terça-feira, março 19

Primeiras Impressões: A Prosa Refinada de F. Scott Fitzgerald



Por Paulo Dias
"Não se escreve por se querer dizer alguma coisa,
escreve-se porque se tem alguma coisa para dizer"
(F. Scott Fitzgerald)
                F. Scott Fitzgerald nasceu em Minnesota em 1896 e faleceu em 1940 devido às consequências do alcoolismo e de uma vida de excessos inconsequentes junto de Zelda, sua esposa e fiel protagonista em várias histórias do escritor. Cursou a Universidade de Princeton sem, no entanto, finalizar o curso. Neste período de universidade, começou a entrar em contato com famílias ricas e a encantar-se com os modos de vida burgueses. Os anos de Princeton foram cruciais para sua formação literária e como futuro escritor. A classe alta seria muitas vezes descrita esplendorosamente em seus romances, como: “Este lado do paraíso”, “Os belos e malditos”, “O grande Gatsby” (em breve terá uma nova versão com Leonardo DiCaprio no papel principal), “Suave é a noite”. Fitzgerald viveu ao lado de grandes escritores na época suntuosa - e de excessos extravagantes - da denominada Era do Jazz, junto com Ernest Hemingway. Gertrude Stein cunhou a expressão “geração perdida” para o grupo de escritores agregado ao redor de Fitzgerald e Hemingway.
                Em “O diamante do tamanho do Ritz e outros contos”, somos apresentados à prosa refinada de F. Scott Fitzgerald, que nos faz perder o fôlego e, de imediato, encantar-nos com a escrita cristalina refletida nos exuberantes contos. São contos da melhor tradição estadunidense, que colocam sem dúvida o autor entre os melhores contistas (ao lado de Anton Tchecov e Guy de Maupassant) e revelam sua veia de escritor monumental. Um dos seus contos célebres que foi transposto para o cinema por David Fincher é “O curioso caso de Benjamin Button”.
                No primeiro conto “O diamante do tamanho do Ritz”, temos a história de um jovem nascido em uma pequena cidade, que vai estudar em Boston e fica fascinado com os estudantes da classe alta, tornado-se amigo de um jovem excessivamente rico. Com teor autobiográfico, Fitzgerald nos apresenta um mundo de ganância e ilusão que leva à beira do abismo. No segundo conto “Bernice corta o cabelo”, uma jovem – também - de uma cidade pequena vai passar uns dias na casa dos tios. Lá, Bernice entra em contato com uma prima sem caráter, que a ajudará em ser popular entre os homens que não a convidam para dançar e nem prestam mínima atenção nela. No terceiro conto “O palácio de gelo”, uma jovem do sul dos Estados Unidos torna-se noiva de um jovem do Norte. Na cidade do noivo, a personagem fascina-se com a neve, mas entra em conflito com as pessoas frias do Norte. Ela questiona os hábitos prosaicos dos habitantes e arrepende-se do ato de conhecer novas lugares e esquecer as tradições profundas do Sul.
                Os contos de Fitzgerald, presentes no pequeno livro, são obras regiamente orquestradas pelas mãos de um escritor genial. Via de regra, a vida de jovens imersos na sociedade burguesa é o terreno fértil para cultivar narrativas com grande teor crítico e moralizante. Nesta perspectiva, Fitzgerald tece um panorama social da elite estadunidense, com a juventude mergulhada/entranhada no mundo de ostentações e preconceitos profundamente enraizados. Sem sombra de dúvida, Fitzgerald é um artesão do conto e sabe como ninguém conduzir as histórias para um desfecho impactante.