segunda-feira, julho 28

Man Alive - Debut do Everything Everything

Everything Everything mistura um turbilhão de influências musicais em sua sonoridade emblemática e complexa. Atualmente, a banda de Manchester é uma das principais do cenário art rock. Formada em 2007 por Jonathan Higgs (vocal, guitarra, teclado), Jeremy Pritchard (baixo), Alex Robertshaw (guitarra) e Michael Spearman (bateria), o Everything Everything (EE) traz, em sua bagagem musical, elementos díspares de rhythm 'n' blues, música eletrônica, rock progressivo, funk e pop das massas. O grupo da cidade de bandas como Joy Division, The Smiths e Oasis tem sido aclamado como os novos picassos do pop devido principalmente à estrutura sonora, que beira o inexplicável, apresentada no excepcional debut, Man Alive, lançado em 2010. Esse álbum foi legitimamente um dos grandes lançamentos daquele ano e merece sem sombra de dúvida ser abordado e discutido com frequência.
Na abertura de Man Alive, temos "MY KZ, UR BF" (My Keys, Your Boyfriend), com mudanças constantes de tempo que revelam a seção rítmica harmoniosa do EE. O vocal de Jonathan Higgs acentuado em um falseto peculiar é um destaque nessa faixa e no álbum inteiro. Em seguida, o ritmo frenético de "Qwerty Finger" nos contagia com seus sintetizadores. O baixo de Jeremy em "Schoolin'" é o destaque principal e também o canto nervoso de Higgs. Na sequência, a suave "Leave The Engine Room" é uma canção que atinge o âmago do ouvinte. Em "Final Form", o baixo incandescente de Jeremy novamente impressiona, além do arcabouço sonoro com  elementos de math rock. Depois, temos "Photoshop Handsome" que aborda o culto obsessivo à beleza. O falseto de Higgs nessa faixa é levado ao limite. Entra em cena o pop barroco "Two For Nero", com direito a cravo e harmonias vocais. No tocante a "Suffragette Suffragette" - o centro de gravidade do álbum -, que faz menção ao movimento feminista Suffragette, temos a guitarra nos moldes de Radiohead. A rebuscada "Come Alive Diana" traz à tona toda a carga enérgica do EE, enquanto a balada "NASA Is On Your Side" é um colchão veludo para Higgs soltar seu canto em falseto. Continuando as pérolas, as harmonias vocais se elevam em "Tin (The Manhole)" e na faixa que encerra o primeiro trabalho do EE, "Weights".
Vale pontuar primeiramente as letras futuristas/dadaístas de Jonathan Higgs, carregadas de múltiplas referências, com versos bem tecidos são um ponto forte da banda. A influência musical do EE vai de Talking Heads a Radiohead, perpassando por Michael Jackson. Como já falado acima, Man Alive é um dos melhores e mais criativos álbuns de 2010. As doze canções que compõem o debut do quarteto de Manchester é um manancial de ritmos e melodias nada usuais. Parece mesmo que eles são os novos picassos do pop.
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