quinta-feira, julho 31

Good Don't Sleep - Debut do Egyptian Hip Hop

O ressurgimento do synthpop pelas bandas de indie pop é uma realidade bem concreta. As influências musicais de bandas da década de 1980 - tais como Duran Duran, Talk Talk, Associates e Simple Minds - têm inundado a cena atual com muitos sintetizadores. Um exemplo bem visível disso é a banda inglesa Egyptian Hip Hop, constituída por Alex Hewett (vocal, guitarra, teclado), Louis Stevenson-Miller (guitarra, baixo, teclado), Nick Delap (baixo, guitarra) e Alex Pierce (bateria). Começando as atividades em 2008 na cidade de Manchester, o grupo (na faixa de idade entre 16 e 18 anos) lançou alguns EPs antes que assinasse com a R&S Records para a gravação do trabalho de estreia, Good Don't Sleep, que veio a público em outubro de 2012. Esse trabalho era muito aguardado pelo fãs e pela imprensa especializada, devido ao sucesso dos EPs iniciais. Por isso, decidiram se afastar dos holofotes durante dois anos para se concentrarem na confecção de Good Don't Sleep.
A faixa de Abertura de Good Don't Sleep é "Tobago", que mergulha o ouvinte no clima de sintetizadores precisos. A voz etérea de Alex Hewett aumenta a atmosfera da canção. Em seguida, "The White Falls" nos remete aos anos 1980, intoxicando-nos com synths acachapantes. O ar soturno de "Alalon", em sintonia com a capa do álbum, exibe a cadência menos dançante observada em singles como, por exemplo, "Rad Pitt". Na sequência, vem à tona uma das melhores faixas do álbum, "Yoro Diallo", que mostra toda a exuberância melódica do Egyptian Hip Hop (EHH). Novamente, "Strange Vale" reverbera a sonoridade soturna de Alex Hewett e companhia. Com toques de rock progressivo "Snake Lane West" catalisa nossos ouvidos, enquanto "Pearl Sound" evoca o shoegaze em virtude do vocal enterrado e quase inteligível. Esta última canção soa como um produto do Cocteau Twins - banda escocesa das décadas de 1980-90 que influenciou meio mundo.  Os sintetizadores exuberantes em "SYH" cativam em primeira audição. Em "One Eyed King", o suave crescendo leva-nos lentamente para um mar de sintetizadores, onde a voz de Alex Hewett parece diluída. O fechamento do álbum é realizado por "Iltoise", que demonstra o dream pop no bojo sonoro do EHH.
Pode-se afirmar que o hiato de dois anos sem qualquer lançamento de EPs foi uma escolha bastante acertada. O EHH optou inteligentemente em enclausurar-se no estúdio para a gravação do seu debut,  ficando assim livre de pressões e grandes expectativas. Com isso, veio também o amadurecimento musical e a certeza do rumo a seguir com seu synthpop progressivo. Para desencargo de consciência, o grupo de Manchester lançou seu primeiro trabalho sem exagerar nos sintetizadores e em ritmos mais dançantes, optando na busca pela coesão musical. De fato, Good Don't Sleep é um álbum para ser desfrutado com ouvidos sinceros, uma vez que é um dos trabalhos mais expressivos do ano de 2012.
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