terça-feira, novembro 5

Sobre a Ideologia Anarquista




A anarquia pode ser entendida como a rejeição do Estado e da autoridade no controle da vida de todos os indivíduos. Em si, a anarquia objetiva a “maximização” da liberdade e da igualdade, a extinção da autoridade e da propriedade. A palavra “anarquia” origina-se da palavra grega “anarchos”, que significa “sem governante”. Vale pontuar que a ideia de caos e desordem é erroneamente relacionada ao anarquismo, uma vez que a ausência de governo não remete a caos, visto que o homem pode governar a si mesmo e preservar a ordem. Nessa perspectiva, o anarquismo condiciona-se ao homem, ou melhor, o homem condiciona-se ao anarquismo como forma de libertação e eliminação do jugo mordaz, ao qual o homem é submetido em todas as formas de governo. Em verdade propriamente dita, todo governo tem uma carga de autoritarismo subjacente e tenta, em todas suas formas, alienar e controlar os indivíduos com o intuito de utilizá-los em seu proveito. De fato, os governantes têm esse papel draconiano: dirigir o povo ao seu tirânico bel-prazer. Antes de tudo, os anarquistas contestam a autoridade dos governantes e criticam o modus operandi da atual sociedade – baseada em individualismo exacerbado e jogos de interesse do capitalismo opressor.
Nesse contexto, as transformações sociais demarcam a zona atuante dos anarquistas e seus métodos operacionais pautam-se em revolta e não aceitação do status quo dos burgueses. Como uma doutrina político-social, o anarquismo ressalta modificações estruturantes no arcabouço da sociedade: fim do servilismo, patriarcalismo, exploração e inferiorizarão das classes negras e das mulheres. Os anarquistas almejam, de fato, uma sociedade não autoritária e defendem a liberdade do homem sob todas as instâncias. Decerto, os indivíduos livres podem promover a cooperação mútua para o crescimento do bem comum e, para isto, é necessário que os mesmos não se vinculem aos meandros dos governantes.

O anarquismo, em sentido lauto, tenciona uma nova comovisão entre os indivíduos baseada na evolução – e na revolução – da sociedade para um plano menos admoestante e aviltante, onde os governantes gananciosos não executem suas leis bárbaras de domínio. Vai além: os anarquistas odeiam a opressão por meio do aparelho do Estado e criticam a alienação promovida pelos meios midiáticos dominantes, que estão nas mãos inescrupulosas dos políticos. Desta forma, os anarquistas devem lutar contra todas as formas de opressão e contra os mecanismos de corrupção.
O modelo capitalista é um mal que estimula a ganância e o lucro desmedido. Os indivíduos na sociedade capitalista almejam o sucesso e satisfação de qualquer maneira, objetivando sem ética e moral a vida burguesa corrupta. O capitalismo condiciona o homem para pensar em si, enquanto o bem comum não interessa, pois o individualismo exacerbado é celebrado nos quatro cantos do mundo. O único bem comum que importa dentro do capitalismo é ter dinheiro a qualquer custo. O lema principal dos capitalistas é: In Money We Trust.
Leia: História das ideias e movimentos anarquistas. Vol. 1 e 2 de George Woodcock.

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