terça-feira, junho 18

Ode para T.S. Eliot

Por Paulo Dias
I
Aqui é um lugar de desamor e não há nada para chorar
O tempo corroeu as expectativas deste lugar, ó poeta
Onde há somente ganância, sofrimento e intemperança
As almas daqui são escravizadas pela hipocrisia
Até parece que não sentem suas vidas esvaírem ao vento
A decadência vive pelas proximidades em lento processo
Nesta terra desolada onde os anjos não pisam
Apenas o sol que queima a pele dá a certeza de chegar
Acho que todos rastejam para um abismo raso
Que brotou radiante próximo aos seus pés
Todavia há aqueles que encontram rosas no deserto
E que enxergam o futuro mesmo no escuro
E não findam seus dias a contar estrelas
E nem a sorrir para um espelho que não reflete
Penso que neste mundo não há lugar para sonhos vãos
Entretanto dentro de mim há tua benigna inspiração
E tua metafísica me engrandece até os dias de hoje
II
O presente, o passado e o futuro estão entrelaçados
Num mesmo bordado, esculpidos na face do tempo
E cada princípio é um fim que esperamos chegar
Em passos silentes, calmos como uma tempestade
Sei que não posso ficar preso no arcabouço da melancolia
Tenho agora que ver meu futuro galopando no horizonte
E ler os Quatro Quartetos no fim do dia quente
Esses poemas têm tanto a dizer e refletem harmonia
E quase não acredito que tais poemas foram escritos
São monumentos erigidos para uma breve eternidade
Como estátuas visualizando o horizonte ao longe
E eu como crianças ocultas na folhagem
Sorrindo felizes no jardim da inocência
Fico a observar a beleza posta em frases lapidadas
Ó grande poeta! Ensina-se a revelar as palavras
Pois o teu dom divino desperta até as pedras
Quem ouve teus poemas sussurra como um anjo
Que se viu ancorado diante de um mar de maravilhas
III
Somos homens ocos, destituídos de sentimentos
Nossos corações bailam na arena da razão
E nossas emoções são esquecidas na esquina
Há um crime na catedral do nosso peito
Somos levados por vendavais selvagens
E estamos sujeitos a enganos e mentiras
E apenas tenciona-se adquirir o óbvio
As mãos sangram por um pouco de riqueza
Que só engrandece aqueles que não têm alma
Somos homens vazios e não acreditamos em milagres
Mas os milagres estão nas ruas aos nossos olhos
Que estão vendados ante um precipício sem fim
Então diga-me, ó poeta, qual a razão para tudo isso?
Apenas massacrar a beleza que há na madrugada
E fenecer algum mistério por detrás das cortinas
Que se abaixam no magnífico teatro da vida
Quero apenas seguir junto a ti enquanto o poente
No céu manchado de arrebol além se estende
IV
O calor do outono persiste em nos aquecer
Em nos mostrar uma fragrância que vai ao longe
E que não podemos sentir o aroma por estamos presos
Talvez nossa angústia seja por não acreditarmos
E somente ouvir as palavras sem sentido algum
Tanto espaço para que o vácuo nos preencha
O tempo e o sino sempre a sepultar o dia
Com uma nuvem negra demais cobrindo o sol
Que nos fortalece e nos alimenta no passar das horas
Ademais quero ouvir o retinir dos pássaros formosos
Nas florestas ocultadas por muros infinitos
Quero me descolar como uma palavra ao vento
Ouvir a música ecoar por mais tempo nos meus ouvidos
Feito um lamento de uma criança que perdeu o doce
Onde está o princípio para encontrar o fim?
Não sei enxergar além do horizonte revelado
Somente tu, ó poeta, enxergou aquilo que era o início
Ou o fim que deveras revelará algo por se descobrir
Por ora não cessarei a exploração ante o desconhecido
Ó poeta! Quando o fogo e o teixo irão ser somente um?

2 comentários:

Luiza Tereza disse...

cara mto bom
incrível,realmente fico sem palavras a cada paragrafo que leio das espantosamente incríveis palavras que saem da cabeça de v6 do ponto continuando, realmente bom.

Luiza Tereza disse...

é surpreendente