duração, toda a paixão e o fascínio que São Luís exerce sobre o homem e o poeta Ferreira Gullar, chega a ser emocionante a forma como o poeta se refere às lendas que tanto o chamaram a atenção na infância, os locais, a sua teoria sobre a luminosidade espessa do sol que cobre as manhãs da cidade. Em certo momento Ferreira Gullar fala dos poetas e escritores que lhe antecederam, entre eles Odorico Mendes, João Lisboa, Gonçalves Dias que deram a cidade o titulo de Atenas Brasileira. Em visita a Alcântara o poeta fala das igrejas e de sua homenagem à cidade na sua obra-prima (Poema Sujo). Portanto esse registro em minha opinião de maranhense e fã incondicional desse poeta, será para as gerações futuras uma das maiores homenagens que um artista pode dar a sua terra mãe.

terça-feira, janeiro 15

Pescadores da Raposa (MA-1978)








Mini-documentário sobre os pescadores da cidade de Raposa (MA) no ano de 1978, totalmente rodado em Super-8, o vídeo chegou a ganhar  o prêmio de melhor documentário na IV Mostra Nacional do Filme Super-8 do Centro Federal de Educação Tecnológica de Curitiba (1978), e o de melhor fotografia no II Festival de Brasília do cinema Super-8 (1982). De uma seminal importância histórica, por conta dos pouquíssimos registros cinematográficos que temos do Maranhão na década de 70.